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O OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA publica
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Seminário de Sociologia e Comunicação
sobre Jornalismo e Indústria Cultural
Professora: Marlise Almeida
Andréa Goldsmid, Edson Viana, Fabiana Sá, Juliana Gomes, Maria Cecilia Bastos, Mariana Arieira, Rafael Teixeira
Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1998
"Não deixe que a verdade atrapalhe uma boa notícia."
do filme O Jornal
INTRODUÇÃO - ALGUMAS PALAVRAS SOBRE A IMPRENSA
Todas as definições de Jornalismo que a Literatura propõe se articulam em torno da idéia de Verdade. No entanto, qualquer que seja a definição, nenhuma ainda chegou perto de uma certeza sobre a relação que se estabelece entre ambos. Até que ponto o Jornalismo é capaz de se retratar a realidade em si e comprometer-se com a mesma? Até que ponto ele pode se manter fiel à Verdade?
Para muitos, esse compromisso é ilusório e inatingível, pois a realidade em si não existe, somente a percepção dela. Assim sendo, os juramentos de neutralidade e objetividade cairiam por terra, pois todo e qualquer jornalista, ao se predispor a relatar a realidade, estará no fundo apenas relatando a sua própria percepção.
Baseando-se nesse pensamento, podemos diferenciar o acontecimento da notícia - o relato jornalístico. O primeiro funciona como matéria-prima do produto notícia. A questão complica-se quando esse produto é absorvido pelo público como o acontecimento em si. Em outras palavras, "a realidade social dos indivíduos no mundo contemporâneo é constituída por fatos noticiosos, ou seja, de acontecimentos jornalisticamente interpretados e, portanto, transvalorizados".
A estrutura da notícia oferece ao público uma unidade narrativa tranqüilizante e até mesmo providencial para amenizar a dispersão humana nos grandes centros. O texto noticioso aponta uma causalidade, dando sentido aos fatos. Constrói uma realidade racional.
Sem o interesse na promoção de um Jornalismo Público, implementador da cidadania, configura-se hoje a supremacia do Publijornalismo, a incorporação de mecanismos de publicidade, bem como entretenimento. A notícia passa a ser aprimorada não para proporcionar ao leitor a elaboração de uma opinião consciente, mas para se constituir em uma mercadoria mais "consumível".
O slogan americano "é livre o comentário, mas os fatos são sagrados" vem evidenciar a mudança que o próprio código jornalístico sofreu com a consolidação da empresa jornalística comercial. Agora deve-se ir direto ao assunto, evitar a opinião. É a racionalização informativa do texto. Todo lead e sub-lead devem dar conta de responder as seis questões básicas que interessam ao leitor (quem, o que, como, quando, onde e por que). É a economia de tempo necessária ou desejada. O grande perigo disso tudo é que o Jornalismo é produtor de história. Uma vez regido por leis de mercado, onde a concorrência se faz sem escrúpulos, que história poderá estar ele produzindo? Será que o Jornalismo Público conseguirá sobreviver?
A ORIGEM E A HISTÓRIA DO JORNALISMO
É sempre bastante complicado precisar a origem de qualquer prática humana. Com a atividade jornalística não poderia ser diferente. Acredita-se, no entanto, que mesmo as primeiras manifestações conscientes ou organizadas de comunicação que pretendiam transmitir notícias já apontavam o nascimento do Jornalismo.
Se a princípio essa transmissão se fazia oralmente, com o tempo sentiu-se a necessidade da criação de símbolos para evitar a alteração da informação. E assim surgiu a escrita.
Os rapsodos da Antigüidade, os trovadores da Idade Média e até mesmo os violeiros que percorreram o sertão do Brasil podem ser considerados precursores dos jornalistas. Viajando de um canto a outro, divulgavam novas técnicas e costumes diferentes.
Durante a Idade Média havia todo um enclausuramento da cultura dentro dos limites do palácio. As notícias só chegavam ao povo por meio dos oficiais ou através dos trovadores e viajantes.
Com a chegada do comércio, a troca de informações passou a ser amplamente valorizada. Surgiram os primeiros comerciantes de notícias, que atendiam aos interesses dos homens de negócios e de alguns nobres. Quanto mais se libertavam dos entraves feudais e se entregavam ao comércio, mais os homens reconheciam o valor da informação.
Assim, o desenvolvimento da civilização moderna a partir das revoluções comercial e industrial e o crescente interesse pela informação promoveram o desenvolvimento do Jornalismo.
Entre as principais formas de Jornalismo escrito destaca-se a transmissão de notícias através de cartazes colocados em locais públicos nas antigas civilizações egípcias, babilônia, grega e romana. A Acta Diurna Populi Romani, criada por Júlio César em 69 a.C., afixada em uma tábua branca (album) na parede de sua casa, já possuía características bem jornalísticas de atualidade e variedade. Era um boletim oficial com notícias sobre jogos, cerimônias religiosas, atividades do Senado, incêndio etc.
Mais tarde os Annalis Maximmi substituíram o album. Mas foi somente com a criação de Guttenberg de tipos móveis que "nasceu" a imprensa. Com ela o processo de comunicação ganhou um forte impulso, beneficiado ainda pelo crescimento das cidades e do comércio por toda a Europa.
O primeiro semanário regular surgiu em 1605, o Nieuwe Tydingen, de Antuérpia. Outros semelhantes apareceram em Augsburgo (1609), Amsterdã (1620) e Viena (1620).
Nas primeiras fases de desenvolvimento do Jornalismo destacaram-se a França e a Alemanha, onde surgiram alguns dos primeiros jornais mais importantes Frankfurt Journal (1615) e a Gazette de France (1631).
Beneficiando-se da maior regularidade dos correios e das melhorias técnicas, o Jornalismo do século XVIII confirmou-se como produto da Revolução Industrial. Consolidou-se como atividade profissional. Parte das despesas passou a ficar a cargo da Publicidade, o que permitiu a redução do preço dos jornais e o acirramento da concorrência. Cada vez mais pessoas sabiam ler e escrever. Cada vez mais valia investir em propaganda e explorar o sensacionalismo na disputa pelos leitores.
Esse fenômeno se fez bastante evidente no grande sucesso conquistado pelos jornais vespertinos, que se especializaram no sensacionalismo já que não podiam noticiar os mesmos fatos já noticiados pelos jornais matutinos do dia. Devido à grande demanda
esses jornais passaram com o tempo a serem editados também de manhã.
O jornal tablóide, cuja página tem o tamanho correspondente a metade da de um
jornal comum, foi criado em 1920 nos Estados Unidos. Devido às comodidades que esse tipo de jornal oferecia, como o menor tamanho e as reportagens mais resumidas, atingiu um enorme sucesso.
A transmissão radiofônica sempre se mostrou um veículo informativo de grande importância devido a sua capacidade de transmitir uma notícia de maneira quase instantânea. Daí o grande receio que despertou desde o início nos jornais impressos. Estes chegaram até mesmo a proibir o acesso de suas fontes de informação às emissoras de rádio e muitas vezes se recusavam a divulgar a programação destas.
Somente a partir da Segunda Guerra Mundial que as emissoras tiveram permissão de se associarem à imprensa. Esta não as temia mais, pois percebera que, por mais que alguém fique sabendo de uma notícia através do rádio, no dia seguinte procurará mais detalhes no jornal impresso.
Com limitações e vantagens próprias, o radiojornalismo inaugurou uma nova forma de informar e colaborou para o desenvolvimento do Jornalismo em geral.
O telejornalismo teve suas primeiras experiências nos Estados Unidos na década de 30. As transmissões passaram a ser regulares a partir de 39, mas foram interrompidas com o início da Segunda Guerra.
A primeira grande cobertura jornalística se deu durante o terceiro ano da Guerra num ataque japonês a Pearl Harbor. Três jornalistas da CBS (Columbia Broadcasting System), ao tomarem conhecimento do ataque através do rádio, puseram a estação no ar e fizeram do estúdio, uma transmissão que durou 9 horas.
Acabada a Guerra o noticiário se integra na programação rotineira das emissoras. Ainda assim não era muito assistido pelos telespectadores. Somente a partir da primeira transmissão "ao vivo" das convenções partidárias para a escolha dos candidatos à presidência da república que os telespectadores parecem Ter se encantado com o close indiscreto das câmaras.
A grande crítica que se fazia ao telejornalismo e que ainda hoje permanece é em relação à superficialidade da visão dos fatos e à preferência pelo que melhor se adapta a lente. Nada que venha invalidar suas demais vantagens.
No Brasil, o Jornalismo não se desenvolveu sem dificuldades. Até 1920 havia uma mistura entre a literatura e o jornalismo, principalmente porque os índices de analfabetismo eram altos a escolaridade era de baixo nível. Desse modo, os escritores da época não conseguiam sobreviver somente do mercado literário, e estavam em sua maioria trabalhando nos jornais. Este veículo de comunicação era a grande vitrine dos escritores, que escreviam com uma linguagem mais simples, universalmente válida. O jornal conseguia, através dos seus folhetins, por exemplo, legitimar a obra literária. Já a partir das décadas de 40 e 50, esse mercado começou a se expandir, mas continuava encontrando muitas dificuldades. Os escritores ainda não eram profissionais, exerciam funções burocráticas no Estado, mas a implantação de indústrias de papel no país facilitou bastante o desenvolvimento deste setor. Era o começo da comunicação de massa brasileira, ainda que nos anos 40 o jornal permanecesse um veículo de elite.
A história do governo de Getúlio Vargas sempre esteve muito vinculada ao poder do Jornalismo. Tanto foi assim que a maior pressão oposicionista feita por Carlos Lacerda na Tribuna da Imprensa. No período do Estado Novo, Assis Chateaubriand manipulou o rumo da história nacional, iniciando e destruindo carreiras políticas. O controle que exercia, através do qual foi capaz de construir um verdadeiro império de comunicação por todo o Brasil, era enorme. Muitas vezes, até mesmo Getúlio Vargas teve que ceder as pressões deste empresário. Nesta época, os jornais já alcançavam grande parte da população e, ciente do seu poder, Chateaubriand fazia inúmeras negociações, se baseando nas ameaças de destruição da reputação de qualquer um. Com medo do que o império de Chatô poderia produzir, a maior parte aceitava as vontades do "Rei do Brasil". Com isso, o seu poder se ampliava cada vez mais. Seus veículos de comunicação não obedeciam a nenhum princípio e nem aos padrões éticos. Eram somente a representação das vontades do dono.
Não é possível afirmar que, neste período, já existia uma racionalidade nas empresas jornalísticas como as de Assis Chateaubriand. Entre os profissionais da área, não eram necessariamente escolhidos os melhores, nem havia uma profunda especialização das funções. Como considerou o sociólogo Fernando Henrique Cardoso no seu estudo Empresário Industrial e Desenvolvimento Econômico no Brasil, Chatô era um verdadeiro capitão de indústria. Era um empresário pioneiro que investe aventuradamente, sem uma racionalização empresarial. Seu poder estava baseado não na capacidade produtiva das empresas, mas sim na personalidade forte de Chateaubriand. Por isso, nessa época, o jornalismo ainda não poderia ser considerado como inserido na indústria cultural. Nos dias atuais, podemos compará-lo a Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, com a diferença de que agora esse jornalismo está totalmente inserido na indústria cultural. Roberto Marinho, assim como outros donos de veículos de comunicação, não são mais aqueles pioneiros de espírito empreendedor de outros tempos, mas são homens de negócios, managers que controlam com racionalidade e planejamento seus projetos. Na Globo, há a uma metodização do trabalho, uma maior especialização das funções, uma racionalidade capitalista, visando o lucro.
MERCANTILIZAÇÃO - QUANDO NOTÍCIA VIRA UM PRODUTO
A notícia penetrou de tal forma no cotidiano das pessoas, que "às vezes passa despercebido ao público o seu caráter mercantil." A informação hoje foi transformada em mercadoria e é marcada fortemente pelo valor de troca.
Seja um jornal impresso, uma estação de rádio ou um telejornal, qualquer veículo da imprensa é uma empresa. Como qualquer outra, tem um público que pretende atingir, enfrenta concorrência, tem necessidade de manter uma estrutura, deve pagar regiamente seus funcionários e, claro, vende um produto. Até aí, isso é inegável. A questão é que esse produto que a imprensa pretende vender não é uma coisa qualquer. O jornal, ou, de uma forma mais abrangente, a informação, é um produto bastante especial, peculiar e específico. Embutido nele, estão uma série de outros fatores e considerações que devem ser levadas em conta, mas que parecem que hoje estão sendo esquecidas em prol do mercado.
A notícia deveria ser encarada como um relato jornalístico considerado relevante para a compreensão da realidade. Pressupõe um fato, um relato e um público. Daí a questão do interesse público (bem diferente do interesse DO público) se fazer tão primordial para o produtor de notícia. Essa pseudo-confusão entre interesse público e interesse do público pode ser vista como fruto da implantação das relações mercadológicas na esfera jornalística. Afinal, o que é o interesse do público senão a veiculação de fofocas sobre artistas, vida privada dos famosos e toda sorte de coisas que nada tem a ver com aquilo que podemos considerar de interesse público, portanto que teria implicações sociais ou que de alguma forma afetaria a vida do leitor/espectador/ouvinte de forma mais profunda. A mercantilização do Jornalismo vem reduzindo a notícia a um produto, uma mercadoria a ser exposta e vendida.
As transformações na mídia hoje devem-se à instalação de novas tecnologias que fizeram com que o Jornalismo se inserisse no mercado. "Quando o telégrafo se associa à imprensa, o espaço nacional ganha a possibilidade de sobrepor-se ao local, e a informação noticiosa pode ser descontextualizada e desfuncionalizada, transformando-se ao mesmo tempo em mercadoria cultural, algo que por si mesmo é capaz de atrair interesse." A própria quantidade de informações recebidas hoje faz com que a transmissão seja racionalizada: textos mais sucintos, com a orientação da pirâmide invertida, que fazem com que o leitor tenha acesso a mais fatos em um menor espaço de tempo.
Isso acarreta uma perda do conteúdo crítico. Como defende James Fallows, diretor executivo da terceira revista em circulação nos EUA, a semanal U.S. News and World Report, e autor do livro Dando as Notícias - Como os meios de comunicação minam a democracia americana, a imprensa escrita poderia e deveria incluir textos mais longos, elaborados e informativos. A realidade, porém, é outra. A notícia é mais um produto cultural transformado em mercadoria, guiado, portanto, pelas diretrizes e lógica do mercado (economia de custos, de tempo para produção e consumo, etc).
Essas transformações ocorreram em todos os meios de comunicação e os tornaram cada vez mais interdependentes e interativos. O jornal escrito, para não perder espaço para a televisão está cada vez mais fazendo matérias mais leves e abrangentes, deixando textos mais profundos e argumentativos para publicações especializadas. O entretenimento passa ser a principal orientação para o jornalismo atual. "Pode-se mesmo falar de uma compulsão coletiva para o show ou espetáculo, que críticos da cultura contemporânea apontam como uma verdadeira ‘doença’. A tradicional news of the day transforma-se aos poucos no ‘show of the day’, onde até mesmo o sofrimento do outro - na verdade, basicamente o sofrimento do outro - é produzido como espetáculo."
É incrível perceber como nem a tragédia alheia que é exibida sem pudores todos os dias nos jornais e na televisão serve como forma de estímulo para desenvolver consciências que se rebelem contra todo esse sofrimento. Pelo contrário, a amargura alheia é encarada como forma de se regozijar, de consolo pessoal. É a idéia de encontrar na vida do outro situações muito piores do que o próprio leitor/espectador/ouvinte enfrenta no seu cotidiano e sentir-se satisfeito por isso.
É aí que surge o sensacionalismo e a espetacularização: na ânsia de vender e conquistar público, a imprensa apela para a emoção do leitor, às vezes deixando de lado a veracidade da informação. Abre-se, portanto, espaço para programas como Ratinho Livre, Domingão do Faustão, e publicações como Caras e O Povo, produtos de mídia que não acrescentam nada ao intelecto, servindo apenas como diversão.
PADRONIZAÇÃO - OS VEÍCULOS CADA VEZ MAIS IGUAIS
A imprensa está bastante uniforme nos dias de hoje, tanto no que diz respeito ao conteúdo e à forma de estruturação de uma matéria, quanto em termos visuais. E os Manuais de Redação e Estilo, que todos os grandes jornais impressos têm, são um bom exemplo disso. Eles buscam consolidar um suposto alto padrão da língua portuguesa no jornalismo. Através deles, pretende-se criar o perfeito jornalista moderno, dentro do sistema, preparado para conquistar uma vaga no mercado de trabalho.
O manual do jornal O Estado de São Paulo defende a idéia de que os jornalistas não ficam com camisas-de-força por seguirem as orientações do livro, mas conseguem "definir princípios que tornem uniforme a edição do jornal." Cada veículo tem a sua própria forma de redação, ortografia e estilo. Existem ainda, nesses manuais, algumas palavras que são vetadas do vocabulário do jornal: cada veículo decide a seu critério as palavras que são anti-jornalísticas, rebuscadas ou vulgares demais para serem usadas por ele. Aos profissionais que acabam de ingressar num determinado veículo de comunicação, sempre é aconselhada a leitura do manual da empresa, a fim de uma melhor adaptação. Os jornalistas de hoje não devem ter um estilo próprio, mas obedecer ao estilo padrão do jornal em que trabalham. O estilo é, portanto, não ter estilo, fato que pode ser relacionado diretamente com as teorias da Escola de Frankfurt.
Além disso, há uma forma específica de estruturação da notícia, ou seja, toda matéria tem obrigatoriamente um lead, um sub-lead, seguindo a lógica da pirâmide invertida. Assim, cada vez se exige menos qualidade e cultura de um jornalista, a partir do momento que, por dia, um profissional é obrigado a escrever até três matérias ou quatro matérias. Com uma grande quantidade de pautas, o jornalista não tem tempo hábil para apurações profundas, checagem das informações das fontes, muito menos para as matérias investigativas. Exige-se um grande poder de síntese, sem nenhum espaço para o aprofundamento dos assuntos, sem qualquer poder de crítica. Neste aspecto, é fundamental destacar que, embora o jornalista não deva escrever sua opinião em matérias, ele deve ter uma idéia formada sobre o assunto. Há, então, uma diferença entre a busca pela imparcialidade e a alienação do jornalista, principalmente, porque este profissional é formador de opinião.
Através de todas essas técnicas que padronizam o profissional da imprensa, forma-se cada vez mais um técnico da notícia, não um jornalista. Deixa-se de procurar alguém com conhecimento cultural e com mais visão de mundo, que saiba estabelecer relações entre os acontecimentos. Por isso, é necessário refletir sobre como os leitores de hoje acreditam estar bem informados lendo apenas um jornal, já que esse profissionais seguem regras de estilo, de vocabulário e, até mesmo de fontes (os jornais têm especialistas já determinados para falar sobre cada assunto, e que, obviamente, devem sempre seguir sua linha editorial).
MANIPULAÇÃO - DETURPANDO CONSCIÊNCIAS
A manipulação jornalística é um dos problemas mais graves da imprensa hoje. Inserido em uma lógica de mercado que pontua os caminhos da sua produção, o Jornalismo é responsável pela difusão da informação em todo o mundo. Esse contraponto entre a necessidade de atingir um número cada vez maior de consumidores e o dever de ser o instrumento da democracia, faz com que ele atravesse um de seus piores momentos, se comparado com todos os anos em que lutou para representar a população. Entretanto, servir a grupos de interesse e prestar serviços a determinadas correntes ideológicas sempre desafiou a ética jornalística.
A situação atual em que se encontra a imprensa não tem precedentes. O Jornalismo imparcial cedeu lugar a uma produção tendenciosa e atrelada a interesses diversos que transcendem o motivo primeiro de sua existência: servir à população.
A questão da efemeridade, que aflige a imprensa hoje, nos remete aos tempos em que os jornais eram documentos históricos, guardados com suas páginas amareladas para que as próximas gerações tivessem o prazer de partilhar das grandes sensações de épocas passadas. Hoje, o jornal é tão fugaz que parece ter perdido a memória e a capacidade de registro. Essa rapidez compactua para que os escândalos e os grandes acontecimentos de hoje percam força amanhã, se assim for necessário. Por outro lado, com a infinidade de veículos jornalísticos que surgem a cada dia e com a amplitude que alcançam, é possível que determinadas notícias passem meses sendo remoídas e estampadas nas primeiras páginas. Isso se dá devido à incrível capacidade que o Jornalismo tem de decidir o que vamos saber no dia seguinte, e esse mecanismo é regulado por uma média de leitores que compram determinadas notícias ou por grupos que desejam ou não que elas venham a emergir.
Os desdobramentos históricos da comunicação sempre foram pontuados por limitações no Jornalismo e na produção cultural. Por isso, não há como falar da imprensa brasileira sem analisar a produção jornalística durante o período da ditadura militar, a mais angustiante das experiências para o povo e para os intelectuais da época.
A censura já havia se anunciado no Brasil por diversas vezes, mas nunca ganhara força para sustentar-se por muito tempo. Com o surgimento do DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda, em 1937, o governo deteve poderes para limitar a produção dos jornais agindo rotineiramente. Com a queda da ditadura em 1945, a Constituição voltou a garantir liberdade à imprensa até a revolução de 1964.
Em seu primeiro estágio, o governo revolucionário não se incomodava com as atuações do Jornalismo, já que todos estavam empenhados em mostrar a triunfante vitória da revolução. Posteriormente, sob o governo Costa e Silva, jornais e revistas causavam inquietação denunciando a violência com que os militares agiam. Grande parte da sociedade inconformava-se com o posicionamento da imprensa, que espetacularizava temas explosivos em detrimento das notícias sobre as revoltas estudantis e atentados terroristas que pipocavam em todo o mundo. Nesse momento, houve o rompimento definitivo entre Forças Armadas e imprensa no Brasil.
A partir de então, o poder do Jornalismo foi cerceado de tal forma que a censura prévia de textos , não permitida nem mesmo no Império Constitucional, passou a ser uma prática nas redações de jornais e revistas. Esse fato marcou um bloqueio de idéias nunca mais recuperado no Brasil. Um retrocesso em nossa cultura sob a alegação de que o Jornalismo insultava a moral e os bons costumes.
Essa situação tornou-se insustentável pouco tempo depois com o Ato Institucional número 5 que calava a imprensa de forma totalitária. Os crimes cometidos nessa época e a violência da censura eram temidos por todo o país, que se uniu em momentos de pânico e silêncio. Nessa fase grandes foram os inventos para que determinadas notícias chegassem ao público e por diversas vezes letras de música que passavam despercebidas pelos censores despreparados da ditadura, gritavam por socorro e denunciavam o pior momento da história brasileira até os dias de hoje. Diversas foram as vezes que os jornais amanheceram repletos de ilustrações que preenchiam o espaço deixado por matérias cortadas previamente.
A manipulação por parte do governo militar, garantida pela censura, ganhou novas proporções na pós-modernidade. Hoje a discussão sobre esse tema chega a questionar os malefícios causados pelo chamado abuso jornalístico e pelo excesso de liberdade da mídia.
O problema é que todos os elementos que denunciam a manipulação por parte dos meios de comunicação atuam quase que inconscientemente nos consumidores. Vivemos de uma cultura marcada por valores simbólicos, onde decodificamos tudo a partir de signos que são criados diariamente graças a capacidade de representação do ser humano. Esse mecanismo quase que digitalizado, no qual a imagem é a sua principal engrenagem, força dinamismo e rapidez nunca antes experimentados pela linguagem humana.
É exatamente sobre isso que a imprensa e a propaganda atuam. A chamada cultura do simulacro proporciona um super dimensionamento do real. É um espetáculo interminável garantido pela magnitude da televisão, do computador e dos recursos tecnológicos. As formas reais ganham mais cor e mais tamanho, como se sofressem uma restruturação.
Os mecanismos de sedução devem ser exacerbados para mobilizar uma população tão sensível ao espetáculo, à simulação e à intensificação do real. A linguagem rápida e extremamente visual garante a representação a partir de signos que na maioria das vezes impossibilita um aprofundamento por parte do leitor e do observador.
Se não temos mais a censura do governo, sofremos restrições indiretas que muitas vezes nós mesmos praticamos ou passamos despercebidos por elas. Em tempos de fragmentação cultural, quando tudo está disponível para que decidamos onde encaixar nossas vontades e comportamentos, o Jornalismo também oferece essa possibilidade de escolha a partir da segmentação de jornais e revistas. Indiretamente, a separação por classe social e assunto acaba por privar o leitor de muitas coisas. Outra forma de censura, e conseqüentemente de manipulação, é a atuação dos editores, que definem os textos que entram ou não nos jornais e revistas. Essa escolha está intimamente ligada à posição do veículo para o qual o editor trabalha. Eles estabelecem um perfil em que determinam a postura que deve assumir o jornal ou a revista sobre diversos aspectos.
Na imprensa, essa lógica é permeada pela hegemonia empresarial. O grande detentor da comunicação no Brasil é o jornalista e empresário Roberto Marinho. Dono de um império inimaginável, ele representa a grande produção cultural e jornalística do país. No campo televisivo é dono da Rede Globo de Televisão e da GloboSat, além de ter participação majoritária na RBS, atuante no sul do país. Para garantir o bom funcionamento desse sistema é dono também das distribuidoras NET e Multicanal - de TV a cabo - e da SkyNet, de transmissão por satélite. Dentre os veículos impressos detém o jornal O Globo, o Extra e tem participação no Estado de São Paulo. Além disso é dono da Editora Globo e das gravadoras Som Livre e Polydor. Na esfera radiofônica é dono do Sistema Globo de Rádio e da CBN.
Esses são alguns dos campos que domina. Além disso tem inúmeras parcerias que sustentam outros empreendimentos. É dono da Fundação Roberto Marinho, que não atua diretamente na TV e na mídia impressa, mas dá forte respaldo à cultura a ao social. É ela que patrocina a TV Futura, por exemplo, um canal distribuído por cabo ou satélite, com enfoque educacional e cultural.
Paralelamente a esse império caminham outras empresas, como o Grupo Abril e famílias, como a que é dona da Folha de São Paulo, que têm grande alcance, mas que proporcionalmente estão muito distantes da dimensão das Organizações Globo e suas afiliadas.
A partir desse ponto percebemos que possibilidades de escolha existem muitas, mas por trás delas são sempre as mesmas pessoas atuando e, por conseguinte, os mesmos interesses. Para garantir os posicionamentos dessas empresas, os veículos utilizam-se de diversos mecanismos durante a confecção do jornal. As estratégias para colocação de notícias na primeira página e o tamanho que ocuparão é uma das maiores preocupações de editores e donos de jornais. A partir dessa lógica o jornal dá mais ênfase a assuntos de seu interesse e desloca para pequenas notas outros não tão importantes segundo seu julgamento. Partindo desse princípio, é comum na imprensa a condenação de algumas figuras da sociedade de forma arbitrária e tendenciosa. Da mesma forma, o destaque para outros é muito bem estudado e administrado nos espaços dos jornais e revistas.
Esse é o comportamento do Quarto Poder: a imprensa, que tem vida própria e interesses únicos, atuando de forma arbitrária e buscando objetivos mercadológicos, mas que, segundo o jornalista Alberto Dines, "deveria ser humanista e atuar como um contra poder a serviço da população."
SUPERFICIALIDADE - O FIM DA ANÁLISE E DA PROFUNDIDADE
O Jornalismo contemporâneo pode ser caracterizado pela grande quantidade de informações que chegam ao cidadão. Todo dia, novos acontecimentos entram em nosso cotidiano e sentimos a necessidade de conhecê-los melhor. É nesse momento que o jornalista torna-se importante para a sociedade, pois ele é responsável por transmitir as informações com a maior precisão possível. O fator tempo é crucial quando falamos em Jornalismo. Tudo tem que ser feito às pressas para atender as exigências do mercado. Porém, não sendo possível unir precisão e rapidez, podemos afirmar que o Jornalismo acaba aderindo à superficialidade.
Ela nos transmite uma falsa sensação de estarmos bem informados, pois temos acesso a um número muito grande de novidades. Os meios de comunicação de massa, com o objetivo de serem breves, apenas informam o essencial, sem maiores detalhes (o que certamente permitiria que o leitor ficasse melhor informado). Tome-se como exemplo o jornalismo impresso e diário. A principal tarefa do jornalista é relatar para o público tudo aquilo que está acontecendo. Ele sabe, portanto, que se não informar aos seus leitores, estes terão acesso às notícias através de seus concorrentes. Nesse caso, ele poderia estar perdendo uma boa parcela de seu público-alvo, o que diminuiria seu prestígio. Para que isso não aconteça, ele deve mostrar ao leitor que tem amplo domínio sobre todos os acontecimentos.
A superficialidade pode ser considerada como uma combinação entre a intenção do jornalista de relatar todos os fatos (como é o caso do jornal diário) e o curto tempo que possui para tal. O tempo no Jornalismo é primordial. Ele é feito às pressas e o jornalista acaba relatando apenas o que sabe e muitas vezes não demonstra convicção ao leitor, devido aos poucos detalhes que lhe fornece.
Uma das críticas mais fortes que o jornalismo recebe atualmente se refere à superficialidade com que a Editoria de Política dos órgãos de imprensa tratam suas matérias. O leitor não consegue ter acesso aos fatos que estão ocorrendo na política no âmbito nacional e internacional. Os jornais apenas divulgam a agenda dos políticos e aquilo que eles pretendem fazer, sem se preocupar com os interesses da sociedade e com aquilo que ela gostaria que fosse feito.
PUBLICIDADE - OS JORNAIS DE ANÚNCIOS
Os meios de comunicação, em geral, encontraram na Publicidade um dos fatores de seu desenvolvimento. Através dela, puderam obter financiamento para se criarem e se modernizarem, e quando se tornaram meios comerciais, tiveram nela sua principal fonte de lucro.
Assim se deu com a mídia impressa. Devido à sua grande circulação, e por conseguinte, abrangência, estava presente em uma grande parcela da sociedade, nas mais diversas classes sociais. Isso logo atraiu os anunciantes, que viram no grande número de leitores, um mercado em potencial para seus produtos.
À medida que o veículo foi se desenvolvendo, com um gradativo incremento na tiragem e também devido ao crescimento da industrialização, foi demandando e recebendo um número cada vez maior de investimentos. Isso levou a um aumento no espaço destinado aos anúncios, que vem ocorrendo até os dias de hoje.
Na revista semanal Veja de 15 de novembro de 1998, por exemplo, a quantidade de páginas destinadas a propaganda chegou à quase metade do total: 106 de anúncios e 110 de matérias. A revista atribui este crescimento à qualidade de seus serviços e ao alto nível de seus leitores. Mas no editorial, afirma que este ano superou a média anual de venda em bancas. Isso se chama aumento no número de compradores em potencial. É o que sempre atraiu as empresas anunciantes. O editorial ainda exalta o número de reportagens, que aumentou em 25 páginas.
Isso pode, à primeira vista, parecer uma grande evolução, mas é uma mera desculpa para justificar o absurdo de destinar metade do seu espaço à anúncios. O lucro que se obtém é enorme se levarmos em conta a densidade de notícias por anúncios. É praticamente um outdoor móvel, onde, ao contrário de lermos notícias entremeadas por anúncios, vemos anúncios entremeados por notícias. Além disso, se "o grau de autonomia de um órgão de difusão se mede sem dúvida pela parcela de suas receitas que provém da publicidade e da ajuda do Estado (sob a forma de publicidade ou de subvenção) e também pelo grau de concentração dos anunciantes", podemos perceber nas publicações atuais um grau mínimo ou nulo de autonomia.
Isso se dá com clareza nos jornais diários. Estes chegam a diagramar suas edições começando pelas propagandas, e depois ajustando as matérias aos espaços que sobram. Numa eventual falta de espaço, o anúncio tem prioridade em detrimento das reportagens. Em alguns jornais, como O Globo, certas páginas são impressas com mais de 90% de sua área coberta por anúncios. Esses fatos geraram uma grande controvérsia nas redações de jornais. Os repórteres não podem cobrir fatos que sejam contra algum de seus anunciantes. Os interesses econômicos sobrepujaram a isenção jornalística.
Os jornais se pautaram de tal forma nos anunciantes, que isso gerou uma interdependência entre os setores. Eles não sobrevivem sem os anúncios, e se por uma conjuntura econômica desfavorável as indústrias tiverem prejuízos, os jornais são levados a reboque. É um efeito dominó: uma empresa quebra, começa cortar seus investimentos por onde é mais supérfluo, a propaganda. Então, os jornais também vão se encontrar em dificuldades e vão começar a demitir funcionários. Isso vem acontecendo com o Jornal do Brasil e com a Manchete, que estão à venda, completamente endividados.
As saídas buscadas pelos jornais para as crises têm sido a distribuição de brindes ou a realização de sorteios, o que transformou a imprensa mais do que num produto, mas num vale-prêmios. Isso tem desvirtuado completamente seu objetivo primordial, que deveria ser a divulgação e análise imparcial de fatos relevantes para a sociedade.
MASSIFICAÇÃO - COMO O PÚBLICO SAI PERDENDO
É fácil perceber que, em uma sociedade em que a imprensa já foi incorporada pela lógica social de consumo e o Jornalismo praticado é manipulador, superficial e padronizado, é impossível que o homem esteja bem informado no sentido mais amplo dessa palavra.
Se a consciência do leitor é manipulada pela imprensa, se os jornais estão carentes de análise crítica, se todos os estilos são todos muito semelhantes, não há na verdade qualquer possibilidade de estar bem informado. As notícias que chegam ao público são aquelas que os editores e donos de jornal querem que chegue. Uma espécie de filtro invisível separa o público das informações. Como se vê, mesmo supondo uma hipótese impossível de que um sujeito fosse capaz de ler todos os jornais em circulação pelo mundo, ele ainda assim não saberia de tudo que está acontecendo, mas só aquilo que os editores, mediante os seus próprios critérios de avaliação, considerassem válido que ele soubesse. É a ideologia do "isso não nos interessa" que contamina as redações e cujos efeitos se refletem no público.
Além desse aspecto qualitativo, há outro, de caráter mais quantitativo. Não é difícil notar que, no mundo de hoje, é inviável que alguém tenha consciência de todos os acontecimentos, ou mesmo de um grande volume deles. Isso seria assim, mesmo que os órgãos da imprensa mundial não se utilizassem de estratégias de manipulação do público. A espantosa velocidade com que os fatos ocorrem, a quantidade de informação com a qual o homem moderno tem de lidar, enfim, uma série de fatores não permitem que isso aconteça, ainda que isso fosse do interesse dos editores dos jornais. Não há, portanto, seja qual for a causa, uma deglutição total da notícia. Cai por terra o mito do "dê-nos dois minutos e nós lhe daremos o mundo", slogan de uma rádio americana de notícias. O mundo nunca será dado em sua totalidade ao público.
Outro fenômeno que tem ocorrido na imprensa mundial, o da segmentação dos veículos e conseqüentemente dos públicos, nada mais é do que uma base para o caráter manipulador do Jornalismo. A sensação de que cada vez mais temos opções de escolha é enganosa e limitadora. Escolher dentro daquilo que a mídia nos oferece, afasta a possibilidade de experimentar novas fontes de informação providas da credibilidade que o Jornalismo ainda diz preservar. O importante é entender que essa credibilidade vai além do compromisso com a veracidade dos fatos e das fontes, mas está intimamente ligada com o papel do leitor, já que a prestação de contas maior deve ser a ele. Temos o direito de nos apropriarmos da notícia como bem entendermos, segundo critérios pessoais e de acordo com nossos posicionamentos diante dos fatos publicados.
Por tudo isso, o que se forma então é uma massa de leitores, ouvintes e espectadores que é perpassada por uma média de conhecimento de informações. Todos sabem mais ou menos as mesmas coisas e, mesmo que não saibam, pelo menos têm acesso a mais ou menos às mesmas informações. É curioso notar como a imagem da pessoa culta está associada atualmente à imagem do bem informado. Primeiramente, pode-se dizer que isso já é paradoxal, pois, como foi mostrado anteriormente, o bem informado é uma ilusão. De qualquer forma, o sujeito com capacidade de análise, o verdadeiramente inteligente foi substituído pelo "antenado" com o mundo, que sabe o que está acontecendo, que leu mais livros e assistiu a mais filmes (mesmo que daí ele seja incapaz de elaborar qualquer reflexão mais profunda). O público torna-se tão superficial quanto a própria imprensa.
CONCLUSÃO - HÁ ESPERANÇA?
Não existe dúvida de que o Jornalismo dos dias de hoje está tão inserido na indústria cultural quanto qualquer outro produto vendável. É a lógica de um sistema sufocante e devorador que domina a imprensa mundial. Mas seria o caso de desistir e entregar os pontos por isso?
Por outro lado, o Jornalismo tem uma função importantíssima a desempenhar em favor da humanidade. Mesmo sendo, muitas vezes, superficial, parcial e divulgadora da ideologia do dono do veículo, a imprensa distribui informações e ajuda na formação de verdadeiros cidadãos conscientes e questionadores.
A questão ética nesta profissão deve ser encarada muito seriamente porque os jornais são capazes de construir a história de um país. Mesmo inserido na indústria cultural, o jornal não é um produto como outro qualquer. Embora tenha que objetivar o consumo, não pode deixar de visar o interesse público. Forjar depoimentos, inventar fatos e realidades não é somente enganar o público agora, mas também construir uma memória falsa para a posteridade.
Se é impossível lutar contra as regras de uma estrutura tão dominadora, há, em contrapartida, a possibilidade de burlá-las. Não fosse assim, que sentido teria qualquer escola de Jornalismo? A regra do jogo é a lógica do consumo, é verdade. Mas há meios de fazer sua parte como formador de cabeças pensantes sem desobedecer a mesma. Para se ter uma idéia, o jornalista Alberto Dines afirma que o fato do New York Times ser o jornal de maior qualidade do mundo não exclui seu sucesso como uma empresa. É possível transitar nessas duas esferas. Só o fato de tomar consciência dessa inserção da Jornalismo na indústria cultural, que de fato existe, e discuti-la já nos deixa mais preparados para encarar o que vamos encontrar no futuro.
BIBLIOGRAFIA
- BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Editora Zahar, 1997;
- Texto "A forma da notícia";
- Folha de São Paulo
(caderno MAIS! de 9 de março de 1997);
- Internet:
www2.uol.com.br/arquivo/inde051198.htm
www2.uol.com.br/aspas/inde051198.htm
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