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CNBC
Arrastada pela crise

Com as bolsas de valores em queda e falcatruas vindo à tona em grandes empresas, o canal a cabo americano de notícias financeiras CNBC vê sua audiência cair (25 % no segundo trimestre de 2002, com relação ao mesmo período do ano passado), e tem de enfrentar críticas por sua relação com executivos e analistas desacreditados que transformou em astros da televisão. A rede teria ajudado a inflacionar ações, dando espaço demais à opinião de agentes do mercado.

Executivos da CNBC dizem que estão no caminho da recuperação. Eles apontam, por exemplo, matéria recente em que um repórter interceptou o analista Jack Grubman, do banco Salomon Smith Barney, e perguntou por que continua recomendando compra de ações da Worldcom se seu valor caiu drasticamente. A programação tornou-se mais analítica e foi abandonado o tratamento de evento esportivo que era dado ao mercado – com matérias antes, no intervalo e depois do fechamento.

Os índices menores de audiência, segundo a rede, seriam apenas indicativo de que a CNBC foi abandonada por pessoas com interesse genérico que acompanhavam as finanças quando o clima era otimista e os investimentos rendiam e que agora não suportam ver as investigações contábeis. "As pessoas estão realmente desapontadas com o que está acontecendo com seus rendimentos. E vocês pensam que eu acho que eles querem ouvir muita coisa a respeito de seus investimentos?", comenta Robert Wright, presidente da NBC, divisão da General Electric que controla a CNBC. Ele ressalta que o público que mais importa – grandes investidores e administradores de capital – ainda assiste ao canal, embora isso não fique evidente nas medições de audiência.

Apesar das mudanças, ainda persistem as críticas, segundo The New York Times [29/7/2002]. O fato de James Cramer – sobre o qual pairam suspeitas de que se beneficia de sua condição de jornalista e investidor – ser âncora de um programa e as dicas de compra de ações que administradores de fundos apresentam toda sexta-feira à tarde seriam sinais de que a CNBC ainda tem muito de seu velho jeito de ser.

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