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MOÇAMBIQUE
Audiência recorde em julgamento

No fim de 2002, as populares novelas brasileiras perderam audiência em Moçambique para uma intriga da vida real, transmitida pela rádio e a TV estatal: o julgamento de seis acusados do assassinato de um jornalista. O caso envolve figurões do governo e uma testemunha acusa o filho do presidente de ter pagado pelo homicídio.

Assassinado em novembro de 2000 quando investigava o desvio de US$ 14 milhões do banco estatal na véspera de sua privatização, Carlos Cardoso era dono e editor do antigo diário Metical. Segundo Nicole Itano [Christian Science Monitor, 19/12/02], o julgamento atingiu as mesmas proporções do processo contra O.J. Simpson, acusado do assassinato da mulher, com multidões se reunindo em bares e restaurantes para assistir aos procedimentos no tribunal.

Mas além do interesse no drama, o povo de Moçambique encara o julgamento como um teste para o governo. A publicidade em torno do caso dá sinais de que as autoridades não pretendem interferir e vão investigar as acusações até o fim, mesmo envolvendo pessoas influentes. Entre os acusados estão integrantes da família Satar, negociantes de origem paquistanesa envolvidos no escândalo que Cardoso investigava. Eles reconhecem que providenciaram o dinheiro usado para pagar os assassinos, mas alegam que não sabiam no que seria usado; o pagamento teria sido feito a três homens em nome de Nyimpine Chissano, filho do presidente Joaquim Chissano.

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