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TELEJORNALISMO
Otimismo com público fiel
Os canais de notícia americanos começam a acreditar que a audiência que obtiveram com os ataques terroristas de 11 de setembro não fugirá embora com a chegada de tempos mais tranqüilos. Estatísticas mostram que o público pode ter criado o hábito de assistir a noticiários. No primeiro trimestre do ano, as emissoras ABC, CBS e NBC ganharam 930 mil novos telespectadores para seus jornais noturnos, segundo a consultoria Nielsen.
O fato de a pesquisa se referir a um período já bem posterior aos ataques é motivo de otimismo. "Acredito que houve um genuíno aumento de interesse no mundo e nas notícias", diz Paul Slavin, produtor executivo do World News Tonight, da ABC. Este programa é responsável por cerca de dois terços do número aferido pela Nielsen, com média de 10,4 milhões de espectadores diários. Nightly News da NBC é o líder, com 11,2 milhões.
David Bauder, da AP [2/4/02], informa que na TV a cabo, o maior crescimento foi do canal Fox News, que deixou a CNN comendo poeira com seu aumento de audiência de 116% com relação a 2001. Agora, são em média 666 mil espectadores do líder de segmento contra 546 mil do vice. Em terceiro, está o MSNBC, que tem marca de 290 mil, mas contabiliza crescimento menor que os outros (24%).
REVISTAS
Jornalismo ilustrado
No final de abril serão entregues os prêmios National Magazine, os principais para revistas americanas. Entre as indicações há grandes reportagens, mas em menor quantidade que no passado. A principal conclusão a que se chega com a seleção deste ano é que o texto é cada vez menos importante neste tipo de veículo. Apesar de os ataques de 11 de setembro terem propiciado bons e extensos artigos, o que se vê é a predominância de matérias de 800 palavras no máximo.
O público das revistas sempre foi dividido entre os que olham e os que lêem. Hoje, o segundo grupo parece menor que nunca. "Costumávamos brigar com os repórteres e editores para colocar uma imagem", recorda um designer que trabalhou em diversas revistas importantes dos EUA. "Agora o desafio do design é pegar o pouco texto de que dispõe e torná-lo grande o suficiente para viabilizar uma experiência editorial".
Sinal dos tempos é a presença cada vez mais comum da foto-legenda, em que um par de frases condensa toda a informação. "O que fazemos é mais parecido com cinema que com revistas tradicionais", explica Greg Gutfeld, da Stuff. "Se os leitores de revistas tradicionais fossem honestos, admitiriam que não lêem mais que 10% do começo de um artigo longo. E nós damos só os melhores 10%".
O fenômeno abrange todo tipo de publicação. "Ouço a palavra 'pacote' bem mais que de costume em revistas femininas", conta Judith Newman, jornalista de longa carreira. O termo se refere a matérias em forma de blocos "do tamanho de um McNugget". "É triste que as repórteres vejam as revistas masculinas como algo a que se deve aspirar".
Considerando que o leitor atual vive em um mundo que o bombardeia com imagens, David Carr, do New York Times [1/4/02], conclui que as revistas continuarão dando rumo à cultura de massa, mesmo que ninguém nesta era "pós-literária" tenha tempo ou paciência para histórias compridas.
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