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ARGENTINA
Capital estrangeiro na mídia

Na convenção deste ano da Asociación de Entidades Periodísticas Argentinas (Adepa), as editoras de jornais vão ter algo a festejar, pela primeira vez em quatro anos de depressão econômica: graças ao intenso lobby da associação, foi aprovada no mês passado legislação que permite o investimento estrangeiro em empresas jornalísticas, limitado em até 30% do capital. Uma das táticas para conseguir a aprovação foi o apelo à sociedade argentina para que protegesse os valores culturais "veiculados por uma imprensa que se identifica essencialmente com nossos ideais patrióticos", conta Mark Fitzgerald [Editor & Publisher, 10/9/02]. O autor lembra que o Brasil também adotou lei semelhante.

Os jornais argentinos enfrentam tempos difíceis há alguns anos: sofreram queda de 35,8% na circulação entre 1997 e 2001 e amargaram aumento de 100% no preço do papel-jornal (calculado em dólar). O governo federal não tem se mostrado amigável: no ano passado, criou imposto de 10,5% sobre papel-jornal, propaganda e tiragem e muitos jornais pequenos estão fechando – dois dos três diários gratuitos distribuídos em Buenos Aires desapareceram.

A carga deveria ser aliviada com a diminuição de impostos sobre a folha de pagamento, mas na prática não está funcionando, alegam as editoras. O presidente da Adepa, Jose Claudio Escribano, liderou recentemente delegação de editores que foi pedir ao presidente Eduardo Duhalde a revisão dos tributos. A única resposta que tiveram, segundo Escribano, é que "não vai haver mudanças".

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