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MÍDIA & MERCADO
Guerra contra os diários gratuitos

Pela descrição do cenário, nem parece que ocorreu em Paris e Marselha: vendedores espancados por sindicalistas, parques gráficos destruídos, caminhões atacados e pilhas de jornais jogadas no lixo. A causa da comoção: a distribuição de dois tablóides gratuitos feitos por uma companhia sueca.

Metro, publicado pela Metro International – que edita jornais similares financiados por propaganda em outras 20 cidades européias – chegou às ruas de Paris mas não ao metrô, onde sua circulação é proibida porque a concessão já pertence a um semanário gratuito. Em Marselha, nenhum exemplar foi distribuído porque 40 pessoas invadiram o parque gráfico e ameaçaram destruir as rotativas. A companhia imprimiu o tablóide em Luxemburgo, antecipando as tentativas do sindicato dos gráficos franceses de impedir a distribuição porque a companhia não entrou em acordo após três meses de negociações.

O sindicato pediu ao governo que proibisse a distribuição de jornais gratuitos até que fossem estudados os seus efeitos sobre a economia – um processo com duração estimada de seis a oito meses. Como a proposta não foi aceita, Jean-Marc Beauvais, secretário nacional do sindicato, promete mais distúrbios. "A violência é a reação dos homens cujos salários estão ameaçados – é o único meio que temos", justificou.

Um terceiro tablóide gratuito, Marseilleplus, não teve qualquer problema de distribuição por ser uma publicação de La Provence, um diário estabelecido que tem contratos trabalhistas. Aparentemente, o jornal foi criado para roubar o mercado que o Metro poderia seduzir.

Nenhum desses jornais tem a intenção de competir com jornalões como Le Monde Libération ou Le Figaro. Com grandes fotos coloridas, matérias curtas e uma longa lista de serviço local, as publicações gratuitas não oferecem mais do que 20 minutos de leitura. Ainda assim, muitos veículos e profissionais se sentem ameaçados. O Liberátion, por exemplo, diário nacional vendido pelo equilavalente a 1 dólar, publicou editorial em que desdenha seus competidores gratuitos e pede proteção do governo, sublinhando que a diferença entre eles é de "250 jornalistas para 10".



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NegrumeIvson Alves de Sá

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