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QUALIDADE NA TV

ASPAS
Jotabê Medeiros

"Os limites estéticos da hiperviolência", copyright O Estado de S.Paulo, 2/7/00

A exacerbação da violência nas imagens da TV, sob o pretexto de denúncia, não é só mais uma forma cínica de estimular a violência? A velha discussão volta à baila esta semana, com o cerco do Ministério Público a um clipe de uma banda de rap – Isto aqui É uma Guerra, do grupo Facção Central, que passa na MTV.

O clipe, de fato, é ultraviolento. Em alguns momentos, o realismo 'didático' de suas cenas – assalto a uma residência, sequestro-relâmpago, roubo de carro, fuga do distrito policial – parece obedecer a um princípio de glorificação, antes do de denúncia. Ao se aproximar, sem a menor cerimônia, da linguagem e do modus operandi dos criminosos, o diretor Dino Dragoni parece menos indignado do que reverente.

É difícil entrar com algum apontamento original nessa questão, que sempre culmina com a possibilidade do controle. Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), o clássico de Kubrick, foi acusado de estimular a violência. Historiadores do pop alegam, inclusive, que o filme está na base do niilismo punk, que veio a seguir.

O estudante de medicina Mateus da Costa Meira, que atirou na platéia num cinema de shopping após ver Clube da Luta (Fight Club), estava ou não sob influência da hiperviolência do filme? Ele ficou maluco antes ou depois do filme? E sua piração, afinal, foi instrumentalizada pela pancadaria da tela?

O escritor peruano Mario Vargas Llosa diz que um dos problemas do mundo contemporâneo é que a violência alcançou um direito de cidadania, graças, em grande parte, à cultura. 'A violência é um de seus produtos mais refinados e está aqui para ficar, pois veio misturada entre as dobras da mais preciosa conquista humana, que é a liberdade, à qual devemos o que de melhor aconteceu à Humanidade', lamenta o escritor.

Llosa diz que se envergonha de ter feito parte do júri que premiou, no Festival de Cinema de Veneza, o controverso Assassinos por Natureza, de Oliver Stone, filme que dizem ter inspirado uma onda de assassinatos nos Estados Unidos. 'A caça às bruxas para explicar os males da sociedade está encravada em nosso sangue', defendeu-se Stone. 'A diferença é que agora nós não culpamos mais a feiticeira do vilarejo, nem o gato preto dela, mas o escritor, o fotógrafo e o cineasta.'

Llosa crê que a liberdade trouxe embutida consigo o excesso. 'A cultura dominante generalizou a idéia de que impor autoridade às crianças é dilacerá-las moral e psiquicamente, é estropiar a sua formação, violentá-las.' Seria a mesma coisa em relação ao vale-tudo da TV, a 'criança' da indústria cultural, seu rebento mais indócil e desregrado. Ninguém quer botar a mão na ferida, porque é um custo político alto. O guri repreendido pode não gostar. Então, permite-se tudo.

Por outro lado, é preciso estar atento à sanha moralista. A Guernica, de Picasso, é uma obra de extrema violência e impacto. Mas é só a representação de um massacre, de um sintoma da sociedade na qual vivia Picasso. Regular a violência campal que passa das ruas para a TV é uma tarefa que requer inteligência e coragem, antes mesmo da vara de marmelo e dos rigores do castigo."

 

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O Estado de S. Paulo

"Emissoras educativas querem publicidade", copyright O Estado de S. Paulo, 1/7/00

"Os cerca de 60 participantes do 1º Encontro Nacional de Dirigentes de Veículos de Comunicação Social das Instituições de Ensino Superior, realizado em Curitiba, defenderam ontem em documento oficial a liberação da captação de recursos para emissoras universitárias e educativas por meio da publicidade. Eles também pedem a inclusão de dispositivo com o mesmo objetivo na Lei Geral de Comunicação Eletrônica de Massa."



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