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ASPAS
PEDOFILIA
Sarah Lyall
"Pedofilia, histeria e sátira: reação pública contra um programa de TV britânico", copyright The New York Times / Último Segundo, 3/8/01
"As reclamações começaram assim que o programa de televisão, planejado para satirizar o que seus criadores vêem como histeria pública sobre pedofilia, começou.
Alguns telespectadores se queixaram da linguagem vulgar usada pelo programa e das imagens provocativas. Alguns não gostaram do humor, quando o narrador apareceu pondo seus filhos para dormir em um armário para protegê-los de predadores sexuais (‘Seus filhos estão em segurança?’ ele perguntou. ‘Os meus sim.’) Outros simplesmente acharam tudo ultrajante.
Qualquer que seja a razão, a edição do programa da última quinta-feira, um episódio da série Brass Eye, provocou um furor de proporções incomuns em um país que sempre empreende boas brigas públicas a favor da censura e da moralidade.
Quase 3 mil pessoas apresentaram queixas oficiais contra a série, um número mais do que o de qualquer outro programa, e colunas de jornais estavam repletas de cartas de pessoas revoltadas. O secretário de governo o denunciou, juntamente com uma porção de funcionários do governo, inclusive um porta-voz do primeiro-ministro Tony Blair.
A razão para toda esta revolta foi um programa de apenas 30 minutos que foi ao ar no dia 26 de julho no canal 4, um dos cinco canais da televisão britânica. Foi descrito como um programa de paródias de assuntos públicos sobre os males da pedofilia, mas sua verdadeira intenção, de acordo com seus criadores, foi a de satirizar a maneira como o público encara o assunto.
No ano passado, por exemplo, o ‘News of the World’, um tablóide sensacionalista, iniciou uma campanha para ?expor e denunciar? criminosos sexuais que foram libertados da prisão. A campanha levou a linchamentos, bombardeios e tumultos em pelo menos 11 comunidades, e alguns manifestantes atacaram pessoas que haviam sido incorretamente identificadas como pedófilas.
Em uma declaração, o canal 4 disse que queria se desculpar pelo fato de que o Brass Eye tenha insultado as pessoas, mas Chris Morris, responsável pelo programa, não queria fazer piadas com a pedofilia em si. ‘Seu objetivo era satirizar o perigoso sensacionalismo e exploração que podem caracterizar a cobertura da mídia em relação ao assunto’, afirma o canal 4.
Beverley Hughes, ministra de proteção às crianças, disse que apesar de não ter visto o programa todo porque ficou repugnada, leu sobre ele e achou-o ‘horrivelmente doente’. E Tessa Jowell, ministra da cultura, disse que iria examinar as queixas públicas contra programas de televisão.
Mas houve também um movimento de oposição contra a reação pública. A Comissão de Televisão Independente, que recebeu 962 reclamações sobre o programa, afirma que recebeu também 411 telefonemas de apoio ao programa.
O que acontecerá agora está nas mãos da Comissão de Televisão Independente, a agência que determina padrões para a indústria e analisa reclamações do público. Se achar que o canal 4 quebrou o código de decência e bom senso, por exemplo, a comissão poderá fazer uma condenação pública ou cobrar uma multa da estação de televisão."

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