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ASPAS
TVs PAGAS vs. GLOBO
Elvira Lobato
"TVs a cabo contestam ‘monopólio’ da Globo", copyright Folha de S. Paulo, 4/07/01
"Quarenta e cinco empresas de TV a cabo entraram com processo na SDE (Secretaria do Direito Econômico), do Ministério da Justiça, contra as Organizações Globo. Elas querem o direito de transmitir o canal pago SporTV, da Globosat, que tem exclusividade sobre os mais importantes eventos esportivos do país.
O processo foi movido pela Associação Neo TV, de São Paulo. A entidade funciona como uma cooperativa das empresas de TV a cabo que não fazem parte do sistema Net (Globo).
O processo na SDE começou em maio e vinha sendo mantido em sigilo, a pedido do ministério, que quer evitar pressão da mídia durante a investigação.
As operadoras independentes alegam que o modelo de comercialização dos canais pagos vigente no Brasil estaria levando ao monopólio da Globo, que já concentra 63% dos assinantes de TVs a cabo e de TV paga com transmissão por satélite.
O SporTV é um canal exclusivo da Globosat e só é distribuído às TVs a cabo afiliadas da Net Brasil, empresa das Organizações Globo que comercializa canais por assinatura. As associadas da Neo TV querem comercializar o canal nas mesmas condições financeiras oferecidas aos afiliados da Net.
Um dos argumentos usados no processo é o de que as Organizações Globo estariam usando seu poder econômico na TV aberta para conseguir exclusividade de transmissão dos eventos esportivos para suas empresas a cabo.
ESPN
Argumentam também que a Globo teria aumentado ainda mais o desequilíbrio do mercado ao comprar, em outubro do ano passado, 25% da ESPN Brasil e 33% da ESPN Internacional.
A ESPN Brasil tinha, até 1997, direito de transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol, mas perdeu esse direito para a Globo. Atualmente, ela tem exclusividade de transmissão de alguns eventos esportivos, como os campeonatos de basquete de São Paulo e do Rio de Janeiro e o campeonato paulista de futebol de salão.
Antes de se associar à Globo, a ESPN Brasil era sócia e programadora exclusiva da TVA, mas o Grupo Abril vendeu sua participação na empresa. As operadoras independentes, que têm contrato em andamento com a ESPN, temem pelas condições de renovação dos contratos e querem que o Ministério da Justiça se pronuncie também a esse respeito.
Segundo os empresários, não há diversidade de oferta de canais esportivos, como ocorre com os de filmes e infantis, e os programadores ditam as regras no mercado, impondo pacotes de canais às empresas de TV a cabo.
Um dossiê do setor obtido pela Folha descreve da seguinte forma o relacionamento entre as programadoras e os proprietários das TVs a cabo: ‘Todas as negociações são baseadas no jogo de forças entre essas duas pontas. (...) A exclusividade de programação pode resultar em monopólio, principalmente se a programadora e a operadora pertencerem ao mesmo grupo empresarial’.
O documento diz que menos de 10% das casas com aparelho de televisão têm TV paga e que este baixo índice cria um círculo vicioso: quanto menos assinantes, menos investimentos em produções locais e quanto menos produção local, menor número de assinantes. ‘Assim, a TV aberta não encontra concorrente à altura.’ O sistema de TV paga tem, no total, 3,4 milhões de assinantes."
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"Diretor diz que Globo ‘replicou’ modelo da TVA", copyright Folha de S. Paulo, 4/07/01
"O diretor da Globosat, Alberto Pecegueiro, afirma que o direito de transmissão de esportes é, por natureza, exclusivo. ‘Se não houver exclusividade, não existe esporte. Cada um tem a exclusividade que consegue. A ESPN tem algumas, a DirecTV (TV paga via satélite) tem outras’.
Segundo ele, o mercado brasileiro de TV por assinatura, ao contrário do norte-americano, prevê mais de uma operadora de TV a cabo por localidade e a competição leva à busca por conteúdos exclusivos.
Pecegueiro diz que foi a TVA, hoje integrante da Neo TV, que começou tal política, no início dos anos 90. ‘Ela, orgulhosamente, tinha o HBO e o ESPN como seus canais exclusivos, mas a coisa acabou não andando como eles previam. Nós replicamos o modelo criado pela TVA’, afirmou. O SporTV, segundo ele, tem contrato de exclusividade com as operadoras da Net Brasil e está amarrado a este contrato.
Pecegueiro diz que encara o processo da Neo TV como ‘um elogio’ à qualidade da programação do SporTV de maneira geral, e não apenas como resultado do interesse específico pela transmissão dos jogos de futebol. A direção da Neo TV não quis dar declarações sobre o processo na SDE."
PORTO DOS MILAGRES & SHOW DO MILHÃO
Luiz Caversan
"FG não é FHC", copyright Folha de S. Paulo, 8/08/01
"A cena até que era fraca: pouco mais que uma dúzia de manifestantes carregando faixas, punhos cerrados, expressões de indignação. O que chamou a atenção mesmo foram os gritos, a palavra de ordem: ‘Abaixo FHC! Abaixo FHC!’.
Abaixo FHC?
Ainda que distraído com a leitura de um jornal, sabia que o aparelho estava sintonizado na Globo, e, logo, soou estranha toda aquela explicitude antigovernista.
Mas a confusão mental durou apenas alguns segundos e se desfez com o surgimento dos rostos de atores conhecidos, como Paloma Duarte e Kadu Moliterno.
Não, não era o ‘Jornal Nacional’ num arroubo de pluralismo democrático, dando voz e vida aos descontentes, àqueles que são contra, ou do contra.
Tratava-se da novela que havia começado e os gritos eram, na verdade, ‘Abaixo FG! Abaixo FG’.
FG é Félix Guerreiro, o prefeito mau-caráter, corrupto e sacana de ‘Porto dos Milagres’, cidade fictícia que dá nome à principal trama global atualmente no ar.
Em seguida à cena da passeata, o personagem, vivido por Antônio Fagundes, demonstra toda a sua malignidade: tenta um truque, socorrendo uma moça adoentada, tem um ataque de raiva e promete esmigalhar seu principal desafeto. Segue adiante em sua performance de político bandido, manipulando manifestantes, enganando jornalistas, apoiado pelo um filho bobão, pela mulher interesseira e pelo capanga violento.
Ou seja, pondo em prática na ficção aquilo que ocorre com uma frequência revoltante na política nacional.
Não deixa de ser didático: a telenovela cumprindo um papel precípuo do jornalismo, obviamente no terreno da fantasia, mas demonstrando como é que se dá o jogo do poder no mundo da política mesquinha e rastaquera.
Aliás, esse tem sido um dos raros predicados nessa novela das oito: mostrar o mundo da política real via personagens fictícios. Pouco tempo atrás, em plena temporada de cassação de senadores, Lima Duarte viveu um parlamentar pilantra que acabou se dando muito mal nas mãos do escroque Guerreiro.
No mais, a novela, na qual outra vez impera aquele insuportável sotaque pseudobaiano, vai bem pouco além do drama da mocinha loira e rica que se apaixona pelo pescador moreno e pobre. Originalíssimo, não?
Desde que o TV Folha publicou uma reportagem apontando alguns erros no concurso televisivo ‘Show do Milhão’, tenho ouvido as mais variadas manifestações a respeito do programa, Ora é alguém dizendo que também detectou um erro, ora é um colega comentando uma pergunta que foi levada ao ar. O fato é que o programa de Silvio Santos mobiliza as pessoas, atrai a atenção de gente das mais variadas camadas sociais, tendências políticas, sociológicas ou estilísticas.
Religiosas também: para esclarecer uma dúvida relativa a uma pergunta de cunho eclesiástico, o repórter do caderno recorreu às autoridades da Igreja no Brasil. Não teve problemas, porque o bispo que o atendeu era telespectador do programa.
Ou seja, um almanaque de cultura inútil (‘Qual a cor do topázio?’) é capaz de conseguir a façanha de liderar a audiência da segunda rede de TV do país. Menos mau. Poderia ser mais uma reprise de ‘Rambo’ ou uma hora a mais de ‘Programa do Ratinho’, com suas aberrações. Preferível acompanhar alguém respondendo que lusitano se refere a alguma coisa de Portugal, ainda que, no programa, o nome do país tenha sido grafado Portugual...
Por isso creio que o SBT deveria se levar mais a sério, o programa poderia ser mais bem cuidado, e não simplesmente sustentar as respostas das perguntas que vão ao ar em uma enciclopédia, que, como já foi demonstrado, traz erros ou permite interpretações diversas.
Ou, quem sabe, é justamente no fato de conter incorreções, estimular a polêmica que se encontra a fórmula do sucesso?
Por falar em sucesso: não há quem não fique enternecido com o comercial da rede de lanchonetes McDonald’s, em que o personagem é um bebezinho sobrancelhudo, ruivo e com carinha de filho do Russel Crowe.
Tecnicamente, o comercial é de uma simplicidade só: a câmera não abandona o rosto do garoto, captando suas expressões em sintonia com a locução de fundo. A marca do produto anunciado praticamente não aparece, surge em relances. Mas chega lá, ou seja, você fica sabendo do que se trata.
Exploração comercial da imagem infantil? Que seja. Pelo menos temos aqui uma demonstração de que é possível exercitar o bom gosto na TV comercial. Em tempo: o garotinho tem oito meses de idade e a agência que produziu o anúncio é a Taterka."
MERCADO & AUDIÊNCIA
Sônia Apolinário
"Angélica: na Globo até o fim do ano", copyright O Estado de S. Paulo, 9/07/01
"A diretora Marlene Mattos deu um exemplo de política de boa vizinhança, na semana passada. Convidou Angélica para participar do Planeta Xuxa, que a Globo exibe no dia 22.
Xuxa aproveitou para divulgar a participação de Angélica no filme Xuxa e os Duendes, que começa a ser rodado em agosto. ‘Pode anunciar. Mesmo sem contrato assinado, eu garanto a presença’, disse Angélica. Na história, ela fará uma fada. ‘Com essa carinha, ela só poderia ser uma fada, mesmo’, emendou Xuxa.
O bate-papo das duas não incluiu um assunto polêmico: a suposta disputa que está para ser travada entre elas pelas manhãs globais. A diretora Marlene Mattos tem dito que gostaria de voltar a ter um programa diário para Xuxa pela manhã. Atualmente, a Globo exibe no horário Bambuluá Com Angélica.
Angélica, por sua vez, corre atrás de um novo programa, para o público jovem. O projeto está agora nas mãos de Boninho, não mais de Jayme Monjardim, que anda ocupado com a próxima novela das 8. O contrato de Angélica na Globo acaba no fim do ano."

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