QUALIDADE NA TV


ASPAS

DIA DAS MÃES
Ivan Angelo

"O Dia das Mães vira folhetim na televisão", copyright Jornal da Tarde, 15/05/01

"Quem viu na tevê os programas do Dia das Mães e não entrou tolamente no clima de apelação generalizada dos canais que disputam a hegemonia do divertimento dominical deve ter ficado com uma paródia do poema mais famoso de Olavo Bilac na cabeça: ser mãe é padecer na televisão.

SBT e Globo não pouparam lágrimas, fosse das mães usadas, fosse das suas filhas ou (esperava-se) das telespectadoras. A choradeira contaminou até a geralmente leviana Xuxa, cujo final do programa de mães chorosas fotografadas em primeiro plano culminou com o encontro bonitinho de quatro gerações: bisavó, avó, mãe e Sasha.

As mães de artistas e de jogadores de futebol tiveram um domingo estafante, tal o acúmulo de compromissos. Num dia desses nem devem ter tempo para os filhos não famosos, para quem sobram apenas os ciúmes. Na Globo, parece que as mães dos contratados foram escaladas para o plantão junto com os filhos.

Quanto às mães desconhecidas, a produção de cada programa, em cada emissora, esforçou-se para encontrar os casos mais dramáticos. Você está ligado no Faustão e vê o caso da Rosinha e da dona Maria de Fátima que a vida separou há 19 anos; muda para o Gugu e lá estão as mães de crianças desaparecidas narrando seu sofrimento, ou o artista Tato chorando ao rever a mãe, e cantando para ela uma serenata arrumada: ‘Eu sei que vou te amar’... Passa para o Faustão e lá está a tecnologia global de primeiro mundo botando em contato grande número de mães e filhos longínqüos, a conversar em links de tevê ao vivo.

A tradição do folhetim no Brasil é enorme. Até no Senado, quando um indecoroso é apanhado, invoca logo os filhos, a mãe nonagenária, os netinhos. Daí não surpreender que o Dia das Mães seja tratado com conteúdos e técnicas de folhetim: o drama subjacente, suspense, ganchos, envolvimento de terceiros, apelos sentimentais, perdão, reencontro, fundo musical meloso.

A produção de Faustão partiu para o folhetim explícito e montou a melhor história do dia: o caso de um bebê trocado no berçário do hospital há 24 anos. Era tão obviamente folhetinesco que não se hesitou em explicitar isso, encenando uma mininovela (dispensável, mas valeu como explicitação do conteúdo) com atores. O rapaz só fica sabendo que não é filho natural dos pais ao fazer um exame de sangue para seu primeiro emprego. Pior: os pais também não sabiam. A dramaturgia acentua o drama. Corta para a vida real. A mãe, chilena de nascimento, ainda tenta encontrar o filho natural, só para abraçá-lo e dar-lhe um pouquinho do seu amor. Busca no Hospital Panamericano, onde foi feita a cesariana e a troca. Já faz muito tempo, toda a documentação foi destruída. Os responsáveis pelo hospital nem aparecem para conversar com a mãe. Pau de Faustão no hospital, carregado de palavrões e indignação. Busca no cartório de registro: algumas hipóteses prováveis, mas onde estão vivendo hoje as pessoas? Apelo aos telespectadores: alguém pode ajudar? A mãe é simpática e articulada, trouxe (vive em Manaus, hoje) o outro filho para, quem sabe?, se buscar o irmão por semelhança. A história, como as telenovelas, terá certamente uma continuação.

Enquanto isso, disputando o ibope, Gugu mostrava as primeiras imagens da gravidez de Carla Perez, com direito a ressonância magnética. Era o começo de mais uma novela.

Comentarista

A narração do jogo Corinthians e Santos pela Rede TV!, que o transmitia por acordo comercial com a Globo, era ruim, pobre de informações, mas o comentarista era bom: Osvaldo de Oliveira. O ex-técnico do Corinthians saiu-se muito bem na experiência. Soube ver o jogo, avaliar direito as substituições, definir corretamente o gol da vitória como um ‘gol de equipe’, resultado de quatro jogadas perfeitas. A narração da Rede TV! fez o telespectador buscar avidamente - quem diria - Galvão Bueno. Lá, Casagrande também via o problema: ‘O Corinthians só joga bola alta na área e só tem jogador baixo no ataque.’ Certo, e o gol saiu de outro tipo de jogada."’



JOSÉ SARNEY
Daniel Castro

"Novela de Sarney pode ser a próxima da Record", copyright Folha de S. Paulo, 18/05/01

"‘Norte das Águas’, livro de contos do senador e escritor José Sarney, publicado em 1969, poderá ser a base da próxima novela da TV Record, com estréia prevista para setembro.

A emissora vem negociando com Sarney desde o início de abril. Segundo a assessoria do senador, Sarney aprova o projeto. As negociações, no entanto, ainda não estão concluídas.

‘Que vamos fazer a novela de Sarney, nós vamos. Mas pode não ser a próxima’, diz Roberto Franco, vice-presidente da Record.

A emissora deve decidir qual será a próxima produção até o final deste mês. Além do texto de Sarney, estão sendo analisados originais de outros escritores brasileiros e de folhetins mexicanos.

A Record está tendo dificuldades em encontrar um roteirista para transformar ‘Norte das Águas’ em novela sem desfigurar o original, considerado inovador.

Se emplacar, a novela inspirada no livro de Sarney terá a missão de alavancar a audiência da Record. A atual novela, ‘Roda da Vida’, não decolou no Ibope e está sob intervenção da direção da emissora. Capítulos inteiros estão sendo reescritos."



REDE GLOBO
Sônia Apolinário

"Globo adota estilo americano", copyright O Estado de S. Paulo, 18/05/01

"Para evitar o vexame de tirar um programa do ar no meio do ano, emissora agora só lança projetos 'por temporada', como nos EUA

Em vez de planejar programas para um ano inteiro, sob o risco de tirá-los do ar no meio do calendário, a direção da Globo refará o discurso: está clonando o conceito de temporada, adotado à exaustão pela TV americana. A oratória é perfeita para aplacar os ânimos internos e do mercado. Na prática, o significado é o mesmo: programas que não tiverem grande efeito no Ibope saem de cena.

Quem levou a idéia à direção da Globo foi Guel Arraes, dono de prestígio cada vez maior dentro da emissora. Foi ele quem, pela primeira vez, emplacou um projeto realizando apenas poucos episódios, no caso o seriado A Grande Família: o programa vai ao ar com poucas edições para manter a qualidade do texto, enquanto é ‘avaliado’ pelo público. Se der a audiência desejada, outros episódios são gravados para uma temporada seguinte. Mais: em vez de isso ser visto como algo normal, é enxergado como sucesso. E se o programa não for adiante, a emissora já está preparada para tapar o buraco, ganhando agilidade.

A ordem agora é que todos os diretores de núcleo apresentem seus projetos para a linha de shows dentro dessa filosofia. Na semana passada, os diretores de núcleo foram comunicados que há vagas para a grade do segundo horário de shows no segundo semestre. Começou, então, uma verdadeira corrida contra o tempo para a apresentação de sugestões."



Agência JB

"Globo intervirá no jornalismo da TV de Fernando Collor", copyright Agência JB, 18/05/01

"A direção de jornalismo da TV Globo deve assumir, na próxima semana, o comando da sua afiliada em Alagoas, a TV Gazeta, comandada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello. A intervenção foi decidida depois de análise do relatório da Coordenadora da Central de Afiliadas da Globo, Tereza Garcia.

A coordenadora apontou várias irregularidades na condução do departamento de jornalismo da TV Gazeta.

A direção da TV Globo pretende reformular o jornalismo da afiliada de Alagoas, que foi considerado fora dos padrões de qualidade da Central Globo de Jornalismo (CGJ). O ex-presidente Fernando Collor de Mello e o superintendente da TV Gazeta, Ivan Scalla, já receberam uma lista com três nomes de diretores - indicados para assumir a direção de jornalismo da empresa."



FENAJ PROTESTA
O Globo

"Fenaj protesta contra punição de jornalista", copyright O Globo, 17/05/01

"Por ter denunciado, em 1998, as péssimas condições da cadeia pública de Vilhena, em Rondônia, o jornalista Mário Quevedo Neto está cumprindo, desde o último dia 4, pena alternativa de prestação de serviços à comunidade na Defensoria Pública de Porto Velho.

A Federação Nacional dos Jornalistas classificou de descabida a condenação do jornalista do jornal ‘Folha do Sul’. Para a diretoria da entidade, a condenação só contribui para a criação de um ambiente contrário à liberdade de expressão.

Quevedo foi condenado depois do processo do juiz-corregedor dos presídios, Adolfo Theodoro Naujorks Neto, que se sentiu ofendido com a denúncia, apesar de a cadeia de Vilhena estar interditada na época. O jornalista chegou a ser condenado a cumprir quatro meses de prisão-albergue, mas o Tribunal de Justiça do estado mudou a sentença."



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