QUALIDADE NA TV


ASPAS

IBOPE, TV & BRASIL
O Estado de S. Paulo

"O Grande Irmão Global", Editorial , copyright O Estado de S. Paulo, 22/04/01

"Apesar de não ser novidade para ninguém o crescimento do alcance e o agigantamento do poder de influência da televisão, sobre todo o território nacional, nas últimas décadas, os dados recentemente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do estudo denominado Perfil dos Municípios Brasileiros, nos dão a medida mais exata de um fenômeno certamente sem paralelo em qualquer outro lugar no mundo. As porcentagens chegam a ser, de fato, fantásticas: 98,3% das cidades do País captam imagens de uma rede de televisão. Mais ainda, conforme as explicações dadas pelo pesquisador da instituição, Antonio Alkmin dos Reis, nos seguintes termos: ‘Não conseguimos informações dos demais municípios e, por isso, esse porcentual pode chegar a 100%.’

Com toda certeza, se George Orwell fosse vivo poderia encontrar aqui um sistema de comunicação de massa extremamente inspirador, para fixar o cenário da aterradora premonição de seu Big Brother... Mas o fenômeno assusta, especialmente, quando cotejamos a presença da televisão com a dos equipamentos e dos espaços tradicionalmente propícios às várias formas de produções e manifestações culturais, que têm atravessado os séculos e chegado até nós, como patrimônios do conhecimento humano, por milênios acumulados. É que tudo isso vai sendo substituído, de maneira avassaladora, pela mágica telinha, que, apesar de ter o condão de transmitir um manancial formidável e praticamente ininterrupto de informações, para as regiões mais longínquas, isoladas e atrasadas do País, também tem a capacidade de uniformizar os padrões de gosto, de comportamento, de consumo (mais apropriado seria dizer sonhos de consumo), tanto quanto os valores éticos e estéticos das comunidades.

O ‘Perfil’ do IBGE revela que os cinemas estão presentes em apenas 7% das cidades brasileiras, os teatros em 14%, os museus em 16%. Mas, com certeza, por influência da própria televisão, as videolocadoras existem em nada menos do que 64% dos municípios, ou seja, em 3.517 cidades, enquanto as livrarias só existem em 1.946 cidades. É verdade que, se ligados às lojas de discos, de fitas e de CDs, os locais que vendem livros podem ser encontrados em cerca de 35% das nossas cidades - constatação comparável à de que existem estações de rádio FM em cerca de 34% das cidades (enquanto as AMs não estão presentes em mais do que 20%).

A distribuição do número de cidades que captam imagens de televisão, pelas principais redes brasileiras de tevê, mostra a seguinte situação: a Rede Globo detém ampla liderança, com o porcentual fabuloso de 98% dos municípios alcançados pelo seu sinal. Em seguida, vem o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), com 88%, seguido da TV Bandeirantes, com 75%. Esses porcentuais já dão uma idéia clara do potencial de influência dessas emissoras - especialmente da que detém, por larga margem, a liderança de audiência - na cultura, na aquisição de conhecimentos, no desenvolvimento - ou não - de espírito crítico, no comportamento cotidiano e, enfim, na vida dos habitantes, distribuídos por todo o imenso território nacional. Mas aí há uma diferença qualitativa nesse grau de influência, porquanto nas cidades maiores e mais desenvolvidas do País ainda sobrevivem sistemas tradicionais de produção e manifestação cultural e equipamentos afins.

É claro que, se já é grande a responsabilidade das maiores redes de emissoras de televisão na formação, educação e no comportamento dos habitantes de todas as regiões do País, naquelas em que o sinal de tevê se torna a única opção de cultura, informação e lazer, para as famílias, a responsabilidade social desses veículos se multiplica. Impõe-se, então, a simples indagação: será que existe a plena consciência desse poder de influência, assim como das responsabilidades sociais que dele derivam? E que tipo de interferência crítica pode ser exercitada pela cidadania, que possa funcionar - sempre dentro da liberdade de expressão assegurada pela vigência da plena Democracia - como proteção aos valores (éticos, culturais) que a sociedade pretende ver preservados, para as futuras gerações? Sem dúvida, eis um bom tema para reflexão."



OESP

"Televisão chega a 98,3% dos municípios", copyright O Estado de S. Paulo, 18/04/01

"A televisão é a única fonte de cultura e informação disponível em todo o território nacional. A Pesquisa Perfil dos Municípios Brasileiros mostra que 98,3% das cidades do País captam imagens de televisão. ‘Não conseguimos informações dos demais municípios e, por isso, esse porcentual pode chegar a 100%’, explicou o pesquisador Antônio Alkmim dos Reis. A Rede Globo é a emissora com maior cobertura, atingindo 98% dos municípios, seguida do SBT (88%) e da Bandeirantes (75%).

O fenômeno da televisão é acompanhado de perto da expansão do videocassete. A pesquisa mostra a existência de videolocadoras em 64% dos municípios brasileiros. Em contrapartida, os cinemas estão presentes em apenas 7% das cidades. ‘A ausência de salas de cinema nos municípios com até 20 mil habitantes e mesmo em alguns maiores, com população de até 100 mil pessoas, constitui um fator de estímulo para a instalação de videolocadoras’, conclui o estudo.

Os teatros estão presentes em 14% e os museus em 16% - embora esses porcentuais cheguem a 100% nos grandes centros. As livrarias e lojas de discos, fitas e CDs são mais comuns: existem em 35% das cidades. Os shoppings só aparecem em 6% dos municípios. As estações de rádio FM estão em 34% das cidades e as de rádio AM, em 20%.

Uma boa surpresa foi a constatação de que 76% dos municípios têm bibliotecas. ‘Trata-se de uma poderosa rede que deve ser levada em conta na elaboração de políticas públicas’, apontou Alkmim. A pesquisa mostra também que 72% das cidades têm jornais diários, 44% jornais semanais e 33% jornais com outras periodicidades. ‘Isso desmente um pouco a idéia de que o brasileiro não tem hábito de ler’, avaliou o pesquisador.

Do ponto de vista das inovações tecnológicas, a pesquisa mostra que 15% dos municípios têm provedores de Internet e 7% já dispõem de TV a cabo. ‘É importante ressaltar que, à medida em que aumenta o porte populacional, cresce o número de municípios com provedor de rede. Esse recurso encontra-se presente em 70% dos municípios com mais de 50 mil habitantes e em todos aqueles com mais de um milhão de pessoas."



TV ANTI-BUSH
Sérgio Dávila

"Barbra Streisand critica ‘paralisia’ e fala em montar TV anti-Bush", copyright Folha de S. Paulo, 19/04/01

"Quando todo mundo esperava que a senadora Hillary Clinton fosse ocupar a vaga de líder da oposição deixada pelo sumiço de Al Gore, um nome improvável surge no cenário político. É o da cantora e atriz Barbra Streisand, uma das principais arrecadadoras de fundos ligada aos Clintons.

Na última semana, a militante democrata mandou uma carta violenta a todos os congressistas (senadores e deputados federais) de seu partido em Washington, em que os acusava de estar ‘paralisados, desmoralizados e deprimidos’ na oposição ao governo de George W. Bush.

Intitulado ‘Caras legais terminam em último’, o texto afirmava ainda: ‘Nós temos um presidente que roubou o cargo por meio de laços familiares, arrogância e intimidação. Espero que vocês já tenham passado a fase de brigar entre si e de se afastar do presidente Clinton. Não vamos deixar os republicanos tomarem os nossas conquistas.’

Streisand, 59, chegou a anunciar, em uma festa, que está reunindo democratas endinheirados dispostos a montar um canal de notícias a cabo que tenha programação ‘eminentemente liberal e livre dos cabeças-falantes republicanos’.

Entre os interessados estariam os atores Warren Beatty e Annette Bening, o produtor Norman Lear e o líder do Partido Democrata no Congresso, Dick Gephardt.

A assessora de imprensa da cantora tentou minimizar sua intenção de competir com a CNN e sua principal rival, a francamente republicana Fox News. ‘Acho que ela se empolgou e foi soltando idéias interessantes, mas isso está longe de ser uma intenção de compra de uma emissora.’

‘Senadora Babs’

O discurso causou reação no partido, que anda carente de um líder desde que os dois candidatos naturais, o ex-vice Al Gore e o ex-presidente Bill Clinton, se afastaram. O primeiro segue recolhido em casa, de onde só sai para dar aulas de jornalismo na Universidade Columbia, uma vez por semana. Segundo notas na imprensa, estaria deprimido.

Bill Clinton, por sua vez, afundou-se de novo em escândalos, como os polêmicos perdões concedidos no penúltimo dia de seu governo, entre eles a um ex-traficante de cocaína e a um amigo de seu cunhado, que teria levado US$ 400 mil pela intermediação.

Outros nomes fortes cotados para liderar a oposição ao governo não decolam. É o caso da ex-primeira-dama Hillary Clinton, senadora pelo Estado de Nova York. Em entrevista na semana passada, ela declarou que quer se concentrar em seu papel no Senado e que ‘nunca, jamais, em tempo algum’ irá disputar a indicação do partido à Presidência.

Já o verde Ralph Nader, terceiro colocado nas últimas eleições presidenciais, ainda é considerado por setores democratas como o verdadeiro responsável pela derrota de Al Gore em novembro último. É nesse contexto de indefinição que surge o ‘fator Barbra Streisand’, já devidamente batizada de ‘senadora Babs’.

Na festa que deu no fim-de-semana, quando leu em voz alta a tal carta para convidados, Streisand disse estar especialmente revoltada com o senador Zell Miller, da Geórgia, que votou a favor do plano de corte de impostos de Bush, os oito democratas que deram a vitória republicana na aprovação do polêmico John Aschcroft como secretário da Justiça e todos os congressistas que não defenderam Bill Clinton no escândalo dos perdões."



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