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20. Non-sequitur, ou "Não Segue"
21. Generalização Precipitada
Análise: Numa cidade com 1500 bolsões de pobreza não é possível que haja mais variedade de respostas e assim outras conclusões?
23. Argumentando a Partir da Ignorância
- Jogo da Meia-Verdade
Definição: Persuadir o leitor ou ouvinte a acreditar numa afirmação através do ato de esconder alguns elementos principais do conteúdo informativo. É uma falácia difícil de detectar porque é invisível a metade que falta da informação verdadeira.
Exemplo: (Do mundo político)
"A atual Lei para reduzir uso de armas de fogo merece ser suprimida porque, desde que entrou em vigor, houve aumento da criminalidade".
Análise: É necessário averiguar o que de fato aconteceu antes de acreditar na afirmação. Temos que examinar, sobretudo com levantamentos estatísticos, o que aconteceu em outros locais (Estados, países), no mesmo período em discussão. Não é possível aceitar tão facilmente que A causou B. Este também é um exemplo da falácia Post Hoc Ergo Propter Hoc (No. 8).
- Falácia do "Homem de Palha"
Definição: É a técnica de descrever enganosamente ou de deturpar as idéias do oponente (a fim de destruí-las mais facilmente), para em seguida atacar essas idéias e concluir que foram demolidas. É uma falácia porque deixa de lidar com os argumentos verdadeiros feitos pelo oponente.
Exemplo 1: (Do mundo político)
"A minha oponente nesta batalha para a prefeitura da cidade é favorável à prática do aborto e acreditem, se for eleita, ela e seu partido farão tudo para favorecer sua legalização. Quem vota nela vai ter que responder a Deus por isso."
Análise: A prática de aborto no Brasil não é um assunto da esfera municipal, mas, sim, da esfera federal. Assim, o enunciador está criando um "homem de palha" (ou espantalho), usando um assunto irrelevante à eleição municipal, e sugerindo indiretamente que o seu adversário é incapaz de separar suas crenças particulares (ser temente a Deus) das suas ações políticas (candidatar-se à prefeitura).
Exemplo 2: (Do mundo político)
"Devemos proibir todas as armas. Aqueles que são contra essa proibição não acreditam que muitos crimes envolvem armas, mas as estatísticas provam o contrário".
Análise: Citando um argumento que é obviamente fraco, o locutor espera ganhar a nossa benevolência. Mas sua manipulação do apoio argumentativo é evidente e não-convincente.
- Falácia de Bifurcação, ou de "Branco ou Preto"
Definição: É a apresentação de uma situação ou condição com apenas duas alternativas, quando na verdade outras alternativas existem ou podem existir. A tentativa é de forçar o ouvinte a concordar apenas com a posição do falante.
Exemplo: ( Do mundo político)
"Brasil--Ame-o ou deixe-o". [Slogan usado pelo governo militar brasileiro na década de 1970.]
Análise: Se não amo o Brasil do jeito que está, não existe a opção de ficar aqui e tentar melhorar a situação, mobilizando políticos e empresários para encorajar mudanças de toda ordem? Maniqueísmo é uma forma de reducionismo; simplificação excessiva deve ser evitada em qualquer julgamento.
- Mudança do Ônus da Prova
Definição: É transferir, do falante ao ouvinte, a necessidade de dar provas ou evidências para apoiar uma idéia. O "ônus da prova", isto é, a responsabilidade de comprovar um enunciado, é sempre da pessoa que faz a afirmação. Transferir essa responsabilidade para o ouvinte é uma tática desonesta, e dá a impressão de que algo é verdade a não ser que possa ser comprovado como errado.
Exemplo: (Do mundo de discussões religiosas)
"É claro que foi Deus quem criou o mundo e todas as coisas nele. Se você não acredita nisso, então como você explica a beleza do mundo natural e a perfeição do corpo humano?"
Análise: Fé em Deus e suas obras é uma questão de foro intimo; varia de pessoa para pessoa. O falante nesse caso está se esquivando de sua responsabilidade em fornecer evidência para sua própria afirmação e convenientemente escamoteia a elucidação do dilema para quem não concordar com ele. Além de não ser convincente, sugere proselitismo e desrespeito aos agnósticos.
- Falácia das Premissas Escondidas
Definição: É a falácia de fazer uma pergunta que contém uma pressuposição que o ouvinte gostaria de negar, mas não tendo argumentos para fazê-lo, é induzido a supor que a interrogativa traz em si uma afirmação. Qualquer resposta à pergunta "por que tal ocorre?" pressupõe que tal de fato ocorre.
Exemplo: (Do mundo político)
"A minha concorrente nas eleições para a prefeitura tem recebido apoio de todos os partidos políticos que antes eram seus inimigos. Por que será? O que está atrás disso?"
Análise: O enunciador está fazendo uma insinuação seguida de perguntas retóricas que têm premissas ocultas. A implicação é de que há algo comprometedor no apoio dos antigos inimigos, mas o falante não oferece evidência para nada nefasto ou de subterfúgio. Ele oferece meias-verdades, com suposições e induções.
- Estereótipos
Definição: O erro de tratar um indivíduo como se fosse totalmente definido pela sua condição de pertencer a um grupo, ignorando-se totalmente sua individualidade.
Exemplo 1: "Ah, você sabe como é....meninos são sempre desorganizados!"
Exemplo 2: "Ora, que mais você poderia ter esperado de um norte-americano...você sabe como eles são....".
Análise: Desprezar, ridicularizar ou tratar paternalisticamente uma ou mais pessoas por pertencerem a um determinado grupo é injusto e preconceituoso, por deixar de lado seu aspecto mais importante: sua individualidade, sua condição pessoal.
- Condenando a Fonte
Definição: É a tentativa de desacreditar o oponente, transferindo a atenção da idéia em discussão para a pessoa associada a ela. O falante tenta tirar a veracidade ou credibilidade das idéias do seu oponente através do ataque à pessoa que representa as idéias. Recurso às vezes chamado de "xingação" porque afixa etiquetas que levantam emoções em torno de pessoas, grupos ou idéias. [Também chamado em Latim de argumento ad hominem.]
Exemplo 1: (Do mundo político)
Deputado de um partido político considerado de "esquerda" afirma: "É importante limitar o desenvolvimento de armas nucleares em nosso país porque é possível que os seus efeitos envenenem a atmosfera". E um deputado de um partido considerado de "direita" responde: "Não podemos acreditar na opinião do meu colega porque ele é ‘esquerdista’, e todo mundo sabe que a ‘esquerda’ está sempre tentando controlar despesas militares".
Análise: Tudo bem, mas o segundo orador não provou que aquilo que o primeiro falou é falso ou errado. Argumentos têm que ser avaliados pelas suas qualidades intrínsecas e não pelas qualidades das pessoas que os apresentaram.
Exemplo 2: "Talvez nossa empresa precise de uma cooperativa; mas se Walter de Souza está atrás dessa idéia, sou contra. Acho que ele é comunista".
Análise: É irrelevante a questão das convicções pessoais de quem propõe uma idéia: os únicos propósitos que merecem ser discutidos são a validade das afirmações e a qualidade da evidência apresentada em suporte das afirmações.
Exemplo 3: "Aquele pedido parece bom, mas foi João da Silva quem o submeteu. A família do João é rica. Ele não está acostumado a comprar somente o que é necessário; assim sendo, seu pedido vai nos custar mais do que podemos gastar".
Análise: As qualidades boas ou ruins de quem propõe uma idéia não devem entrar na discussão de argumentos a favor ou contra o que quer que seja. O foco de atenção deve ser apenas a idéia ou conjunto de idéias apresentadas para determinado fim.
Exemplo 4: "Você disse que a maioria dos policiais não aceita suborno, mas, afinal de contas, você mesmo é um policial--o que mais você poderia dizer?"
Análise: Supor que a fonte da informação é tendenciosa (a favor ou contra um grupo ou idéia) é agir de forma igualmente tendenciosa, mantendo insolvente o que se põe em questão. É necessário parar de perguntar o que uma pessoa "é ", e, em vez disso, perguntar o que esta pessoa "fez ou está fazendo".
- Argumento ao Povo, ou Falácia do "Trio Elétrico"
Definição: É a tentativa de distrair a atenção da idéia em discussão e criar no ouvinte o desejo de ser aceito dentro do grupo. Sugere que quanto mais pessoas apoiam uma idéia, mais correta ou verdadeira ela é. Em vez de apresentar evidência referente à falsidade ou qualidade verídica de uma enunciação, substituir a informação por impressões: como as pessoas se sentem sobre ela. [Também chamado em Latim de argumentum ad populum.]
Exemplo 1: "Talvez Henrique viesse a ser o melhor presidente do Clube dos Funcionários, mas todo mundo vai votar em João. Entre na onda. Por que gastar seu voto em alguém que não vai ganhar?"
Análise: Aqui o falante está pedindo que o seu ouvinte jogue fora sua inteligência, bom senso, princípios e caráter para votar em alguém em quem ele não acredita. É uma apelação às emoções, aos sentimentos, ao desejo de estar dentro do grupo que pode vencer; induz o interlocutor a sentir-se fracassado, em vez de sugerir que vote seguindo seus próprios princípios, mesmo sabendo que o seu candidato preferido pode perder.
Exemplo 2: "Todo bom brasileiro deve reconhecer a importância do que estou dizendo. Você é um bom brasileiro, não é? Você concorda comigo?"
Análise: Ninguém tem o direito de forçar os outros a concordar com suas definições sobre quem é bom e quem não é. Intimidação é inaceitável numa discussão entre pessoas educadas. Silogismos construídos com juízos de valor (bom/mau) representam uma forma oblíqua de persuasão de feição opressiva.
Exemplo 3: "A terra é achatada, e todo mundo acredita nisso!"
Änálise: Não é possível provar se a terra é achatada ou não, citando crenças coletivas. Na história humana, crenças falsas foram rebatidas com conhecimento de áreas específicas do saber, como a astronomia, a geologia e a geografia, por exemplo.
- Argumento de Autoridade ou de Antigüidade
Definição O erro de afirmar que algo está "correto" ou "bom" apenas porque é tradicional, antigo ou foi ratificado por alguém num cargo de mando. [Também chamado em Latim de argumentum ad antiquitam.]
Exemplo 1: "Maradona é um jogador melhor que Pelé. Acredito nisso porque o chefe do meu pai disse que é".
Änálise: Ninguém pode provar se uma determinada enunciação é verdadeira ou não apenas porque alguém, mesmo sendo uma pretensa autoridade, disse que é. Não é o prestígio da autoridade que faz a enunciação verdadeira ou não, mas, sim, a apresentação de evidência para confirmar ou refutar a enunciação, deve-se levar em conta que a opinião da autoridade esteja no campo restrito de sua especialização.
Exemplo 2: "Nós sempre fizemos assim.....".
Análise: Pode ser, mas isso não quer dizer que não está na hora de averiguar se não há uma maneira melhor, mais moderna de fazer o trabalho.
- Apelação ao Status Sócio-Econômico
Definição: É acreditar ou sugerir que a classe social (ou o poder econômico) do falante é critério para ele ter razão ou não; é assumir como fidedigno que pessoas bem-sucedidas financeiramente são certamente honestas. [Também chamado em Latim de argumentum ad crumenam.]
Exemplo: "O meu candidato a prefeito não precisa roubar. Ele já é muito rico".
Análise: Não há uma verdadeira relação causa e efeito entre a primeira parte da frase e a segunda. O falante não oferece evidência convincente sobre a honestidade do candidato (por exemplo, ter apresentado uma conduta digna quando ocupava cargos políticos anteriormente, terminando o mandato com a reputação, em todos os setores, de ter sido exemplarmente honesto).
- Apelação à Pobreza
Definição: É acreditar ou sugerir que a pobreza do falante garante que ele ou ela seja mais virtuoso, mais honesto, mais "puro" do que alguém que seja rico. [Também chamado em Latim de argumentum ad lazarum.]
Exemplo: "Eu sou o melhor candidato a prefeito, porque não sou nem doutor, nem madame".
Análise: Usar uma condição social desfavorável como argumento é ocultar um silogismo, induzindo-nos a inferir falsamente que pobres são incorruptíveis e ricos ("doutor" e "madame"), por oposição, seriam venais. Sabendo que as pessoas nem sempre se comportam de acordo com o código de ética típicos dos grupos a que pertencem, é impossível aceitar cegamente a argumentação.
- Argumento Dirigido às Emoções, ao Sentimento de Pena
Definição: É a tentativa de ignorar a evidência e convencer o ouvinte a acreditar numa afirmação baseada no seu sentimento de comiseração, ou de superstição. [Também chamado em Latim de argumentum ad misericordiam.]
Exemplo 1: (Do mundo do tribunal de justiça)
"Membros do júri, o réu nunca poderia ter cometido esse crime. Afinal de contas, ele tem esposa e seis filhos".
Análise: Suas responsabilidades familiares são irrelevantes em relação à sua culpabilidade; o papel social de marido e pai não isenta um indivíduo de ter interesses criminosos ou desvios patológicos de comportamento.
Exemplo 2: (Do mundo político)
"Meus amigos, a minha concorrente para a prefeitura tem o ‘13’ como número do seu partido. Não vote no ‘13’. Dá um tremendo azar!"
Análise: Argumentos de ordem mística não são credíveis. Aquele que os emprega busca a intimidação pela crença infundada ou pelo temor a uma superstição.
- Falácia da Conclusão Irrelevante
Definição: É o erro de começar a provar um fato, mas acabar provando outro. [Também chamado em Latim de ignoratio elenchi.]
Exemplo: (Do mundo político)
"Para a imprensa, que quer saber se eu mantenho contas bancárias em paraísos fiscais, eu lembro as obras mais importantes da minha administração, entre elas um hospital, e que estive de férias na Suíça quando me acusaram injustamente"..
Análise: Isto é uma prova de que é da máxima importância prestar toda atenção ao conteúdo do que está sendo dito. Certos políticos em debates de televisão, por exemplo, são brilhantes em não responder diretamente às perguntas feitas a eles, e em vez disso respondem sobre outro assunto tangencial e mais "conveniente".
- Falácia de "Dois Erros Fazem um Certo"
38. Apelação para Consideração Especial
39. Apelação pela Novidade
40. Apelação pela Repetição
41. Falácia da Redução ao Absurdo
42. Diversão
43. A Falácia Temática
44. Reducionismo Excessivo
45. Ameaça de Uso de Força