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Bernardo Ajzenberg

"Crítica Interna", copyright Folha Online (www.folha.com.br)

"01/07/2002

As manchetes do pentacampeonato: Folha: ‘Pentacampeão!’; ‘Estado’: ‘O maior campeão do mundo’; ‘Globo’: ‘Pentacampeão de todos os continentes’; e ‘JB’: ‘Penta Brasil!’. Embora a manchete da Folha seja a meu ver a mais apropriada, menos ufanista, creio que a foto do ‘Estado’ é a mais ‘quente’, a melhor, retratando em conjunto diversos personagens importantes do acontecimento. A de Cafu erguendo a taça, na Folha, é plasticamente bela, mas é também fria em relação ao evento. Sua figura isolada, em absoluto perfil, com um fundo ‘metálico’, esfriou a capa do jornal.

O penta

A Folha arriscou. Ousou. E creio que se saiu bem no conjunto da edição do pentacampeonato hoje. Seu caderno Copa 2002 não ‘cantou’ o hino nacional, mas também não deu as costas ao leitor e a seus sentimentos de torcedor. Conferiu à cobertura uma temperatura média entre essas duas posturas, difícil de se manter. A maior ousadia da Folha, creio, foi abrir o caderno com a foto do beijo Rivaldo-Ronaldo. Ela apresenta um resultado estético duvidoso, certo ruído, a imagem é bizarra. Mas a minha impressão é de que se conseguiu um diferencial. Algumas observações:

1) Na capa do jornal, não há menção ao técnico, Scolari (a não ser como recurso para falar da equipe como ‘o time de Luis Felipe Scolari’). Reflete-se, aí, uma avaliação a meu ver equivocada sobre o papel do treinador no Mundial. Que os ‘talentos individuais’ tenham definido a parada, é óbvio. Mas a possibilidade de eclosão desses talentos tem muito a ver com a coordenação do grupo, e Scolari não foi, nem de longe, apenas um instrutor, certo?

2) A Folha traz hoje tantas páginas quanto o ‘Estado’ (32) em seu caderno de Copa. O concorrente, porém, mais uma vez, consegue imprimir cor em todas elas, enquanto a Folha ficou em 75%. Uma pena;

3) Registre-se que cerca de um terço do caderno do concorrente hoje praticamente reproduz (com algumas alterações ou atualizações) páginas da edição extra de ontem. A Folha o fez bem menos, em duas páginas;

4) Sobre essas edições extras, aliás, não há como deixar de lamentar que a Folha tenha posto nas bancas um jornal com menos páginas (20 contra 24) e com o dobro do preço (R$1,00 contra R$ 0,50). Ignoro os motivos que possam estar por trás disso. Intuo, porém, que esse fato não deve ter ajudado muito os leitores a se decidiram pela Folha nas bancas;

5) Senti falta hoje do registro de três fatos, os quais estão em edições de concorrentes: as declarações de Romário pós-jogo, favoráveis à manutenção de Felipão à frente da seleção; o telefonema dado logo após o jogo por Ronaldo a Chico Buarque; o episódio da troca de camisa de Edmilson, que se atrapalhou durante o jogo ao fazê-lo, criando um momento inédito e folclórico na partida e, segundo alguns, contribuindo para desconcentrar um pouquinho os adversários;

6) Na Copa dos recordes brasileiros, também a Folha bateu o seu: não me lembro de ter visto um crédito de texto com tantos nomes como o abre da pág. D3. Um texto escrito a dezesseis mãos. Ficou bem esquisito. Por que, então, não ter bolado um expediente específico, como ocorreu em outros jornais?

7) Duas fotos eram a meu ver ‘obrigatórias’, mas não as vi na Folha: a) Marcos ‘consolando’ Khan após o jogo e b) Ronaldo de costas para o mesmo Khan após fazer o primeiro gol, estando o goleiro alemão completamente estirado, batido, no gramado. Por envolverem o principal atleta alemão, são imagens daquelas que ‘vão ficar’;

8) O texto ‘Time promove 'vão ter de me engolir' coletivo’ (pág. D18) atribui a pressa e a indisposição dos jogadores para falar com a imprensa ao deixarem o vestiário ao ressentimento deles em relação às críticas recebidas antes. Esse pode até ser um fator real, mas, embora se afirme que eles falaram à Fifa e à Globo, não se diz, no texto, que todos eles estavam nos estúdios da emissora logo em seguida a essa saída dos vestiários. O que quero dizer é que, à parte ressentimentos, não deve ter pesado pouco, para aquela pressa, questões contratuais e o fato de que a Globo estava ao vivo, com todo seu aparato, exclusividade etc, aguardando os atletas no ar;

9) ‘FHC pede, e CBF resolve mandar seleção a Brasília’ (pág. D22) mostra como deve ser a recepção do time na capital federal, mas não informa o que se espera para São Paulo e Rio;

10) O jornal deu pouco registro (duas meias páginas) para as manifestações de rua em diferentes cidades em comemoração ao título. No caso da avenida Paulista, a foto, na página D19, não dá idéia, ao leitor, da dimensão da reunião de torcedores que ali aconteceu após a decisão. Foto mais ampla publicada no ‘JT’ hoje é, nesse sentido, bem mais informativa;

11) Deve-se ao leitor uma explicação sobre a taça da Fifa, imagem que ‘atravessa’ o jornal. Quem a esculpiu o troféu? O que ela procura simbolizar como escultura etc? 12) Fraca, me pareceu, com apenas um pirulito na pág. D18, sem imagens, a cobertura da repercussão do resultado do jogo na imprensa internacional. Vale a pena recuperar.

Outros assuntos

1) Espanta que até a edição de hoje o jornal não tenha dado sequência ao noticiário de sábado sobre a condenação do juiz Nicolau e a absolvição, em primeira instância, de Luiz Estevão no caso TRT-SP. Trata-se de um dos casos mais rumorosos dos últimos tempos. Mesmo que haja recursos e que, eventualmente, instâncias superiores optem por outro caminho, o ex-senador merecia, no mínimo, um pingue-pongue;

2) O caderno Dinheiro, hoje, apresenta três retrancas diferentes (págs. B3 e B5), assinadas por três repórteres diferentes, em que se ouve um mesmo consultor financeiro, Victor Zaremba. Não é um exagero?

3) Falta o posicionamento da prefeitura paulistana no material de capa de Cotidiano, hoje, sobre o Plano Diretor. Há os empresários e o legislativo. O que a administração pensa a respeito das propostas de mudança que estão sendo feitas pelos vereadores? Ela está de acordo? Qual é a tendência da votação, esperada para esta semana?

Edição de sábado, 29 de junho

Lula x Suplicy

O texto ‘PT faz concessões inéditas na 4a tentativa de Lula à Presidência’ (pág. A6) afirma que o candidato obteve 86,4% dos votos nas prévias internas do partido. Arte na mesma página, porém, registra que foram 84,6% dos votos. Qual é o dado correto?

Inversão

Na data de 4 de abril de 2001 do quadro ‘Entenda o caso da denúncia’ (sobre investigações da PF contra Lula, pág. A8), afirma-se que o agente da PF Gilvan de Souza entregou documentos ao denunciante (Fernando Cavalcanti). É o contrário, não?

Alckmin nomeado?

Não entendi por que a arte ‘raio-x’, sobre o candidato tucano à reeleição em SP (pág. A15), afirma, em seu currículo, que ele foi ‘nomeado’ vereador..., ‘nomeado’ prefeito, ‘nomeado’ deputado estadual etc. Por que não usar ‘eleito’?

Edição de domingo, 30 de junho

Outro lado

Faltou o registro do ‘outro lado’ dos acusados na boa entrevista pingue-pongue com os promotores do caso Santo André, à pág. A4.

Por falar em pingue-pongue, registre-se que, neste domingo, a Folha esteve excepcionalmente recheada deles. Foram sete, ocupando grandes espaços, apenas em Brasil, Mundo e Dinheiro.

Microcâmeras

A reportagem de capa do TV Folha, sobre os perigos da investigação jornalística com microcâmeras, perdeu a oportunidade de discutir um aspecto desse assunto, referente à ética (ou não), ou aos limites dentro dos quais cabe (ou não) utilizar esse recurso, independentemente do aspecto segurança. Numa declaração, o diretor da Globo Luís Erlanger tangencia a polêmica questão ao afirmar que o equipamento só é usado pela emissora depois de ‘exaustiva investigação e confirmação de que há algo de interesse público que não pode ser registrado de outra forma’. Vale a pena, creio, voltar ao assunto.

27/06/2002

A passagem da seleção brasileira para a final da Copa do Mundo é o principal destaque das capas dos jornais. Ao abrir com o jogo numa caixa no alto da capa, mas preservando uma manchete em seis módulos ainda acima da dobra, a Folha encontrou, creio, a solução mais adequada para também destacar, com a devida gravidade, o escândalo da WorldCom e suas consequências ontem nos chamados mercados globais.

Primeira Página

Considerando o destaque que o jornal conferiu ao longo do semestre à polêmica questão dos gastos da prefeitura paulistana com educação, o mais adequado teria sido hoje haver uma chamada na capa para a decisão do Tribunal de Contas, que aprovou as contas da administração Marta de 2001 (capa de Cotidiano).

Caso Santo André

1) De início, uma questão de padronização: o abre da página A4 chama Celso Daniel de ex-prefeito. Como ele morreu no exercício do mandato, o correto seria chamá-lo de prefeito, como fazem outras retrancas;

2) Pareceu-me desproporcional o espaço reservado para o ‘outro lado’ no material da página A5. Ele só aparece em duas linhas, na retranca ‘Promotoria abre duas ações para reaver R$ 46,5 mi’: ‘Todos os réus negaram, por meio de seus advogados, as acusações’. O modelo que o jornal utiliza no caso Jersey (que raramente falha nesse quesito), ou seja, lembrar argumentos já colocados caso não se consiga no dia atualizar a versão do acusado, deveria ser aplicado também aqui;

3) Em nome do didatismo, seria bom para o leitor se o jornal explicasse a diferença entre o significado do termo propina e o de extorsão, com suas respectivas consequências judiciais. A questão é destacada pela testemunha Rosangela Gabrilli em retranca da pág. A5;

4) Nesse mesmo sentido, falta uma explicação do jornal sobre o que diz a lei do sigilo telefônico e como ela se aplicaria concretamente neste caso.

Sucessão e Copa

1) O jornal mostra Lula vendo o jogo Brasil x Turquia, mas nada traz hoje sobre eventos de campanha de José Serra ontem (sobre este, aliás, um registro para a excelente charge de Paulo Caruso, infelizmente em PB, na página A11);

2) Por falar em Copa, tanto no caso do side sobre Lula (pág. A4) quanto no de FHC (pág. A11), faltou remissão para o caderno Copa 2002. No caso do presidente (‘FHC compara política a futebol e elogia seleção’), o side deveria ter relacionado sua atitude a uma tentativa de minimizar a crise já registrada pela Folha entre Planalto e CBF, à véspera da final da Copa.

Texto sobre essa crise, aliás, está no caderno sobre o torneio (pág. D11);

3) Pareceu-me um exagero abrir uma página em Mundo com a tentativa do premiê alemão de usar a Copa para ganhar votos (‘Schröeder capitaliza vitórias da seleção alemã’, pág. A13). Faltam três meses para a eleição.

Jornalisticamente, tal notícia merecia, creio, estar em Copa 2002, como subretranca.

Colômbia

O texto ‘Farc ameaçam todos os prefeitos do país’ (pág. A12) informa que o presidente colombiano, Andrés Pastrana, disse que, apesar das pressões da guerrilha, não serão aceitas renúncias de prefeitos ou de funcionários públicos. Uma dúvida: os prefeitos daquele país não são eleitos? Que poderes tem o presidente para aceitar ou não suas eventuais renúncias?

Falta esclarecer.

Arafat no poder

O jornal ainda deve ao leitor a informação sobre em que mês ou ano teria vencido o mandato de Arafat como presidente da Autoridade Nacional Palestina. A lacuna, que já vem de edições anteriores, permanece no jornal hoje (pág. A14).

Acabamento

Ficou esquisito o uso do sobretítulo, na capa de Dinheiro, para fazer remissão a noticiário em outras páginas (‘...leia mais nas páginas B3 a B6’). Até onde sei, não é essa a finalidade desse recurso.

WorldCom

1) Além de outros fatores mais internos, o jornal acopla a alta do dólar aqui ontem ao noticiário sobre o escândalo da tele americana. Não mostra, porém, o mecanismo que gera essa relação de causa e efeito, o que uma coisa tem a ver com a outra, ainda mais num dia em que, também por causa do escândalo, a moeda americana caiu em outros países (principalmente Europa).

Uma idéia seria a de que, com o impacto negativo nas Bolsas, houve procura maior pela moeda verde. Faz sentido?

2) Senti falta de uma arte que mostrasse didaticamente, num esquema, como se deu a manipulação de balanços na WorldCom. Ela se encaixaria bem com a retranca ‘Fraude contábil era artimanha simples’, pág. B4;

3) A arte da capa do caderno informa que a dívida da empresa é de US$ 32 bi. Já texto na pág. B4 fala em US$ 30 bi. Uma diferença de ‘apenas’ US$ 2 bi. Qual é o dado correto?

4) O abre da pág. B6 diz que os ADRs da Embratel (na Bolsa de NY) terminaram o dia em US$ 1,02. Já a sub ‘Controlador não é o único problema de brasileira’ (mesma página) diz que o ADR ‘era negociado’ ontem a US$ 0,75. Não são dados necessariamente contraditórios, mas, como esta última retranca não informa como o ADR ‘fechou o dia’, e a diferença entre um e outro é grande, cria-se uma dubiedade de informação.

Serviço

Faltou serviço/orientação concreta para os leitores investidores na retranca ‘Fundos de alto risco registram perdas maiores’ (pág. B11).

Retrata-se a situação, mas não se apresentam orientações sobre o que fazer.

White Martins

A Folha informa (‘Cade multa a White Martins em R$ 24 mi’, pág. B2) que ‘não conseguiu falar com a assessoria de imprensa da empresa’. O ‘outro lado’ da White, porém, está registrado no ‘Estado’.

Transparência?

O jornal considerou relevante, como notícia, a transferência do jornalista Alon Feuerwerker da assessoria de imprensa de Marta Suplicy para a campanha de José Serra (‘Assessor de Marta trabalhará para José Serra’, pág. C3).

OK. Mas, em nome da transparência, teria sido mais adequado registrar que o jornalista em questão foi também secretário de Redação da Folha, entre outras funções. Salvo erro de memória, esse critério foi adotado, por exemplo, no caso de André Singer, quando nomeado porta-voz da campanha de Lula.

Foto e legenda

Está difícil entender alguma coisa na foto do texto-legenda ‘Queima de drogas’ (pág. C4). Quem é o ministro da Justiça ali? Na mesma página, acima, há outra foto, cuja legenda não identifica os que nela aparecem. Só quem conhece bem o visual de Reale Jr. (um ministro relativamente novo no cargo) sabe que ele é o personagem da esquerda na imagem.

Copa 2002

Tenho a sensação de que as páginas em PB (58% do noticiário sobre Copa), com fotos grandes, ajudaram a esfriar um pouco a edição de hoje do caderno.

Telefone dental

Nota na Folha Equilíbrio reporta que engenheiros ingleses criaram um telefone para ser implantado no dente (pág. 4). É fantástico. Do jeito que está redigido o texto, porém, dá-se a impressão de que o aparelho já está disponível no mercado. É isso mesmo? Se sim, o ideal seria dar dicas de como encontrá-lo, nem que seja na Inglaterra. Se não, faltou deixar isso claro.

Numeração

Superficial ficou a ‘repercussão’ da nova lei que obriga numeração de livros, Cds etc na Ilustrada (‘Mercado se assusta com lei da numeração’, pág. E3). Uma editora e um escritor ‘monopolizam’ o texto, com opiniões válidas mas de todo modo de caráter pessoal. O que diz a Câmara Brasileira do Livro? O que diz o Sindicato Nacional dos Editores de Livros? Falta aprofundar o tema.

26/06/2002

Só a Folha traz em manchete, hoje, nova oscilação no mercado financeiro (‘Mercado reduz negócios e eleva dólar’), embora não tenha conseguido -nem ela nem os analistas ouvidos pelo jornal-- explicar a seus leitores os motivos que estariam por trás das incertezas de ontem. Os diários cariocas mantêm a questão da segurança como assunto principal, além da Copa, claro. O ‘Estado’, na linha pró-Planalto, destaca discurso do presidente (‘FHC cobra empenho da justiça na luta contra o crime’).

Caso Santo André

1) Creio que vale de cara um registro positivo: apesar da complexidade das relações em jogo, a arte ‘A rede de relações nas Prefeituras do PT’ (pág. A4) consegue resumir a questão de modo visualmente compreensível;

2) O nome do advogado (assim mesmo, redigido como se ele tivesse só um advogado) do secretário Klinger Luiz de Oliveira Souza aparece como sendo José Carlos Dias numa retranca (pág. A4) e como Luís Francisco Carvalho Filho em outra (pág. A6). Falta deixar esse aspecto mais claro para o leitor;

3) O texto ‘Grampo incluiu mãe de Klinger e advogada de Ronan’ (pág. A6) afirma que um microempresário participou de algumas licitações públicas num valor ‘aproximado de R$ 400’. É só isso mesmo (quatrocentos reais)? A verificar;

4) Afirma o abre ‘Advogada deixa comissão de licitação da CET’ (pág. A5) que a primeira gestão de Celso Daniel foi ‘entre 1989 e 1882’ (sic). Qual é o ano correto de seu encerramento?

5) Senti falta do ‘outro lado’ do juiz-corregedor Maurício Porto Alves, que autorizou os grampos em Santo André e que pode se transformar no ‘grande vilão’ do caso.

Imprecisões

O título ‘Arafat se diz líder palestino e acata eleições’ (Mundo, pág. A11) ficou esquisito. Alguém duvida que ele seja um líder palestino? Um artigo (o) antes da palavra líder ajudaria a deixar mais claro o conteúdo do que está em jogo (questionamento da manutenção de Arafat à frente da ANP). Nesse mesmo texto, afirma-se que o dirigente palestino foi eleito em 1996 e que seu mandato já se encerrou. Encerrou-se quando? Não há informação, e essa ausência não permite ao leitor entender a situação ‘ditatorial’ de Arafat.

Acabamento

1) Faltaram remissões recíprocas nos textos que, em Brasil e em Dinheiro, reportam declarações de Malan ontem em depoimento no Senado;

2) Assim como o caderno Copa 2002 em diversas páginas, a capa da Ilustrada não introduz nem sequer um intertítulo nos longos textos que compõem a capa hoje. Desencoraja-se o leitor.

Novo escândalo

Um novo e enorme escândalo se anuncia em ‘Dona da Embratel revela fraude de US$ 4 bi’ (Dinheiro, pág. B8). Trata-se de novas revelações de fraudes contábeis, desta vez na WorldCom (EUA). Creio que, nesse material, faltou ouvir a Embratel. Até que ponto tais revelações poderiam afetar a empresa aqui?

Metas de inflação

O ‘Globo’ traz informação de que o Conselho Monetário Nacional irá mudar as metas de inflação de 2003. O ‘Valor’ dá manchete para o assunto, mas afirma que se trata de mudanças para 2004. De todo modo, não vi na Folha de hoje a informação. A conferir.

Gritante

Pelo terceiro dia consecutivo, um lapso gramatical chama atenção demais na Folha. Hoje está na retranca ‘Ministro vê como positiva 'carta de intenções' de Lula’ (pág. A10): ‘'Só posso saldar (sic) isso [a postura de Lula] como algo positivo...’, teria dito Pedro Malan. É ‘saudar’, certo?

Obras numeradas

Inserção da Ilustrada na contracapa de Cotidiano, hoje, reporta aprovação, pelo Senado, de projeto prevendo numeração de obras artísticas (CDs, livros etc). Trata-se de um assunto altamente polêmico, no seu princípio e nos seus aspectos operacionais, que o jornal tem tratado de forma dispersa. Creio que valia a pena se debruçar e aprofundar a pauta.

Loucura?

Está saboroso o texto ‘Scolari tem explosão de nervos no último treino’ (Copa 2002, pág. D5), mas é difícil não ver exagero nas quatro palavras finais do seu quinto parágrafo: ‘Nos treinos, além de alterar as formações da seleção, (Scolari) tem gritado com os atletas, exigido mais empenho, ido quase à loucura’. Não é por nada, mas soa à la Galvão Bueno.

Didatismo

Para quem não acompanha a NBA, não dá para entender o que é e como funciona o tal ‘draft’, cerimônia do basquete norte-americano da qual participa hoje o brasileiro Nenê (pág. D11).

25/06/2002

Certo alívio no mercado financeiro ontem tornou-se manchete nos dois principais diários paulistas. A Folha (‘Dólar cai 2,1% e risco-país desaba’) ficou nos números, enquanto o ‘Estado’ (‘Efeito Serra derruba risco país e dólar’) politizou já no título a notícia. Os jornais cariocas dão manchete ao atentado contra a sede administrativa da Prefeitura do Rio. O ‘Globo’ (‘Atentado com 200 tiros desafia poderes no Rio’), mais ‘analítico’; o ‘JB’ (‘Prefeitura atacada a tiros e granadas’), descritivo.

Primeira Página

O pingue-pongue exclusivo do caderno Copa 2002 com Rivaldo, maior estrela da Copa até o momento, merecia chamada na capa do jornal. Foi o principal diferencial da Folha, a meu ver, na edição de hoje sobre o tema.

Ao gosto do freguês

A repercussão da ‘Carta ao Povo Brasileiro’, nas edições de hoje, ilustra a idéia de que, na verdade, uma Redação de jornal repercute assuntos polêmicos com especialistas do jeito que quer, ao gosto do momento. A Folha, na retranca ‘Para economistas, carta reduz 'ambiguidade' do PT’ (pág. A4), só traz economistas (cinco) que, mesmo com ressalvas, acharam positivo o documento de Lula. Já o ‘Globo’ reporta as opiniões de três economistas, que vão em sentido contrário. Isso mostra duas coisas: a) houve desequilíbrio por parte dos dois veículos nesse caso; b) não faltavam economistas no ‘mercado’ para se chegar ao equilíbrio na repercussão.

Caso Santo André

1) Como provável explicação para a ausência do ‘outro lado’ na reportagem ‘PT acusa a PF de 'espionagem política'‘ (pág. A6), o texto informa que a Polícia Federal ‘dará hoje uma entrevista coletiva para falar do caso’. É uma pena, pois o ‘outro lado’ já está na concorrência hoje. O ‘Globo’ registra declarações entre aspas do ministro da Justiça e da PF refutando essas acusações do PT. Por que a Folha não as obteve?

2) Tudo bem que o ‘Estado’ já assumiu abertamente seu engajamento pró-Serra na corrida sucessória, mas isso não deve justificar que o concorrente consiga ser mais ‘investigativo’ do que a Folha quando o assunto é contrário ao PT. Na edição de hoje, o concorrente consegue avançar mais do que a Folha no caso da propina, com informação sobre dados e valores concretos que envolvem diretamente o secretário Klinger Souza;

3) A adaptação da edição nacional para a edição SP prejudicou a parte final da retranca ‘Suplicy pedirá afastamento de secretário’ (pág. A6). Ela não explica o motivo pelo qual a Câmara Municipal de Recife arquivou CPI que apurava irregularidades ligadas a Ronan Maria Pinto (envolvido também no caso Santo André), a saber, que o prefeito petista tem a maioria do legislativo local. A explicação está na retranca à parte sobre o caso na edição nacional.

Sensus, Vox

A pesquisa Sensus/CNT está devidamente registrada, mas senti falta, na Folha, de reportagem sobre o resultado da pesquisa Vox Populi (está no ‘JB’ e no ‘Estado’), que mostra importante subida de Ciro Gomes, desbancando Garotinho e chegando perto de Serra. Por falar em sucessão, um registro para reportagem no ‘Wall Street Journal’ hoje sob o título ‘Até que ponto a esquerda brasileira pode mover-se para a direita?’. Está na edição traduzida pelo ‘Estado’.

Outro motivo

A Primeira Página e o abre de Dinheiro (‘Dólar cai 2% e risco-país volta ao 3o lugar’) ignoram o pronunciamento de sábado e a ‘carta’ de Lula como um dos fatores que teriam influenciado para o alívio nos mercados ontem. Até aí, questão de avaliação. O que surpreende nisso, porém, é que um dos economistas mais ouvidos pelo jornal em diferentes coberturas, o ex-diretor do BC Sérgio Werlang, afirme hoje duas vezes (uma em Brasil e outra em retranca à parte da capa de Dinheiro) que a ação do candidato petista foi o ‘pano de fundo’ da queda do dólar e do recuo do risco-país. A impressão que dá é de que o jornal, dessa vez, ‘isolou’ a opinião de um de seus mais requisitados especialistas.

Gritante

Depois de um ‘não haja sob impulso’ ontem, outro erro chato aparece em ‘Israel anuncia ofensiva maciça contra o Hamas na faixa de Gaza’ (Mundo, pág. A16): ‘intensões’, com ‘s’. São erros crassos que não só atentam claramente contra a imagem do jornal como também, de certo modo, agridem o leitor.

Onde fica?

Depõe contra princípios básicos de edição da Folha a ausência de um mapa na reportagem ‘Choque de trens mata 200 na Tanzânia’ (Mundo, pág. A17).

Acabamento

1) O pé biográfico sobre Paul Tergat em artigo na pág. A18 (‘A escola pode ser uma arma contra a fome’) não informa a idade do atleta queniano nem os anos em que ele foi campeão da São Silvestre ou medalhista em duas Olimpíadas;

2) Ao relacionar os nomes dos empresários que participaram de almoço com a representante americana ontem, o texto ‘Embaixadora dos EUA diz que O'Neill só falou por ele’ (pág. B3) informa a qual empresa cada um pertence. O último nome, porém, Luiz Hafers, aparece solto, sem referência. A informação ficou incompleta;

3) Mais uma vez o jornal ‘esquece’ de adaptar texto da internet para a versão impressa. A Panorâmica ‘Morteiro explode e fere estudante’ (Cotidiano, pág. C4) traz um ‘hoje’ que deveria ter sido trocado por um ‘ontem’;

4) O lide do abre da Ilustrada (‘Rosas da Bélgica’) é formado por um único período de 15 linhas. Não é a melhor forma de atrair o leitor para o texto.

Calote dos EUA

O último parágrafo de ‘Euro sobe e se aproxima de US$ 1’ (pág. B11) afirma: ‘Os EUA enfrentam a possibilidade de, pela primeira vez na história, dar um calote no pagamento de sua dívida. O 'default' poderia vir no começo da semana que vem’. Uau! Isso não deveria ser, no mínimo, abre de página?

Aliás, nessa mesma página, uma arte mostra que todas as Bolsas européias registraram quedas expressivas ontem. Explicação? Não há.

É o mínimo

A retranca ‘Eleito pela comunidade, Sedi Hirano é indicado diretor da FFLCH’ (pág. C4) não traz nenhum dado de perfil sobre o novo diretor da instituição (idade, formação, trabalhos acadêmicos etc).

Ataque no Rio

São díspares os números apresentados pelos jornais, em especial quanto ao total de tiros que teriam sido disparados contra a sede administrativa da Prefeitura do Rio. Folha: 150; Estado, 275; JB, 132; Globo, 200. A verificar.

24/06/2002

A tensão gerada pela situação econômica e pela sucessão presidencial realmente não deu chances para a Copa. Este foi mais um final de semana em que a política predominou nas capas dos jornais, seja com o rescaldo do caso Santo André, seja com o embate político via questão econômica (PT versus ‘mercado’). Com exceção do ‘Globo’ (‘Tráfico alicia 1 em cada 4 jovens nas favelas do Rio’), os jornais de hoje mantêm o assunto como prioritário. Na Folha, ‘FHC espera pedido do PT para dialogar’; ‘Estado’: ‘'Problema do Brasil é 100% político', diz Greenspan’; ‘JB’: ‘PT-PL à espera de Garotinho’.

Edição de segunda-feira, 24 de junho

Batendo cabeças

Duas informações do Painel (pág. A4) não combinam com o noticiário: a) A nota ‘Agenda suspensa’ informa que ‘Garotinho cancelou todos os eventos da campanha desde quinta-feira, quando o PL firmou a aliança com Lula’. Já a ‘agenda dos presidenciáveis’ (pág. A6) mostra que o ex-governador, além de ter participado de um evento público ontem, comparece hoje a dois estúdios (rádio e TV) para dar entrevistas. Isso, entendo, faz parte da campanha; b) A nota ‘Vestir a camisa’ diz que o PSDB deve R$ 2 milhões a José Alencar por camisetas que a empresa dele confeccionou na reeleição de FHC, valor que, acrescenta a nota, seria, segundo Alencar, de R$ 3 milhões. Já na reportagem de abre da página A6, o jornal assume simplesmente que o senador mineiro ‘levou um calote de R$ 3 milhões’.

Sucessão

1) Entendo que o jornal antecipou, na edição de sábado, que o programa econômico do PT prevê a manutenção do objetivo atual de superávit primário e dos contratos existentes. Mesmo assim, creio que o comprometimento público concreto assumido por Lula no sábado, naquela direção, merecia ser a manchete do domingo. Mais do que o ‘apelo’ retórico e a meu ver diversionista (‘Lula propõe diálogo para conter crise’) do presidenciável petista. Trata-se da oposição entre um compromisso público claro e uma proposta solta no ar;

2) Um detalhe: o lide de ‘FHC espera pedido de Lula para debater crise do país’ (pág. A4) afirma que a proposta de diálogo de Lula foi feita ontem. Foi anteontem, como se escreve em outras passagens do texto;

3) Entendo que se tenha feito um interessante e válido jogo de fotos de abraços na pág. A6 (Lula-Alencar, Serra-Maciel). À parte esse aspecto, digamos, mais lúdico, creio que o jornal deveria, no entanto, registrar a imagem histórica de Lula e Renato Rabelo (presidente do PC do B) dividindo o palco com Alencar, Medeiros, Bispo Rodrigues e outros, conforme destaca hoje a coluna Brasília;

4) Senti falta de um ‘Além da Convenção’ no caso do encontro do PL, que contou com mais de 500 pessoas em Brasília. O mesmo vale para a convenção que oficializou a candidatura de Maluf em SP. É como se a Folha tivesse tirado o pirulito (ofertado na semana passada) da boca da criança;

5) Sobre o caso de Maluf, o abre da pág. A9 afirma que ele discursou 15

minutos ‘de braços abertos’. Sinceramente, não consegui visualizar o que isso quis dizer. Na foto (que, segundo a legenda, foi feita durante o discurso), a mão esquerda indica que seu braço esquerdo está ‘fechado’;

6) Mais um ‘fora’ de Serra que a Folha não teria registrado (além daquele do ‘fax na favela’): segundo o ‘Globo’, o tucano deixou sua vice, Rita, constrangida num palanque em PE ao elogiar Jarbas Vasconcelos dizendo: ‘Minha grande aspiração era ter Jarbas como vice, ele que é melhor do que eu. A perda de Jarbas foi dolorida, foi ruim...’.

Acabamento

1) O pé da retranca ‘Líder do Hamas é preso em Gaza’ (Mundo, pág. A12) menciona uma declaração de Turner (dono da CNN) sem explicar do que se trata nem contextualizar. Ficou ininteligível;

2) Na edição SP, faltou o crédito da foto do comerciante libanês Barakat, detido em Foz do Iguaçu (Mundo, pág. A12);

3) Afirma o sub-lide de ‘Fundos já não perdem, mas sangria continua’ (Dinheiro, pág. B3) que a nova regra de contabilização dos fundos entrou em vigor em 29 de março. Foi um lapso, certo? O correto é 29 de maio, não?

4) Mesmo para o ombudsman, que não tem os olhos voltados prioritariamente para questões de ordem gramatical, chama atenção demais a primeira frase de ‘Analistas aconselham investidor a ter calma’ (pág. B3): ‘Não haja sob impulso’.

O caso das teles

É bastante grave o quadro traçado em ‘Teles não cumprem meta, e Anatel não multa’ (chamada da Primeira Página e contracapa de Dinheiro). Justamente considerando isso, algumas observações:

1) Qual é o ‘currículo’ da consultoria Brisa, que banca a avaliação? Creio que caberia um pequeno box sobre ela, para dar credibilidade à matéria;

2) Qual foi o cruzamento (metodologia) de dados por ela utilizado a partir de material disponível na internet para chegar a essas informações?

3) Por que e em quais contextos foram criadas as metas de qualidade da Anatel?

4) Creio, por fim, que o ‘outro lado’ das empresas ficou muito diluído em diferentes frases nas diferentes retrancas, o que acaba transformando seu conteúdo em algo desproporcional em relação à dimensão (grave) das acusações.

Transparência?

A nota ‘Linha cruzada’, da coluna Mônica Bergamo (Ilustrada), diz: ‘O empresário Abílio Diniz... não está participando da criação do Ligue Anônimo, um novo serviço para receber denúncias de crimes que está sendo criado em São Paulo’. Essa informação desmente nota do dia 18 da coluna segundo a qual o empresário fazia parte do grupo que estava por trás dessa iniciativa. Creio que faltou ‘contextualizar’ essa correção.

Sísifo

Ao ler a reportagem ‘Stela Campos ilumina os ouvidos’ (pág. 5, Folhateen), fiquei curioso com relação à idade da cantora. A informação, porém, não estava lá.

Edição de domingo, 23 de junho

Primeira Página

1) A chamada da manchete ‘Lula propõe diálogo para conter crise’ (cujo conteúdo já comentei) não informa onde e em qual contexto Lula falou. Ao pé, menciona apenas, genericamente, ‘...em encontro do partido’;

2) Faltou chamar para o artigo do intelectual palestino Edward Said (Mundo, pág. A18). O fato de ser um colaborador de certa regularidade não tira a importância de seu texto.

Perfis

Faltaram os perfis de Jacob Bittar e de José Maria de Almeida nas retrancas da pág. A5 que registram os lançamentos de suas candidaturas. No caso de Bittar, afirma-se que ele foi prefeito de Campinas, pelo PT, em 88. No outro, que já se candidatou em 98. É pouco. Vale o mesmo para a retranca ‘'Não me venham com charanga técnica'‘ (pág. A10), que reporta a intervenções de Maria da Conceição Tavares no encontro do PT sábado. A contundência e o tom de soberba de suas várias declarações só podem ser entendidos, creio, por quem conhece a economista. O texto não traz nenhuma informação a respeito dela, salvo a denominação de seu ofício.

E o site?

Tentei mas não consegui entrar no site galvao.malukices.com.br (indicado na pág. D2 de Copa 2002), para ver as brincadeiras sobre o locutor da ‘Globo’. Só depois, por indicação de um colega, vi que precisava tirar o ‘.br’ do endereço.

Coincidência

Um leitor registra a coincidência entre trecho do artigo de Shimon Peres na página A3 e trecho da primeira carta do Painel do Leitor, tendo sido, ambos, publicados no mesmo dia. Evidencia-se, claro, que o missivista já conhecia esse mesmo texto de algum outro lugar. Não é o fim do mundo, mas certamente, para a Folha, melhor talvez tivesse sido registrar, de alguma forma, que se trata de um artigo ‘sindicalizado’.

Imprecisão

A retranca ‘Comissão é 'espécie de reserva moral'‘ (Cotidiano, pág. C7), sobre a USP, afirma que na eleição de quinta-feira para o novo diretor da FFLCH o professor Sedi Hirano ‘...foi o favorito’. Como assim? Foi eleito ou não? Não deu para entender.

Edição de sábado, 22 de junho

Quem pagou?

Pergunta pertinente de um leitor, a propósito da retranca ‘Primeira-dama comparece a velório’ (capa de Cotidiano), sobre a morte do caseiro do sítio de FHC: quem pagou o helicóptero que Ruth Cardoso usou para ir (e voltar) de São Paulo a Ibiúna?"

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