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O POVO
Débora Cronemberger
"Falha de comunicação em empresa de comunicação",
copyright O Povo, 5/8/01
"O Povo lançou, no último dia 29, o novo portal Noolhar.com, com uma série de notícias e serviços exclusivos. Entre a idealização e a estréia na Internet, o projeto do novo portal exigiu um ano de muito trabalho. Deu no que deu: uma iniciativa inovadora, sem paralelo no mercado cearense. Leitores enviaram várias mensagens com elogios à idéia, ao visual e também ao conteúdo do site, mas também houve protestos, particularmente sobre serviços que haviam sido noticiados, mas que não se encontravam disponibilizados para o internauta.
Na cobertura sobre o lançamento do novo portal, ficou claro que em alguns momentos faltou comunicação interna. Essa falta de comunicação se revelou em momentos distintos, bem como em níveis diferentes. No último dia 31, foram publicadas matérias sobre o mesmo assunto (o portal) em duas editorias diferentes, Fortaleza e Economia. Uma das matérias inclusive tinha como informação principal o fato do portal permitir pesquisa de tudo o que foi publicado pelo jornal O Povo de 1997 para cá. Essa mesma informação havia sido publicada em uma matéria do dia anterior. Questionei no comentário interno a falta de planejamento. Toda cobertura precisa ser bem avaliada, ainda mais quando se trata de um investimento institucional deste porte.
Percalços no caminho
O diretor de jornalismo do portal Noolhar.com, Marcos Tardin, disse à ombudsman que as matérias sobre o lançamento foram planejadas sim. ‘O problema é que a programação não está sendo cumprida’, contou, referindo-se às matérias feitas na semana pela redação. O diretor-executivo da Redação, Carlos Ely Abreu, reconheceu que houve algumas falhas de comunicação dentro redação, o que teria evitado, por exemplo, a publicação de matérias com informações repetitivas ou em duas editorias diferentes no mesmo dia, com textos que tinham basicamente a mesma perspectiva. ‘O problema maior é que faltou comunicação entre o pessoal do portal com o da redação’, ressaltou Carlos Ely. Ele contou que, ao tentar fazer algumas matérias, dentro da programação sugerida por e-mail pela coordenação do portal, a redação descobriu que alguns serviços não estavam implementados, como a pesquisa histórica de 1997 para cá, ou as salas de bate-papo. Esses serviços haviam sido repassados pelo portal como devidamente consolidados.
Como nenhuma das mídias exclui a outra, o que faltou mesmo foi uma discussão conjunta. A falha de comunicação foi grande, e é caso sério em se tratando de uma empresa que tem na comunicação sua matéria-prima.
Selo incorreto
A cobertura sobre o novo portal escorregou na edição do dia 31 por motivo diverso da falta de comunicação. Ao lado do resumo da matéria, logo abaixo da manchete da página, foi publicado o selo ‘Crimes hediondos’ A publicação de selos em matérias faz parte de uma estratégia para enfatizar ao leitor o destaque a certos assuntos, que têm continuidade na cobertura do jornal. O selo ‘Crimes hediondos’, para dar um exemplo, é utilizado em matérias sobre seqüestro. A publicação deste selo em matéria sobre a nova mídia da empresa O Povo foi um alerta sério sobre a obrigação que nós, jornalistas, temos de fazer uma revisão muito cuidadosa das páginas antes de enviá-las para impressão.
Ambiente de redação de jornal é uma roda-viva. A pressão em função do horário é permanente. No entanto, nada disso pode ser justificativa para esse tipo de falha. É exatamente em ambientes de trabalho de muita correria (característica que é inerente à profissão de jornalista), que se exige uma revisão criteriosa. É melhor atrasar o envio de páginas para a impressão por alguns minutos do que enviá-la com pressa, sem a tal revisão aprofundada. Se essa atenção rigorosa é necessária em qualquer circunstância, haverá assuntos que esse cuidado precisa ser triplicado, e aí estão incluídos assuntos como pesquisas, matérias com números, matérias institucionais.
Diversificar é preciso
Na semana passada, voltei a alertar, em comentário interno, a necessidade de diversificação de matérias especialmente de um caderno do jornal: o Vida e Arte. Venho defendendo a idéia de que o caderno trate com mais dedicação das opções de entretenimento da cidade, sem deixar de lado questões importantes para reflexão da nossa cultura e comportamento social. Esse aspecto, o de refletir a cultura, vem sendo tratado a contento pelo caderno. Já no aspecto do entretenimento, deixa a desejar.
Esse assunto tem sido discutido internamente, na redação, mas já foi tratado também na coluna Ombudsman do dia 24 de junho. A Redação comentou, na época, que estava em andamento um processo interno sobre o rumo que se pretende tomar para o caderno em um curto prazo.
O fato é que ainda há a necessidade de uma maior variedade de matérias sobre as diversas opções e gostos culturais. Na semana passada, no comentário interno, dei o exemplo da edição do Vida e Arte do último domingo. A capa falou de um CD com trilha sonora e o caderno teve duas páginas sobre curso de formação de professores indígenas. As outras páginas eram dedicadas a colunistas, programação de televisão. Falar sobre trilha sonora ou sobre curso de formação de professores indígenas é tratar de assuntos desinteressantes? De jeito nenhum. Só que faltou uma distribuição mais equilibrada de assuntos, e é este um dos maiores desafios para cobertura de qualquer área. No caso do Vida e Arte, matérias sobre entretenimento são e sempre serão básicas, especialmente aos finais de semana."

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