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JORNAL DO BRASIL
Luiz Orlando Carneiro
"Deu no JB", copyright Jornal do Brasil, 28/7/01
"A Polícia como vilã
A truculência e o despreparo da maioria das blitzes da polícia em favelas, à procura de traficantes ou para intervir em suas batalhas pelo controle dessas áreas urbanas, têm sido registradas com inquietante freqüência pela imprensa. Mas nem sempre a polícia é a vilã da história, como no recente episódio do Morro da Providência, apesar das insinuações da carta que abre esta seção. Como já disse Millôr Fernandes, ‘mesmo os relógios parados estão certos, pelo menos duas vezes por dia’.
Morte
Lendo as duas reportagens sobre o vandalismo dos moradores da favela do dia 19/7 (no JB e em O Globo), fiquei sem saber em qual Acreditar. No JB informam que a bagunça foi de responsabilidade dos traficantes e que a morte da criança foi acidental. Em O Globo nem citam traficantes. Somente a polícia foi a responsável pela morte, resultando no conflito. Essa divergência de informação só comprova que a verdade é manipulada, conforme os interesses de quem publica, tornando-se responsável, cúmplice e conivente com a impunidade que reina no país. A democracia de um povo tem que ser respeitada e acatada, independentemente de qual seja a ‘democracia interna’de um jornal ou do dono do jornal’.
Teresa Abreu de Almeida, Rio de Janeiro.
JB – A leitora deve ter lido por alto as reportagens do JB sobre o caso, que ocuparam toda página 18 da edição, com destaque na capa para Protesto controlado por traficantes, de Talita Figueiredo. Os repórteres depois de registrarem várias versões para a morte da menina, escreveram que ‘em todas, a PM era apontada como a culpada pela tragédia’. Mais adiante, lia-se: ‘As acusações à PM relacionadas à morte de Andriele, no entanto , foram desmentidas por sua mãe, Denise Magalhães da Silva, 19 anos, em depoimento na 4º DP. Longe do morro, pouco após a morte da menina, Denise contou o que realmente aconteceu: Andriele caiu, por acidente, de um precipício de 30 metros’. Talita Figueiredo relatou também que um morador do morro, ‘temeroso’, mostrou à repórter um papelão com a mensagem: ‘A morte da menina não tem nada a ver com a polícia’. O JB não ‘manipulou’ os fatos. Descreveu-os.
Frase
Muito bom e oportuno o editorial Flagrante Delito, de 21/7. Ocorre que o articulista comete um erro crasso ao atribuir a Mariel Maryscot a frase ‘bandido é bandido, polícia é polícia’. Quem cunhou essa frase, aliás muito elucidativa, foi Lúcio Flávio Lírio, inimigo número um de Mariel e maior assaltante de bancos de bancos que o Brasil já conheceu. Quanto à corrupcão (traficantes pagando propina semanal a policiais), trata-se apenas do repeteco de uma prática quase secular na crônica policial do Rio de Janeiro. Há sei lá quantas décadas, a então Delegacia de Costumes da Polícia Civil do Rio de Janeiro oficializou a propina, tomando dinheiro de bicheiros para fazer os olhos de inglês e ouvidos de mercador à contravencão dominada pelos barões da jogatina. O que acontece com o tráfico hoje é exatamente isso: os traficantes estão loteando o esta da mesma forma que os bicheiros lotearam no passado. Aliás, até o esquema de proporcionar benesses aos moradores é semelhante, entre tráfico e jogo. Só falta mesmo traficante bancar escolas de samba e clubes de futebol. Confirmando a tese defendida no artigo: não basta punir com a expulsão. Os PMs bandidos devem ser submetidos a julgamento como qualquer delinqüente, e, se a Justiça assim determinar, cumprir pena em unidades do estado’.
Geraldo Lopes, Rio de Janeiro.
JB – É comum, quando uma frase cai no domínio público, que sua autoria seja atribuída a outrem. Vide o caso de ‘mais vale a versão que o fato’, expressão que José Maria Alkmin afirmava Ter cunhado. Quando cobrado pelo verdadeiro UTOR DA FRASE, Gustavo Capanema, Alkmin respondeu: ‘Mais vale a versão que o fato’.
Utopia
‘O jornalista Plínio Fraga, na coluna Coisas da Política de 24/7, escreve: ‘Jader é de um Brasil que tentamos acreditar morto há muito, mas vaga como zumbi a assustar os valores do país utópico que pretendemos’. O consagrado economista sueco Gunnar Myrdal, um dos principais cientistas sociais dos meados do século XX, observou que as elites dos países subdesenvolvidos, por terem o privilégio do acesso à educação, muitas vezes no estrangeiro, ao retornarem à sua terra. Freqüentemente parasitam o país e se apropriam do Estado fazendo dele uma extensão da sua vida privada, com seus negócios escusos. A análise de Plínio Fraga comporta digressões otimistas quando encontramos no comportamento do futuro ex-senador e nas punições do juiz Lalau, dos advogados Jorgina e Hilton Escóssia, de PC Farias, do juiz Nestor, de parlamentares cassados e outros espíritos malignos uma explicação para o subdesenvolvimento que o Brasil está vencendo. Para não dizer que não falei das rãs, o Brasil está no caminho do desenvolvimento e um dia, a utopia pia. O dia já chegou’.
José Hélio Rocha, Nova Friburgo – RJ.
Alegria
‘Ganhei dois ingressos para o show de Elba Ramalho no dia 21/7. Confesso que às 21 h ainda estava deitada na cama, sem querer ir. Sou assinante do JB. Pela manhã, havia lido a crítica do show, o que me fez ficar com mais preguiça de ir. Juntou o não ser fã com o negativismo da crítica. Assim mesmo eu fui. Nada tinha a perder a não ser alguns trocados de estacionamento e uns refrigerantes e pasteizinhos de vento. O show começou atraso, conforme o crítico anunciou. Imaginei o que estaria fazendo ali. De repente Elba entrou e ficou. Seu jeito gostoso de cantar, sua voz maravilhosa e seu carisma aos poucos foram me conquistando. Deparei-me batucando, cantarolando e de repente totalmente embevecida com o esplendor do momento. Ela fez um show para o público, não sei explicar. Às vezes há shows ‘tecnicamente perfeitos’, certinhos demais, mas você se sente distante do artista, como se existisse uma tela entre você e ele. Com o show da Elba foi o contrário. Ela estava completamente natural. Ficou no ar aquela cumplicidade entre o artista e o público e é muito bom sentir esse entrosamento. Nunca escrevi para nenhum jornal nem sei se esta carta vai ser publicada. Tampouco sei se Elba vai lê-la. Mas com certeza as pessoas presentes ao show entenderam que não é ‘uma nota de morte’ e sim de vida. Antes que me esqueça: flores representam a alegria da naturezas e Elba com certeza espalhou a sua nos corações presentes no Canecão. Nana Caymmi estava presente, aplaudindo de pé. Vale a opinião dela?’
Leila Sidi , Rio de Janeiro"

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