A VOZ DOS OUVIDORES


DE OMBUDSMAN NOVO
Folha de S. Paulo

"Novo ombudsman da Folha assume amanhã", copyright Folha de S. Paulo, 11/03/01

"Para o novo ombudsman da Folha, a indiferença e a auto-indulgência configuram o pior dos mundos. ‘Está na hora de uma reviravolta no jornal, e eu acho que o ombudsman pode impulsioná-la fortemente. Eu vou me dar essa tarefa’, diz Bernardo Ajzenberg, 42, que assume o cargo amanhã.

Atual diretor de Conteúdo da Folha Online, Ajzenberg substituirá Renata Lo Prete, ombudsman desde março de 1998, cujo mandato termina neste mês.

Na sua avaliação, embora o jornal tenha melhorado como produto, comparado ao que era nos anos 80, perdeu em ousadia editorial. ‘A Folha se ressente disso. É necessário discutir mais as coisas, porque o jornal é reflexo do que acontece nessa troca de idéias.’

Ele considera estar assumindo o cargo num momento bastante propício a esse tipo de interferência: ‘Com o novo ‘Manual da Redação’, os jornalistas terão de refletir sobre sua atividade. E a Direção do jornal tem exposto publicamente uma posição mais crítica com relação à própria Folha’.

Ajzenberg é o sexto jornalista a ocupar o cargo de ombudsman desde 1989 -ano em que a função foi instituída pela Folha, primeiro jornal a adotá-la no Brasil. Foi antecedido por Caio Túlio Costa, Mario Vitor Santos, Junia Nogueira de Sá, Marcelo Leite e Renata Lo Prete. O ombudsman encaminha à Redação as reclamações dos leitores, critica o jornal em sua coluna de domingo e redige, diariamente, uma coluna interna. Seu mandato é de um ano, renovável por mais dois, e ele não pode ser demitido por seis meses após deixar o cargo. Suas sugestões não têm caráter deliberativo.

Segundo Ajzenberg, a certeza de que os leitores serão atendidos torna concreto o contrato entre eles e o jornal. Ele se mostra tranquilo quanto a eventuais resistências dos jornalistas às suas críticas. ‘Choques são normais e necessários. Tudo é uma questão de como administrar o debate’, diz.

Paulistano, formado em jornalismo pela Cásper Líbero, Bernardo Ajzenberg iniciou sua carreira em 1976. Em abril de 1985, entrou na Folha pela primeira vez, para trabalhar como redator de educação e ciência. Saiu em novembro de 1985 e voltou em outubro de 1986, para ser editor-assistente de Exterior. Deixou o jornal novamente em janeiro de 1987 e retornou em julho desse ano, como redator da Primeira Página.

Em 1988, tornou-se secretário-assistente de Redação e editor da Primeira Página. Em 1991, assumiu a área administrativa da Secretaria de Redação; acumulou com essa função a direção da Agência Folha e do Banco de Dados do jornal, de 1997 a 2000 (ano em que passou à Folha Online).

Casado, pai de duas filhas, Ajzenberg também é ficcionista, com quatro romances publicados -o último deles foi ‘Variações Goldman’, lançado em 1998. Um novo romance, ‘A Gaiola de Faraday’, sairá pela editora Rocco no segundo semestre deste ano."



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