|
FOLHA DE S.PAULO
Bernardo Ajzenberg
"Crítica Interna", copyright Folha Online (www.folha.com.br)
"29/07/2002
Sucessão e eventual novo acerto com o FMI foram os temas que se destacaram no fim de semana. Na campanha eleitoral, como se vê nas capas dos jornais de hoje, FHC inaugura abertamente seu engajamento na tentativa de reerguer a candidatura Serra. Todos deram no alto a imagem dos dois no jardim do Alvorada, com duas diferenças: a) o ‘Estado’ cortou da foto Rita e Ruth, das quais restaram apenas sombras no gramado; e b) a Folha trouxe, também, fotos de Lula e de Ciro em campanha. Destaque para a reportagem de ‘Época’ sobre acusações de irregularidades do vice de Ciro, Paulinho, ‘suitada’ pelos jornais.
Edição de segunda-feira, 29 de julho
Primeira página
O papa atraiu ontem cerca de 800 mil pessoas numa missa campal em Toronto e, pela primeira vez em público, segundo a reportagem, comentou a delicadíssima questão dos padres pedófilos. A Folha não deu nem sequer um registro na capa. Creio que houve, aí, uma avaliação inadequada a respeito da importância da notícia.
Sucessão
1) Sinceramente, não creio que adicione pontos ao histórico da Folha prestar-se como trampolim para campanhas eleitorais em seu espaço mais nobre. A coluna vertical (pág. A2), hoje, é um boletim pró-Serra, incondizente, inclusive, a meu ver, com o reconhecido brilho intelectual do autor;
2) Lula visitou ontem uma favela em São Bernardo do Campo. Segundo relatos do ‘Globo’ e do ‘Estado’, ele chorou ao dialogar com um dos moradores, desempregado. A Folha não traz essa informação. Se o relato é verdadeiro, creio que o jornal errou. A divulgação do choro pode ou não ser benéfica para Lula. Independentemente disso, terá sido a quarta vez que o petista chora na campanha, como registra o ‘Globo’. É um dado importante, para não dizer um dos marcos simbólicos da atual disputa sucessória, a quarta de Lula; 3) O texto ‘Para ajudar tucano, FHC fará autocrítica na TV’ (pág. A7) afirma haver pesquisas que mostram Serra com menos de 14% e Ciro em empate técnico com Lula. Posso estar enganado, mas, mesmo considerando margens de erro, não vi nenhuma pesquisa que registrasse esse empate técnico. No último Ibope a diferença entre os dois era de 7 pontos. No Vox Populi, 8.
Plutão
Conta uma Panorâmica em Ciência (pág. A12) que o Senado dos EUA incluiu verba milionária no orçamento da Nasa para que esta mantenha uma missão que planeja enviar uma sonda para Plutão em 2006. Isso, estranhamente, contra a posição da própria agência espacial, que quer acabar com a missão. Não consegui entender, pelo texto, essa aparente contradição.
Bolsas
1) O texto de abre de Dinheiro (‘Banco especula e lucra com aluguel de ações na Bolsa’) afirma que as pessoas físicas representam hoje 18% do volume de negócios da Bovespa. A ‘pizza’ da respectiva arte, porém, registra 19,9% para essa mesma parcela de investidores. Qual é o percentual correto?
2) Na continuidade desse material (Dinheiro, pág. B7), uma arte mostra que a mesma Bolsa teve volume médio diário negociado de US$ 203,1 mi no primeiro semestre deste ano e que o total negociado em ações no mesmo período foi US$ 237,4 mi. Não consegui entender.
Pontes
O jornal publica na pág. C6 balanço de quais pontes das marginais Tietê e Pinheiros têm placas sinalizando as respectivas alturas. Na tabela ‘Confira a situação das pontes das marginais’, porém, algumas aparecem com um traço no lugar em que deveria estar algum número referente à altura. Somente à leitura do texto se entende que o traço quer dizer justamente que não há placa. Faltou, creio, capricho na legenda da arte.
Loira?
O texto ‘Não tenho nada a ver com Britney’ (pág. 3 do Folhateen) informa que a jovem cantora norte-americana Avril Lavigne, de 17 anos, é ‘linda e loira’. Pela foto, na mesma página, vê-se que linda pode ser, mas loira, não. Os cabelos são de um nítido castanho-escuro.
Edição de domingo, 28 de julho
Primeira Página
Chama a atenção que não se tenha feito, neste caso, uma capa diferenciada, digamos, mais própria de uma edição dominical. O desenho dela é o de uma página comum de meio de semana.
Pró-Serra
Não há como escapar de uma constatação: trata-se de uma edição, objetiva e claramente, favorável ao candidato tucano. Sem nenhum demérito para as reportagens vistas isoladamente, é forçosos constatar que sua maioria ‘ataca’ os três adversários da Grande Aliança, sem nenhuma, em contrapeso, que ‘ataque’ seu candidato (salvo side sobre desencontro operacional entre Alckmin e Serra). As três chamadas de capa são sobre elas. A coluna Élio Gaspari se chama ‘Os programas de Lula e Ciro têm muita gordura’. Faltou equilíbrio político ao conjunto da edição sobre sucessão.
Segurança
Senti falta da palavra do governador Geraldo Alckmin na bela reportagem da capa de Cotidiano (‘Sem apoio da lei, PM recruta presos para operações de combate ao PCC’). O ex e o atual secretários da Segurança estão presentes (pág. C5), mas a gravidade das revelações trazidas pela Folha exigiam, a meu ver, declarações, também, do governador.
Edição de sábado, 27 de julho
USP
Noticia-se, em ‘Reitor se reúne com alunos pela primeira vez’ (Cotidiano, pág. C6), que, segundo os estudantes da FFLCH (que pedem contratação de 259 professores), houve um recuo da reitoria, a qual, depois de propor contratação de 91 professores, baixou para 79, e ‘falou-se até na contratação de 26’. Até aí, OK. Não dá para entender, porém, a conclusão que vem logo em seguida: ‘A expectativa, agora, é que haja conciliação’. Diante do recuo da reitoria, qual é a lógica que sustenta essa expectativa? Parece uma contradição. Não deu para entender.
São José, 235
Duas observações sobre fotos no caderno da Folha Vale que comemora o aniversário de São José dos Campos: a) a foto gigante da pág. Especial 7 (estudantes fazendo prova de vestibular no ITA), com uma cadeira vazia como ‘personagem’ central, é de qualidade bastante duvidosa para a Folha, ainda mais editada nessas dimensões; e b) a reportagem da página Especial 8 propõe-se a mostrar, como diz o título, que ‘Industrial, São José mantém qualidade do ar’. O que a respectiva foto exibe, porém, é uma ‘bruta’ poluição. Não deu para entender.
26/07/2002
O ‘Estado’ cunhou em sua manchete de hoje o novo selo para justificar a continuidade das turbulências no mercado financeiro: o ‘efeito Ciro’. Há, aí, coerência com sua aberta política editorial de apoio à candidatura de josé Serra. A Folha não chegou a tanto, mas, mais uma vez, como na semana passada, deixa de registrar com o devido destaque em sua capa importante resultado (favorável a Ciro) de pesquisa de intenção de voto do Ibope (ver nota específica).
Folha versus Ciro
Há quatro motivos básicos a imaginar para explicar a ausência de chamada na capa (ou de menção a seus dados e números) para a nova pesquisa Ibope: a) o levantamento não é confiável; b) trata-se de instituto ‘concorrente’ do Datafolha; c) não se trata de notícia relevante a ponto de estar na capa; d) ao jornal não interessa divulgar dados favoráveis à candidatura Ciro Gomes. Sobre a): se os dados do Ibope não são confiáveis, não deveria haver reportagem dentro, com razoável destaque na pág. A5, reportagem esta que considera o Ibope ‘um dos principais institutos’. Tampouco faria sentido que todos os textos de reportagens e colunas sobre o assunto (sucessão) se baseiem nesses dados (e das pesquisas anteriores) em suas análises ou informações de apoio para notícias; Sobre b): O interesse corporativo, como é evidente, não deveria se sobrepor aos interesses do leitor e à força da notícia. Não há relação lógica entre dar primazia ao Datafolha (o que seria natural) e ‘esconder’ o Ibope;
Sobre c): o impacto dos dados (Ciro batendo Lula no 2o turno e Serra empatado tecnicamente em terceiro com Garotinho) é mais do que óbvio, vide a agitação no mercado e nos bastidores das campanhas; Sobre d): esta seria uma postura editorial inédita na Folha, em contradição aberta com o seu ‘Manual’.
Por não acreditar que o jornal tenha deliberado por adotar nenhuma dessas hipóteses, não consigo, sinceramente, entender a definição de não se publicarem na capa, nem sequer em pé de chamada (como na vez passada), os números desta pesquisa do Ibope. Menção a ela só aparece de forma passageira, sem dados, na chamada da manchete, não como notícia em si mas como justificativa para a agitação no mercado.
Objetivamente, trata-se de uma medida de aberta hostilidade editorial a Ciro Gomes, mais do que ao Ibope.
Há que se registrar, também, que a reportagem interna, apesar de apresentar um quadro em que todos os números aparecem, não informa, no texto, que Serra está empatado tecnicamente com Garotinho na terceira colocação, sendo que, na pesquisa anterior, eles eram terceiro e quarto, respectivamente.
Políticos colunistas
Até pouco tempo, José Sarney vinha mantendo certa distância, em sua coluna, em relação às eleições. Ou as tratava de forma indireta, nas entrelinhas. Hoje rompeu-se o véu, e o ex-presidente pega pesado, dizendo não haver mais dúvidas de que o segundo turno será entre Ciro e Lula e atacando FHC. Como sugeriu um leitor, não seria mais salutar para a Folha e coerente com sua linha editorial se ela desse uma ‘licença’ a seus políticos colunistas (Sarney, Mercadante, Mangabeira, Delfim, por exemplo), declaradamente engajados, inclusive em causa pessoal, na campanha, ao menos até o final das eleições? Neste momento (campanha), não é razoável considerar que eles deixam ser colunistas políticos para se assumirem, inevitavelmente e naturalmente, como políticos colunistas?
Paulo Coelho
1) Pode-se até não gostar do escritor, mas não isso não justifica intitular de ‘O que é Paulo Coelho’ uma arte a respeito dele (pág. A11) que traz dados também pessoais sobre o novo imortal. Por que não ‘Quem é Paulo Coelho’?
2) Beira o mau gosto a reportagem principal (‘Paulo Coelho é eleito o novo imortal da ABL’) ao registrar que ‘a sessão começou às 16h e só foi interrompida para uma rápida corrida de Nélida Piñon ao banheiro, às 16h30’;
3) O mesmo texto também insinua uma ironia a meu ver gratuita ao afirmar que Paulo Coelho, ‘após receber a notícia em casa... chorou abraçado à sogra’. Como mostra a subretranca, ele primeiro comemorou com a mulher. Só mais tarde é que a cena com a sogra aconteceu.
11 de novembro?
O texto ‘Moussaoui se declara culpado, mas volta atrás’ (pág. A12) dá como sendo 11 de novembro a data dos famigerados atentados a NY e ao Pentágono de 11 de setembro passado.
Idosos
1) Senti falta de menção, no material do IBGE sobre idosos (capa de Cotidiano), ao levantamento referente à quantidade de pessoas que têm mais de cem anos de idade no país. Seriam, segundo o ‘Estado’, cerca de 25 mil pessoas;
2) A legenda da foto da senhora aposentada da página C3 da edição SP traz nome e idade divergentes em relação à retranca a ela referente (‘Idosos de Porto Alegre têm vida independente’): Alice Garcia, 82 versus Alice Soares, 81. A divergência não aconteceu na edição nacional.
Nome
Por falar em nomes, ao final do texto ‘Falta de concorrentes é ameaça para Marta’ (pág. C6), aparece um tal Cunha Lima, o qual deve ser, suponho, na verdade, Cunha Filho, que aparece no início da reportagem.
Não captei
Não entendi a afirmação do lide de ‘Nos bastidores, número 2 do FMI e Malan criticam redução de juros’ (Dinheiro, pág. B4) segundo a qual a redução da taxa de juros pelo BC ‘teve componente político, embora não eleitoral’. É possível, a esta altura, e neste caso, separar uma coisa da outra?
Repetição
A tira do Hagar de hoje, na Ilustrada, é a mesma que foi publicada ontem.
Morte
Não vi na Folha registro da morte de Euler Bentes Monteiro, general que chegou a ser candidato indireto contra Figueiredo durante o regime militar.
Réplica
Reproduzo resposta do editor de Dinheiro, Vinicius Torres Freire, enviada via SR, sobre observação feita na crítica interna de ontem:
‘O ombudsman observa que reportagem sobre a entrevista de Armínio Fraga, publicada na edição de 25 de julho no caderno Dinheiro, ‘deveria ao menos mencionar’ que o presidente do BC convocou os jornalistas durante a visita da número 2 do Fundo. No comentário, o ombudsman observa ainda que pode ser que não haja ‘relação direta entre uma coisa e outra’ (o tour de Krueger e a entrevista de Armínio). Isto posto, qual a relação indireta, então, que poderia haver? Seria uma tentativa de o jornal demonstrar sagacidade com base no nada (se Krueger está aqui, ‘tem’ de haver ao menos uma relação indireta, seja lá o que isso for, entre sua viagem e Armínio disse a respeito do FMI, mesmo que não saibamos o motivo)? Mas por que a presença de Krueger deveria levar Armínio a falar sobre o FMI? Armínio já esteve em várias ocasiões, durante a presente crise financeira, em Washington. Acordos novos com o Fundo, ou acertos a respeito deles, negociações e aprovações etc, não se fazem com vice-diretores-gerentes (é preciso passar pelos técnicos, pelos executivos encarregados do país no Fundo, pelo Board do Fundo, pelos governos dos países que mandam no Fundo e, no atual caso do Brasil, provavelmente pelo presidente eleito para o próximo mandato, caso o acordo vá além de 2003).
A vaga possibilidade de um novo acordo, por sua vez, já havia sido motivo de sondagem de Armínio. Se porventura o acordo já estiver sendo acertado, não será com Krueger aqui (o dia em que o FMI vier oferecer dinheiro, o país não precisará dele). De resto, enfim, há sempre telefones e e-mails à disposição dos dois, Armínio e Krueger, Malan ou Köhler. Para que então mencionar a mulher? Para levantar boato?’
O que mais me chamou a atenção no episódio foi que o presidente do BC convocou a coletiva justamente durante a visita de Krueger (nem um dia antes nem um dia depois). Como destacam o sobretítulo e o abre da entrevista, ele não fazia uma coisa dessas (convocar coletiva) desde o ano passado, no auge da crise da Argentina. Precisava da coletiva agora, sem nada de concreto para anunciar a não ser uma (vaga) possibilidade de ir ao Fundo? Penso que há um lado de demonstração política por parte de Fraga, em relação ao FMI, no fato de ele ter feito essa convocação anteontem. Demonstração que integraria um conjunto de eventos e declarações do governo, do próprio FMI e até da oposição em relação ao tema, com vistas a reforçar o ‘clima’ para um eventual novo acordo. A presença de Krueger aqui, por mais que estivesse prevista com antecedência por razões ‘acadêmicas’, adquiriu, creio, significado político. Seria essa a relação indireta, ao menos na leitura que fiz do episódio.
25/07/2002
Num dia marcado por notícias fortes no campo econômico (mercado financeiro, FMI), merece menção a opção da Primeira Página da Folha de dar espaço, ao mesmo tempo, às belas imagens da apresentação de teatro no Anhangabaú e do desfile da Fashion Rio. Cria-se um contraste jornalisticamente positivo, ainda mais em comparação com as imagens ‘de sempre’ à disposição nas capas dos demais veículos. Isso, sem nenhum prejuízo à notícia. Creio, apenas, que deveria ter sido maior o espaço dedicado à vitória do São Caetano contra o Olimpia no primeiro jogo das finais da Libertadores.
Sucessão
1) O sobrenome do candidato do PMDB ao governo paulista é Morais, com ‘i’, não Moraes, como está em nota do Painel;
2) Diferentemente do que afirma o último parágrafo de ‘FHC manda intervir nos preços do gás de cozinha’ (pág. A4), a taxa 117% se refere ao IPCA acumulado desde o início do real, não apenas às tarifas públicas e aos preços administrados pelo governo;
3) Posso estar enganado, mas me pareceu um tanto forçada a interpretação dada às palavras do ex-governador fluminense pela reportagem ‘Garotinho lamenta saída do governo do Rio’ (pág. A7). Diz ele: ‘...se eu soubesse que ela (Benedita) iria ser tão fraca assim, eu não teria renunciado ao governo do Estado...’. Parece-me bem mais uma forma retórica de criticar o PT, embora entenda que a intenção do jornal tenha sido vincular essa afirmação à crise da candidatura do PSB e às pressões, inclusive internas, para que Garotinho renuncie;
4) O texto ‘Serra reúne governadores para reagir a Ciro’ (pág. A6) menciona os nomes José Aníbal e Amin (inclusive lhes atribuindo declarações) sem dizer, nos dois casos, quem são essas pessoas;
5) Senti falta, em ‘FHC sinaliza a Lula que, sem Serra, vai apoiá-lo’ (pág. A6), de localização, no tempo, do histórico das desavenças entre Ciro e FHC resumido ao final do texto;
6) O título ‘Educação da era FHC é alvo de crítica’ (pág. A6), sobre debate na Folha, parece-me parcial. As críticas foram feitas por representantes da oposição, sendo que havia também um do governo à mesa. O mais equilibrado politicamente seria dar em título que a oposição fez as tais críticas. Nesse texto, aliás, ficou em branco (na edição SP) o espaço reservado para o selo ‘Evento Folha’;
7) No material sobre o evento que reuniu Ciro e artistas anteontem à noite no Maksoud Plaza (pág. A10), não há menção às propostas que o candidato teria apresentado especificamente para o setor;
8) Não vi na Folha informação de que José Carlos Martinez teria pedido afastamento do comando da campanha de Ciro em função de seus laços pecuniários (levantados pela Folha) com parentes de PC. A verificar.
US$ para Colômbia
A retranca ‘Câmara dos EUA aprova o uso de ajuda para combate à guerrilha’ (pág. A12) dá como sendo de ontem notícia de anteontem. Afirma, ainda, que a decisão teria de passar ainda pelo Senado, ao mesmo tempo em que retranca duas páginas adiante registra justamente a aprovação dessa medida, ontem, pelo Senado.
Ônibus
Dias atrás a Folha deu em capa de Cotidiano interessante reportagem sobre a assunção da direção de uma grande empresa de ônibus de São Paulo por um ex-assessor da campanha do pai do secretário Carlos Zarattini (Transportes). Senti falta de menção a isso hoje no material sobre o boicote das empresas à concorrência aberta pela prefeitura (capa de Cotidiano). Ainda mais que a empresa que o petista assumiu faz parte, até segunda ordem, do boicote.
Armínio e Krueger
Pode até ser que não haja relação direta entre uma coisa e outra, mas creio que o jornal deveria ao menos mencionar no texto ‘Brasil pode ir ao FMI em breve, diz Armínio’ (pág. B6) que essa declaração -feita em entrevista coletiva rara convocada por Fraga-- ocorre durante a visita da número 2 do Fundo ao país, a qual já se encontrou, aqui, com o próprio presidente do BC.
Réplica
Reproduzo a seguir réplica enviada via SR pelo editor de Brasil, Fernando de Barros e Silva, à crítica interna de ontem:
‘A avaliação de que 'O Globo' realizou de longe a melhor cobertura da apresentação do programa de governo do PT me parece apressada e parcial. O jornal carioca realizou a maior cobertura, sem dúvida (quatro cabeças de página). Mas cometeu equívocos não registrados pelo ombudsman na crítica interna. Aos fatos. A Folha antecipou o conteúdo do programa econômico petista na edição de domingo. E o fez antes dos concorrentes pela terceira vez, desde que publicou o documento preparatório do partido ainda no ano passado. Foi lá atrás, numa reportagem da Folha, que apareceu pela primeira vez a preocupação do PT com a tal ‘meta de inflação’. ‘O Globo’ fez um truque na edição de domingo. A repórter, que, ao que parece, não tinha o programa, entrevistou o economista Guido Mantega sobre temas que ela priorizou. Extraiu a opinião dele, que não expressa inteiramente o que foi aprovado pelo partido, e tratou como sendo parte do programa petista. Cometeu erros, como ter dito que o projeto fala em reajuste do mínimo de 20% em 2002, em alíquotas do IR, em meta de superávit da balança comercial etc. Como ela chegou ao reajuste do mínimo de 20%,por exemplo? Lula tem dito que quer dobrar o mínimo ao final de quatro anos. Ela aplicou um reajuste de um pouco menos de um quarto do total previsto para quatro anos, visto que os petistas acham que o Orçamento do ano que vem foi amarrado pela equipe do Malan. Assim chegou ao percentual que NÃO consta do texto _que é a manifestação oficial do partido.
2) O jornal, também por falta de espaço, fez a opção editorial de destacar o documento novo que o PT divulgou, o que se refere especificamente à geração de empregos, ao qual ninguém antes tinha tido acesso em detalhes. A notícia, para o leitor da Folha, estava apenas aí.
3) O mérito da concorrência, de ‘O Globo’ especificamente, foi ter explorado melhor o ambiente da divulgação do programa, no que a Folha se saiu de fato prejudicada por uma timidez crônica nesse tipo de cobertura. É uma falha já identificada a ser combatida.’
Comento o seguinte:
1) Creio que o fato de a Folha já ter dado antes outros pontos do programa não a eximia de publicar, quando do lançamento oficial, ao menos um resumo de seus diversos pontos, mesmo dando ênfase, pela novidade, ao de desemprego. Como todos sabemos, o leitor não deveria pagar pela ‘falta de espaço’;
2) O possível erro do ‘Globo’ sobre o salário mínimo, a meu ver, não apaga a avaliação positiva de sua cobertura do lançamento do programa em relação à dos demais veículos;
3) A crítica interna referiu-se especificamente à cobertura desse lançamento do programa, ocorrido na terça-feira. Não foi, portanto, um balanço do conjunto da cobertura sobre o programa do PT, que englobasse edições anteriores. Nesse sentido, pedindo permissão para usar os mesmos adjetivos do editor, me parece ter sido também parcial e apressada a leitura da crítica.
24/07/2002
Talvez não tenha sido a notícia mais quente, mas o lançamento do programa de governo do PT, ontem, foi, sem dúvida, o evento político mais relevante do dia -no mínimo por se tratar do candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto. Sobre o tema, a Folha saiu-se mal e o ‘Globo’ realizou, de longe, a melhor cobertura (veja nota específica). Ponto para a Folha, porém, pela publicação, na capa, da foto do funeral que reuniu cerca de 300 mil pessoas ontem em Gaza.
Lula x Folha
O assunto é polêmico, mas considero ser um direito do jornal o fato de ele não ter divulgado em suas páginas o desentendimento acontecido entre sua direção e o presidenciável do PT durante almoço na sexta-feira passada, que culminou com Lula deixando o local. Embora sua ocorrência seja registrada de praxe no Painel, o conteúdo de tais encontros (almoços) são sempre considerados em ‘off’, por se tratar de eventos privados e/ou de cortesia. Significa que o que ocorre ali não é diretamente notícia, por mais que possa, eventualmente, gerar futuras pautas para o jornal. Romper esse ‘off’, creio, seria romper um ‘compromisso’ assumido pelo jornal com os próprios convidados. Ignoro um veículo de comunicação de peso que não promova tais eventos, e creio que isso faz parte da relação entre autoridades de diversos campos (político, intelectual, científico, cultural, econômico etc) e a empresa que publica o jornal. Porém, diante do vazamento da informação em duas colunas políticas ontem, com versões diferentes, esperava que a Folha fosse, hoje, esclarecer o assunto para o seu público. Isso, entretanto, não ocorreu. Ao mesmo tempo, o ‘Globo’ publica hoje reportagem sobre o incidente, inclusive com declarações do diretor de Redação da Folha. Como fica o leitor do jornal? A ele cabe uma satisfação.
Ciro
1) Bizarro o fato de que o encontro entre Ciro Gomes e Armínio Fraga, ocorrido segunda-feira, não tenha sido noticiado senão nos jornais de hoje. Ainda mais tendo sido um evento de certo modo anunciado abertamente pelo candidato do PPS. Ele foi secreto? Os jornais ‘marcaram bobeira’? Aliás, o aconteceu efetivamente nesse encontro? Não deu para entender;
2) Dois textos (os abres das páginas A4 e A5) mencionam a passagem do presidenciável pelo Ministério da Fazenda. Nenhum deles, porém, diz quando isso ocorreu;
3) Mais uma vez o jornal ‘esquece’ de atualizar a agenda dos presidenciáveis entre a edição nacional e a SP. Ciro, como mostra texto-legenda à pág. A4 (ed. SP), efetivamente participou de encontro com artistas à noite.
Programa do PT
A reportagem da Folha (‘PT quer mudar Carta para gerar emprego’, pág. A6) sobre o lançamento do programa de governo do líder nas pesquisas limita-se à questão do desemprego. Não se entende o motivo. Se um leitor quiser saber, mesmo genericamente, o que a candidatura propõe para outros assuntos (saúde, habitação, saneamento, educação etc), terá de consultar outros jornais (‘Valor’ e o ‘Globo’, por exemplo). Ademais, a subretranca sobre o evento (‘Petista recebe apoio de governador do PMDB’), além de não mencionar onde ele aconteceu, é fria, burocrática, uma reunião de declaraçoes. O relato trazido no ‘Globo’, diferentemente, é bem mais rico em detalhes, em ‘clima’ etc.
Santo André
O texto ‘Empresária nega ter falado em adulteração’ (pág. A7) desmente informação trazida pelo próprio jornal. Na edição de ontem, em texto sobre o tema, a Folha bancava a informação de que Rosângela Gabrilli declarara à CPI que sua empresa violara números de catracas de ônibus. O jornal não deixa isso claro no texto de hoje. Em nome da transparência, deveria fazê-lo. Na reportagem de ontem, o correto, vê-se agora, teria sido atribuir a informação aos vereadores da CPI.
IDH
Está satisfatório, creio, o material sobre o relatório de desenvolvimento humano da ONU para 2002 (págs. A11 e A12). Senti falta, apenas, de uma retranca sobre a Argentina. Chama a atenção que o país vizinho esteja no 34o lugar, contra o 73o do Brasil. ‘O Globo’ destacou esse aspecto, mostrando que a tendência é a Argentina cair bastante no próximo levantamento.
Taniguchi
Diferentemente do que afirma o texto ‘Polícia Federal indicia Taniguchi’ (pág. A12), a revelação do caixa 2 da campanha do prefeito de Curitiba foi feita pela Folha em novembro e não em outubro do ano passado.
Opportunity
Chamo atenção para reportagem que está desde ontem no final da tarde no UOL News sobre os depósitos de brasileiros, com destaque para Luiz Estevão, em fundo do Opportunity em Cayman. O assunto não é novo, mas o site traz documentos contundentes e ao que tudo indica inéditos. Vale a pena ir atrás.
Montagens
1) No exemplar que recebi em minha casa, a pág. B11 aparece duas vezes (uma vez no lugar da que seria a B9) em Dinheiro;
2) Também aparece duas vezes a reportagem sobre o Bird e a Argentina (uma na B5, outra na B7).
Monique
Afirma o texto ‘Segundo dia consolida elegância carioca’ (pág. C5) que a ‘veterana’ Monique Evans foi a ‘estrela do desfile’ ontem na Fashion Rio. Por que não há nenhuma foto dela? Aliás, faltou mencionar a idade da modelo/apresentadora, dado relevante justamente por se tratar de uma ‘veterana’.
Sinapse
Reproduzo explicações do editor da Folha Sinapse, Oscar Pilagallo, enviadas via SR, a respeito de dois itens da crítica interna de ontem sobre o novo caderno:
‘1) O valor da indenização de Mandic foi mesmo simbólico (item 2);
2) Os anos de nascimento e morte de Isaac Newton não estão invertidos. (O problema, a ser resolvido na próximo número, foi que, na impressão, o 6 realmente ficou parecendo um 8.) (item 7)’
A propósito, registro, para averiguação, queixa de um leitor de Porto Alegre segundo o qual o suplemento, apesar de anunciado no seu exemplar, não chegou à sua região.
23/07/2002
Num dia marcado jornalisticamente pelos golpes sofridos no mercado financeiro internacional com a concordata da WorldCom (manchete nos principais jornais, com exceção do ‘JB’), o material mais interessante está, sem dúvida, na Folha. Diz respeito à interessante e bem-acabada reportagem sobre a espionagem norte-americana no caso Sivam e ao lançamento do caderno Sinapse (veja nota específica). ‘Estado ‘ e ‘Globo’ trouxeram em suas capas fotos do desfile da Fashion Rio, enquanto a Folha, a meu ver equivocadamente, optou pelos militantes do PSTU.
Primeira Página
1) Creio que o jornal ‘overdosou’ o episódio do punhado de militantes do PSTU que protestaram contra o FMI durante a visita de Anne Krueger ontem ao BC no Rio. Merecia registro, claro, mas não uma foto nas dimensões dadas na capa. Tampouco valia, creio, o side interno (Dinheiro, pág. B4). Não houve nem uma dúzia de manifestantes. A diretora do FMI não foi tocada. Não houve feridos. Dado o histórico desse pequeno partido, sua agitação não foi algo inesperado. Além disso, teve nítido sentido de marketing (se fosse um protesto, digamos, ‘verdadeiro’, teria havido uma mobilização um pouco maior...). Enfim, se havia notícia, não era tanta notícia assim;
2) Não dá para entender por que na rubrica das eleições na capa não há uma única notícia sobre a campanha de Serra;
3) Também não me parece editorialmente correto inexistir menção, na capa, à pesquisa Vox Populi, editada com destaque na pág. A7, segundo a qual ampliou-se a vantagem de Ciro sobre o tucano.
Sucessão
1) O ‘Estado’ traz curioso side sobre a troca de roupas feita por Geraldo Alckmin numa estação de metrô do centro depois de fazer campanha pelas ruas. Entrou de roupa esporte (candidato), saiu de terno e gravata (governador). Episódio simbólico;
2) Detalhe de acabamento: a última linha de ‘Garotinho perde quatro assessores de campanha’ (‘Ele garante que não renuncia.’), abre da pág. A5, utiliza o verbo garantir de modo não-recomendado pelo ‘Manual’, como sinônimo de afirmar, dizer;
3) A sub ‘Coordenação aposta em virada na TV’ (pág. A6) afirma que Collor foi ‘...impedido em 1998’;
4) O ‘Estado’ traz texto sobre reportagem do ‘Times’ londrino segundo a qual a retórica de Lula para as massas divergiria daquela utilizada para acalmar o mercado. Cita trechos de discurso do petista em comício de Aracaju. Pesquisei com ajuda do BD o material da Folha sobre esse discurso e não encontrei os tais trechos, mais apimentados ou ‘populistas’, nas palavras do jornal britânico. A verificar;
5) Leitores têm cobrado a publicação de porcentagens de indecisos nas pesquisas de intenção de voto. Na do Vox Populi de hoje, por exemplo, o dado está ausente. Creio que, se o instituto não divulga ou não apura tal número, essa informação deveria estar nas reportagens. Pelo menos a dúvida se dissiparia.
Imagem
Bem que o jornal poderia ter publicado uma foto menos esdrúxula do novo alto comissário da ONU para Direitos Humanos, o brasileiro Vieira de Mello (pág. A13). A que saiu parece provocação.
Sinapse
Pareceu-me visualmente elegante e interessante o novo caderno mensal da Folha, embora o logo esteja discreto demais na capa. Quanto ao conteúdo, algumas observações, ‘maiores’ e ‘menores’:
1) Preocupa-me a ausência de ‘outras visões’ (para não dizer ‘outros lados’) nas reportagens principais. Ela pode fazer do suplemento um veículo doutrinário, engajado ou ‘partidário’, do ponto de vista da educação. Refiro-me aos textos ‘A universidade é só o começo’, que, embora não o diga com todas as letras, encampa (vide os personagens autodidatas, mais destacados, como Mandic, Veríssimo e Mello Neto) a tese de que mais vale o que se aprende fora da faculdade (o que pode ser verdadeiro mas exige, jornalisticamente, o contrapeso de uma visão contrária), e ao texto ‘O velho Vocacional ensina de novo a aprender’, que assume abertamente a defesa dessa concepção de ensino, quando se sabe que há críticas a ela (e não só do ponto de vista dos custos, como se registra);
2) A reportagem de capa afirma que, ao deixar a Siemens, Aleksandar Mandic recebeu um cheque indenizatório de US$ 0,85. É isso mesmo?
3) O quadro ‘Grau de escolaridade x carreira executiva (pág. 12) não informa a que universo ele se refere. São executivos de onde? São Paulo, Brasil?
4) Faltou uma espécie de ficha pessoal do físico Roberto Salmeron (bibliografia, dados de origem, principais feitos, formação etc), no ‘perfil’, pág. 17. Aliás, o texto não deixa claro como foi feita a conversa da Folha com o cientista. Escreve-se que ele falou ao jornal ‘...de sua casa em Paris, onde vive’. Foi por telefone? E-mail? O jornal costuma explicitar essas circunstâncias;
5) Nesse texto, aliás, menciona-se Manchester sem dizer onde essa universidade fica;
6) Ainda nele, remete-se o leitor à pag. 18 para texto sobre o Big Bang, mas este está, na verdade, na pág. 19; 7) Salvo engano, estão invertidos os anos de nascimento e de morte de Isaac Newton na ‘galeria de ídolos’ da pág. 18. Por falar nisso, não há essa referência nos casos de Paul Lafargue e de Nietzsche na reportagem ‘Todos os Ócios’, pág. 34;
8) Boa a idéia da pág. ‘Verbete’, que, nesta edição, dedica-se a explicar o que é o risco-país. Uma observação, porém: o texto fornece histórico e uma espécie de ‘background’ para se entender o termo. Na hora de explicar como se chega ao índice, porém, não é didático. Como é feita a comparação entre os ganhos esperados com os títulos desvalorizados e os proporcionados pelos títulos americanos? Não fica claro.
Contestação
A seguir, mensagem do editor do Painel, Rogério Gentile, sobre item da crítica de ontem:
‘É natural que neste momento, com Serra em queda nas pesquisas, o noticiário, inclusive o Painel, mostre a crise pela qual passa a campanha do presidenciável governista. Jornalismo 'colorido' seria ignorar esse fato, dividindo as notas quantitativamente entre os candidatos, em vez de priorizar o que é de fato notícia. De qualquer modo, se o ombudsman consultar edições passadas do Painel, perceberá que os outros candidatos também foram e são tratados 'criticamente' pela coluna. Sábado, por exemplo, havia quatro notas que, de acordo com a matemática e a metodologia do ombudsman, certamente seriam computadas como 'anti-Ciro' e outras três como 'anti-Garotinho'. Recentemente, o Painel do Leitor foi inundado por cartas do PT reclamando de notas sobre Lula e o partido. Alguns membros da cúpula do PT recusam-se a falar com a coluna porque a consideram 'anti-Lula'. A prioridade no Painel é a notícia e não a 'cor' do candidato’.
Só para esclarecer: não fiz uma crítica à coluna, mas sim à sua composição na edição de ontem, relacionando-a, inclusive, com o restante da cobertura sobre sucessão. Reconheço que o Painel dá tratamento crítico aos diversos candidatos. Uma sugestão: quando houver um número expressivo e claramente superior de notas ‘anti’ um determinado candidato, não seria possível evitar que ao menos o Tiroteio e o Contraponto (se tiverem conotação ‘negativa’), itens que não possuem a mesma urgência da notícia propriamente dita, também sejam sobre ele?
22/07/2002
A julgar pelas capas dos jornais no fim de semana, pouca gente apostava na conquista antecipada do pentacampeonato de F-1 por Michael Schumacher. Com exceção do ‘JT’ e do ‘Agora’ (além de uma pequena nota no ‘Estado’), não houve no domingo nenhuma chamada, nas capas, para a histórica corrida de ontem em Magny-Cours. As atenções se voltaram bem mais para a crise no mercado financeiro internacional (com destaque, claro, para os EUA) e para a sucessão presidencial no Brasil; sobre esta, aliás, a Folha registrou, a meu ver, leve inclinação pró-Lula (leia nota específica). Hoje, como se pode ver, todos se renderam à conquista de ‘Schumi’.
Sucessão (fim de semana)
1) A edição desse noticiário hoje (segunda-feira) tem uma coloração favorável à candidatura Lula e/ou desfavorável a Serra: a única chamada para o tema na capa é para entrevista com José Dirceu; no Painel, quatro notas, o ‘Tiroteio’ e o ‘Contraponto’ têm leitura anti-Serra; a entrevista da 2a é com Dirceu; na pág. A5, o abre é ‘Lula diz que Itamar estará em palanque’, com ampla e simpática foto do petista (um registro para sub a respeito de boletim do PT gaúcho apreendido pela Justiça); no texto sobre Ciro (‘Demissão ameaça PFL pró-Ciro em SC’, abre da pág. A6), boa parte diz respeito, na verdade, às dificuldades que a campanha de Serra enfrenta; o abre da pág. A7: ‘Se Serra não decolar, PMDB fica com Lula’.
2) Poderia ser uma coincidência limitada à edição de hoje, mas a sensação se reproduz nas edições de sábado e de domingo. No sábado, além de uma Marta ‘alto astral’ na capa (admito que a foto possa ter dupla leitura, quer dizer, muita gente pode achar ridícula a pose da prefeita), o abre da A5 é ‘Governo tem 'bando de agiotas', diz Lula’, com side do candidato num chão de fábrica e Marta novamente, com Benedita, enquanto o abre dedicado ao candidato tucano (pág. A7) é ‘FHC não subirá em palanques de Serra’ (afora outras duas retrancas desfavoráveis ao governista: apoio único a ele e a Collor em AL e Tasso dizendo que não fará campanha para o companheiro de partido);
3) No domingo, a pág. A4 é para o programa petista; a A7 abre com ‘Chama-se desalento o fenômeno que atrapalha Serra’ (coluna ‘No Planalto’); na A8 e na A9, material amplo mas politicamente negativo sobre Ciro Gomes (em especial na A9: ‘Coordenador de Ciro deve à família de PC’);
4) Assim como a Folha, o ‘Globo’ deu domingo reportagem sobre o programa de governo de Lula. Uma diferença chama a atenção: no material do jornal do Rio, há muito mais números (dados concretos) do que no da Folha, que resume princípios genéricos, em especial quanto à área econômica. O ‘Globo’ fala em aumento de 20% para o salário mínimo, para que este dobre até 2006, novas alíquotas de IR (5% a 35%), crescimento anual de 5%, entre outros dados;
5) Um detalhe: creio que, sempre que possível, deveriam ser lembrados nos textos sobre os candidatos o quanto cada um tem de intenção de voto (segundo o Datafolha). No caso de Garotinho hoje (‘Garotinho aposta na televisão para subir nas pesquisas’), por exemplo, fala-se que ele está na quarta colocação, mas não se apresenta o percentual.
ICMS
1) O abre da pág. A9 (‘Arrecadação de ICMS cai R$ 580 mi em SP’) não informa em relação a qual período essa queda se deu. A comparação é com o primeiro semestre de 2001?
2) Os textos sobre o tema nos casos de Minas e do Rio utilizam critérios diferentes de medição (o primeiro mostra queda já se considerando a inflação, o segundo não desconta a inflação), o que complica a vida para o leitor;
3) Esta, aliás, teria sido também simplificada se esse material, sobre queda generalizada de ICMS nos principais Estados, fosse acompanhado de uma arte.
Irã-Argentina
Não vi no jornal texto sobre importante reportagem do ‘NYT’ segundo a qual o Irã estaria efetivamente por trás de um atentado cometido na Argentina em 1994 contra uma entidade judaica de Buenos Aires. O ‘Estado’ traz uma notinha.
Enron
Afirma o texto ‘WorldCom pede maior concordata dos EUA’ (pág. A11) que o estouro do caso Enron aconteceu ‘no final de 2202’. É 2001, certo?
Acabamento
Está saboroso o texto ‘Brasileiros 'invadem' praia inaugurada em Paris’ (pág. A11). Senti falta, apenas, de um mapa que localizasse a nova atração na capital francesa.
Números
O texto referente à manchete do jornal (‘Inflação 'do governo' dispara no Plano Real’, pág. B5) afirma no início que a taxa do período foi de 117,66% (igual ao texto da chamada). Mais adiante, fala-se em 177,66%. Qual é o número correto?
Corralito
De início, um elogio à transparência. Isso dito, chega a ser incrível que os jornais brasileiros, Folha inclusive, tenham levado mais de seis meses para entender o significado da palavra-metáfora ‘corralito’ (‘'Corralito' prende mais bebês do que bois’, pág. B1). Se entendi bem, devemos esquecer, então, o curralzinho. Valem, agora, cercadinho, chiqueirinho ou quadrado, certo?
Nome
Na capa de Cotidiano, o nome do diretor-geral do Incor aparece ora como José Antonio Franchini Ramires (no abre) ora como José Francisco Ramires (no ‘outro lado’). Qual é o certo?
Duas ausências
Impossível não registrar a falta, na edição de hoje, do ‘Erramos’ e de ‘A Cidade É Sua’. Eis duas seções que, infelizmente, sempre têm material para publicar. O que aconteceu?
Schumi penta
A Folha trouxe a cobertura mais ampla sobre o pentacampeonato conquistado pelo piloto alemão, inclusive quanto a material histórico. Três pequenas observações:
1) Faltou uma foto do pódio do GP da França que mostrasse também Kimi Raikkonen, o segundo colocado ontem, que, mal ou bem, acaba de entrar para a história do automobilismo por via indireta;
2) A reportagem traz ao pé da pág. D3 quatro pequenos textos com o ‘lado humano’ dos principais homens da Ferrari (além dos pilotos). Senti falta, neles, das idades desses personagens;
3) Não houve, na edição do sábado, nenhuma indicação para o leitor de que a corrida e sua transmissão estavam previstas para as 9h do domingo. É um serviço importante para que as pessoas possam se programar num dia em que normalmente se acorda mais tarde. Esse tipo de ‘esquecimento’, aliás, não é novidade.
Linha cruzada
Hoje de manhã tentei ouvir pelo telefone a música dos Racionais MC's conforme indicação que consta no pé do texto da pág. 3 do Folhateen. Não consegui. A tal opção 2 (indicada pelo jornal) caía em dados sobre mercado financeiro. Mesmo na opção 4 (para música), não havia o som da banda de rap.
Edição de domingo, 21 de julho
Imprensa dos EUA
Dois aspectos sobre a imprensa dos EUA chamam a atenção neste domingo. Primeiro: reportagem do ‘Washington Post’ (reproduzida no ‘Estado’) mostra como as empresas de mídia, naquele país, também têm nas suas contabilidades e balanços um telhado de vidro. Segundo: texto do ‘Observer’ (reproduzido na Folha) revela como se comportou a imprensa dos EUA durante a campanha eleitoral em relação às fraudes cometidas por Bush como executivo. Segundo o texto, ‘tudo foi ignorado’. Aqui cabe um reparo: em pesquisa que eu mesmo fiz, o caso da investigação da SEC sobre a venda de ações de Bush em 1990 aparece, sim, em reportagem do ‘Post’ do dia 30 de julho de 99 sobre a biografia de Bush (então candidato)."
|
|