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GRAMPO VS. PRIVACIDADE
Alberto Dines

"Quem aproveita? Quem é o beneficiário do estardalhaço que virou o país de cabeça para baixo? Essa é uma questão fundamental já que as outras – a autoria do grampo e as eventuais implicações jurídicas das suas revelações – são da alçada da polícia e do Legislativo."

Otavio Frias Filho

"O trabalho dos repórteres Fernando Rodrigues e Elvira Lobato revelou, pela primeira vez por inteiro, os bastidores da maior privatização da história. Mostrou exemplarmente como são nebulosas as conexões entre público e privado. Demonstrou, para dizer o menos, que é necessário regulamentar esses procedimentos."

André Lara Resende

"A gravação clandestina e a divulgação de conversas privadas sobre assuntos privados são atos simplesmente repugnantes. Não há o que discutir. Basta, entretanto, um minuto de reflexão para concluir que a vida pública sem discussões reservadas seria inviável. A gravação clandestina e a divulgação de conversas reservadas entre homens públicos, tratando de assuntos públicos, é um ato politicamente covarde, e a sua divulgação sensacionalista, extremamente perigosa. Sempre que os direitos individuais são relativizados, em nome de um interesse público supostamente superior, o estado de direito corre risco. A subordinação dos direitos individuais a interesses coletivos esteve sempre associada às maiores atrocidades e aos mais bárbaros regimes deste século."

Carlos Eduardo Lins da Silva

"Há 28 anos, a Suprema Corte dos EUA decidiu a favor do jornal The New York Times uma ação movida pelo diário contra o governo federal, que o havia impedido de publicar trechos de documentos secretos roubados do Departamento de Defesa por um funcionário. O caso tem similaridades com o episódio da divulgação pela Folha, esta semana, de fitas gravadas ilegalmente durante o processo de privatização de companhias telefônicas no Brasil. A decisão da Suprema Corte é tida como um marco histórico de afirmação do princípio de liberdade de imprensa."

Alberto Goldman

"O que me impele a escrever este artigo é a coluna de Otavio Frias Filho, em 27/5 (pág. 1-2, Opinião), com o título ‘Honestos’, e, particularmente a sua frase final: ‘Não há governantes ‘honestos'; há governantes que se mantêm ‘honestos’ pela vigilância pública’."

Renata Lo Prete
"Desde o caso das pesquisas eleitorais do ano passado a ombudsman não recebia tantas manifestações a respeito de um único assunto. Até a noite de sexta-feira, 51 leitores me procuraram para falar sobre a reportagem que revelou o mais completo bastidor da privatização do sistema Telebrás. Por diferença de 43 a 8, a maioria condenou a Folha pela divulgação, na terça-feira, das conversas captadas por grampo telefônico no BNDES."

CARTAS À FOLHA
Leitores escrevem sobre a divulgação dos grampos do BNDES.

IMPRENSA E DIPLOMACIA
José Meirelles Passos

"Washington – Os meios de comunicação das Américas obtiveram uma vitória ontem à tarde, quando os EUA decidiram retirar a proposta que tinham apresentado à Organização dos Estados Americanos (OEA) e que, se aprovada, restringiria consideravelmente a liberdade de imprensa no hemisfério. A reunião do Conselho Permanente da OEA já chegava ao fim quando, para surpresa dos presentes, o embaixador dos EUA, Victor Marrero, solicitou que o rascunho do documento fosse retirado da pauta. Se permanecesse, seria apresentado para aprovação formal entre 6 e 8 de junho, na assembléia anual da entidade, na Guatemala."

EDITORIAL VS. COMERCIAL
Felicity Barringer

The New York Times

"Los AngelesMark Willes, presidente e principal executivo da Times Mirror Co., iniciou uma reunião da companhia, em setembro, perguntado a dezenas de seus principais subordinados como eles se sentiam em relação aos objetivos financeiros da companhia. Enquanto acompanhava os resultados de sua pesquisa, seu sorriso tranqüilo se apagou. Os executivos da Times Mirror alimentavam dúvidas sobre a capacidade da companhia de atingir suas metas. Uma grande razão para isso, disseram os participantes, era a falta de brilho no desempenho do Los Angeles Times, o motor que gera 40% da renda da empresa."

JORNALISTAS
Renato Pompeu

"Eu, Renato Ribeiro Pompeu, conhecido como Renato Pompeu, brasileiro, 57 anos, jornalista desde 1960, venho por meio desta comunicar a quem interessar possa que, a partir de 16 abril de 1999, mudei de ramo de atividade, com o objetivo de poder desligar- me da imprensa e assim poder continuar sendo, como sempre fui, jornalista, o que praticamente deixou de ser possível na imprensa."

 

DIPLOMA
Lourival dos Santos

"Concluo ser a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista letra morta dentro do sistema legal do país, não acolhida pela norma constitucional."

 

MÍDIA E POLÍCIA
Marcio Aith

"A Suprema Corte dos EUA decidiu que a polícia pode ser processada civilmente por autorizar que equipes de televisão e repórteres acompanhem diligências feitas dentro da casa de pessoas. A decisão poderá mudar radicalmente o formato de alguns programas de TV que cobrem assuntos policiais."

 

GUERRA
Jornal do Brasil

"O representante da Grécia na Unesco, Vassilis Vassilikos, no artigo ‘O preço da inteligência’, aproveita a deixa do debate sobre Régis Debray e a guerra para pôr em xeque a própria mídia francesa. Para Vassilikos, os telespectadores gregos são privilegiados em comparação aos franceses no que se refere ao noticiário da TV sobre a guerra. ‘As mídias gregas dão ao menos uma informação bilateral do conflito.’ O leitor Marcel Cuvelier, em e-mail ao Monde, disse que Bernard-Henri Lévy retarda um debate necessário na França, debate que incomoda a imprensa porque põe em dúvida parte do que ela conta aos franceses."

Marinilda Carvalho

"Em 16 de maio, na conferência pela paz em Haia, a diretora da Organização para a Paz, Eliza Man, do Sri Lanka, disse que há 38 guerras esquecidas do mundo, que só vê Kosovo. ‘A mídia não tem interesse em cobrir as violações dos direitos humanos por exemplo no Sri Lanka, onde 75 mil pessoas foram mortas. Por quê?’, perguntou. O arcebispo Desmond Tutu, da África do Sul, respondeu: ‘O mundo é racista.’"



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