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CASO OSASCO
Luís Nassif

"Durante semanas, o caso Osasco Plaza Shopping galvanizou a cobertura da mídia, juntando a manjadíssima receita de outros casos de impacto: delegados e promotores atrás do seu grande caso, jornalistas atrás de manchetes e público buscando punições imediatas, mesmo antes da identificação dos culpados. (…) Não houve maneira de implodir o pesado muro de unanimidade erguido em torno do caso, conta dona Ilka [Zanotto, mãe de um dos acusados] - que ressalva a posição de apenas dois veículos, a TV Cultura e a Folha."

COPA
Alberto Dines
"Custa crer que com a pletora de recursos técnicos e humanos não ocorresse destacar um profissional para ficar de plantão, no dia do jogo, na porta do castelo-concentração. Saiu algum carro antes do ônibus? Os jogadores embarcaram alegres ou macambúzios? Vizinhos notaram algo diferente? Funcionários da hospedaria perceberam gritos, correrias? Guardas repararam em anormalidades? Se os manuais recomendam que sempre deve haver um jornalista olhando para o outro lado por que desta vez todos ficaram olhando a mesma coisa?"

Clóvis Rossi
"Terminou o jogo, começou a caça aos culpados pela derrota. A lista é grande, conforme o gosto de cada um. (…) Talvez seja o tempo para introduzir a mídia na relação dos culpados de turno."

O Estado de S. Paulo
"A Pátria em chuteiras! Houve época em que o slogan se justificava. Os jogos classificatórios para a Copa do Mundo e a campanha pelo título eram jogados por cada um dos brasileiros, que projetavam em um campeonato de futebol as suas esperanças pessoais e políticas. Porque a Pátria calçou chuteiras, e ganhou o tricampeonato em 1970, o general Médici, que presidiu uma ditadura feroz, teve um dos maiores e mais imerecidos índices de popularidade que um governante poderia esperar ter. (…) A mídia eletrônica contribuiu para o incensamento de uma equipe de qualidades limitadas, transformando em campanha brilhante alguns jogos medíocres. (…)

Fax Regional
"A Veja alertou previamente os leitores que faria a edição extra apenas em caso de vitória da seleção brasileira na decisão. ‘Se o Brasil for campeão, toda essa emoção vai estar nas páginas de uma edição extra de Veja’, avisou em anúncio. A edição sairia na segunda-feira, dois dias após o número normal de final de semana. O que ela não teve coragem de dizer claramente: em caso de derrota, o leitor não teria direito à Veja extra. Isso é jornalismo ou marketing?"

IMPRENSA
O Estado de S. Paulo

"Harold Evans, ex-editor do The Times e do Sunday Times, que ficou famoso ao denunciar a ‘meia liberdade de imprensa’ britânica, mudou de tom. (..) ‘No passado, a imprensa americana servia de exemplo’, disse Evans, na quarta-feira, na Durham University, onde recebeu um título honorário de doutorado. ‘Agora, serve para alertar sobre o fato de a liberdade de imprensa e o livre fluxo de informação poderem ser uma mistura confusa.’ "

Laurence Zuckerman
Em um dos maiores e mais incomuns acordos feitos por um órgão da imprensa, o Cincinnati Enquirer publicou um pedido de desculpas no alto de sua primeira página de domingo e declarou que havia concordado em pagar à Chiquita Brands International Inc. mais de US$ 10 milhões para evitar ser processado. A ação de reconhecimento do jornal foi tomada após editar reportagens criticando as práticas comerciais da companhia."

Flavia Sekles
"
No manual global do bom jornalista é proibido inventar frases [de supostos entrevistados] ou personagens, quebrar a lei na busca de informação, ignorar informações contrárias a sua tese inicial e se transformar em parte da notícia. Entretanto, nos últimos dois meses, várias organizações de comunicação nos Estados Unidos têm tido problemas nessas quatro áreas, num golpe contra a credibilidade do jornalismo americano, que se considera o melhor do mundo."

Márcia Carmo
"
Hilda chora copiosamente diante do público quando vê as imagens que a mostram recebendo pancadas do seu marido, Miguel Guzmán. A vedete e apresentadora argentina Moria Casán fixa os olhos cor de mel nas câmeras e diz com voz doce: ‘Hilda teve sorte. Sorte porque teve a oportunidade de gravar este flagrante.’ O flagrante de Miguel dando três socos na mulher, que não tem forças para reagir à agressão, foi mostrado às cinco e meia da tarde de quinta-feira. Foi gravado por uma câmera oculta instalada na casa de Hilda que, sem respostas da polícia, preferiu pedir ajuda a Moria Casán."

Carol J. Williams
"Quando o banqueiro Vladimir Gusinski comprou 25% do jornal israelense Maariv, em março, estava dando continuidade à política em voga nos círculos oligárquicos russos: comprar os principais jornais, revistas e redes de televisão para influenciar a opinião pública em relação aos seus candidatos."

 

Jornal do Brasil
"Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, onde a crise de confiança afeta setores centrais da mídia, na Grã-Bretanha são os tablóides - que vendem vários milhões de exemplares por dia, mas nunca militaram na área da confiabilidade e da ética jornalística - que estão enfrentando dificuldades."

O Estado de S. Paulo
"Em conseqüência do últimos assassinatos ocorridos em escolas americanas, promovidos por crianças e adolescentes, tem crescido a preocupação da opinião pública do país em relação à maneira como a violência é apresentada na mídia, especialmente na televisão."

IstoÉ
"CNN – Então o Sr. sabia que o sarin era usado?

Moorer – Não estou confirmando que foi usado. Vocês me disseram isso.

O advogado Floyd Abrams também encontrou outro diálogo curioso, entre a CNN e uma fonte mantida sob sigilo:

CNN – Sabemos que o CBU-15 (sarin) foi utilizado duas vezes, na base inimiga e na retirada.

Fonte – Certo.

CNN – Mas foi utilizado várias vezes no curso da operação?

Fonte – Eu não sei. Eu não sei disso a não ser através de você."

Veja
"No jargão jornalístico uma informação errada é chamada de ‘barriga’. O exato contrário do ‘furo’, a notícia quente e exclusiva que todo jornalista quer. Na quinta-feira passada, a rede americana de televisão CNN viu-se diante da devastadora necessidade de se retratar e pedir desculpas por uma monumental ‘barriga’."

O Estado de S. Paulo
"A reação da Cable News Network, a CNN, reconhecendo publicamente um erro jornalístico, repercutiu bem na opinião pública americana."

Vânia Cristino
"A venda de 50% das ações ordinárias da Gazeta Mercantil S.A. para o Grupo Abril só poderá ser concretizada depois do pagamento da dívida de R$ 102,2 milhões da empresa com a Previdência Social, segundo uma fonte do governo."

Gazeta Mercantil
"A Gazeta Mercantil S/A, empresa que edita este jornal, anunciou ontem, no final do expediente, que o parceiro estratégico almejado desde o ano passado para reforçar o capital e ampliar seu programa de expansão deve ser a Abril S/A."

Gazeta Mercantil
"O jornal paulistano O Estado de S. Paulo publicou na edição de sexta-feira observações a respeito dos entendimentos entre a Gazeta Mercantil S/A Em respeito a nossos leitores e assinantes publicamos a carta de esclarecimento que foi remetida pelo diretor-presidente da Gazeta Mercantil, Luiz Fernando Ferreira Levy, ao jornal O Estado de S. Paulo, além da carta dos advogados da empresa sobre o assunto."

0900
José Emilio
Aguiar
"Os tele-sorteios atuais, regulamentados pela Associação Brasileira de Loterias Estaduais (Able), não têm a arrecadação revertida para fins sociais nem relação alguma entre o dinheiro levantado com os telefonemas e os prêmios oferecidos."

Elvira Lobato
"A liminar foi pedida pelo procurador da República André de Carvalho Ramos, o mesmo que, no final do ano passado, entrou com a ação civil pública apontando 25 irregularidades na portaria do Ministério da Justiça que instituiu os sorteios em nome de instituições filantrópicas."

Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, Nelson Lins Albuquerque, assinou despacho declarando ilegais os sorteios autorizados pela Loterj .

xxx

"A promoção ‘500 Gols do Faustão’ pode ter sido a última participação da Rede Globo no esquema milionário de sorteios de prêmios pela TV."

CRIMES CONTRA A HONRA
Betch Cleinman
"A definição dos crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria) e as decorrentes multas e prisões despertaram no leitor N. L., de Botafogo, uma questão extremamente atual: a colisão de direitos entre a liberdade de expressão e o direito à honra. Um deles seria mais importante que o outro, merecendo, portanto, ser mais protegido? A partir de que momento acaba a liberdade e começa a censura?"

 

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Paula Pereira, Caderno do Leitor

Ilka Zanotto: Tragédia e Mídia



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