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O Estado de S. Paulo
"Na ocasião, Pereira estava sendo ouvido em uma das três salas da área reservada à Equipe C-Sul na Divisão de Homicídios pelos advogados Maria Elisa Munhol e Ubiratan Alencar, além de uma repórter da revista Veja, Angélica Santa Cruz. De acordo com delegados e investigadores da C-Sul, a jornalista foi apresentada pelos advogados como se fosse uma estagiária. No início da noite de ontem, Alencar afirmou que não se manifestaria sobre o episódio. ‘Esse caso já está sendo investigado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e, por isso, vou me abster de fazer qualquer comentário’, disse o advogado. No início desta semana, a OAB iniciou investigações para avaliar a postura de todos os profissionais que passaram pelo caso do motoboy."

Veja
"- Francisco, você conhece Thayná?

- Thayná? Thayná... Não conheço.

- E Elisângela, você conheceu alguma?

- Não.

- Selma?

- Não. Também não.

- E você fez sexo anal com alguma de suas vítimas?

- Fiz, com algumas.

Pausa. Surpresa. O diálogo continua, em ritmo menos frenético:

- Você matou algumas daquelas mulheres, Francisco?

- Matei.

- Quais?

- Todas.

- Quantas mulheres você matou?

- Nove.

- Você matou Isadora?

- Matei. Fui eu.

- Como você matava as moças?

- Com o cadarço dos sapatos ou com uma cordinha que às vezes eu levava na pochete. Eu dava um jeito.

Na presença de três pessoas, Francisco confessou ser o maníaco do Parque do Estado, o suspeito mais procurado pela polícia brasileira. O assassino não de oito mulheres, como acredita a polícia, mas de nove. A confissão foi ouvida por Veja. Apesar do clima dramático em que foi feito, era um relato informal."

Christian Tyler
" ‘A mídia anglo-americana é cada vez mais controlada por pessoas sem experiência jornalística’, prossegue [Rod Allen]. (….) A rapidez e o alcance das transmissões, o impacto global e instantâneo das notícias, criaram ‘um tipo de hiper-realidade’. O rádio e a televisão determinam a pauta dos jornais como nunca fizeram, e a mídia se auto-sustenta. (….) O jornalismo se tornou um negócio glamouroso, e à maioria de seus aspirantes nunca foi explicado como apurar, checar e escrever reportagens. Eles trabalharão por pouco ou por nada, como os aprendizes vitoriosos, para subir os degraus da escada da fama porque, se o salário está no térreo, as recompensas no andar superior são enormes, tanto em dinheiro quanto em exposição. (….) Os assessores controlam as informações políticas, os lobistas e os relações públicas lançam notícias feitas sob medida para repórteres preguiçosos ou inoportunos. O inimigo não é mais o conjunto industrial militar, segundo um recente artigo na revista New Yorker, e sim o ‘conjunto de mídia fabricante de ilusões’."

Leila Reis
"Quem deu em primeira mão a prisão de Francisco de Assis Pereira, suspeito de ser o maníaco do Parque do Estado? Essa é a disputa que permeou os bastidores da TV. Ratinho da Record, garante que foi ele e a Globo também. Mas isso não tem muita importância, a não ser para os que fazem TV. Tanto é que a Globo fez a Lillian Witte Fibe pegar no batente mais cedo para interromper a novela das 8 - Torre de Babel - e dar a notícia da prisão do principal suspeito."

Barbara Gancia
"Parece incrível, mas, de uma forma ou de outra, os erros cometidos no caso da Escola Base, que virou símbolo da ingenuidade da imprensa aliada ao exibicionismo das autoridades policiais, se repetem."

Eliane Cantanhêde
"Certo dia, fui seqüestrada por um pobre coitado que, armado com um facão, me fez dirigir meu próprio carro a ermo durante uma hora, levou-me o relógio e o dinheiro e embrenhou-se por uma rua de periferia. Minutos depois, por acaso, passei por um camburão com dois policiais. Eles não fizeram uma só pergunta sobre o ladrão, insistindo em coisas assim: ‘Cadê o seu marido?’, ‘O que você estava fazendo sozinha à noite?’, ‘Como um estranho entrou no seu carro?’. Eu não era uma menina, não tinha caído na lábia de um psicopata. Mas descobri, aterrorizada, que a mulher não tem o direito de ser vítima."

Folha de S. Paulo
"A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) instaurou ontem procedimento preliminar para esclarecer se a advogada do motoboy Francisco de Assis Pereira, Maria Elisa Munhol, teria sido responsável pela ‘vazamento’ da confissão informal do seu cliente. Pela versão divulgada pela Secretaria da Segurança Pública, Pereira só admitiu os crimes à polícia depois de ter sido informado que uma confissão informal, feita à advogada, seria publicada pela revista Veja."

Pedro Butcher e Ernesto Soto
"Para o psicanalista Jurandir Freire Costa, ‘existe um fato intrínseco ao sistema de funcionamento da mídia que é a ganância. Em função dela, se perde qualquer escrúpulo’. Jurandir acredita que a mídia se tornou vítima do próprio mito que criou: ‘De tanto afirmar que a informação, o fato jornalístico, substitui a realidade, passou a acreditar que pode criar a realidade. Isso gera uma onipotência ilusória, um embevecimento que é alimentado por este suposto poder.’"

Ernesto Soto
"Ainda não se pode falar em crise, mas o público da imprensa sensacionalista vem diminuindo, preferindo ver mais televisão ou mesmo comprar os jornais tradicionais que dedicam cada vez mais espaço a assuntos populares, esportes e entretenimento."

Pedro Butcher
"Uma prova de que o assunto está mais do que em evidência é que, só em 98, três filmes refletiram de forma espertíssima sobre os dilemas éticos das novas questões do jornalismo diante da sociedade do espetáculo e da imagem. O jogo da mídia, enfim, sempre foi um prato cheio que o cinema adorou refletir como um espelho quase sempre fiel."

Silvio Essinger
"Em nenhum outro campo as engrenagens da mídia estiveram tão evidentes nos últimos tempos quanto na música pop. Idem os exageros. O resultado de tanta mitificação é que cada vez mais o grosso do orçamento para o lançamento de um disco é destinado à promoção."

Folha de S. Paulo
"A colunista Barbara Gancia aproveitou a ocasião e, apesar de viver do sucesso de pessoas famosas, destilou veneno tão forte em artigo publicado no dia 31/7, em Cotidiano, que transformou o alvo de suas críticas, Xuxa, em vítima. Quanto à sogra, tornou-se conhecida por intermédio da Xuxa, porém não é tão famosa e querida quanto a ira magnífica. Inveja mata!’

Amire Gemha de Nóvoa (Campinas, SP)

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"Cancelo assinatura da Folha por motivo de saúde: inteligência subestimada,

estado terminal. Doença contraída após publicação exaustiva sobre o nascimento de um bebê de coroa de ouro.

Minha solidariedade àquele bebê nascido na sarjeta de um hospital em São Paulo. Meu afago em sua mãe. Sucesso, altiva mãe, sem coroa, sem ouro nem brilhante e sem o respeito dos humanos."

Alba Prado (SP/Capital)

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"Deixo, a partir desta data, de ler a Folha. Acho o cúmulo da falta de respeito as maldades e venenos destilados contra a apresentadora Xuxa. Tudo o que ela tem foi fruto de conquista, de trabalho, e tem o direito de gastar como quiser, seja com decoração de clínica ou quarto de 80 m2 para sua filha.

Quanto ao bebê que nasceu na calçada, sinto muito! A Xuxa não tem obrigação de bancar o parto de ninguém, muito menos de assumir responsabilidades que são do governo! Acho engraçado: todos criticando, achincalhando a apresentadora, mas ninguém comenta o fato de ela manter uma fundação para crianças carentes ou de ter falido uma fazenda por distribuir leite à população local (reportagem da Folha em 3/8). Ela não faz mal a ninguém. Deixem-na em paz!"

Fernanda Barquilha Rocha (São Paulo, SP)

Painel/Coluna do Leitor, copyright Folha de S. Paulo, 4 e 5/8/1998.

Ricardo Noblat
"Escolha a afirmação que lhe pareça a mais correta:

a) Os jornalistas devem oferecer ao público notícias que alcancem altos índices de leitura e audiência.

b) Os jornalistas devem oferecer ao público notícias que eles jornalistas

achem relevantes, independentemente do grau de interesse que possam despertar."

Otavio Frias Filho
"Em meio a tantos assuntos mais importantes ou mais urgentes, uma manchete de página chamava a atenção, esses dias, pelo insólito do enunciado: ‘Clitóris é maior do que se sabia’. Certo de que a revelação despertaria curiosidade universal, o editor deu tratamento destacado ao estudo de pesquisadores australianos."

Jornal do Brasil
"A última versão desse medo da liberdade, que não contribui para a evolução da vida pública e da sociedade, é o indevidamente chamado direito de resposta. O direito de resposta nada mais tem sido do que subterfúgio para, a pretexto de esclarecer informação, expandir-se em auto-elogio, narcisismo e vaidade."

José Carlos Corrêa
"Caberia aos jornalistas entenderem que se alguém se nega a dar uma entrevista está exercitando um direito que deve ser respeitado."

Cora Rónai
"RC - Não há possibilidade de a televisão melhorar de qualidade para enfrentar a Internet?

Cora - Não. A tendência é ocorrer justamente o contrário. E já é possível observar isto hoje, porque a TV está muito ruim. Acho que a televisão, pelo menos o broadcast [TV aberta], vai ser o mais popularesca possível, justamente para pegar a fatia de usuários que não têm cabo, É assustador pensar nisto porque, comparado aos apresentadores do futuro, o Ratinho vai parecer um intelectual."

Revista de Comunicação, junho de 1998.

Quentin Skinner
"Assino a revista The Economist há bastante tempo, apesar de suas posições ideológicas me fazerem cuspir sangue toda vez que a leio. No entanto, insisto em assiná-la não só por considerá-la a revista da atualidade mais bem informada, mas também porque acho que irá me educar muito mais do que se eu somente lesse aquilo com que concordo."

"O anjo e a história", entrevista a Maria Lúcia Pallares-Burke, Folha de S. Paulo, 16/8/98.

Ancelmo Gois
"A cobertura de política no Brasil é feita na baixa política. Alta política é você discutir, como está sendo discutido no Congresso, a legislação sobre os planos de saúde. Isso é que é assunto. Mas a cobertura de política no Brasil está contaminada de maneira desastrada com briguinha de político, disse-não-disse, coisas irrelevantes. A maioria dessas brigas é de mentirinha. O jornalismo político no Brasil é um horror. As colunas de política neste país refletem o falto jornalismo político. De modo geral, são malfeitas.

(....) Sempre tive o cuidado de não ficar ‘batendo’ demais em um político. O jornalista brasileiro é machão para ‘bater’ em político. Fazer isso é fácil. Temos que ser valentes para criticar outro tipo de fonte. Somos medrosos quando se trata de um banqueiro, de um grande empresário."

"Colunismo político", in Lições de Jornalismo, Rio de Janeiro, Faculdade da Cidade, 1998, pág. 51.

Luarlindo Ernesto
"Outro assunto interessante foi o Cara de Cavalo, um bandido sem nenhuma importância que entrou no noticiário policial [antes de 1964]. Foi um mito construído pela imprensa, um bandido muquirana, tinha uma mulher na zona, assaltava ponto de bicho em Vila Isabel e fumava uma maconhazinha, não era um bandido de expressão. O azar dele foi que o banqueiro de bicho chamou os amigos policiais e pediu para eles darem um sumiço no cara. Os policiais foram dar uma dura e, naquela afobação de prendê-lo, um policial matou um colega. Botaram a culpa no Cara de Cavalo e isso motivou uma caçada implacável ao jovem bandido, que tinha apenas 23 anos. (....) Depois da perseguição, ele ficou vivo apenas mais um mês ou dois.

Lembro que, durante essa caçada, um dia fui com outro repórter, o Oscar, para o Morro do Juramento. Lá, consegui através de outro bandidão da época, o Murilão, chegar até o Cara de Cavalo. Mas o bandido queria mil cruzeiros para falar. Era muito dinheiro. No caixa da Última Hora só havia 600 contos, queria um milhão. Nada feito e ele aproveitou e fugiu, desaparecendo. Continuamos no caso, conseguimos botar uma espécie de empregada doméstica na casa da mãe dele. A mulher interceptou uma carta do Cara de Cavalo, localizamos o endereço do remetente, fomos atrás novamente. Chegamos a falar com ele, mas o bandido não quis nada. Numa dessas visitas, a polícia nos seguiu, foi lá e matou o Cara de Cavalo. A perseguição toda demorou um mês e meio, com mais baixas entre a polícia. Lembro do Le Cocq e do Perpétuo de Freitas, policial que foi morto por um colega nessa perseguição ao Cara de Cavalo."

"Reportagem policial", in Lições de Jornalismo, Rio de Janeiro, Faculdade da Cidade, 1998, págs. 101/2.

Folha de S. Paulo
"O ex-deputado federal Ronivon Santiago (sem partido-AC), envolvido com a compra e venda de votos a favor da emenda da reeleição, disse ontem que vai processar a Folha por perdas e danos morais e materiais. Ronivon chegou a pedir uma passagem aérea para viajar do Acre para Brasília, mas a Folha não concordou. E interpretando de maneira distorcida frases de Fernando Rodrigues, diz que a Folha teria oferecido assessoria jurídica do PT. A Folha não oferece vantagens em troca de entrevistas."

O Globo
"Uma juíza federal abriu inquérito ontem para averiguar se membros da equipe do promotor independente Kenneth Starr são responsáveis pelo vazamento de informações sobre o depoimento sigiloso de Monica Lewinsky, divulgadas ontem em jornais americanos. O inquérito foi aberto graças a um pedido da Casa Branca. Se a suspeita for provada, o processo que investiga se o presidente Bill Clinton pediu a Monica para mentir em depoimento sobre um caso entre eles poderia ser anulado."

Márcio Moreira Alves
"As máfias russas estabeleceram parcerias diversas com os ‘colegas’ de outras nacionalidades, inclusive com a Cosa Nostra dos Estados Unidos. A sua capacidade de matar não conhece fronteiras: atacam em qualquer parte da Europa, da Ásia, dos Estados Unidos ou do Canadá. Na Rússia, um de seus alvos prediletos são os jornalistas investigativos. David Satter, que dirige em Nova York o comitê internacional para a proteção de jornalistas, contabilizou 63 colegas assassinados na Rússia entre 1994 e 1996."

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M.M.A.
"A lentidão da Justiça e a falta de legislação apropriada é outro nó. Somente em maio deste ano foi aprovada uma lei contra a lavagem de dinheiro que sequer foi regulamentada até hoje."

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M.M.A.
"Todas [as informações publicadas na coluna] são do conhecimento do governo. Poderia multiplicá-las por dez ou 20, se não temesse cansar os leitores. Mas, neste ponto, cabe a pergunta: por que se faz tão pouco para coibir o crime organizado?"

Gabriel Prioli
"As perguntas que a situação impõe são claras: o SBT pode matar seu jornalismo? A segunda rede mais importante do país tem o direito de sonegar a seus telespectadores notícias sobre o que ocorre à sua volta e em todo mundo? A possibilidade de obter grandes lucros, explorando a concessão de um serviço público, não implica a responsabilidade de servir a cidadania, informando-a e estimulando-a a formar opinião?"



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