ARMAZÉM LITERÁRIO

ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000


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JORNALISMO DIGITAL
A revolução da conectividade

Guia de estilo web – produção e edição de notícias on line, de Luciana Moherdaui, Editora Senac-SP/Siciliano

A jornalista Luciana Moherdaui, editora do webjornal Último Segundo, do portal iG, lançou o livro Guia de estilo web, em co-edição Senac-SP e Editora Siciliano. O livro foi desenvolvido a partir de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) com o título original "Edição Online – Produzindo Notícias para a Web", produzido para Universidade Bandeirante de São Paulo, em outubro de 1999. Com base em experiência diária da autora, Guia de estilo web traz indicações sobre produção e edição de notícias para o jornalismo on line. Leia a seguir a Introdução e o prefácio de Leão Serva ao livro de Luciana.


Introdução

Entramos, definitivamente, na era digital. Recebemos informação por meio de bits em vez de átomos. Não é preciso ir à banca exclusivamente comprar jornal. Navegamos no ciberespaço jornalístico com uma linha telefônica, um modem e um computador. O jornal agora está disponível sob a forma de bits. Estamos divididos entre bits e átomos.

Pensar sobre a forma ideal de escrever e editar notícias para a rede: esta é a proposta deste Guia de Estilo Web, uma vez que a produção jornalística na Internet é um fenômeno recente, que se encontra em uma etapa de descobertas de caminhos próprios, suscetíveis de erros — portanto, ainda em fase de experimentação.

O Guia de Estilo Web foi desenvolvido com base em pesquisa, entrevistas e fundamentado por leitura de livros, jornais e revistas. Ele apresenta um breve histórico sobre o jornalismo online, que surgiu no início da década de 70, nos Estados Unidos, onde eram realizadas experiências para delinear o conceito de Superhighway, redes nacionais e internacionais de trocas de informações entre pessoas por meio de computadores.

Há também uma proposta sobre o planejamento para edição e produção jornalística na Web e o perfil do leitor on-line, divido em três partes: Estrutura da notícia, Hábitos de leitura e Acesso à Internet.

Foram entrevistadas, por e-mail, 19 pessoas, entre as quais jornalistas, pesquisadores e professores, com o objetivo de testar novas formas de escrever notícias para a Web. Também foi aplicado um questionário a 301 estudantes de Comunicação Social do Estado de São Paulo, a fim de verificar como se comportam na busca e leitura da informação on-line.

A pesquisa de campo foi realizada em cinco universidades: Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo ((ECA/USP); Faculdade de Comunicação Social Cásper Libero de São Paulo; Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) e Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos/SP. A Universidade Santa Cecília foi escolhida por ter sido a primeira instituição de ensino brasileira a criar um jornal-laboratório on-line – experiência desenvolvida com alunos do curso de Comunicação Social.

É importante destacar que essa amostra foi escolhida para comprovar uma tese que já existe e pode ser evidenciada pela bibliografia apresentada no fim deste livro. Diversos institutos de pesquisa apresentam estudos sobre comportamento de leitores na Internet. Mas nenhum deles traz dados suficientes para provar qual o melhor caminho para produzir notícias on-line.


Prefácio

Leão Serva (*)

Este pequeno livro é um pioneiro no Brasil. Enquanto pululam os manuais de redação para imprensa convencional, o surgimento de uma imprensa vigorosa na Internet ainda espera um conjunto de procedimentos que consolide as diversas novidades impostas pelas características dos novos meios e, ao mesmo tempo, aponte aquilo que, por ser essencial à atividade jornalística, permaneça nestes novos meios.

Quando lançamos o Último Segundo, no final de dezembro de 1999 (antes mesmo de seu lançamento público, em 9 de janeiro de 2000), decidimos uma série de padrões pautados pela experiência própria e pela intuição. Um dia, saberemos o quanto acertamos (por enquanto, só temos como referência o sucesso de audiência, que fez do Último Segundo um líder do jornalismo de Internet no Brasil por muitos meses).

Mas fico feliz em ver que a jovem autora deste Guia aponta como procedimentos necessários para o bom aproveitamento do meio, vários dos padrões que adotamos. Textos curtos, para caber em uma só tela de computador, frases e parágrafos curtos para dar velocidade à leitura, textos encadeados por links para permitir diversos níveis de informação, uma pluralidade de temas e velocidade de atualização – tudo para que o leitor possa ser, de fato, o editor de seu "texto final", o organizador de um jornal próprio.

Luciana Moherdaui é um exemplo da geração que está chegando ao mercado de trabalho jornalístico e encontra uma paisagem inteiramente diferente daquela do século passado, em que imperavam a tevê e uns poucos grandes jornais.

Para essa nova geração, o trabalho na Internet não é uma aposta arriscada, um salto rumo ao desconhecido. Ao contrário, desde o final de 1999, o crescimento do mercado de trabalho na Web criou quase tantas vagas quanto as disponíveis nos veículos tradicionais, no eixo Rio-São Paulo.

Para essa geração, o HTML (Hipertext Markup Language), a linguagem básica da Internet, é como a lauda para os jornalistas de papel – já não representa mistério. Ao mesmo tempo, pensar uma pauta para eles é pensar uma reportagem tridimensional, na qual recursos de vídeo e áudio se misturam aos textos de apoio, à memória, tudo em um mesmo plano, sem a linearidade dos meios mais antigos.

Com o trabalho que resultou neste livro, Luciana tem a gentileza de dividir com os circunstantes (especialmente os mais velhos, sedentos por um pouso tranqüilo nessa nova realidade de trabalho) os conhecimentos que já estão sendo consolidados em torno do jornalismo na Internet.

Há muito por vir, certamente, muito por aprender. Mas se os leitores tiverem sorte, também muitas edições ampliadas deste manual virão para atualizar este primeiro retrato, quase em tempo real, da revolução que o jornalismo na Web está vivendo neste ano 2000.

Se até o ano passado a Internet era um meio freqüentado apenas por um punhado de privilegiados, com a explosão da Internet grátis, desde janeiro de 2000, a audiência da rede tende a se tornar rapidamente uma representação mais fiel da pirâmide social. E para ir ao encontro do interesse dessa massa, é preciso um jornalismo ainda mais ágil e tão plural quanto esse universo de gente.

Não é fácil. Ao contrário, é mais intenso e difícil do que produzir notícias para os meios mais antigos. Mas com guias como este, certamente a travessia pode ser bem mais segura.

(*) Diretor de redação do webjornal Último Segundo <www.ig.com.br>



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