DIRETÓRIO ACADÊMICO

ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000

 

EXAME NACIONAL DE CURSOS
Provão de fogo

Victor Gentilli

Em todo o Brasil, há uma grande expectativa com relação aos resultados do Provão 2000, que deverá ser divulgado na imprensa no dia 19 de dezembro. Este é, para usar um jogo de palavras, o provão de fogo. Os motivos são vários:

Trata-se do terceiro provão consecutivo que realizam os estudantes de jornalismo. Isso permite configurar uma série histórica e significa que ele tende a consolidar-se como um dos instrumentos de avaliação dos cursos de Jornalismo no Brasil.

Com este provão, teremos imediatamente a relação daqueles cursos que sofrerão nova visita de Avaliação das Condições de Oferta em 2001. Ao contrário da versão 1999, a Avaliação de 2001 se concentrará nos cursos que acumularem conceitos D e/ou E no provão e conceito "Condições Insuficientes" na Avaliação de 1999. Como a avaliação de 1999 alcançou um volume expressivo de conceitos insuficientes – e como o boicote deste ano vai concentrar os conceitos D e E nas melhores escolas –, tudo indica que a maioria dos cursos sofrerá nova visita em 2001.

Vazio legal

O provão, neste momento, cumpre uma função para a qual não estava destinado: preencher um vazio legal na normatização do ensino de Jornalismo no Brasil. A velha resolução 02/84, que definia o antigo currículo mínimo ainda vigente em diversas escolas, não está mais em vigor. Definitivamente. Por outro lado, as diretrizes curriculares que deveria substitui-la como parâmetros de referência estão há mais um ano paradas no Conselho Nacional de Educação. Neste sentido, as diretrizes curriculares e os demais documentos sobre o provão de Jornalismo deverão, em alguma medida, consistir na referência efetiva do ensino de Jornalismo no país.

O boicote, que era de 11%, cresceu para algo em torno de 14% – embora, tenha diminuído entre o total do estudantes, de 0,4% para 0,3%. E o boicote concentrou-se exatamente nas escolas que geravam mais expectativas de bons resultados. Assim, a legitimidade do Provão em Jornalismo passará por sua prova de fogo com os debates que se instaurarem a partir da divulgação dos seus resultados. As lideranças estudantis tenderão a considerar-se vitoriosas e quebrar a legitimidade do provão, com base no boicote. O MEC, por outro lado, estará oferecendo muito mais informações do que o mero resultado da prova.

A possibilidade de a Avaliação das Condições de Oferta deixar de ser realizada pela Secretaria de Ensino Superior do MEC e passar a ser coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), já a partir de 2001, não deverá ter nenhum significado maior.


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