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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000
ASPAS
INTERNET EM CRISE?
João Teixeira da Costa e Flávia Velloso
"A venda do Freeserve e o futuro dos provedores", copyright no. (www.no.com.br), 10/12/00
"Depois de muita especulação e uma quase venda para o grupo alemão T-Online na metade do ano, o provedor de acesso gratuito inglês Freeserve finalmente foi vendido. O provedor francês Wanadoo comprou o controle do Freeserve, com seus dois milhões de usuários, sem gastar dinheiro, como é normal nas aquisições de empresas de internet: pagou com novas ações que está emitindo para a aquisição. O grupo inglês Dixons, que tinha 80% das ações do Freeserve, ficará portanto com 12,7% do Wanadoo pós-transação. A France Telecom segue sendo de longe a maior acionista do provedor Wanadoo que, com quase quatro milhões de usuários e quase dois bilhões de dólares no banco, pretende ficar entre os líderes no processo de consolidação do mercado de acesso à internet na Europa.
Até aí, tudo bem. Mas a transação levanta uma série de questões interessantes, especialmente porque o Freeserve foi o pioneiro do assim chamado acesso gratuito à internet, um modelo que atingiu grande sucesso na atração de usuários na Inglaterra e no resto do mundo.
O modelo Freeserve foi desenvolvido pelo executivo John Pluthero, da Dixons. A idéia era atrair o maior número possível de consumidores através de acesso ‘gratuito’, ou seja, onde só se paga pelo uso da linha telefônica, para gerar receitas através de serviços e/ou comércio eletrônico. A empresa cresceu rapidamente, chegando aos dois milhões de usuários em pouco mais de dois anos. A Dixons abriu o capital da Freeserve em julho de 1999, ao preço de 150 pence (i.e. centésimos de libra) por ação. No auge da febre da internet, em março de 2000, as ações chegaram a valer 900 pence.
O problema é que junto com o número de clientes do Freeserve cresciam os prejuízos da firma, e a Dixons resolveu sair, mais por não dispor dos recursos para continuar investindo ali do que por não acreditar no potencial do negócio, segundo a mesma. Os investimentos se faziam necessários não só por causa da expansão do número de usuários, mas também por que o Freeserve estava migrando para um novo modelo de negócio, oferecendo serviço ilimitado por uma taxa fixa mensal. O negócio parece fazer sentido, especialmente a partir do momento em que a agência regulatória inglesa obrigou a BT a oferecer capacidade a custo fixo para o provedor. Mas o custo inicial de introdução do mesmo é alto, em parte por causa de um processo de seleção adversa: os primeiros a adotar a modalidade são os usuários mais pesados, trazendo prejuízos de duas libras ou duas libras e meia por mês por cada um dos 350 mil usuários dessa modalidade para a Freeserve.
A empresa, portanto, já estava a venda faz algum tempo. Depois de um casamento abortado com a alemã T-Online, controlada pela Deutsche Telekom, voltaram a circular os boatos sobre uma possível venda – não apenas por causa da disposição confessa da Dixons de vender, mas também por causa da rápida consolidação do setor na Europa. Verdadeira ou não, domina a percepção de que o negócio de acesso a internet só pode dar lucro para quem tem escala, e os provedores ligados às telefônicas – Wanadoo, Terra/Lycos – parecem destinados a dominar um negócio que exige investimentos cada vez maiores devido a tecnologias de acesso rápido (DSL, cabo), e de acesso sem fio.
Alguns analistas dizem que o negócio faz muito sentido estratégico para todos os envolvidos. O Freeserve ganha o apoio de uma empresa com amplas reservas de caixa para financiar seu crescimento, e a guerra contra America Online e British Telecom. E a Wanadoo ganha acesso ao mercado inglês, onde sua controladora France Telecom já tem investimentos em telefonia fixa e sem fio. O conflito aparente entre um modelo de negócio pago (Wanadoo) e outro gratuito (Freeserve), é mais aparente do que real, como vimos acima, já que o provedor inglês começava a migrar para o modelo pago. Além disso, fica reforçada a posição da Wanadoo entre os grandes do setor na Europa.
Mas se o negócio foi tão bom assim, por que não apareceram outras ofertas pelo controle da Freeserve? Afinal, a Wanadoo está pagando – em ações, não dinheiro – algo muito próximo do preço de emissão das ações do Freeserve. Em primeiro lugar, a Dixons não podia mais esperar, não apenas por não querer investir mais no negócio, mas também por ter a sua credibilidade em jogo depois do fracasso das negociações com a T-Online. Além disso, o número de compradores potenciais era limitado aos grandes do processo de consolidação – Wanadoo, Tiscali, e Terra. Além disso, não se pode ignorar que o mercado passou da euforia para a depressão no que tange às ações de empresas da internet.
O fim da euforia da internet, e o fim do acesso ilimitado a capital barato para as empresas do setor, acelera a consolidação. Como sempre, as empresas com dinheiro no banco levam vantagem no processo – mesmo quando usam suas ações como pagamento. As provedoras de acesso com grandes números de clientes – inclusive as gratuitas – podem ser peças importantes nesse jogo."
Greg Johnson
"Falência de empresas de acesso gratuito preocupa as pontocom", copyright O Estado de S. Paulo/ Los Angeles Times, 9/12/00
"A recente falência de duas companhias que proporcionaram acesso gratuito à Internet a milhares de consumidores está lançando uma sombra cada vez maior sobre o futuro das empresas pontocom que dependem profundamente da receita proveniente dos anúncios on-line.
A 1stUp.com, cuja sede localiza-se em São Francisco, que foi provedora de acesso on-line gratuito para milhões de usuários de Alta Vista, anunciou, na segunda-feira, que deixará de funcionar no início de 2001.
A Spinway Corporation., de Sunnyvale, Califórnia, prestadora de serviços para o site bluelight.com, da Kmart Corporation, foi fechada, inesperadamente, no dia 1º de dezembro. ‘Isso realmente não é um bom sinal para o setor de livre acesso’, afirmou um analista da on-line da Jupiterr Research, Christopher Todd. ‘Isso mostra a dificuldade em tentar realizar um modelo de negócio que dependa somente da receita vinda da publicidade e não ofereça um conteúdo que possa apoiá-lo’, completou.
As companhias esperavam gerar uma renda de publicidade suficiente para cobrir seus custos operacionais, mas a ausência de lucros induziu os investidores - incluindo a CMGI, que apoiava a 1stUp financeiramente, a deixar de investir nos empreendimentos.
As falências mais recentes fazem parte de uma modificação brutal registrada no setor de provedores de acesso gratuito à Internet. No início do ano, dois desses provedores entraram em processo de falência, provocando um debate sobre se os provedores de acesso gratuito têm condições de competir com a AOL, Earthlink e outras companhias que cobram taxas mensais de acesso - e, portanto, não dependem exclusivamnete da renda proveniente de publicidade.
Acordos - No ano passado a 1stUp.com assinou acordos comprometendo-se a operar programas de serviços Internet gratuitos envolvendo a promoção de marcas de 30 associados comerciais, entre os quais se incluem as empresas Lycos e Excite. O empreendimento atraiu 5,5 milhões de usuários, incluindo 3 milhões da Alta Vista.
Embora tenha criado um programa de acesso à Internet de qualidade, a 1stUp.com não conseguiu gerar renda de publicidade, de acordo com Allison Huffman, gerente de Relações Públicas da CMGI, com sede em Andover, Massachusetts.
‘A empresa enfrentou mudanças das condições de marketing e um panorama muito competitivo,’ enfatizou Huffman.
As falências mais recentes convertem a NetZero Incorporation, com 5,7 milhões de usuários, na líder evidente do setor de acesso gratuito.
Executivos da companhia, com sede em Westlake Village, Califórnia, sustentam que seu modelo comercial isola a NetZero das forças de mercado que derrotaram a 1stUp.com e a Spinway. ‘Está é uma época difícil para ser dependente dos anunciantes e se você não consegue entregar anúncios para um público-alvo em grande escala e nem ter algum conteúdo, vai está se encaminhado para `sair dos negócios' de venda’, disse o presidente da NetZero, Mark R. Goldston. Ele garantiu que sua empresa vai sobreviver aos tempos difíceis porque tem melhores condições de atingir o público e de fornecer informações detalhadas aos anunciantes.
Muitos analistas da Internet, porém, duvidam que as empresas sustentadas apenas por anunciantes podem ter lucro."
Jennifer L. Rich
"OptiGlobe entra na guerra virtual em São Paulo", copyright O Estado de S. Paulo/New York Times, 10/12/00
"Há pouco mais de um ano, Rance Hesbeth estava fazendo negócios pelo telefone celular, no seu carro. Hesbeth, um executivo canadense de 36 anos, foi contratado para ser o gerente no Brasil da OptiGlobe, uma empresa de infra-estrutura de Internet que, na época, existia apenas na mente de seus fundadores em Bethesda, no Estado americano de Maryland.
Atualmente, Hesbeth preside um centro de dados de Internet instalado em um prédio de concreto e vidro de 14.800 metros quadrados construído especialmente para essa finalidade de frente para a Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo, nas proximidades da florescente região comercial e empresarial Avenida Luís Carlos Berrini, no Brooklin, zona sul.
Inaugurada oficialmente na semana passada, a OptiGlobe emprega 170 pessoas, custou US$ 100 milhões para ser construída e pode conter até 9 mil servidores de computador, provendo serviços de hospedagem na Web potencialmente para milhares de empresas brasileiras.
Até agora os negócios têm sido vigorosos. ‘Já estamos entrando em nossos números para o próximo ano’, disse Hesbeth. ‘Estamos construindo no Rio de Janeiro e provavelmente construiremos um segundo centro em São Paulo, começando no ano que vem.’
As perspectivas do setor são suficientemente atraentes para atrair um enxame de concorrentes.
Alguns são iniciativas de provedores de serviços de Internet por discagem como o maior provedor do Brasil, o Universo Online, mas a maioria está sendo construída por empresas tradicionais de telecomunicações como a Telefônica e a prestadora nacional de longa distância, a Embratel Participações.
As empresas telefônicas estão desenvolvendo serviços de hospedagem na Internet para acompanhar o ritmo das necessidades de seus clientes atuais e para impulsionar o lucrativo tráfego pela Internet por meio de suas linhas de dados.
Projetos - A competição não está atrapalhando os planos da OptiGlobe de construir mais 14 centros de dados de Internet na América Latina até 2002 por US$ 1,4 bilhão.
Os centros devem situar-se em capitais como Buenos Aires, Cidade do México e Santiago, assim como em cidades consideradas promissoras em pólos de tecnologia como Curitiba e Porto Alegre, no Brasil, e Guadalajara e Monterry, no México.
Como uma das melhores e mais bem financiadas empresas de centro de dados da região, a OptiGlobe é considerada por especialistas do setor como uma das empresas a serem combatidas no mercado de infra-estrutura de Internet no Brasil.
Mas, como se espera que o tamanho do mercado dobre dentro de dois anos - dos atuais US$ 171,3 milhões para US$ 358,7 milhões em 2003 -, dezenas de empresas já fizeram fila para tentar.
‘A OptiGlobe é o ponto de referência para o mercado no momento’, disse o diretor-geral da Yankee Group no Brasil, Dario Dal Diaz. ‘Mas deveremos ter uma boa guerra.’
Realmente, um dia antes da inauguração da OptiGlobe, a Diveo Broadhand Networks, uma empresa de infra-estrutura de banda larga regional com sede em Washington, anunciou a inauguração de um centro com 16.700 metros quadrados que custou US$ 100 milhões nos arredores da área metropolitana de São Paulo.
A Global One, uma unidade da France Telecom, está atualmente equipando seu próprio centro em São Paulo, com 1.580 metros quadrados. ‘Creio que oferecer esse tipo de serviço será um dos diferenciais no setor de telecomunidações no futuro’, disse o presidente da unidade brasileira da Global One, Russel Ribeiro. ‘Os clientes estão cada vez mais se concentrando no seu negócio principal e precisam de parceiros para lhes fornecer serviços com os quais não querem mais lidar’, disse.
Embora a maioria dos analistas concorde que o potencial de mercado é alto, todas as empresas estão tendo dificuldades em convencer os executivos brasileiros a transferirem tecnologia para um centro de dados do outro lado da cidade."
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