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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000

 

ASPAS

DIREITOS AUTORAIS
Andrew Quinn

"Justiça da Califórnia devolve o site sex.com ao proprietário original", copyright Folha de S. Paulo/ Reuters, 3/12/00

"Um juiz de San Francisco (Califórnia) encerrou na semana passada uma disputa em torno daquele que é provavelmente o ‘imóvel’ ciberespacial mais valioso do mundo: os direitos ao nome ‘sex.com’.

O juiz distrital James Ware ordenou que Stephen Cohen, que transformou o site sex.com numa empresa multimilionária de pornografia, devolvesse o endereço a Gary Kremen, um empresário de San Francisco que teve visão ao registrá-lo em 1994, quando a Internet apenas engatinhava.

‘Sou um sujeito pequenininho, e Cohen é um cara grandão que ergueu um império baseado na fraude e no logro’, disse um satisfeito Kremen em entrevista coletiva diante do tribunal em San José, Califórnia.

Cohen evitou comentar o caso, e seus advogados não quiseram falar com os jornalistas sobre se pretendem recorrer.

A ordem do juiz marcou um passo importante na resolução de questões relativas à ‘grilagem’ de endereços na Internet e ao valor real dos ‘imóveis’ ciberespaciais.

Segundo os advogados de Kremen, Cohen assumiu o controle do sex.com em 1995 ao apresentar à Network Solutions Incorporated, que supervisiona a alocação de endereços de websites, um documento falsificado de transferência de propriedade do endereço.

Usando uma empresa registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, Cohen transformou o site no que os advogados de Kremen descreveram como ‘um império sexual multimilionário’ -onde se pode encontrar a pornografia mais pesada oferecida na rede. Os advogados disseram que o site é visitado até 25 milhões de vezes por dia e pode valer até US$ 100 milhões.

Em documentos apresentados no tribunal, Cohen reconheceu receber US$ 17 milhões por ano, além de ter US$ 100 milhões em opções sobre ações do site.

Como outros endereços de websites compostos de uma só palavra, tais como business.com, são vendidos por milhões de dólares, e estudos indicam que o sexo é uma das grandes atrações da Internet, o sex.com era visto como potencialmente um dos mais valiosos da World Wide Web.

Recibo falso

Cohen, que já cumpriu pena por falência fraudulenta, disse que obteve o endereço sex.com legalmente, pagando US$ 1.000 a uma empresa chamada Online Classifieds, dona do registro do site. Kremen disse que ele e a Online Classifieds eram a mesma coisa e negou a afirmação de Cohen, dizendo que o recibo que ele apresentou como prova é falso.

‘O juiz Ware teve a coragem de se opor ao ladrão’, disse o advogado de Kremen, Jim Wagstaffe. Para Pam Urueta, outra advogada que trabalhou para Kremen no caso, a decisão do juiz marcou um passo legal importante no reconhecimento dos direitos dos proprietários de nomes na Internet.

Muitas outras disputas judiciais altamente divulgadas em torno de nomes de domínios e envolvendo celebridades e grandes empresas giraram em torno da proteção de nomes de marca.

O caso sex.com foi mais simples e decidiu que a proteção outorgada a proprietários de bens físicos também poderia ser aplicada no caso de bens impalpáveis, como nomes de domínio na Internet. (Tradução de Clara Allain)"




TECNOLOGIA
Luís Nassif

"A voz de Wall Street", copyright Folha de S. Paulo, 7/12/00

"Nem Microsoft nem Oracle. O futuro pode estar na Sony. A opinião é de Virginia Gambale, diretora administrativa e chefe de equipe do Deutsche Bank Strategic Ventures, incumbida das avaliações de investimento em novas empresas tecnológicas e considerada pela revista ‘Wall Street and Tecnology’ como um dos três melhores analistas de Wall Street.

Indagada se o futuro será da integração de diversas tecnologias, ou do predomínio de um padrão específico, Virginia admite que a Oracle assumiu a liderança do processo atual, ao desenvolver uma tecnologia eficaz que permite a distribuição de aplicativos a partir de servidores centrais (a chamada tecnologia asp). Também acha que a Microsoft entrou atrasada no processo. Mas considera que a liderança da próxima etapa não será necessariamente de nenhuma das líderes atuais.

Os sistemas mudarão radicalmente. Em vez de bites e bytes, passarão a transitar pela rede as imagens, fundadas especialmente na indústria de música e de entretenimento. Em sua opinião, o novo vem do Japão, mais especificamente da Sony.

Em sua opinião, a aversão ao risco ainda vai dominar por bom tempo o mercado. Em vez de sonhos, as empresas terão que apresentar fluxos de caixa compatíveis e prazos realistas para o equilíbrio operacional. Em relação ao risco, ela divide as empresas de tecnologia em dois grupos. O primeiro, das empresas de infra-estrutura, com fluxo de caixa mais previsível. O segundo, das empresas de consultoria e de serviços, que oferecem mais dificuldades para a identificação de tendências.

Virginia não acredita no modelo de Internet gratuita, a não ser como complemento de outros negócios. Por exemplo, bancos oferecendo serviços em troca de movimentação, ou empresas de comércio eletrônico oferecendo acesso gratuito como bonificação por compras. No Brasil, ela identifica oportunidades melhores na tecnologia de wireless (celular), mas em negócios que contenham valor intrínseco. Cita casos recentes dos EUA, em que se utilizou essa tecnologia para vender histórias em quadrinhos humorísticas pelo celular.

A tecnologia asp será importante para automatizar pequenas e médias empresas, inclusive automatizando trabalhos em grupo e outras atividades-meio. No caso da indústria da informação, segundo ela, o problema continua sendo o do ‘copyright’, com empresas copiando informações de terceiros e distribuindo. No momento existe um grupo nos EUA trabalhando o que ela chama de código genético das informações, permitindo identificar eventuais piratarias (o chamado ‘gillette press’ ou, na linguagem da informática, o ‘copy&paste’).

A dificuldade que os bancos estão encontrando para ampliar as operações eletrônicas, segundo sua opinião, reside nos egos inflados dos executivos financeiros americanos, que não costumam aceitar sugestões em seus negócios, nem recorrer aos especialistas em tecnologia e informação para buscar ferramentas e informações mais atraentes para o público. O comércio entre empresas continuará sendo uma fonte importante de negócios, dentro de dois modelos diferentes: o primeiro, das fornecedores de uma mesma cadeia automatizando suas compras e vendas entre si; o segundo, de intermediários, brokers, centralizando compras diversas."




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