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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 15/01/2001


ASPAS

MEGAFUSÃO AOL / TIME WARNER
Christopher Grimes

"Fusão AOL-Time Warner deverá sofrer restrições", copyright Valor Econômico / Financial Times, 9/01//01

"A Comissão Federal de Comunicações (FCC) poderá aprovar a fusão da America Online (AOL) e da Time Warner, com restrições, esta semana. A aprovação da FCC será o último passo do acordo de US$ 111 bilhões.

Amanhã faz um ano que a fusão foi anunciada. A FCC, que prometeu analisar o processo rapidamente, certamente está a par do vultoso aniversário. A comissão soltou uma recomendação a cada membro para que reveja o processo e dê seu voto.

Concorrentes da AOL e da Time Warner - inclusive a Microsoft, a Yahoo, a AT&T e a Excite at Home - continuaram a fazer um forte ‘lobby’ no fim de semana contra a aprovação do acordo. Essas companhias querem acesso a um dos serviços mais populares da AOL, o Instant Messager, que permite aos usuários mandar mensagens aos amigos no momento em que eles estão na rede. A Microsoft e seus aliados formaram uma coalizão chamada IM Unified, para forçar a AOL a abrir seu sistema.

‘Estamos confiantes de que a FCC vai impor algumas condições ao serviço de mensagens instantâneas’, disse o vice-presidente para Assuntos Governamentais da Excite, Jon Englund. A FCC parece pronta para aprovar a fusão se a AOL abrir seu sistema para o serviço que oferecerá pelos cabos de alta velocidade da Time Warner. Os opositores queriam que a FCC fosse além, forçando a AOL a abrir o sistema também nos casos das linhas de Internet existentes."

 

Alex Kuczynski

"Time Warner vai lançar revista sobre a cultura da internet", copyright Valor Econômico / The New York Times, 11/01/01

"Num exemplo das vantagens e desvantagens potenciais da esperada fusão de Time Warner e America Online, a Time Inc. vai começar a publicar ‘On’, uma revista sobre a vida na internet.

A nova publicação terá a ajuda da AOL na parte de marketing, mas seus editores concordam que terão de trabalhar bastante para persuadir os leitores de que a revista não é apenas material para divulgação da AOL.

O editor executivo de ‘On’, Joshua Quittner, disse a distribuição do primeiro número está prevista para março.

Estritamente falando, disse ele, ‘On’ é uma ‘Time Digital’ - a revista mensal sobre o mundo digital que veio ao mundo encartada na revista ‘Time’ - redesenhada e rebatizada. Sua circulação de um milhão de leitores inclui vendas em banca, assinaturas pagas e circulação gratuita controlada - significando que ela é enviada gratuitamente a um número específico de consumidores.

Segundo ele, ‘On’ se concentrará menos em produtos e aplicações para se focar na cultura e estilo de vida que estão associados à internet. ‘Esta não é a revista de tecnologia de seu pai’, disse Quittner. ‘O leitor não vai encontrar artigos pesados nessa revista. É uma revista não sobre a coisa, mas sobre as pessoas que usam a coisa’.

Assinantes da America Online poderão comprar assinaturas nos sites da AOL, e alguns assinantes da AOL de primeira hora receberão assinaturas de graça.

Quittner antecipou que as discussões sobre a revista começaram muitos antes dos anúncios sobre a fusão entre AOL e Time Warner."

 

FRONTEIRAS NA WEB
Anick Jesdanun

"Gigantes tentam criar fronteiras na internet", copyright Valor Econômico / AP, 9/01//01

"Por mais atraente que a internet sem fronteiras possa ser, a produtora de esportes do Yahoo! Tonya Antonucci pretende sacrificar a idéia pela transmissão via internet das Olimpíadas.

Os diretos de transmissão dos Jogos e outros eventos esportivos protegidos por direitos autorais são tipicamente vendidos em âmbitos regionais. Assim, para obter direitos futuros, empresas on-line como Yahoo! estão tentando desmembrar a rede por regiões.

Os esquemas existentes de acesso à internet, insiste Antonucci, permitem que os sites identifiquem a localização geográfica de um visitante e, com isso, bloquear o acesso a navegantes de certos países. Embora não seja 100% eficaz, diz Antonucci, ‘a tecnologia básica existe’.

Antonucci não está sozinha na defesa de técnicas que poderiam efetivamente erguer fronteiras nacionais num meio pensado para ignorar barreiras. Na medida em que países estipulam suas normas legais e culturais sobre seu pedaço do planeta, os esforços para dividir a internet em domínios separados podem se tornar cada vez mais populares.

Um tribunal de Paris ordenou recentemente que a Yahoo!, baseada em Santa Clara, Califórnia, impedisse usuários franceses da internet de ver a parafernália nazista em suas páginas de leilões. A China, por sua vez, ameaçou criar uma rede separada de sites chineses. À medida que a tecnologia amadurece, é cada vez mais provável o surgimento de novas tentativas de segmentar o ciberespaço.

Alan Davidson, consultor contratado do Center for Democracy and Technology em Washington, teme que o resultado disso possa ser uma divisão da World Wide Web em feudos virtuais regionais ‘onde é preciso mostrar a identidade na porta’.

Para ele, o livre intercâmbio de idéias poderia ser proibido por governos interessados em bloquear materiais enviados de sites estrangeiros - ou por sites tentando restringir a distribuição de conteúdos específicos.

Erigir fronteiras, diz o professor de Direito da Universidade de Harvard, Jonathan Zittrain, poderia transformar uma tecnologia realmente revolucionária em mais uma commodity do sistema dominante. Um pequeno negócio familiar na América do Sul, diz ele, poderia perder assim uma base de clientes mundial.

O método mais popular de detecção de localização usa a mesma tecnologia que localiza computadores na internet. A técnica é chamada de ‘reverse Internet Protocol lookup’ (ou procura inversa de Protocolo de Internet): um site da rede tenta determinar localizações de usuários verificando seus endereços de retorno numéricos, ou endereços de IP, em bases de dados que listam suas provedoras de serviços.

Assim, um endereço que começa com ‘24.92’ provavelmente pertence a um sistema a cabo da Time Warner nos EUA. Endereços que começam por ‘161.23’ são atribuídos ao London Hospital Medical College.

Mas a técnica tem seus furos. Na rotina do navegador, alguns usuários legítimos já se queixaram de ter sido bloqueados. Por outro lado, cópias dos navegadores mais potentes acabam chegando ao exterior apesar dos esforços de contenção.

Há muitas maneiras de contornar a busca de IP inversa. Embora seja caro, um usuário francês pode fazer uma ligação telefônica para os EUA e acessar uma provedora de serviços americana como a EarthLink. Do ponto de vista da internet, esse computador pareceria estar nos EUA.

Além disso, existem serviços de garantia de anonimato que permitem que usuários escondam sua verdadeira origem geográfica. Como a busca inversa rastreia usuários de provedoras de internet e não necessariamente seus próprios computadores individuais, ‘ela pode ser um indicador muito enganoso’, diz Vinton Cerf, um dos primeiros desenvolvedores para internet.

‘Não tem nada a ver com a localização específica’, diz Cerf. ‘Tem a ver com a operadora da rede’.

Uma empresa de Nova York, por exemplo, pode registrar todos os endereços em Nova York, embora alguns computadores de sua rede estejam em Tóquio, Londres e outras sucursais.

Ben Laurie, um especialista em servidor de internet britânico que aconselhou o tribunal francês no caso da Yahoo! diz que as verificações de IP só são precisas para pessoas cumpridoras da lei. ‘Se as pessoas descobrem que estão bloqueadas, elas podem contornar facilmente o problema’, diz Laurie. ‘Você só pegará 70% ou 80% das pessoas que não estão tentando contorná-la’.

Mesmo assim, companhias como InfoSplit de Nova York e NetGeo de Mountain View, Califórnia, estão desenvolvendo meios para melhorar a precisão ao nível de código postal ou cidade dos EUA.

A detecção de localização vai melhorar, diz Zittrain, de Harvard, à medida que mais usuários usarem aparelhos sem fio que se conectam por satélites de posicionamento global, ou que se conectem via redes de banda larga de alta velocidade que impedem ligações de longa distância. Alguns sites da rede já usam a detecção de local para a publicidade geograficamente orientada.

O assunto dá o que falar. Fronteiras são ‘antiéticas para a natureza da internet’, diz Heather Killen, vice-presidente sênior de operações internacionais da Yahoo!. ‘Não se pode impedir as pessoas de ter acesso à informação’."




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