ÚLTIMA HORA – Atualizado em 15/01/2001


ASPAS

ROCK IN RIO
Folha de S. Paulo / The Independent

"Velhos roqueiros não morrem, excursionam", copyright Folha de S. Paulo, 12/01/01

"No domingo, o Guns N’ Roses subirá ao palco no Rio de Janeiro para fazer seu primeiro show longo em oito anos.

A banda norte-americana é apenas a última dentre as que encontraram uma cura maravilhosa para o processo de envelhecimento musical: os mercados pop cada vez maiores do Terceiro Mundo.

Os shows em países em desenvolvimento estão propiciando imensas audiências e cachês ainda maiores, atraindo bandas como o Deep Purple a Lituânia, o Status Quo a Moscou e o Aerosmith a Praga.

Até mesmo artistas com a mais confiável das bases de fãs no Reino Unido estão encontrando dificuldades para ignorar o mercado internacional. As vendas de ingressos para shows no Reino Unido são estimadas em apenas 7% do total mundial, e artistas estabelecidos como Rod Stewart, os Rolling Stones e as Spice Girls provavelmente faturam mais de 80% de sua receita no exterior.

Falcon Stuart, um empresário do rock com conhecimento especializado sobre os mercados da Rússia e da Ucrânia, diz que ‘muitas dessas bandas não conseguem emplacar um grande sucesso há anos. É excelente para elas tocar diante de 100 mil pessoas em um lugar como o Rio, comparado às platéias de 5.000 pessoas nos países de origem. Isso as estimula, faz com que se sintam bem e ajuda psicologicamente’.

‘As bandas sempre conseguem platéias entusiásticas nos países em desenvolvimento’, diz Stuart.

‘As bandas sabem que não precisam ser perfeitas’, diz ele. ‘As pessoas que vão aos shows querem se divertir e sabem que talvez nunca mais vejam aquela banda. É essa a maneira pela qual os contratos internacionais funcionam.’

Se o Guns N’ Roses conseguir desafiar a passagem do tempo, qualquer outra banda poderá fazer o mesmo. O Guns, uma caricatura da vida desregrada dos roqueiros, soava antigo já nos seus dias de glória regada a vômito, no final dos anos 80. O que resta do grupo é praticamente irreconhecível, já que o vocalista Axl Rose é o único remanescente da formação original.

Na mesma noite, o ex-guitarrista da banda, Slash, estará tocando com seu novo grupo, chamado Slash's Snakepit, na mesma cidade, mas não no mesmo festival. Ele afirmou ao jornal ‘New Musical Express’ que ‘um dos motivos para que eu saísse era que a banda deixou de ser o grupo ao qual eu tinha aderido’.

Mas o Rio de Janeiro talvez não se incomode com isso. (Tradução Paulo Migliacci)"

 

Jotabê Medeiros

"África e Brasil unem-se na abertura do festival", copyright Folha de S. Paulo, 12/01/01

"Começa hoje, às 16h30, com apresentação do maestro e multiinstrumentista africano Ray Lema e da Orquestra Sinfônica Brasileira a terceira edição do Rock in Rio, que pretende ser o maior festival de rock já realizado no País. Logo após, no palco principal, vão apresentar-se os cantores Sting e James Taylor e os brasileiros Gilberto Gil e Milton Nascimento e Daniela Mercury.

Os portões da Cidade do Rock serão abertos às 13 horas. Às 19 horas, 4.322 emissoras de rádio e 425 TVs do País silenciarão por 3 minutos, atendendo a uma espécie de chamado simbólico pela paz no mundo. Em seguida, a orquestra executará o hino pacifista Imagine, de John Lennon.

Em entrevista anteontem ao Estado, o congolês Ray Lema disse que a música terá início com uma peça sinfônica em cinco movimentos. A seguir, ele apresentará a sua ópera La Rêve de la Gazelle, uma composição operística na qual utiliza 35 cantores, um guitarrista, dois percussionistas e uma orquestra.

‘Para mim, é uma surpresa tocar num festival de rock que, no seu centro, é um grande comércio americano’, disse Lema. ‘Mas eu compreendo o porquê, já que a minha música está dentro do tema do festival, que é Por um Mundo Melhor’, afirmou o maestro. ‘É interessante essa mistura entre músicos africanos e brasileiros, populares e eruditos, em torno da música escrita por um africano’, ele ponderou.

La Rêve de la Gazelle (O Sonho da Gazela) é descrita por Lema como ‘uma peça que faz uma analogia entre a vida moderna e o animal mais elegante e extraordinário da selva, que é a gazela, sempre em fuga dos predadores’, disse o compositor, que já foi diretor do Ballet Nacional do Zaire e, com convite da Fundação Rockefeller, desenvolveu importante estudo nos Estados Unidos sobre as influências musicais de 250 etnias africanas no desenvolvimento da música americana.

Até ontem, o Rock in Rio ainda tinha uma vendagem de ingressos abaixo da expectativa inicial. Estimava-se um público de 1,5 milhão de pessoas, mas só foram vendidos até o momento menos de 600 mil ingressos.

‘Está de acordo com o previsto’, afirmou o empresário Roberto Medina, realizador do evento. ‘A grande venda ocorre dois ou três dias antes do show e durante o festival, mas eu sempre insisto na pré-venda porque acho que é muito melhor comprar tranqüilamente num shopping do que numa fila de 5 mil pessoas’, disse Medina.

Segundo o empresário, mesmo que o público esteja um pouco abaixo da expectativa, o seu objetivo já foi alcançado. ‘A minha motivação básica era mostrar à sociedade que ela precisava se ajudar e a música é uma enorme bandeira para conseguir isso’, disse.

Medina afirmou que os projetos sociais relacionados ao festival atingiram completamente o seu objetivo e que ele só gostaria que o jovem entendesse que, mais do que estar ajudando alguém, mais do que estar participando de um evento com algum caráter beneficente, ele compreendesse que ajuda a si próprio e ao seu país com a mudança de mentalidade.

‘Quando tudo isso terminar, vou descansar uns dez dias e depois vou retomar à luta’, disse Roberto Medina. ‘Quero que Por um Mundo Melhor seja o lema da minha vida.’

O americano James Taylor, atração internacional da primeira noite do festival, disse ao Estado esta semana que o primeiro Rock in Rio, em 1985, foi responsável por uma grande guinada em sua carreira. ‘O mais extraordinário foi andar pelo palco e ver aquelas 250 mil pessoas lá embaixo’, disse Taylor, que deve lançar um disco de canções inéditas na metade do ano.

Já o cantor Sting, que está no Brasil desde o réveillon afirmou que vai fazer o mesmo show com o qual já excursiona há 18 meses e que tem como base o seu disco de 1999, Brand New Day. Amigos de longa data, Sting e Taylor têm canções juntos nos dois discos mais recentes de ambos e pode ser que façam aparições um no show do outro.

Pronta, a Cidade do Rock impressiona. Ocupa uma área de 250 mil metros quadrados com150 mil metros quadrados de grama, uma área coberta de 25 mil metros quadrados. Possui um palco principal e quatro tendas especiais para shows, dois shoppings, praças de alimentação, 900 banheiros e, ainda, cyber espaços para os internautas.

A Tenda Eletro pretende ser uma praça de espetáculos durante o dia e um grande clube à noite, onde se apresentarão 14 DJs nacionais e 9 DJs internacionais , além de grupos circenses. Virão DJs como José Padilla (‘O Rei da noite em Ibiza’); Kook Herc, um dos pioneiros do hip-hop; Ferry Corsten, especializado em trance; Fabio, um dos papas do drum'n'bass; e George Morell - um dos mais versáteis produtores da cena house nova-iorquina, que chega no dia 19.

O festival, que custou cerca de US$ 26 milhões, propiciará negócios no montante de R$ 450 milhões e já é considerado um sucesso pelo seu promotor, Roberto Medina, que conseguiu fechar todo o patrocínio para a realização da jornada. A segurança do evento terá policiais desarmados, em atendimento ao espírito de pacificação proposto pelo tema do evento."



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