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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 15/01/2001
ASPAS
POLÊMICA N’O GLOBO
Carta dos leitores - O Globo
"Defesa da Tortura", copyright O Globo, 10 e 11/01/01
Dia 10/01/01
"O filósofo Olavo de Carvalho não defendeu a tortura, como quer Marcio Moreira Alves (‘Defesa da tortura’, 9/1), mas apenas a comparou com o terrorismo, condenando ambos e manifestando espanto com a ausência de reprovação aos que cometeram atos terroristas. A perplexidade do filósofo é perfeitamente justificável: afinal, se se trata de crimes hediondos, não há razão para se execrar apenas os torturadores, enquanto que pessoas que roubaram, mataram e sequestraram gozam hoje de prestígio e altos cargos na administração pública. Marcio Serra (por e-mail, 9/1), Niterói, RJ
Foi com satisfação que li a coluna de Marcio Moreira Alves (‘defesa da Tortura’), comentando o inacreditável artigo de Olavo de Carvalho, publicado no último Sábado, em defesa da tortura e dos torturadores. Agradeço ao Marcio por expor com coragem, em sua coluna, e execrável que é a defesa da tortura, em um país em que os presos comuns ainda sofrem cotidianamente a violência dos aparatos de segurança pública do Estado. Saudades dos autênticos filósofos e intelectuais de direita. Atila Roque (por e-mail, 9/1), Rio
O sr. Marcio Moreira Alves retruca com sofismas o artigo ‘Tortura e terrorismo’, do Sr. Olavo de Carvalho. Não há dúvidas de que os grandes vencedores daquele período foram as forças efetivamente democráticas e não os terroristas de esquerda que desejavam implantar uma ditadura do proletariado. Depois, como escreve o sr. Olavo: ‘quem comete delito mais grave: o sujeito que coloca uma bomba em lugar público, despedaçando transeuntes inocentes, ou aquele que dá uma surra em quem fez isso?’ Lauro de Castro (por e-mail, 9/1), Rio
A discussão sobre a tortura durante o regime militar já está ficando chata. Torturou-se durante aquele período, como não há duvida tortura-se no Brasil até hoje. Naquela época, torturaram-se terroristas e criminosos políticos., enquanto hoje torturam-se suspeitos inocentes e criminosos comuns. A grande diferença: os torturados de outrora são hoje cidadãos proeminentes e dirigentes da República, e consequentemente são lidos e ouvidos; os torturados de hoje são pessoas humildes para quem a sociedade em geral, e os torturadores de ontem em particular, pouco ligam. Deixemos pois de hipocrisias, utilizemos o nosso passado para a única coisa que serve, ou seja, como lição; e preocupemo-nos mais com o presente e o futuro. A. Leonardo de Almeida Moura da Costa (por e-mail, 9/1), Niterói, RJ
Não encontrei na lúcida e brilhante crônica do filósofo Olavo de Carvalho, nenhuma defesa da tortura. Apenas ele estabelece uma hierarquia racional, pois não se concebe que o terrorista Zaratini, que colocou uma bomba no Aeroporto de Guararapes, matando, mutilando e ferindo mais de uma dezena de pessoas, seja considerado herói e agraciado com cargos públicos, enquanto aquele que é citado, sem nenhuma prova, em um livro que relaciona pseudotorturadores, seja execrado. Pedro Paulo Rocha (por e-mail, 9/1), Rio
O filósofo Olavo de Carvalho, em artigo intitulado ‘Tortura e terrorismo’, defendeu a tese de que o terrorismo é um crime hediondo, mais perverso do que a tortura. Um tema polêmico como este certamente provocaria reações dos leitores mais atentos do jornal. Entretanto, o que não é comum é verificar-se, no contexto dessas manifestações, a contradita apaixonada de um outro colunista, do mesmo jornal. Refiro-me ao artigo do jornalista Marcio Moreira Alves. Qual a razão para um ataque de ordem pessoal a um colega? Carlos Souza Scheliga (9/1), Rio
Quem comete delito mais grave: o sujeito que espanca uma pessoa incapaz de se defender, ou o que, por absoluta falta de opções e desespero, arrisca-se a ferir seus próprios pares em um atentado terrorista? Silogismos são fáceis e preferíveis quando queremos defender nossas opiniões, mas o sr. Olavo de Carvalho faz do seu estudo ressentido uma agenda de defesa do seu próprio clube. Infelizmente, para ele, a qualidade de um silogismo está na verossimilhança de seus raciocínios, e os presentes no seu artigo carecem dessa qualidade. Paulo Alípio Sudério Rodrigues (por e-mail, 9/1), Niterói, RJ
Parece que o artigo do sr. Olavo de Carvalho finalmente fez surgir o grupo de pessoas que acha que terrorismo é forma natural de oposição a um regime, tanto que foi objeto de anistia entre nós, enquanto a repressão àqueles atos criminosos deve continuar sendo perseguida, porque acham que a violência podia ter sido contida dando a outra face. Houve quem, desse grupo, por engano, citasse o método desenvolvido pela Alemanha como um dos mais eficientes. Talvez; numa mesma madrugada, em diferentes prisões de segurança máxima, os três lideres do Bahder-Meinhoff ‘suicidaram-se’ com tiros de pistola na nuca. Falou-se durante uma semana, pelo mundo todo. Hoje ninguém se lembra mais. Ah, a propósito: embora estivessem dentro de suas celas, as famílias deles não foram indenizadas. César Augusto N. de Souza (por e-mail, 9/1), Rio
Muito boa a exposição de Marcio Moreira Alves acerca do artigo infeliz do filósofo Olavo de carvalho. É inútil fazer da tortura e do terrorismo bandeiras ideológicas antagônicas, uma vez que ambas foram e são praticadas com desenvoltura por diversos regimes de diferentes doutrinas. Estes dois crimes só ocorrem em lugares onde a democracia passa ao longe, e a defesa de um em detrimento do outro é pura hipocrisia. Gustavo Rocha Fonseca (por e-mail, 9/1), Rio
A seção de cartas no dia 9 mostrou como fica a mente humana após anos e anos de doutrinação. As pessoas lêem uma coisa e mecanismos introduzidos em sua mente fazem com que elas entendam outra. Em nenhum momento pude encontrar no texto do sr. Olavo de Carvalho uma linha sequer fazendo apologia da tortura. Ele criticava o fato de militares que agrediram física, mas levemente, alguns presos terem sido colocados no mesmo patamar de torturadores que cometeram atrocidades inomináveis. Claudio Rodrigues (por -email, 9/1), Rio"
"Dois Horrores" Dia 11/01/01
Comparar terrorismo a tortura, ou vice-versa, é um absurdo filosófico. Estabelecer juízos de valor sobre qual dos dois horrores é pior, é um absurdo maior ainda. Afinal, terrorismo é uma forma de tortura, e tortura é uma forma de terrorismo. Para a democracia, são sinônimos. Hilário Estanislau Jakobskind (10/1), Rio
É inacreditável a desonestidade do artigo de Marcio Moreira Alves a respeito do texto de Olavo de Carvalho sobre as diferenças entre tortura e terrorismo. É claro que Moreira Alves sabe muito bem que ali não se fez qualquer apologia ou defesa da tortura. Mas como o que interessa não é esclarecer e sim tumultuar sempre que alguém de fora dos quadros da esq2uerda e4screve, vale tudo para confundir. Sandro Guidalli (por e-mail, 10/1), Rio
O raciocínio de Olavo de Carvalho, em ‘Tortura e terrorismo’, pareceu-me ardiloso. O filósofo parece ter tentado nos enganar assim: escolheu um crime social que pudesse nos parecer mais hediondo que tortura; afirmou que os homens de esquerda enaltecem o terrorismo; concluiu algo como ‘quem gosta de terrorismo não pode reclamar de tortura’; tudo isto para defender o emprego de antigos colaboradores do regime militar. Ora, basta destacar que tortura é crime hediondo, pouco importando se sequestro, estupro e terrorismo também o sejam, para desnudar a farsa. Job Rodrigues Teixeira Junior (por e-mail, 10/1), Rio
O artigo ‘Defesa da Tortura’, de Marcio Moreira Alves, é uma obra rara de confusão e da desinformação intencionais. É mais que evidente que Olavo de Carvalho não fez nenhuma defesa da tortura. Apenas disse que, de acordo com a escala aplicada ao julgar os torturadores, que são normalmente alvo de execração pública à mera suspeita de envolvimento com esse crime, os terroristas mereceriam condenação muitas vezes maior. O artigo de Olavo de carvalho é uma chamada de atenção para a gravidade do crime de terrorismo - o que não implica, de forma alguma, a diminuição da gravidade de quaisquer outros crimes. Marcelo de Polli Bezerra (por e-mail, 10/1), Rio
Apreciei demais a coluna de Marcio Moreira Alves do dia 9. Quando O GLOBO começou a publicar os artigos assinados pelo desconhecido Olavo de Carvalho, pensei tratar-se de algum heterônimo de outro autor, um novo Agamenon Mendes Pedreira, mais voltado para o humor negro. Entretanto, à falta de humor, mesmo negro, excluí algum dos componentes do grupo Casseta e Planeta. A agressividade, a rudeza do estilo fizeram-me pensar que Carlos Lacerda estaria se manisfestado através de Chico Xavier ou similar, mas depois do artigo ‘Tortura e terrorismo’ acho que matei a charada: é o delgado Sergio Fleury que está baixando nalgum centro e se assinando Olavo de Carvalho. Sergio Lucio de Miranda (por e-mail, 10/1), Rio
Não vi nenhuma apologia à tortura no artigo do filósofo Olavo de Carvalho, mas sim um corajoso alerta sobre o sistemático endeusamento de terroristas e a implacável caça as bruxas do regime militar, sejam eles torturadores ou não. Sempre questiono por que Pinochet é tão execrado e Fidel Castro é tão elogiado pelas esquerdas, quando sabemos que o úlçtimo executou sumariamente um número muito maior de pessoas. Sonia Paiva (por e-mail, 10/1), Rio
Excelente o artigo ‘Tortura e terrorismo’, de Olavo de Carvalho. Pela primeira vez é feita uma comparação entre terrorismo e tortura, alertando aos leitores, que poderão sem dúvida alguma conhecer a verdadeira história das décadas 60/70 e não a que é divulgada por certa imprensa a favor de revanchistas, sequestradores, terroristas e assaltantes. Carlos Claudio Miguel (10/1), Belo Horizonte, MG
Li e reli os artigos e as cartas e , se não me engano, há um consenso fundamental: nem o terrorismo nem a tortura foram defendidos por pessoa alguma, articulista ou leitor. Pelo contrário: todos expressam repúdio aos dois crimes e um desejo de punição justa para os criminosos. Punição justa: nem branda nem excessiva, mas adequada ao crime específico, objetivo. Pedro de Albuquerque Maranhão (por e-mail, 10/1), Rio
Talvez acusem os termos que uso de rateiros como resposta a argumentos que se pretendem ‘filosóficos’. Diria que indignidade é tentar usar a filosofia para defender a tortura. O que o artigo deste escriba dos sábados causa em mim é só asco e repúdio veemente. É falso, logicamente, ao tentar distinguir tortura e terrorismo e aplicar graus à primeira, absolvendo-a como ‘branda’; e distorce os fatos, atribuindo o terrorismo aos opositores dos governos militares, quando era o Estado que o permitia e o sustentava. José Novaes (por e-mail,9/1), Rio
O artigo ‘Tortura e terrorismo’, do filósofo Olavo de Carvalho, desmistifica as inverdades, já há muito divulgadas pela mídia, numa insidiosa e nefasta campanha com o apoio de uma facção dominante da imprensa, hoje no poder. O sinal dado pelo corajoso filósofo é altamente significativo e serve de aviso para os membros da esquerda delirante, ainda influentes e se comportando como se fossem eternos em suas posições. Sergio Martins Vianna (por e-mail, 10/1), Rio
As cartas sobre as opiniões do filósofo Olavo de Carvalho, na polêmica questão da tortura, ou métodos afins, contra terroristas convenceram-me de que as pessoas já não sabem ou não querem pensar. Todas insistiram, de um modo geral, em comparar atos terroristas e torturas exercidas por policiais. Não podemos aprovar o terrorismo, embora possamos entendê-lo em circunstâncias políticas especialíssimas, como não podemos perdoar métodos de tortura em presos políticos e comuns. Ambas as práticas são condenáveis, mas a direita justifica a tortura e a esquerda justifica o terrorismo. Precisamos de coragem moral para dizer não às duas práticas. Quem as terá, se todos estão politicamente comprometidos com suas posições ideológicas? Marco Aurélio Chaudon (por e-mail, 10/1), Rio"
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