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OBSERVATÓRIO NA TV
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000
OBSERVATÓRIO NA TV
TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
Você pode participar ao vivo
DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 221-0566
E-mail: obstv@tvebrasil.com.br
DOS TELESPECTADORES
E-MAILS
Antonio Antunes
Hoje vocês debaterão a neurose coletiva criada não pela imprensa escrita, mas tão somente pela imprensa televisada, que tem o poder de proceder a lavagens cerebrais. Abaixo apresento um caso concreto de neurose criado pela televisão.
Quando falamos em mídia no Brasil, pensamos imediatamente na todo-poderosa Globo. E é um fato que quase todos os proprietários de veículos no Brasil vivem uma neurose em virtude da propaganda enganosa e tendenciosa feita pela TV Globo, ao afirmar que a quase totalidade da gasolina vendida no país é adulterada. Alguns jornais também acompanharam este tipo de manchete. Mas o jornal é um informativo pago. Logo, a maioria de seus leitores já têm uma opinião formada, e portanto é imune ao vírus global. Lamentavelmente as outras emissoras de televisão, talvez por se acovardarem, jamais contestam dados do sistema global. A Globo, no afã de defender as grandes distribuidoras de derivados de petróleo e conseqüentemente desmoralizar as pequenas distribuidoras, declarou que 75% da gasolina vendida no Brasil são adulterados. Um grande absurdo, porque as pequenas distribuidoras têm apenas 20% do mercado. Nessas condições, obrigatoriamente, 55% das fraudes teriam que vir das grandes distribuidoras. Quando viram a sandice, se calaram por alguns dias.
Cristiano Henrique Ribeiro
Rio de Janeiro
No livro "Claros e Escuros", do professor Muniz Sodré, o autor diz que a mídia não se compromete com as "causas verdadeiramente públicas nem com a afirmação da diversidade da população brasileira". Gostaria que o Sr. falasse sobre este distanciamento em relação aos negros e as suas manifestações culturais e religiosas.
Zeca
É claro que a mídia tem grandes responsabilidades com o mal-estar em que vivemos. Aliás, se considerarmos este mal-estar como conseqüência da alienação, da desinformação, da falta de senso crítico, de capacidade de pensar e discernir chegamos ao papel atuante da mídia: alienação das pessoas. E pensar que todo este veículo poderia ser usado para criar seres pensantes, mas cria sim seres gastantes. Julga-se só pelo que se vê e mais nada. Nada de crítica, nada de oposição. O modelo midiático torna-se o modelo de vida.
Rafael Balarotti
Acadêmico de Direito, Londrina / PR
Sabemos que na atualidade a mídia edita regras e normas, quebrando fronteiras, igualando costumes e modificando tradições, evidentemente tudo isso é absorvido diretamente pela sociedade em geral, que de fato está despreparada para tamanha manipulação. Dessa forma, qual a solução encontrada para, por exemplo, a atual banalização do sexo, principalmente entre os jovens, que cada vez mais se agrava, tornando o "ser humano" apenas um objeto de consumo?
Marco Antonio Nogueira Rodrigues
Sorocaba / SP
Freud descobriu o inconsciente. Seu precursor, Jung, descobriu o "Inconsciente Coletivo". Eu, agora, faço registro do "Inconsciente Coletivo Dopado". Digo isso porque o homem, que se diz moderno e evoluído, idolatra e se espelha nas pessoas de artistas, corredores de carros, jogadores de futebol etc. Sempre à procura de fantasias. Dopados estão, porque pensam os brasileiros como pensam os americanos, que repassam aos japoneses e europeus, que depois devolvem aos brasileiros que depois emprestam aos africanos, que repassam para poucos islâmicos e, da sobra, ainda consomem outros insanos. O homem há muito abandonou a si, pois vive iludido por um mundo material e moderno, que ainda não superou a doença e a infelicidade, simples reflexos de suas próprias atitudes. O homem assumiu o "Inconsciente Coletivo Dopado", e já está evoluindo para o "Inconsciente Coletivo Alucinado" e, a seguir, o "Endemoninhado". E depois só Deus sabe onde vai parar. Não haverá evolução se o homem não voltar a si para descobrir o que é consciente e separá-lo do inconsciente e descobrir que não é mais doente. Finalizando: "Jesus veio ao mundo para guiar os que vêem mas não enxergam; e os que escutam mas não ouvem..."
José Eduardo Saladini
Londrina / PR
Parabéns, antes de tudo, pelo tema de elevado nível, confesso que não esperava vê-lo na TV. Gostaria de contribuir lembrando que a eficiência da mídia nos dias de hoje é muito maior do que se pensa, e que a origem de seu sedutor conhecimento está nos laboratórios de psicologia. Laboratórios estes que produzem conhecimento que psicólogos usam com extremo critério ético por todo o mundo, e que a mídia também usa sem este compromisso com a saúde mental, mas sim com o compromisso ideológico das regras de mercado.
Molina Vasco Milanez
Assisti ao Observatório da Imprensa pela primeira vez na última terça, 28/11, e já deu para pensar por este programa inteligente e útil, que nos amplia o criticismo. O tema de então foi se a mídia estaria alimentando o sentimento de mal-estar coletivo. Parece que faltou um certo ar conclusivo – não sei se é do estilo do programa –, um "para onde nos leva essa conversa". Alguns dos participantes deram seu entender de que a mídia continuará com essa linha, até mesmo porque isso corresponde aos interesses dos telespectadores, mesmo que um interesse inconsciente. Mas... a própria pesquisa do programa e inclusive o que se ouve das pessoas demonstra uma insatisfação, consciente, com essa neurose "midiática".
Ora, isso parece afirmar o fato de que a dita cuja não busca simplesmente atuar levando em conta os desejos dos telespectadores, mas sim trabalha valorizando certos hábitos, maneiras de pensar e valores equivocados, que rolam pelo mundo atual, despreocupados, e que apenas a determinados grupos favorecem. Se assim não fosse, por que então não passam a trabalhar com aquilo que gera bem-estar, que satisfaz às aspirações de cada um, e ainda repercute em diversas outras articulações da sociedade, como educação, justiça e cidadania? Até mesmo porque o público que tem manifestado insatisfação é justamente sua clientela-alvo, aquela que tem poder aquisitivo para gastar com os produtos da mídia. Pontos a ponderar... Recebam os parabéns de uma nova telespectadora.
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