QUALIDADE NA TV

ÚLTIMA HORA – Atualizado em 15/01/2001


ASPAS

CINEMA BRASILEIRO
Daniel Castro

"Projeto obriga emissoras a exibir filmes nacionais", copyright Folha de S. Paulo, 10/01//01

"Um projeto de lei apresentado em setembro tem tudo para encalhar na Câmara dos Deputados, mas deve dar o que falar. Sob o pretexto de proteger o país da ‘invasão cultural’, o projeto, do deputado federal Aldo Arantes (PC do B-GO), obriga as TVs abertas a exibir pelo menos um filme nacional por semana. E exige que os canais pagos de cinema exibam um longa brasileiro por dia.

A proposta está sendo analisada pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. Apesar de ser uma bandeira de boa parte dos produtores cinematográficos nacionais, é pouco provável que seja aprovada nos termos originais.

Emissoras de TV ainda não comentam o assunto, mas, em princípio, elas sempre são contra leis que ‘engessam’ a programação.

Hoje, só a Cultura (que tem uma sessão de filmes nacionais, aos sábados) e o Canal Brasil poderiam cumprir essa ‘cota de tela’. Festivais como o que a Globo exibiu na semana passada são raridade.

Além disso, a produção nacional não seria suficiente para a exibição de 52 filmes inéditos por ano. Em 2000, foram lançados 28 longas brasileiros. Em 99, 34."

 

Sandra Seabra

"Tevês abertas concluem que cinema brasileiro dá audiência", copyright Jornal da Tarde, 8/01//01

"Depois da Globo, que exibiu produções brasileiras na semana passada, é a vez da TV Bandeirantes apostar no filão nacional exibindo Doida Demais, filme com Vera Fischer, hoje, às 23 h, dentro da programação especial chamada Festival de Cinema Brasileiro. A Band aproveita o bom momento da atriz no papel de Helena, em Laços de Família, para abrir seu festival que também exibirá, sempre às segundas, os filmes Quem Matou Pixote, de José Joffily, Como Nascem os Anjos, de Murilo Salles e Dias Melhores Virão, de Cacá Diegues.

Sueli Valente, a gerente de programação da emissora, afirmou que exibir filmes brasileiros sempre deu certo comercialmente. Uma boa experiência foi a série de programas Made in Brazil, que esteve no ar de 1984 a 1996.

O que pode atrapalhar esses planos, segundo ela, é a exigência da emissora quanto à qualidade técnica e artística dos filmes, além da falta de títulos disponíveis no mercado. A escassez é tanta que a gerente pede para que as produtoras interessadas entrem em contato com a emissora, caso tenham filmes para ser comercializados.

O que é de quem A afirmação soa estranha diante da eterna reivindicação dos cineastas de mais espaço na telinha. Sueli afirma que a presença do Canal Brasil (canal da tevê paga especializado em cinema brasileiro) no mercado vem inviabilizando o fechamento de contratos. ‘O Canal Brasil estaria comprando os filmes para as duas janelas, tevê paga e aberta, para poder exibir, também, na TV Globo, que pertence ao mesmo grupo’.

Alexandre Cunha, gerente de programação do Canal Brasil, nega que os filmes sejam comercializados para a tevê aberta também. ‘Realizamos contratos apenas para exibição no Canal Brasil. Um filme comprado por nós tem contrato de um ano. Depois desse prazo, como é de praxe em todo o mercado, o filme pode ser adquirido por qualquer canal da tevê aberta’. Mas há flexibilidade nesses contratos. O filme Como Nascem os Anjos, por exemplo, tem os direitos de exibição do Canal Brasil, mas está na programação da Band: ‘ Ainda não negociamos esse caso, mas quando há uma oportunidade na tevê aberta, o produtor conversa com a gente, nós podemos ceder e negociar uma contrapartida’, afirma.

A bela - Do cineasta Sérgio Rezende, Doida Demais foi rodado em 1989 e traz Vera Fischer interpretando a sensual Letícia, uma falsificadora de quadros, que atua com a cumplicidade de Noé (José Wilker), seu ex-amante. Ela se apaixona pelo piloto Gabriel (Paulo Betti) e começa a aventura que justifica o nome do filme. As aventuras se passam no Rio de Janeiro, interior da Bahia e na Amazônia. O filme foi vencedor de quatro prêmios no Festival de Gramado daquele ano.

Depois de trabalhar com Vera Fischer, o diretor Sérgio Rezende, acostumado com belas formas vistas através de sua lente, rendeu-se: ‘ela é a mulher mais linda do Brasil’."



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