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QUALIDADE NA TV
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 15/01/2001
ASPAS
FÁBIO JR. & ADRIANE GALISTEU
Joaquim Ferreira dos Santos
"O coroa e a gatinha", copyright no. (www.no.com.br), 12/01/01
"As garotas já ficaram em todas as posições na banheira do Gugu. Não chocam mais. O Ratinho já levou ao ar todas as atrocidades físicas e morais. O ibope anda caindo. Como apelar? A televisão americana acabou de inventar um game show que testa a fidelidade do casal. Um dos parceiros fica trancado em algum lugar paradisíaco com uma supermodelo-atriz-e-manequim. As câmeras apenas registram até onde vai a dedicação amorosa ao cônjuge que ficou em casa. Dará audiência? Desde que Clinton fez o que fez no salão oval da Lewinski, e ficou por isso mesmo, não sei não. Trair e coçar é tudo o mesmo café pequeno. Se do outro lado do ringue estiver uma similar da Giselle, que patroa moderna não relevaria em troca de detalhes que esquentassem a noite de logo mais? O mundo mudou, todos de acordo, mas, péra aí, vamos com calma.
Adriane Galisteu, que já abriu incontáveis apartamentos aos repórteres das revistas de personalidades, que já escreveu sobre as lições de vida que tirou com a passagem do saudoso Senna por sua vida, pois esta mesma Galisteu inventou uma nova pornografia televisiva em seu show diário, às 21h30, na Record. Ela veio pelo avesso, não no sentido clássico da pornografia que mexe com a sexualidade. Se o drama do patético não choca mais, vamos agora pelo drama da felicidade. Dri, como é chamada pelos íntimos que entrevista, revelou ao Brasil esta semana o amor de Fábio Jr, 48 anos, e Patrícia de Sabrit, 24. Os números são apenas uma curiosidade jornalística. Todo homem tem o direito inalienável de pegar moças com a metade de sua idade. Acontece. A nova pornografia é o exibicionismo da felicidade íntima que o país foi obrigado a ouvir:
- A coisa está fluindo tão bem, não é, amooorrr? - suspirava Patrícia, no sofá de Dri.
- Graças a Deus, amooorr - respondia arfante Fábio, pelo telefone.
Os travesseiros, como se sabe, foram feitos para isso. Os travesseiros de pluma de ganso, um dos modismos da classe média carioca, mais ainda: servem exatamente para não deixar vazar um centímetro além os arrulhos amorosos feitos na cama. Preservar a intimidade não é só impedir a divulgação das cenas de seu ato sexual ou do momento em que se escavuca o nariz atrás de alguma sujeira. As manifestações de felicidade, as entonações da fala amorosa, o código doméstico, tudo isso também faz parte da coleção de nossos itens íntimos. Depois, no entanto, que os artistas começaram a dar entrevistas falando de suas posições sexuais preferidas e posam para Caras lendo Brian Weiss na banheira, os limites da intimidade explodiram. Ninguém fica mais vermelhinho, ninguém conjuga mais o verbo pudor, muito menos seu parente mais próximo nos assuntos do amor próprio, o delicioso pundonor.
Ficou-se sabendo, por exemplo, na noite de terça-feira, 9 de janeiro, que o casal Fábio e Pat passaria a lua de mel na Austrália.
- Dizem que tem um canguru perneta muito interessante lá - disse Fábio Jr., que acabou de brigar com uma revista que o identificou como compulsivo sexual.
- Ah, amooorrr, podia passar sem essa - respondeu Pat, esforçando-se, sem sucesso, para ruborizar como alguma moça do interior de Bauru.
Juras de felicidade eterna em tatibitate langoroso, o momento mágico em que a coisa começou a fluir, a ciumenta Pat já dizendo que Fábio não vai ter despedida de solteiro, a esposa Pat anunciando que vai mexer na decoração do sítio dele, um ar de quem vai chorar no próximo amorrr que o outro disser. Enfim. Vou poupá-los, amáveis webleitores, de precisar clicar com o botão da direita do mouse para aparecer aquele providencial saquinho de enjôo na tela.
Alguns se espantam com o fato de ser o quinto casamento de Fábio e o anúncio de casório, para fevereiro, acontecer já dois meses depois de iniciado o namoro. Outros acham suspeito o fato de os dois súbitos pombinhos fazerem parte do cast da própria Record, uma emissora que andou investindo pesado no cast, mas com resultados discretos na audiência. Poderia ser tudo uma estratégia de showbizz em sua mais feroz brutalidade. A exploração do caso, com exclusividade, geraria bom ibope (quanto a novos filhos, Fábio, que já tem quatro, foi constrangedoramente reticente). De qualquer maneira, é o novo sensacionalismo dos canais populares. O Gregori está implicando com nudez e violência? Muda-se de escândalo. Abre-se a porta do quarto para os verbos açucarados da paixão amorosa do coroa e a gatinha siliconizada. Antes você tinha que colocar o ouvido na parede e tentar ouvir o que era sussurrado na cama do vizinho. Coisa do passado. O casal agora vai para a televisão e deixa fluir o canguru perneta que há nele. Quando os pratos começarem a voar, fique frio e nem se incomode em chamar o 190 da polícia: você vai ouvir os placts e os plocts da quebradeira pela Rede Record."
UM ANJO CAIU DO CÉU
Folha de S. Paulo
"Novela ‘Um Anjo Caiu do Céu’ é cortada para poder entrar no horário das 19h", copyright Folha de S. Paulo, 11/01/01
"Antonio Calmon, o autor de ‘Um Anjo Caiu do Céu’, a próxima novela das 19h da TV Globo, precisou cortar uma cena do primeiro capítulo para que ela pudesse ser classificada para o horário pelo Ministério da Justiça. A novela estréia dia 22 de janeiro, substituindo ‘Uga Uga’, atualmente no ar.
A cena, considerada violenta, mostraria a personagem de Chris Couto, uma espiã neonazista, vestida de atiradora de elite, com uma máscara ninja. ‘Ficou delicado fazer novela para horário livre’, lamentou Antonio Calmon.
A secretária Nacional de Justiça, Elizabeth Sussekind, disse que não houve qualquer pedido do ministério para cortar a cena.
‘Isso é exagero. A novela estava classificada para maiores de 12 anos, no horário após as 20h. A Globo entrou com um recurso. Eles trouxeram outra sinopse. Esta foi aprovada para as 19h (horário livre). Não pedimos nem apontamos qualquer cena para ser cortada. Eles é que tiraram o que já deveriam saber que é impróprio para a programação livre’, disse Sussekind.
Reunião em Brasília
O autor Antonio Calmon afirmou que foi chamado para a reunião no Ministério da Justiça, em Brasília. ‘Achei estranha essa convocação. Mas o papo foi agradável. Disse para eles que estava me sentindo no Irã’, contou o autor, citando o país do Oriente Médio, marcado pela censura.
Calmon lembrou que nem na época em que escreveu o seriado ‘Armação Ilimitada’, no qual o personagem de Andrea Beltrão namorava dois surfistas e dormia com os dois, passou por situação semelhante.
O diretor da Central Globo de Comunicação (CGCom), Luís Erlanger, disse que não houve uma convocação do ministério.
‘A entrega de sinopse para a classificação é rotina. Por iniciativa própria é que a Globo achou melhor que o autor (Antonio Calmon) fosse a Brasília prestar os esclarecimentos’, disse Erlanger.
O diretor da CGCom ressaltou, no entanto, que a Rede Globo é totalmente contra a portaria 796, que estipulou em setembro certos horários da programação da TV a faixas etárias.
Baseado nesta portaria, o Ministério Público do Rio entrou com uma ação na Justiça, obrigando a exibição da novela ‘Laços de Família’ após as 21h.
A publicação em ‘Diário Oficial’ da classificação da novela ‘Um Anjo Caiu do Céu’ para a faixa das 20h ocorreu em 11 de agosto, portanto antes da criação da portaria. Mas o recurso da Globo para que ela fosse exibida em horário livre veio em 11 de setembro, três dias depois da portaria 796."
"CNN CHINESA"
Mark Landler
"‘CNN chinesa’ cresce na corda bamba", copyright O Estado de S. Paulo / The New York Times, 10/01//01
"Perguntem a Liu Chang Le se ele aspira a ser o Ted Turner da China, que ele ri. Mas a comparação é apropriada. Em 1.º de janeiro, a companhia de Liu, Phoenix Satellite Television, abriu o primeiro canal noticioso em língua chinesa que transmite 24 horas por dia, de Hong Kong para a China continental, via satélite. Com seus parcos recursos e enormes ambições, o Phoenix Info News Channel parece uma CNN chinesa.
Talvez Liu ache engraçada a comparação com Turner porque seu sócio é Rupert Murdoch, magnata que ajudou a lançar o Phoenix Chinese Channel original em 1996 e é arquiinimigo de Turner. Mais provavelmente, Liu sabe que a vida como figurão da mídia na China é diferente da vivida em Atlanta.
Em 1999, o Chinese Channel esteve a um passo de perder sua distribuição na China, quando as autoridades do continente tentaram proibir a recepção ilegal de sinais de radiodifusão estrangeiros. Mas o canal voltou a cair nas boas graças das autoridades quando deu cobertura ao bombardeio, por engano, da embaixada chinesa em Belgrado, pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A cobertura teve um ardor patriótico que superou até a dos órgãos noticiosos comunistas mais ferrenhos.
‘É preciso fazer a média entre a liberdade de imprensa e o mercado’, disse Liu, um homem corpulento e confiante que já foi soldado no Exército Popular de Libertação e trabalhou como locutor na Rádio Central Popular. O mercado neste caso são o público chinês de TV, ávido de notícias, e o governo chinês, que considera certos tipos de informação uma ameaça à segurança nacional.
Há cinco anos Liu anda na corda bamba - oferecendo aos 42 milhões de lares que podem receber o Phoenix um programa diário de notícias que não ofenda o governo de Pequim. Agora ele precisa fazê-lo 24 horas por dia. ‘É uma tarefa difícil’, disse Yang Lan, ex-animadora de programa na Phoenix que saiu para abrir uma companhia de TV dela própria. ‘O risco político das notícias é maior que o de qualquer outro tipo de programação.’
Liu, de 48 anos, cultiva estreitas ligações com os líderes em Pequim. Isso, assim como os anos que ele passou numa rádio estatal, lhe deu fina sensibilidade para perceber os melindres do governo. Liu desenvolveu um tipo de política para fazer malabarismos com certas notícias. ‘Quando algo é muito melindroso, não informamos nada’, disse Liu. ‘Pelo menos não mentimos.’
Toda vez que Liu visita os EUA, onde tem duas filhas na faculdade, fica impressionado com o número de canais noticiosos a cabo. Um deles, o Fox News, pertence a Rupert Murdoch, sócio de Liu por meio da Star, serviço asiático de TV via satélite da News Corp.
A Star e Liu abriram o Phoenix Chinese Channel como joint venture em 1996. A companhia, com matriz em Hong Kong, passou depois a ter um canal de filmes e canais em língua chinesa voltados para a Europa e América do Norte. Como Hong Kong é uma jurisdição legal independente do continente, a Phoenix é considerada emissora estrangeira pela legislação chinesa.
Hoje, Liu e a Star têm, cada um, 38,25% da Phoenix, embora o pessoal da Star diga que Murdoch desempenha só um papel pequeno nela. O Banco da China tem 8,5%, ao passo que os restantes 15% pertencem ao público.
Em junho, a Phoenix foi registrada na bolsa de valores Hong Kong equivalente à Nasdaq dos EUA. Desde então o valor de suas ações dobrou, pois os investidores estão encantados com o vasto mercado de televisão chinês e com o faturamento do canal, em rápida expansão.
O Phoenix Chinese Channel, principal divisão da companhia, oferece um misto de filmes, esportes, concursos, notícias e documentários. Dá preferência a animadoras de programas ao vivo, muitas delas procedentes de Taiwan. Uma de suas estrelas, Wu Xiaoli, tornou-se celebridade na China em 1998 quando declarou ao primeiro-ministro Zhu Rongji numa entrevista coletiva que ele era seu ídolo. Jornalistas do continente nunca se dirigem a seus líderes nesse tom leviano. Mas Zhu pareceu deliciar-se e respondeu que era fã do programa dela. Esse gracejo consolidou a reputação do Phoenix como canal que se sai bem de situações difíceis. Liu continuou testando os limites da tolerância de Pequim. No ano passado, fez a cobertura da eleição em Taiwan, embora a China desse pouca importância ao pleito no que considera província chinesa separatista."
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