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QUALIDADE NA TV
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 15/01/2001
ASPAS
HISTÓRIA / REDE GLOBO
Antonio Carlos de Faria
"Projeto Memória faz auto-retrato da Globo", copyright Folha de S. Paulo, 6/01//01
" Ao completar 35 anos de sua rede de TV, as Organizações Globo resolveram escrever a própria história, abordando fatos ocorridos a partir de 1911, quando Irineu Marinho, pai de Roberto Marinho, inicia a trajetória do maior grupo de comunicações do país.
O auto-retrato, chamado Projeto Memória, vem sendo construído por sete pesquisadores e dez universitários e em 2000 gastou R$ 500 mil com entrevistas, levantamento e preservação de documentos em tecnologia digital.
A equipe é coordenada pela historiadora Sílvia Fiuza: ‘Nós procuramos superar a visão empobrecedora de que os meios de comunicação são externos à sociedade e funcionam como elementos de manipulação. Para nós, eles refletem a sociedade’.
Sob esse viés, a Globo descreve o acordo firmado com o grupo norte-americano de comunicações Time-Life, em 62, como um contrato de cooperação técnica e não como uma associação comercial.
Graças a essa transação, em 26 de abril de 65, a então TV Globo Ltda. iniciava suas transmissões, ao som de ‘Moon River’, no Rio.
Entre 30 de março e 22 de agosto de 66, uma Comissão Parlamentar de Inquérito concluiu que era inconstitucional a aliança entre Globo e Time-Life, por configurar a participação estrangeira numa empresa nacional.
Apesar das contestações, o governo militar permitiu que o projeto prosseguisse. O acordo com o grupo americano durou até 71.
Personagem central dessa história, o americano Joseph Wallach, ex-diretor-superintendente da Globo, é esperado em 2001 no Brasil, quando deve ser entrevistado pelo Projeto Memória.
O projeto já ouviu 97 depoimentos, desde figuras públicas na estruturação da Globo, como José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, (Boni), até personagens como Mauro Salles, primeiro diretor de jornalismo da emissora.
Wallach chegou ao Rio em 65 para ser o homem da Time-Life no Brasil. Quando o contrato com a Globo foi desfeito, ele se naturalizou brasileiro e ficou na Globo até 80. Ainda retornou ao país para implantar a Globosat, entre 91 e 93. Seu depoimento vai figurar no livro sobre a história das Organizações Globo que está sendo preparado, mas não tem data definida para publicação.
Os planos incluem também a criação de um site na Internet.
Nele será possível navegar por uma linha do tempo, acompanhando fatos ocorridos a partir de 1911, quando Irineu Marinho fundou o jornal ‘A Noite’, que precedeu ‘O Globo’, criado em 25. Irineu morreu 20 dias após colocar em funcionamento seu segundo jornal. Foi sucedido por Roberto Marinho, então com 20 anos.
Os depoimentos e documentos recolhidos pelo Projeto Memória trazem desde bastidores de novelas até reiterações de fatos conhecidos, para os quais se busca novos enfoques de interpretação.
Um dos focos da pesquisa é o ‘Jornal Nacional’, que foi ao ar pela primeira vez em 69 e era feito sob a chancela de censores, que atuavam na sede da emissora.
Os cortes dos censores, relata Sílvia, eram feitos na edição.
O caráter oficial do telejornalismo, com o qual a emissora cunhou uma imagem de apêndice do regime militar, é contraposto às tentativas de inovação na teledramaturgia, como a novela ‘O Bem Amado’, que propunha temas políticos e sociais sob a aparência de crônica de costumes.
Essa relação com o poder teve raros lapsos de enfrentamento. O mais célebre foi em 27 de agosto de 75, quando Cid Moreira leu um editorial antes do ‘Jornal Nacional’, escrito por Roberto Marinho. Diante da audiência que já alcançava cerca de 40 milhões de pessoas, o apresentador leu o texto que explicava que a Censura Federal havia proibido a veiculação da próxima novela das 20h e exigia mudanças no roteiro.
Diante disso, a Globo preferia cancelar o projeto, e ‘Roque Santeiro’ só seria recuperada, em novo formato, dez anos depois.
O Projeto Memória ainda não entrou na fase de interpretação dos dados recolhidos. Falta dar a versão para outros momentos polêmicos, como a campanha das Diretas-Já (84), quando a Globo ignorou o início do movimento.
‘O trabalho do historiador é fazer uma reflexão sobre diversas visões do mesmo fato. No nosso projeto, não temos limitações que nos imponham apenas uma delas’, diz Sílvia."
A.C.F.
"Levantamento cataloga dados dos programas", copyright Folha de S. Paulo, 6/01//01
"Há quem duvide que o pouso do homem na Lua, em 1969, seja o fato histórico mais importante do século. Não a Globo. A cobertura do evento, feita pelo jornalista Hilton Gomes, marca o momento em que a emissora passou a ser a líder de audiência em São Paulo.
A conquista do mercado paulista foi o trampolim para a consolidação financeira do grupo. Gomes, que apresentava o Jornal Nacional, fazia parte do primeiro grupo de repórteres contratado, em 65, para a nova TV.
As imagens e a voz do jornalista sobreviveram aos três incêndios sofridos pela Globo: em 69 -em São Paulo-, 71 e 76, no Rio; e agora foram digitalizadas pelo Projeto Memória, que está preservando os acervos da TV, jornal e rádio Globo.
A mesma sorte não teve a maior parte das novelas da década de 60, muitas destruídas pelo fogo, mas também pela necessidade de reutilização de fitas e falta de condições de preservação.
Entre as cenas preservadas pelo projeto, estão trechos de ‘Fogo sobre Terra’, de 74, que, com 74 pontos no Ibope, até hoje é a novela campeã de audiência no Rio. Em São Paulo, a trama só alcançou 44 pontos, o mesmo resultado atingido pela recém-exibida ‘Terra Nostra’.
Esses dados fazem parte das tabelas estatísticas do Projeto Memória e servirão para fundamentar análises sobre os desempenhos de programas nas duas principais cidades do país.
O projeto permitirá também a catalogação de tipos de personagens mais recorrentes nas novelas, enredos mais comuns, além de mostrar a frequência de autores e atores nos produtos."
A.C.F.
"Emissora na Itália fracassou", copyright Folha de S. Paulo, 6/01//01
"‘A experiência da Tele Monte Carlo foi um fracasso’, relata, ao Projeto Memória, Roberto Irineu Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, sintetizando como foi ter uma emissora na Europa, entre 85 e 94. O resultado foi fundamental para que a direção do grupo mudasse seu modelo de gestão no Brasil.
A experiência foi uma associação entre a Globo e a RAI, TV estatal da Itália, que compraram a TV Internazionale, dona dos direitos de transmissão em italiano da programação do sistema Tele Monte Carlo, de Mônaco.
O fracasso ocorreu por erros administrativos, pelo desconhecimento do jogo político e até pela resistência da família Berlusconi, que controla o maior grupo privado de comunicação italiano.
Enquanto os investimentos na Itália degringolavam, a Globo olhava para Portugal, onde, em 92, entrou na sociedade que constituiu a SIC, primeira TV privada do país. Até hoje, a emissora brasileira mantém participação no negócio."
CLASSIFICAÇÃO & CONTROLE
Painel do Leitor - FSP
"TV", copyright Folha de S. Paulo, 9/01//01
"‘É lamentável que a portaria do governo -que permitia que as chamadas dos programas só fossem feitas nos seus respectivos horários de exibição- não esteja sendo respeitada pelas emissoras de TV. Tenho dois filhos, com 4 e 5 anos, e com eles resolvi assistir ao filme ‘Viagem Fantástica’, exibido pela TV Bandeirantes. A cada intervalo, a emissora exibia a chamada do filme ‘Doida Demais’, com cenas bem ousadas entre Paulo Betti e Vera Fischer, que seria exibido às 22h. Aqueles que dizem que basta o controle dos pais, ou simplesmente mudar de canal, provavelmente não têm filhos pequenos.’ (Walter José Galindo Decker, Santos, SP)"
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