ÚLTIMA HORA – Atualizado em 15/01/2001


IMPRENSA VENAL
Carlos Heitor Cony

"A venalidade da imprensa", copyright Folha de S. Paulo, 7/01//01

"Acusam a imprensa de venalidade. O assunto é suculento, há testemunhos, provas, isso e aquilo a favor e contra a questão. Como sempre, acredito que as duas opiniões têm argumentos fortes para uma ou outra posição.

Em linhas gerais, creio que a imprensa, no plano histórico, sempre se saiu bem, embora tenha errado em detalhes e circunstâncias. Tomando como exemplo a imprensa francesa, ela teve dois momentos simbólicos no bem e no mal.

No bem, o caso de Zola, que num artigo antológico fez reverter o caso Dreyfus. Não foi à toa que Victor Hugo, o rival mais visível de Zola, reconheceu no desafeto ‘‘um momento da consciência humana’.

Na outra ponta da corda, temos as sucessivas manchetes do ‘‘Monitor’ durante o retorno de Napoleão da ilha de Elba. Quando soube que o ex-imperador havia saído da ilha, a manchete do dia foi: ‘‘O demônio escapou do desterro’. Ao chegar a Grenoble, em marcha batida para reconquistar o poder, o jornal reclamou: ‘‘O monstro chegou a Grenoble graças a uma traição’.

Ao passar por Lyon, a manchete foi: ‘‘O usurpador tem a audácia de aproximar-se da capital, mas nunca entrará em Paris’. Dias depois, diante dos fatos, a manchete foi definitiva: ‘‘Sua Majestade, o Imperador dos Franceses, é recebido com júbilo’.

Não se deve nem se pode excetuar a imprensa da condição humana. Nenhuma instituição é vestal imaculada: Monarquias, Repúblicas, Executivos, Congressos, tribunais, igrejas, Forças Armadas, bancos (segundo Brecht, tanto faz roubar ou fundar um deles), academias -onde o homem põe a mão há sempre um ladrão, não sei se existe esse ditado, se não existe, passa a existir esse que acabo de inventar.

Venal ou não, a imprensa é necessária, inclusive para combater a venalidade de todos e de si mesma."

 

JORNALISTA TORTURADO
Miro Nunes

"Jornalistas vão ao Paraguai protestar contra tortura de colega brasileiro", copyright PanoramaBrasil, 8/01//01

"Um grupo de jornalistas brasileiros irá ao Paraguai nos próximos dias, para protestar junto ao governo daquele país contra a não identificação dos autores do atentado contra o chefe da sucursal do jornal Estado do Paraná, Mauri Konig. Ele foi espancado em 19 de dezembro de 2000 na cidade paraguaia de Mbaracayú.

De acordo com o representante do Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Paraguai, jornalista do periódico quinzenal curitibano ‘Água Verde’, Fernando Marques, um policial paraguaio identificado como Narciso Aquino, teria comandado o espancamento de Konig. Marques integrará o grupo que visitará o país vizinho.

A agressão aconteceu quando Konig apurava informações para uma reportagem sobre menores brasileiros obrigados a prestar o serviço militar obrigatório no Paraguai, explicou o editor do jornal O Estado do Paraná, Ari Silveira. ‘O Ministério Público do Paraguai já instaurou inquérito para apurar as responsabilidades’, disse Silveira.

Segundo Marques, o jornalista foi informado sobre a falsificação de registros de nascimento em alguns postos policiais, ‘para forçar adolescentes brasileiros a prestar o serviço militar no Paraguai’.

Depois de fotografar as instalações policiais onde o esquema era posto em prática, o carro de Konig foi interceptado numa estrada a 20 quilômetros de Mbaracayú.

‘Três policiais desceram de uma caminhonete Mitsubishi e em seguida agrediram Mauri de modo covarde. O nosso colega conseguiu escapar e dirigir o carro até Ciudad Del Este, onde foi socorrido’, relembrou Marques.

Atualmente 350 mil brasileiros, também conhecidos como ‘brasiguaios’ vivem no Paraguai. Segundo o representante do comitê, eles estão sofrendo perseguições entre as quais bens e terras expropriadas. De acordo com Marques, o governo paraguaio não tomou qualquer providência a respeito, apesar da denúncia feita pelo consulado geral do Brasil. ‘Até agora o governo brasileiro limitou-se a protestar, mesmo sabendo que nada irá acontecer. Com isso, os jornalistas brasileiros continuarão sofrendo risco de vida no Paraguai’, comentou Marques."



Volta ao índice

Entre Aspas – próximo texto

Entre Aspas – texto anterior



Mande-nos seu comentário




Observatório | Índice da edição | Busca | Objetivos | Purposes
Caderno do Leitor | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você