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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000
FOLHA DE S.PAULO
"Imbecilidades"
A cada dia vejo que a Folha de S.Paulo vem se tornando um jornaleco feito por jovens jornalistas que não viveram a ditadura e escrevem como se estivessem lá. Dando falsas lições de moral e praticando jornalismo sem conhecimento técnico sobre os assuntos comentados. Como engenheiro acho muito engraçado o que os "jornalistas da Folha" escrevem sobre assuntos militares.
Não vivi a ditadura, sou curioso sobre o tema tecnologia militar, e fico horrorizado com as "imbecilidades" escritas por jornalistas que acham que o importante é falar mal de militares. Eles não têm a mínima noção de que a ditadura foi feita por militares e também por civis que hoje, em alguns casos, estão de mãos dadas com o pessoal da Folha.
Wilson Silva Jr.
ÉPOCA
Aos amigos, tudo
Fico muito triste em saber que as pessoas são obrigadas a ler o que os "donos do poder" querem que leiam e acreditem. Os meios de comunicação deixam a desejar quando misturam as informações que necessitam ser passadas ao público com ideologias de uns e outros. É um absurdo essa submissão dos veículos em seguir linha editorial ditada por um político, empresário etc.
Débora Alaguera
CIRCO ROMANO
Repórteres insensíveis
Quero parabenizá-los pela matéria "Vigília hospitalar não é circo romano" [veja remissão abaixo]. Realmente, o jornalismo está extrapolando, não há mais respeito, consideração a ninguém. Será que esse sensacionalismo adoidado em torno dos sentimentos das pessoas, em caso de doenças, mortes, acidentes etc. continuará ad eternum? Acho um absurdo uma repórter num momento dramático, como o desabamento do shopping de Osasco ou a queda de um avião, perguntar "o que o sr(a) sentiu?" Será que teremos futuro ou continuaremos com essa falta de ética, de profissionalismo, de discernimento? Será que os resquícios da ditadura e esta débil democracia atual não propiciarão um dia melhor escolaridade e educação?
Teresinha T. Tarsitano
VEREDICTO
Censura pura
Caro Dines, é da conversa clara que nasce o trato justo. Muito apreciei ler no Observatório da Imprensa a sentença que condenou a Folha de S.Paulo, assegurando teus direitos [veja remissão abaixo]. Como você sabe, defendi minha tese de doutoramento sobre a censura, pesquiso o tema há muitos anos, e posso dizer com menos insegurança do que outros o seguinte: o que a Folha de S.Paulo fez com que você, além de tudo, tem nome. É preciso dar às coisas os nomes que lhes são próprios. É censura.
Por isso, acho hipócrita a atitude do jornal em vários outros temas de domínio conexo, digamos assim. Um silêncio atroz sobre o livro do Mino Carta. Igualmente silenciosa a respeito de meu romance sobre os sem-terra, Os Guerreiros do Campo. E propagandas enganosas para fazer crer que quem lê a Folha não engravida sem querer, faz melhores negócios e outras bobagens.
O Observatório da Imprensa, com sua equipe altaneira e competente, está oxigenando a leitura, às vezes pestilenta, de vários – como direi? – órgãos de imprensa. Às vezes, transplantados sem que os doadores tivessem ou precisassem autorizar. Mas do alto do Observatório é possível ver até mesmo a Serra dos Órgãos. Mais uma vez, parabéns pelas opções de leitura, análise, interpretação, entretenimento, navegação. Um grande abraço do amigo e seu leitor, o
Deonísio da Silva
BARBÁRIE CONSENTIDA
Omissão com os palestinos
Gostaria muito que a imprensa também focasse a barbárie cometida por Israel contra os palestinos. Basta ler o livro do Joe Sacco, Palestina, para tomarmos conhecimento das barbáries que os judeus estão fazendo contra o povo palestino. Tortura, campo de concentração, espoliação de propriedades etc. etc., de fazer inveja a qualquer nazista ou torturador das polícias do Terceiro Mundo. Por que a imprensa mundial não divulga o que está acontecendo por lá? É muito estranho receber notícias de um grupelho de ativistas ditos dos direitos humanos querendo difamar o Brasil, falando em assassinatos de inocentes pelas polícias do Brasil, quando em Israel acontecem coisas que não ocorreram nem no ápice da ditadura no Brasil.
Gostaria realmente de ver imparcialidade também com relação ao povo palestino, que vem sendo violentado por um povo que já sofreu na carne o que hoje faz com os palestinos. Por que tanto se fala (quase que diariamente) em holocausto, quando as antigas vítimas dele hoje fazem suas vítimas? Por que se noticia a existência de umas pobres árvores plantadas em 1930, que devem ser derrubadas porque, vistas de cima, formam a suástica, enquanto os judeus matam, violentam, prendem, processam, expropriam os palestinos?
Os atos dos nazistas devem ser repudiados pela humanidade, mas os atos dos judeus contra os palestinos também devem merecer da mídia o mesmo destaque.
Afinal os crimes são os mesmos. Ou será que o povo palestino é mesmo um povo de segunda categoria? Será que é mesmo verdade que as suas terras tomadas eram "terras sem povo para um povo sem terra"? Os 700 mil habitantes da Palestina que lá moravam em 1948 teriam sido realmente "um não-povo"? Não é só em Moçambique que acontecem barbáries. A imprensa deve ter o compromisso com a verdade, seja a notícia originaria de um povo negro, do Terceiro Mundo, ou "descendentes de Abraão".
Marcos Carneiro
LAÇOS DO CARTEL
O passado passou?
Meu nome é Fábio Pina. Tenho 32 anos e sou formado em Ciência Política pela UnB. O golpe de 1964, que tanto mal fez a este país, quase nunca é discutido na imprensa nos dias de hoje. A Globo, que é fruto direto disto, paradoxalmente é a que mais explora este assunto, mas de uma maneira que não a identifique com aqueles anos de chumbo. Por que hoje a imprensa não desenvolve este assunto? Será medo? Lembro-me de que em 1993 saiu um filme sobre Roberto Marinho/Rede Globo acerca de seu poderio no Brasil, a exemplo do Cidadão Kane nos EUA. A UnB, em seu anfiteatro 15, reproduziu o filme: "Roberto Marinho: muito além do Cidadão Kane", mas eis que algo aconteceu e substituíram tal filme por um outro qualquer. O mesmo ocorreu no MIS em SP, só que no meio da exibição do filme em questão. Será que no Brasil a Globo manda e desmanda até dentro das universidades? Será que quando existe uma empresa jornalística que vai contra o governo esta sempre sucumbe, a exemplo da saudosa Rede Manchete?
Fábio Pina
Limite não é censura
Gostaria de cumprimentar Alberto Dines pelas observações preciosas sobre o problema, principalmente num texto em que ele destaca os tentáculos da Rede Globo. Regulamentação não é censura. Limites não são censura. Responsabilidade social das emissoras não é censura. Quando será que esse debate realmente ganhará a mídia de forma não capciosa? Aproveito para convidar a todos os interessados para ler um livro, lançado no dia 7, sobre os 50 anos da TV brasileira, organizado por Eugenio Bucci, com vários autores, cujo enfoque é a crítica à TV. A editora é a Fundação Perseu Abramo [tel (11) 5571-4299]
Vera Nusdeo Lopes
Machado e Capitu
Parabéns a Alberto Dines por seus artigos pondo a nu a podridão moral das organizações Globo. Faltou, porém, dizer que o uso do nome Capitu em uma personagem-prostituta é um insulto à memória de Machado de Assis. Nem sei como a Academia de Letras não protestou. Ou melhor, sei muito bem: é que, além de estar cheia de "globais", a ABL tem mais medo das metástases do Roberto Marinho do que o Diabo tinha da cruz (como se dizia antigamente, antes do Diabo ter sido contratado como consultor da Vênus Platinada).
Eu sinto particularmente o insulto, porque já nasci venerando nosso maior escritor. Meu nome – Bento Santiago (o Bentinho de Dom Casmurro) – foi uma homenagem de meu pai, aproveitando a coincidência de seu sobrenome ser Santiago. Dou graças a Deus por ele já ter morrido. Senão, morreria de desgosto, se visse a novela. Cordialmente,
Bento Santiago, por fax
Até os luminares
Alberto Dines é um oásis no deserto jornalístico brasileiro. Realmente a imprensa brasileira se pasteurizou. O mais incrível é que pessoas aparentemente luminares – por exemplo, Jô Soares – se prestam a esta verdadeira imbecilização da sociedade. Comparar uma decisão judicial – sujeita a um procedimento judicial, ao duplo grau de jurisdição – ao "bicho- papão" da censura é realmente ridículo. Ainda, o mais assustador é que estudantes de Jornalismo da Casper Líbero, em entrevista à TVE-Rio, se limitaram a "reproduzir" o que os "baluartes da imbecilização nacional" vomitaram (é necessário a auto-regulamentação, leia-se cartelização). O nível rasteiro da "imprensa jovem", associado à inexistência de grupos sociais organizados (sindicatos, associações), propicia esta estratificação, este reducionismo de tudo o que ocorre na sociedade.
Karl Manheinn asseverou que a liberdade se alcança com conhecimento. Se ele estiver certo, já somos "escravos"!
Fábio Nadal Pedro fabionadal@camarajundiai.sp.gov.br
Último Segundo
Ao tentar vincular todos os setores da sociedade ao chamado "Cartel", o jornalista Alberto Dines esqueceu de citar o Último Segundo, que está tentando fazer parte do Cartel. Além disso, já que quer usar algumas expressões (como ignorância ou atirar para todos os lados), o jornalista deveria se empenhar em escrever um artigo um pouco mais consistente, com alguma argumentação. Em resumo, a mídia deve ter um papel informativo e transformador – e nesse ponto concordo com as críticas ao Cartel –, mas não se deve escrever coisas muito irônicas e pouco elucidativas. Sinta-se à vontade em comentar,
Luis Paz
Amaury Jr. e Rosane
Lógico que Papai Noel agarrar os peitos da Peres é imoral, mas mais imoral é o Amaury da TV Bandeirantes entrevistar Rosane Collor, como se fosse uma pessoa de bem. Para quem não se lembra, ela é aquela da Casa da Dinda. Ela é aquela que pegou o dinheiro da LBA e em vez de distribuir os carentes distribuiu aos parentes. Ela e seu indigno consorte praticaram horrores!
Que vergonha! A imprensa brasileira está um verdadeiro caos!
Maria Amélia
Estado de mediocridade
Parabéns pela iniciativa de publicar online todos estes artigos, bastante elucidativos, para poucos que têm discernimento. Pena que o conteúdo destas páginas não tenham o mesmo alcance que os braços compridos das Organizações Globo e seus aliados, que insistem na manutenção do Estado de Mediocridade Intelectual, Moral e Criativa da sociedade brasileira.
Eduardo Celso Mauroy
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