ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 544 - 30/6/2009
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Gravadoras e imprensa usam Michael Jackson para tentar ganhar tempo na crise de modelos de negócio 
Postado por Carlos Castilho em 1/7/2009 às 11:20:22 AM
 
 

A morte do cantor Michael Jackson uniu a indústria fonográfica e a imprensa do mundo inteiro num frenético esforço de dar sobrevida a um mito para alavancar vendas e adiar por mais alguns meses o confronto com a dura realidade da falência de dois modelos de negócio que a inovação tecnológica tornou obsoletos.

 

Esta união de esforços mostrou como as gravadoras, em especial a Sony, detentora dos direitos musicais de Michael Jackson, estão dispostas a sugar até a última gota o potencial de vendas de astros e mitos do showbiz mundial. A Sony vendeu 750 milhões de álbuns (long play e CDs) do cantor desde 1982.

 

E a imprensa mergulhou de cabeça na notícia-espetáculo transformando em atualidade e voyeurismo aquilo que na verdade é essencialmente uma operação de marketing para valorizar o produto Michael Jackson.  Não está em questão a produção musical e nem o gênero pop, mas o uso comercial que foi feito de ambos.

 

Michael Jackson é um caso único não tanto pela sua carreira e pelo gênero que criou mas sim pelo fato de ser o último grande fenômeno musical em escala planetária. Mesmo morto, não há nenhum outro interprete capaz de conseguir uma audiência global como ele.

 

O mito Michael foi construído na época áurea da indústria fonográfica mundial. Está associado diretamente a um modelo de negócios onde a produção musical estava concentrada nas mãos das gravadoras que controlavam o mercado de forma oligopólica.

 

A morte do chamado “rei do pop”  é um duríssimo golpe para as gravadoras que ficam sem o seu maior astro e seu maior fiador de receitas recordes. Daí a necessidade de manter o mito contando com a ajuda da imprensa, que também passa por maus momentos e precisa aumentar o faturamento.

 

Trata-se, portanto,  de uma aliança de conveniência, que está recorrendo ao que há de pior no jornalismo de variedades quando procura atrair público abrindo espaços para todos aqueles que querem fazer marketing pessoal contando segredos da vida do cantor.

 

Está valendo tudo neste esforço para prolongar o mais possível a permanência de Michael nas manchetes da imprensa e nos programas de televisão. Os jornais sensacionalistas são cúmplices e parceiros nesta empreitada cujo principal beneficiado é a agonizante indústria fonográfica mundial. 

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Rodrigo  Ziviani, jornalista (Ribeirão Preto/SP)
Enviado em 2/7/2009 às 6:19:06 PM

Só pra constar: Madonna cria, Madonna compõe as próprias músicas. Madonna coreografa boa parte dos seus shows. E é melhor que o Michael Jackson em muitos aspectos. Anne, leia mais antes de escrever sobre o que não sabe.
Anne  Perrault, jornalista (São Paulo/SP)
Enviado em 2/7/2009 às 6:06:11 PM

Nem de longe a Madonna se compara com Michael Jackson em termos de impacto mundial embora eu reconheça que até aqui ela tem conseguido preservar um mínimo de dignidade em seu processo natural de envelhecimento. Fato notório é que Madonna contou com um modelo de marketing artístico inventado por MJ, a Madonna nunca criou nada, nem compor suas músicas ou preparar suas coreografias ela era ou é capaz. Bem, mas a questão não é essa e sim a exploração do personagem Michal Jackson após sua morte. Não há nada que não seja explorado pela mídia doentiamente quando um famoso morre. Mas há, evidentemente, singularidades na morte de MJ: o potencial de exploração da morte de MJ é planetário e multigeracional; sua imagem tornou-se multimidiática antes mesmo do surgimento da multimídia, ou seja, é uma imagem adequadíssima para o padrão mercantil de exploração de imagem que existe hoje.
Julio Prático  Souza, Analista de Sistemas (São Paulo/SP)
Enviado em 2/7/2009 às 4:23:01 PM

E tudo regado a muito Jabá !!! Muito bom o artigo ! Crêr que a indústria fonográfica não se preocupa mais com os ganhos na venda, e que vai aceitar facilmente a derrocada, é muita inocência. Outro ponto, todo o artista que atingiu o nível que o MJ atingiu, inclusive de qualidade (não me identifico, mas reconheço), nunca ficará sem vender. As próximas gerações irão ouvir e irão comprar - vide Beatles, Pink Floyd , Elvis, Raul Seixas. As gerações seguintes reconhecem o valor da obra e compram - mas óbvio, sem jabá jorrando na grande mídia a quantidade vendida será menor!
Rodrigo  Ziviani, Jornalista (Ribeirão Preto/SP)
Enviado em 2/7/2009 às 1:12:02 PM

Desculpe, Carlos, uma frase saiu sem sentido no meu comentário. O correto é: "O boom por causa de sua morte vai acabar logo, acredite. E as gravadoras, há muito tempo, já não apostavam nele ou em qualquer outro artista para vender álbuns e sngles da maneira tradicional." Obrigado.
Rodrigo  Ziviani, Jornalista (Ribeirão Preto/SP)
Enviado em 2/7/2009 às 1:08:17 PM

Caro Carlos, não sejamos tão cínicos. É claro que a Sony agradece as vendas, em consequência da morte de Michael, mas não vejo isso como algo planejado, muito menos em parceria com a imprensa. O que vejo é a mídia correspondendo a um interesse do seu próprio público, com notícias sobre a morte mais espetacular do pop. Além disso, Michael Jackson já não vendia discos há muito tempo. O boom por causa de sua morte vai acabar logo, acredite. E as gravadoras, há muito tempo nele ou em qualquer outro artista para vender álbuns e sngles da maneira tradicional. A internet e a pirataria mudaram tudo. O que rende, hoje, são shows, turnês milionárias, como a que Michael estava prestes a fazer. Por fim, acho que você cometeu uma injustiça, ao citar Michael Jackson como o último grande fenômeno musical em escala planetária. Você se esqueceu que o pop pode ter perdido o rei, mas continua com sua rainha, que, diga-se de passagem, está em ótima forma e sem sinais de que vai desaparecer tão cedo. Falo de Madonna, claro. Ela talvez seja o único caso na História da música de uma lenda que envelhece com dignidade, mantendo seu patamar global de sucesso. Apesar de discordar de alguns pontos de seu texto, está muito bem escrito. Parabéns.
Resende  Lima, autônomo (SP/SP)
Enviado em 2/7/2009 às 12:56:57 PM

A expressão sugar até a última gota" está condizente com a realidade. E isto fazem os desesperados (mídia impressa, principalmente e indústria fonográfica) que também já estão nas últimas gotas. É a lei da entropia, indicando que tudo morre um dia.
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Mortes de Michael Jackson e Neda Soltan consolidam novo processo na produção de notícias jornalísticas
Postado por Carlos Castilho em 29/6/2009 às 12:21:39 PM
 
 

As páginas web do Twitter e do Facebook não conseguirem dar conta da avalancha de mensagens quando começaram a circular rumores da morte do cantor Michael Jackson no final da tarde do dia 25 de junho. A frenética troca de boatos e informações aconteceu bem antes da imprensa norte-americana começar a transmitir edições extraordinárias confirmando o desaparecimento do “rei do pop”.

 

Cinco dias antes, em Teerã, a estudante de filosofia Neda Agha-Soltan foi morta com um tiro quando assistia uma manifestação em apoio às denúncias de fraude nas eleições presidenciais iranianas realizadas no dia 12 de junho. Antes da imprensa ocidental dar detalhes do incidente, o vídeo da agonia da jovem já estava circulando na Web ao mesmo tempo em que ela era transformada pelos oposicionistas iranianos na face humana da resistência ao governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

 

Os dois episódios tem em comum o fato da notícia ter circulado primeiro nos sites de mensagens da internet onde os internautas, sem formação jornalística, criaram um clima de comoção, antes da imprensa entrar no assunto. O que se viu foi primeiro os boatos e rumores, seguidos algum tempo depois pela confirmação através dos canais convencionais de informação.

 

E mesmo depois da confirmação, a cobertura da imprensa continuou se apoiando nas  informações produzidas pelos milhares de blogs, miniblogs (twitters), torpedos e fóruns online onde fãs de Michael Jackson e simpatizantes de Neda Soltan que misturavam dor, tristeza e notícias em suas textos.

 

Trata-se da consolidação de um novo processo de produção de notícias jornalísticas. O sistema tradicional, onde o repórter constrói a história e depois a publica, está sendo rapidamente substituído por um novo modelo em que uma cobertura jornalística começa com o acúmulo desordenado de boatos e rumores pela internet e para só depois ganhar repercussão na imprensa convencional.

 

No sistema convencional, o repórter recolhe os indícios a partir de informantes, confere as informações, organiza os fatos, entrevista testemunhas e especialistas, escreve a história e depois a submete ao editor, antes de publicá-la. Só a partir daí é que o público começa a participar e colaborar com mais detalhes.

 

Depois da proliferação de sites como blogs, Twitter e comunidades sociais como o Facebook e Orkut, na maioria dos casos, os boatos e rumores começam a circular muito antes dos jornalistas começarem a trabalhar. Com isto, eles já recebem um fato quase consumado, mesmo sem que haja uma confirmação oficial. A grande contribuição da imprensa passa a ser a checagem dos rumores visando transformá-los numa informação, confirmada ou não. 

 

Dada a fantástica capilaridade dos blogs, microblogs e torpedos é inevitável que a avalancha de detalhes produzida por seus autores acabe sendo usada como matéria prima pelos repórteres jornalísticos, antes e depois da publicação das reportagens nos veículos tradicionais da imprensa. Mas a rede de informantes não tem condições de checar todos os rumores, o que cria a base para uma nova simbiose entre profissionais e amadores no noticiário jornalístico.

 

O que o professor norte-americano Bill Mitchell chama de Jornalismo do Próximo Passo, é essencialmente um novo processo de colaboração na produção de notícias entre pessoas com e sem formação técnica em jornalismo, onde cada parte tem um papel a desempenhar. O repórter não pode mais ignorar a participação dos informantes e amadores na coleta de informações, na mesma medida em que os consumidores de informações precisam do jornalista profissional para checar dados e confirmar rumores.

 

Nenhuma parte é mais importante do que a outra, pois são peças de um mesmo processo. A presença de informantes na produção de noticias já é antiga, mas o inédito é a intensidade e diversidade desta participação.

 

O que vai confundir muitos profissionais é a mudança de valores embutida no novo processo de produção de notícias, pois eles deixam de ser donos da notícia para serem parceiros.

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Cristian  Korny, Músico (São José dos Campos/SP)
Enviado em 1/7/2009 às 2:20:51 PM

o texto não aceita a realidade em sua totalidade e procura situar o mesmo jornalismo de sempre no contexto atual, na verdade, estamos falando em um novo paradgma, que provavelmente nunca irá se consolidar, será sempre um quase paradigma, para o conforto ou desconforto nosso.
sergio  ribeiro, bancário (são paulo/SP)
Enviado em 1/7/2009 às 12:02:25 PM

A última parte do texto é que deveria ser mais explorada. É realmente muito importante essa colaboração e interação com o público, tanto antes como depois da notícia. O problema é o boato nem sempre é verdadeiro e muitas vezes tem um interesse inconfessável, como no exemplo da ficha falsa de Dilma Roussef. São sempre bem vindas as novidades, mas também exigem cada vez mais um rigor na apuração.
Marcos  Palacios, Jornalista (Salvador/BA)
Enviado em 1/7/2009 às 7:53:55 AM

Castilho, acho perfeita sua delimitação: "processo de colaboração na produção de notícias entre pessoas com e sem formação técnica em jornalismo, onde cada parte tem um papel a desempenhar." São papéis a e funções diferenciadas e complementares, com a presença dos informantes potencializada pelas tecnologias digitais
dante  caleffi, publicitário (rio de janeiro/RJ)
Enviado em 30/6/2009 às 5:32:09 PM

A direita, tem o seu Edson Luís ... no Iran ,mulher e muçulmana. Para chocar mais os "ocidentais",não trajava as vestimentas típicas,véu,ou burka,o que dificultaria , plenamente , identificá-la... Com jeans" ,era uma garota como tantas, que amava os Beatles e os Rolling Stones". Estranho é que a central de notícias,que organizava e distribuia o material para o "ocidente", estava postada em Israel... Não fosse essa preocupação operacional,Farah Fawcett corria o risco de tomar o lugar da iraniana e Michael Jackson sorrindo com longas loiras madeixas.
Hebert Vinicius  Dias Leite, Jornalista (Montes Claros/MG)
Enviado em 30/6/2009 às 1:11:41 PM

Realmente, essa situação chegou para ficar. Talvez exista mera coincidência com a queda da obrigatoriedade do diploma aqui no Brasil. A verdade é que, a imprensa deve sair deste comodismo de pegar notícias prontas e releases e arregassar as mangas. Hoje os diversos profissionais da infinita área da comunicação estão apenas em sua zona de conforto e não se preocupam com a veracidade e utilidade de algumas informações. A morte de Michael Jackson parece ter efeito catastrófico para o mundo inteiro, de tanto que imprensa aborda este assunto 24 horas por dia. Claro, fico sentido pela morte desta estrela e por seus fãs, mas tudo tem sua vez, e chegou a hora de voltarmos a olhar a situação política e economica nacional e mundial. Tem uma utopia como jornalista, ser um formador de opiniões e tentar "desalienar" os cidadãos dos dias atuais. Me incomodo muito em ver a realidade atual no que se refere à informação, onde anda a credibilidade e verossimilhança que FACULDADE aprendemos a buscar está em último plano. Mas fazer o que, devo me conformar porque segundo o Senhor Ministro Gilmar Mendes não passo de mais um "simples cozinheiro",(nada contra aos digníssimos desta profissão, que são poucos os que tem o dom de praticar).
Jorge Fernando dos  Santos, Jornalista e escritor (Belo Horizonte/MG)
Enviado em 30/6/2009 às 1:03:24 PM

Os dois episódios citados pelo articulista confirmam a mudança de paradigmas na informação. A diferença entre os blos e os jornais está justamente na carga de responsabilidade com a informação. Por isso é importante a boa formação do jornalista, para saber separar alhos de bugalhos. Recomendo a leitura do meu artigo neste site, intitulada "A agonia do jornal impresso". Diante das novas mídias, os jornais trocam as pernas e se deixam levar pelos ruídos da Web. Se não assumirem suas verdadeiras características os jornais tendem a desaparecer. Não há como combater o inimigo em seu próprio território. Rádio e TV sempre conviveram. Jornais e internet podem conviver, desde que se mantenham cada macaco no seu galho.
Ibsen  Marques, Técnico em Eletrônica (Caçapava/SP)
Enviado em 30/6/2009 às 12:34:02 PM

Castilho, aqui no Brasil estamos longe de uma aceitação por parte do jornalismo convencional, dos jornalistas e dos estudantes de jornalismo do que você chama de "novo processo de produção de notícias" como um processo verdadeiramente jornalístico. O próprio Dines, pelos argumentos que tem usado em defesa da exigência do diploma não aceitaria isso como jornalismo. O que tenho comentado em vários artigos do OI é a observação de que os jornalistas e estudantes de jornalismo raramente postam ou postavam comentários no OI a menos que o título do artigo faça referência ao diploma (nem mesmo nos artigos que tratam de assunto da maior importância para o meio que é a denúncia de que o Senado engavetou de vez e ilegalmente o CCS). Isso é extremamente preocupante porque parece que as faculdades de jornalismo estão entregando ao mercado pessoas formadas em bases teóricas do século passado e muito pouco afeita ao debate democrático, quero dizer, nos comentários me é perceptível que esse lado fecha olhos e ouvidos diante de argumentos contrários a suas posições. Dá a entender portanto que o que praticam é um monólogo e é um exemplo muito decepcionante de que o futuro jornalismo que praticarão não considerará a informação como um meio de entregar ao público o que ele em última instância deve considerar importantye, mas o que eles, jornalistas pensam que o público deva considerar importante.
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Dúvidas no processo sobre a obrigatoriedade do diploma colocam os jornalistas diante de um desafio
Postado por Carlos Castilho em 26/6/2009 às 3:34:02 PM
 
 

Alberto Dines tocou num item nevrálgico do debate sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista ao levantar uma ponta do véu de mistério que envolve a participação do Sindicato das Empresas de Rádio e TV de São Paulo (STRESP) e do Ministério Público de São Paulo na ação que acabou sendo referendada pelo STF.

 

Todos nós, jornalistas e não jornalistas, participamos de intermináveis discussões sobre os rumos do ofício de informar e não percebemos aquilo que a experiência e sabedoria de Dines detectou. A curiosa parceria entre Ministério Público e SETRESP deixa no ar muitas dúvidas sobre o tipo de interesse de ambas instituições na questão da obrigatoriedade do diploma de jornalista.

 

Trata-se de uma dúvida importante porque pode revelar o tipo de articulação que existiu entre um lobby corporativo, os defensores dos interesses do Estado e os juízes da suprema corte de justiça do país. Não há muitas dúvidas de que houve algo, porque o controvertido Gilmar Mendes, presidente do STF gastou mais da metade das 90 laudas do seu voto para justificar a ação do ministério público.

 

Trata-se de uma justificativa, no mínimo estranha, porque a função do ministério público é defender os interesses do cidadão e neste caso fica difícil identificar quando e onde estes interesses eram ameaçados pela obrigatoriedade de diploma para o exercício do jornalismo.

 

Até se poderia argumentar que a obrigatoriedade de diploma é um obstáculo ao fortalecimento do chamado jornalismo cidadão onde pessoas comuns também participam da produção e publicação de notícias. Mas esta questão sequer foi mencionada pelos ministros do STF na justificativa de seus votos.

 

Assim há outras razões que continuam ocultas e cuja revelação pode incorporar novos dados ao contexto do debate sobre a obrigatoriedade ou não do diploma para o exercício do jornalismo. Elas não alteram os argumentos usados até agora tanto pelos defensores como pelos críticos da decisão do STF porque a discussão se concentrou na questão de quem está ou não capacitado para exercer a atividade informativa.

 

Está criada uma situação onde os maiores interessados num esclarecimento total deste confuso episódio são os jornalistas, que estão diante do desafio de usar sua capacidade investigadora em benefício próprio.

 

Se o lobby corporativo pode se mobilizar em função dos seus interesses, porque os jornalistas não podem fazer o mesmo para buscar a transparência nas relações entre o Ministério Público e a SETRSP?

 

É um trabalho eminentemente investigativo no qual a soma dos esforços individuais pode dar aos jornalistas elementos para entender o contexto em que a discussão sobre o diploma acabou sendo colocada.

 

As empresas obviamente não estão interessadas nesta investigação. Por isto, caberá aos jornalistas buscar , por conta própria, a resposta para duas perguntas: Porque o SETRESP apresentou o recurso ao STF?  Porque o ministério Público tomou as dores do SETRESP sem promover uma audiência pública prévia ao julgamento do caso?
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Anônimo  Domingos, Jornalista (anonima/DF)
Enviado em 29/6/2009 às 1:49:12 AM

Fala sério! Que idéia cretina! Concordo com o comentário anterior: verdadeira desinformação prestada. Falta do que fazer diante do que está posto. Não adianta, o diploma caiu (ainda bem; viva a democracia!). Pare de chorar sobre o leite derramado, seu corporativista sindicalóide fenajiano!
Jair  Viana, Jornalista-não diplomado (São José do Rio Preto/SP)
Enviado em 28/6/2009 às 12:10:35 PM

Caro Castilho, suas observções, pautadas nos questionamento de Dines, sem dúvida são interessantes.Porém, há uma dicussão muito mais importante do que saber a relação que poderia existir entre SETRESP eo MP.Trata-se dos interesses da Fenaj e seus sindicatos afiliados em manter cursos de jornalismo tão ruins e infrutíferos como os existentes hoje.Aliás, entidades que dizem defender o bom jornalismo, nunca se mexeram para a extensão das universidades públicas, o que, naturalmente abriria maiores oportunidades para muita gente cursar jornalismo.Estariam a Fenaj e os seindicatos, alinhados aos donos de faculdades particulares, daí a razão do silêncio sobre faculdades públicas?Ora, a ética em qualquer área profissional, seguramente não depende da universidade.Fosse assim, os sindicalistas travestidos de jornalistas não agiriam como estão agindo desde o início dessa polêmica.Fora o radicalismo cutista que impera nessa discussão.
Flavia  Silveira, estudante de jornalismo (Campo Grande/MS)
Enviado em 27/6/2009 às 4:43:42 PM

Não existe coerência alguma na decisão do STJ. Parece que ninguém sabe qual é a função do jornalista. O que ele faz, produz, vende...? Jornalista não é escritor que opina na midia. Para ser escritor e para opinar não precisa diploma. A liberdade de expressão? Totalmente garantida. Quero saber sobre os fatores de noticiabilidade, o que faz uma matéria ser e outra não ser. A ética do jornalismo. Na faculdade estudamos o quanto as notícias são impregnadas de uma visão subjetiva, de influências políticas, etc. Científicamente. O estudo da comunicação e do jornalismo não vai acabar. E não sei porquê não fazer uma faculdade. Ou vai ter curso técnico para aprender o lead? Parece que vai ter uma chuva de pessoas que saberão instantaneamente o lead. Ou o chefe vai ensinar? O que será dos jornais? Já temos tantos erros que dá medo de pensar. Quem sabe o quanto uma notícia tem peso de responsabilidade entende o que digo. O STJ sem dúvida desconsiderou isso ou não possuía informação suficiente para tal decisão. Ou...(?) Não. É ridiculo pensar em perseguição por mais que exista. Mas não é ridículo pensar em mudar a situação. :)
Antonio  Vieira, Jornalista (Brasilia/DF)
Enviado em 27/6/2009 às 3:41:35 PM

TRANSCREVO ABAIXO PARTE DA SENTEN�A DA JUIZA FEDERAL SUBSTITUTA: DRA. CARLA ABRANTKOSKI RISTER EM 2002 ONDE CONSTA A ENTRADA DA FENAJ E DA SETRESP: Foi concedida a antecipa��o parcial dos efeitos da tutela (v. fls. 315/326). A Federa��o Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de S�o Paulo solicitaram ingresso na lide, na qualidade de assistentes simples da Uni�o Federal (v. fls. 340/348), o que foi deferido (v. fls. 747). Em despacho de fls. 744/747, foi indeferido o ingresso na lide, na qualidade de litisconsortes ou de assistentes do autor, dos cidad�os que formularam tal pleito. Foi deferido o ingresso na lide, no p�lo ativo, na qualidade de assistente simples do Minist�rio P�blico Federal, o Sindicato das Empresas de R�dio e Televis�o no Estado de S�o Paulo (SERTESP). Foram interpostos recursos de agravo de instrumento da decis�o que deferiu parcialmente os efeitos da tutela (v. fls. 397/476 e 478/493). O E. Tribunal Regional Federal da 3a Regi�o n�o concedeu o pretendido efeito suspensivo (v. fls. 695/699 e 701/704).
Antonio  Vieira, Jornalista (Brasilia/DF)
Enviado em 26/6/2009 às 10:17:06 PM

Sou admirador de seu blog e seus textos a muitos anos, porém pela primeira vez vejo que sua matéria mais desinforma do que informa.???? Rcomendo que leia a inicial da ação promovida pelo MPF de SP onde são elencadas as razões de direito, inclusive a ilegalidade desta obrigatoriedade do diplome em face de tratado internacional aceito pelo Brasil desde 1992 (Pacto de São josé da Costa Rica) Após a liminar em 2001 a FENAJ entrou na ação judicial e logicamente a SETRESP também por terem interesses opostos. Em 2006 o procurador geral da republica conseguiu liminar no STF após reinteradas manifestações do jornalistas sem diploma no sentido de poderem continuar trabalhando até a decisão final, já que naquele momento novamente era obrigatorio o diploma. Com a decisão do STF em ultima instância não cabe esse tipo de colocação pois caso contrario estariamos questionando a propria base do sistema democratico, que são os 3 poderes. Acho que falta menos arrogancia das entidades dos jornalistas e principalmente respeito a decisão final do STF. Tem mais, se a PEC proposta pela FENAJ para que a obrigatoriedade retorne, se aprovada será questionada na justiça e com certeza vai cair novamente no final na decisão do STF e que por principio obvio de respeito a constituição vai novamente suspender mais está tentativa de tutelar o jornalismo.