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| Gravadoras e imprensa usam Michael Jackson para tentar ganhar tempo na crise de modelos de negócio |
| Postado por Carlos Castilho em
1/7/2009 às 11:20:22 AM |
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A morte do cantor Michael Jackson uniu a indústria fonográfica e a imprensa do mundo inteiro num frenético esforço de dar sobrevida a um mito para alavancar vendas e adiar por mais alguns meses o confronto com a dura realidade da falência de dois modelos de negócio que a inovação tecnológica tornou obsoletos.
Esta união de esforços mostrou como as gravadoras, em especial a Sony, detentora dos direitos musicais de Michael Jackson, estão dispostas a sugar até a última gota o potencial de vendas de astros e mitos do showbiz mundial. A Sony vendeu 750 milhões de álbuns (long play e CDs) do cantor desde 1982.
E a imprensa mergulhou de cabeça na notícia-espetáculo transformando em atualidade e voyeurismo aquilo que na verdade é essencialmente uma operação de marketing para valorizar o produto Michael Jackson. Não está em questão a produção musical e nem o gênero pop, mas o uso comercial que foi feito de ambos.
Michael Jackson é um caso único não tanto pela sua carreira e pelo gênero que criou mas sim pelo fato de ser o último grande fenômeno musical em escala planetária. Mesmo morto, não há nenhum outro interprete capaz de conseguir uma audiência global como ele.
O mito Michael foi construído na época áurea da indústria fonográfica mundial. Está associado diretamente a um modelo de negócios onde a produção musical estava concentrada nas mãos das gravadoras que controlavam o mercado de forma oligopólica.
A morte do chamado “rei do pop” é um duríssimo golpe para as gravadoras que ficam sem o seu maior astro e seu maior fiador de receitas recordes. Daí a necessidade de manter o mito contando com a ajuda da imprensa, que também passa por maus momentos e precisa aumentar o faturamento.
Trata-se, portanto, de uma aliança de conveniência, que está recorrendo ao que há de pior no jornalismo de variedades quando procura atrair público abrindo espaços para todos aqueles que querem fazer marketing pessoal contando segredos da vida do cantor.
Está valendo tudo neste esforço para prolongar o mais possível a permanência de Michael nas manchetes da imprensa e nos programas de televisão. Os jornais sensacionalistas são cúmplices e parceiros nesta empreitada cujo principal beneficiado é a agonizante indústria fonográfica mundial. |
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| Mortes de Michael Jackson e Neda Soltan consolidam novo processo na produção de notícias jornalísticas |
| Postado por Carlos Castilho em
29/6/2009 às 12:21:39 PM |
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As páginas web do Twitter e do Facebook não conseguirem dar conta da avalancha de mensagens quando começaram a circular rumores da morte do cantor Michael Jackson no final da tarde do dia 25 de junho. A frenética troca de boatos e informações aconteceu bem antes da imprensa norte-americana começar a transmitir edições extraordinárias confirmando o desaparecimento do “rei do pop”.

Cinco dias antes, em Teerã, a estudante de filosofia Neda Agha-Soltan foi morta com um tiro quando assistia uma manifestação em apoio às denúncias de fraude nas eleições presidenciais iranianas realizadas no dia 12 de junho. Antes da imprensa ocidental dar detalhes do incidente, o vídeo da agonia da jovem já estava circulando na Web ao mesmo tempo em que ela era transformada pelos oposicionistas iranianos na face humana da resistência ao governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Os dois episódios tem em comum o fato da notícia ter circulado primeiro nos sites de mensagens da internet onde os internautas, sem formação jornalística, criaram um clima de comoção, antes da imprensa entrar no assunto. O que se viu foi primeiro os boatos e rumores, seguidos algum tempo depois pela confirmação através dos canais convencionais de informação.
E mesmo depois da confirmação, a cobertura da imprensa continuou se apoiando nas informações produzidas pelos milhares de blogs, miniblogs (twitters), torpedos e fóruns online onde fãs de Michael Jackson e simpatizantes de Neda Soltan que misturavam dor, tristeza e notícias em suas textos.
Trata-se da consolidação de um novo processo de produção de notícias jornalísticas. O sistema tradicional, onde o repórter constrói a história e depois a publica, está sendo rapidamente substituído por um novo modelo em que uma cobertura jornalística começa com o acúmulo desordenado de boatos e rumores pela internet e para só depois ganhar repercussão na imprensa convencional.
No sistema convencional, o repórter recolhe os indícios a partir de informantes, confere as informações, organiza os fatos, entrevista testemunhas e especialistas, escreve a história e depois a submete ao editor, antes de publicá-la. Só a partir daí é que o público começa a participar e colaborar com mais detalhes.
Depois da proliferação de sites como blogs, Twitter e comunidades sociais como o Facebook e Orkut, na maioria dos casos, os boatos e rumores começam a circular muito antes dos jornalistas começarem a trabalhar. Com isto, eles já recebem um fato quase consumado, mesmo sem que haja uma confirmação oficial. A grande contribuição da imprensa passa a ser a checagem dos rumores visando transformá-los numa informação, confirmada ou não.
Dada a fantástica capilaridade dos blogs, microblogs e torpedos é inevitável que a avalancha de detalhes produzida por seus autores acabe sendo usada como matéria prima pelos repórteres jornalísticos, antes e depois da publicação das reportagens nos veículos tradicionais da imprensa. Mas a rede de informantes não tem condições de checar todos os rumores, o que cria a base para uma nova simbiose entre profissionais e amadores no noticiário jornalístico.
O que o professor norte-americano Bill Mitchell chama de Jornalismo do Próximo Passo, é essencialmente um novo processo de colaboração na produção de notícias entre pessoas com e sem formação técnica em jornalismo, onde cada parte tem um papel a desempenhar. O repórter não pode mais ignorar a participação dos informantes e amadores na coleta de informações, na mesma medida em que os consumidores de informações precisam do jornalista profissional para checar dados e confirmar rumores.
Nenhuma parte é mais importante do que a outra, pois são peças de um mesmo processo. A presença de informantes na produção de noticias já é antiga, mas o inédito é a intensidade e diversidade desta participação.
O que vai confundir muitos profissionais é a mudança de valores embutida no novo processo de produção de notícias, pois eles deixam de ser donos da notícia para serem parceiros. |
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| Dúvidas no processo sobre a obrigatoriedade do diploma colocam os jornalistas diante de um desafio |
| Postado por Carlos Castilho em
26/6/2009 às 3:34:02 PM |
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Alberto Dines tocou num item nevrálgico do debate sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista ao levantar uma ponta do véu de mistério que envolve a participação do Sindicato das Empresas de Rádio e TV de São Paulo (STRESP) e do Ministério Público de São Paulo na ação que acabou sendo referendada pelo STF.
Todos nós, jornalistas e não jornalistas, participamos de intermináveis discussões sobre os rumos do ofício de informar e não percebemos aquilo que a experiência e sabedoria de Dines detectou. A curiosa parceria entre Ministério Público e SETRESP deixa no ar muitas dúvidas sobre o tipo de interesse de ambas instituições na questão da obrigatoriedade do diploma de jornalista.
Trata-se de uma dúvida importante porque pode revelar o tipo de articulação que existiu entre um lobby corporativo, os defensores dos interesses do Estado e os juízes da suprema corte de justiça do país. Não há muitas dúvidas de que houve algo, porque o controvertido Gilmar Mendes, presidente do STF gastou mais da metade das 90 laudas do seu voto para justificar a ação do ministério público.
Trata-se de uma justificativa, no mínimo estranha, porque a função do ministério público é defender os interesses do cidadão e neste caso fica difícil identificar quando e onde estes interesses eram ameaçados pela obrigatoriedade de diploma para o exercício do jornalismo.
Até se poderia argumentar que a obrigatoriedade de diploma é um obstáculo ao fortalecimento do chamado jornalismo cidadão onde pessoas comuns também participam da produção e publicação de notícias. Mas esta questão sequer foi mencionada pelos ministros do STF na justificativa de seus votos.
Assim há outras razões que continuam ocultas e cuja revelação pode incorporar novos dados ao contexto do debate sobre a obrigatoriedade ou não do diploma para o exercício do jornalismo. Elas não alteram os argumentos usados até agora tanto pelos defensores como pelos críticos da decisão do STF porque a discussão se concentrou na questão de quem está ou não capacitado para exercer a atividade informativa.
Está criada uma situação onde os maiores interessados num esclarecimento total deste confuso episódio são os jornalistas, que estão diante do desafio de usar sua capacidade investigadora em benefício próprio.
Se o lobby corporativo pode se mobilizar em função dos seus interesses, porque os jornalistas não podem fazer o mesmo para buscar a transparência nas relações entre o Ministério Público e a SETRSP?
É um trabalho eminentemente investigativo no qual a soma dos esforços individuais pode dar aos jornalistas elementos para entender o contexto em que a discussão sobre o diploma acabou sendo colocada.
As empresas obviamente não estão interessadas nesta investigação. Por isto, caberá aos jornalistas buscar , por conta própria, a resposta para duas perguntas: Porque o SETRESP apresentou o recurso ao STF? Porque o ministério Público tomou as dores do SETRESP sem promover uma audiência pública prévia ao julgamento do caso? |
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