ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 565 - 24/11/2009
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Observatório no Rádio
Programa 330
>>Dines: Globo agiu corretamente
>>Democracia golpeada
Postado por Mauro Malin em 14/8/2006 às 9:08:13 AM
 
 

Dines: Globo agiu corretamente

            Felizmente o repórter Guilherme Portanova foi libertado pelos seqüestradores do PCC no início desta madrugada, depois que um resumo da mensagem dos bandidos foi divulgado no Fantástico.

            Na opinião de Alberto Dines, a TV Globo agiu corretamente ao atender logo as exigências dos seqüestradores de seu repórter. E o fez não apenas porque essa foi a opinião dos especialistas internacionais, mas porque assim o recomendavam o bom-senso, a solidariedade com o profissional agredido e os antecedentes no episódio Tim Lopes.

            Dines diz ainda que a TV Globo aparentemente não ouviu a Polícia, nem o governo de São Paulo, muito menos o governo federal. Também fez muito bem. De nada adiantaria ouvi-los, já que as três partes até agora demonstraram absoluta incompetência e total ausência de espírito público para enfrentar os narcoterroristas do PCC e assegurar um mínimo de tranqüilidade à cidadania.

            O manifesto dos bandidos, comenta Alberto Dines, é uma peça cínica, politicamente primária e tosca. Como todos os bandos terroristas, os redatores procuram inventar pretextos humanitários, esquecidos de suas ações desumanas e bárbaras. Os próprios fatos desmentiram ontem mesmo os publicistas do PCC. Quatro ônibus incendiados à noite numa garagem de São Paulo e os 32 presos em saída temporária que voltaram a cometer crimes no próprio Dia dos Pais, aponta Alberto Dines.

           

            Democracia golpeada

            A vida do repórter foi preservada, mas a democracia brasileira sofreu um golpe terrível. Agravado pelo fato de que, durante as 18 horas em que Portanova ficou prisioneiro dos bandidos, nenhuma autoridade se solidarizou de público com a emissora, com a família, com os jornalistas ou com a população brasileira. Um episódio de dupla covardia política: a dos bandidos e a das autoridades que se omitiram.

            Abriu-se um precedente cujas conseqüências ainda é impossível avaliar. E as raízes do problema permanecem intocadas.

 

            Raízes omitidas

            Tanto na televisão, anteontem e ontem, como nos jornais, hoje, os principais fatores que facilitaram a escalada criminosa são omitidos. Em primeiro lugar, a inexistência de políticas que promovam efetivo crescimento do emprego e uma diminuição da desigualdade de renda. Em segundo lugar, falta educação de qualidade. Em terceiro lugar, os governos não tratam de saneamento básico e de uma verdadeira política habitacional. Em quarto lugar, recuperação da Polícia, que é ineficaz e parcialmente corrupta, integração entre órgãos de prevenção, repressão e investigação da criminalidade; combate mais efetivo ao tráfico de armas, que depende em parte das Forças Armadas; mudanças no funcionamento medieval da Justiça e nas leis penais, a rediscussão da questão das drogas e, sobretudo, uma radical intervenção no sistema prisional brasileiro. Em quinto lugar, mas não menos importante, a mídia precisa repensar completamente a maneira como cobre a criminalidade violenta e o trabalho da Polícia.

           

Horário nobre

O PCC não se contentou com a divulgação feita no início da madrugada de domingo, apenas para o estado de São Paulo, logo após a libertação do auxiliar técnico Alexandre Calado. As exigências dos seqëstradores foram sintetizadas pela Globo na abertura do Fantástico, em rede nacional. Após um longo bloco de explicações da emissora, o apresentador Zeca Camargo disse: A Rede Globo espera que o repórter Guilherme Portanova seja libertado. O acordo foi respeitado, e o repórter devolvido, felizmente, mas o principal meio de comunicação do país, miseravelmente órfão de ajuda oficial competente, ficou de joelhos. Isso coloca problemas sérios para a cobertura jornalística. Como teriam colocado uma recusa e o assassinato do jornalista. Não há caminho fácil nesse terreno.

 

            Em 1969, não eram bandidos

            O deputado Fernando Gabeira, que era jornalista quando participou do seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick em 1969, condena todos os seqüestros mas recusa comparação com o de quase quarenta anos atrás. No Estadão de hoje, Gabeira diz: “Nós não éramos bandidos”. E reconhece o erro político daquela época, que a mídia costuma glamourizar em tantas recapitulações históricas ineptas, feitas por pessoas que não viveram aqueles episódios nem são capazes de consultar quem conhece o assunto. 

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nilson pascoal lemos  lemos, comerciante (mogi guacu/SP)
Enviado em 19/4/2007 às 11:17:00 AM

Esperava que os [ofensa] José Serra e Lula pudessem fazer algo na minha vida. Ter conta em banco estadual ou federal é pior que pirâmide. Passo probrema grave, sou um epilético que tem tentado ganhar a vida neste país.Mas com os governos que temos não foi possível este privilégio. Como político no Brasil leva dinheiro para fora do Brasil, ninguém viu como juiz patrocina patotinha do bingo. Mas jogo do bicho bancário é o que mais recebe. Ser honesto neste país de tragédia só mesmo para bandido. Não sei como estes governos pensam resolver as piores coisas neste Brasil. Esperamos que os internautas façam com que militar venha tomar conta do governo. Nenhum presta, lavam dinheiro do tráfico no próprio banco federal ou estadual mas comerciante que passa dificuldade tem sido prisioneiro de guerra do governo. Malandrinhos, este governo, mas se os militares tomassem conta deste país os honestos poderiam respirar. Prender os mercenários deste país, porque não dá para ver barbaridade como esta. Precisamos refletir melhor, nós, brasileiros, como vivemos neste país miserável. Esta carta é para José Serra e Lula. Obrigado por vocês piorarem o país.
Comentário do Autor
O leitor prega apoio por meio da internet a um golpe militar.
Antonio  Souza, Estudante (Aracaju/SE)
Enviado em 14/8/2006 às 3:06:12 PM

Eles deveriam pegar os políticos corruptos!!
Pedro  Alves, Portuário (Paranaguá/PR)
Enviado em 14/8/2006 às 2:37:12 PM

Muito precipitada esta aprovação à maneira frouxa e criminosa (apologia ao crime) como se portou a Globo. Dines deve rever esta prática [ofensa removida] de ser favorável a alguém ou por que é poderoso ou por [ofensa removida]. É claro que o jornalista não seria morto, foi um blefe, blefe onde a poderosa Globo caiu junto com outros desavisados, talvez por preguiça. O que tem que ficar claro é que a Globo conseguiu mais uma vez seu objetivo: PONTOS NO IBOPE. Por que então a chamada já no início do Fantastico? A Globo faz mais um desserviço à população ao propagandear o crime organizado. Errou,como errou Dines, que afoito, foi logo defendendo a frouxura ou a impotencia perante canalhas que foram contemplados e agora estão mais do que nunca que abafaram, que são os tais. Com tal atitude a Globo não encerrou um crime, ao contrário, cometeu um e escancarou a porta da impunidade para outras sabe-se lá quanto piores do que esta. Juízo, Globo, Sabedoria, Dines.
Comentário do Autor

A Globo não colocou o resumo do vídeo no início do Fantástico para aumentar a audiência. Colocou porque os bandidos exigiram o máximo de audiência. E para que o repórter fosse libertado o mais rapidamente possível.

Dizer a posteriori que foi blefe é fácil. Difícil é tomar decisões a quente num caso assim.

Eu não estou convencido de que a Globo tomou a melhor decisão. As informações disponíveis indicam que as pessoas da Globo ficaram muito traumatizadas depois do assassinato de Tim Lopes. Isso pode ter pesado em favor de uma aceitação rápída das condições dos bandidos.

Mas minha linha de reflexão passa muito longe da do leitor.

SIMONE T.  F. LUFT, DO LAR (Não-Me-Toque/RS)
Enviado em 14/8/2006 às 2:26:16 PM

Fiquei muito assustada com o seqüestro de Portanova. Me causou um grande mal-estar. Perdi o sono (o que não é difícil), pois já sofri com minha família (marido gerente do BB e duas filhas) duas vezes, na mão de bandidos perigosíssimos e muito bem armados. Queriam o banco e nos usaram como reféns para chantagear meu marido; foi terrível. Da segunda vez me levaram junto. Passei mal; não sofria do coração mas achei que era um ataque. O corpo enrijeceu, o peito começou a doer, o rosto repuxou, o ar faltou. Quando me libertaram sob ameaças à vida de minhas filhas, fui parar no hospital. Hoje sou muito sensível a notícias como esta. Eu e minhas filhas e marido, ficamos muito traumatizados. Era contra a pena de morte. Sei que tem que mudar muita coisa, inclusive a polícia, mas hoje só consigo desejar que esse tipo de bandido morra. Políticos corruptos, que estão no mesmo patamar de safadeza ou pior, também tinham que sumir. Sempre ajudei e continuo ajudando pessoas carentes e doentes. Contribuindo com trabalho social e dinheiro quando possível , além de pagar muito imposto para o governo, assim como a maioria do povo brasileiro. Não é justo o que estamos passando. Quanto a Gabeira, sou sua fã incondicional. É o, ou quem sabe um, dos poucos políticos limpos e confiáveis. Se ele precisar, trabalho de graça pra ele. Temos que mudar este país com urgência.
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Mauro Malin
Jornalista


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