ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 562 - 3/11/2009
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Para que tanta informação?
Postado por Carlos Castilho em 6/11/2009 às 12:56:58 AM
 
 

O leitor Sérgio Ribeiro, de São Paulo, perguntou num comentário postado aqui no Observatório se a avalancha informativa gerada pela internet e pela digitalização, em vez de ajudar não está complicando ainda mais a já atribulada vida do cidadão contemporâneo? Ele questiona se os mortais terão capacidade de lidar com tanto conteúdo e se na verdade não estamos criando um fantástico desperdício informativo?

 

Ele não é o único a se colocar a mesma dúvida e se formos ver em detalhe, é bem possível que cheguemos também à mesma pergunta.

 

Para encontrar uma resposta tranqüilizadora, nós teremos é que mudar o foco das nossas preocupações. Até agora, o metro usado para medir quantidades de informação era dado pela nossa capacidade de processá-la. Nós comprávamos só os livros, jornais e revistas que poderíamos ler, só ligávamos a televisão para ver os programas considerávamos interessantes, e por aí vai.

 

A avalancha informativa mudou os parâmetros e passou a concentrar as preocupações nas comunidades, na sociedade global. E por que isto?

 

Antes da revolução tecnológica, o conhecimento individual era suficiente para atender às nossas necessidades de produção de novos conteúdos informativos e alimentar a criatividade universal. Os cérebros privilegiados, os cientistas e aquelas pessoas que muitos chamam de gênios.

 

Mas a economia cresceu e se diversificou, passando a exigir novos conhecimentos para alimentar a cadeia da inovação. A demanda de conhecimentos superou a oferta, pressionando a busca de inovações que acabaram levando à revolução gerada pela digitalização e pela internet. A combinação de ambas liberou uma massa de informações, dados e conhecimentos nunca vista na história da humanidade.

 

Usando dados da pesquisa How Much Information, feita em 2002 pelos professores Hal Varian e Peter Lyman, da Escola de Sistemas e Gerência da Informação da Universidade da Califórnia (Berkeley) , seria possível estimar que, em 2008, a avalancha informativa disponibilizaria para cada ser vivo no planeta uma pilha de livros, DVDs e CDs da altura de um edifício de nove andares.

 

Um número como este deixa muita gente na dúvida. Primeiro se o cálculo está correto e, em segundo lugar, porque comprova uma distribuição de conhecimento muito mais desigual do que imaginamos.

 

A questão é que esta massa de informações é necessária para alimentar um processo de produção de conhecimentos que adquiriu também características inéditas na história da humanidade. Quando você faz uma busca no Google, cada resultado que você lê na tela resultou de vários bilhões de recombinações de informações armazenadas nos servidores do mecanismo de busca, tudo em questão de fração de segundos.

 

Nós ainda estamos acostumados a pensar em termos aritméticos em matéria de absorção de conhecimentos. Mas o mundo já funciona numa outra realidade movida basicamente à base de informação, quase na velocidade de luz. Sem ela, a economia moderna entraria em colapso. O sistema financeiro simplesmente desapareceria. O tráfego aéreo implodiria.

 

Na verdade não há desperdício informativo. Pelo contrário, a demanda continua crescendo e a oferta, também. Tomemos o caso da chamada Web social, formada pelas redes, comunidades e coletivos virtuais. A soma de todos os conhecimentos de todos os usuários das redes é essencial para produzir sistemas cada vez mais rápidos, sofisticados e personalizados.

 

O Orkut, Facebook e todas as demais redes virtuais na Web são gigantescas usinas de conhecimento que consomem e produzem quantidades ciclópicas da  matéria prima informação. Sérgio, o meu conselho é: fica frio. A mesma angústia que estás sentindo atingiu os telespectadores quando a TV por cabo entrou no mercado, multiplicando por até 50 vezes a oferta de canais no sistema aberto. Ninguém morreu e hoje há muita gente que reclama por uma oferta mais diversificada de programas de televisão.
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Paulo  Silva, Profissional (Florianópolis/SC)
Enviado em 7/11/2009 às 2:33:11 PM

Chorar talvez verta intersecções. Não sei o que é energia. Joules, elétron-volts, auras e psiquismos. Não sei o que é energia. Se há informação organizada,ofertada, não sei o que é energia Onde talvez se precise pouco daquilo, não sei o que é energia.
Jaime  Collier Coeli, Aposentado (Itanhaem/SP)
Enviado em 6/11/2009 às 9:14:38 PM

Sugiro que a dificuldade pode não estar entre os consmidores de informação, mas entre os produtores. De fato, ficou dificil levafr o consumidor a optar por um comportamento pre-estabelecido. Como enquadrar o cidadão nos "life styles" estabelecidos no decorrer do século XX? Sistemas de crença religiosa, sistemas politicos, sistemas de consumo, sistemas artisticos e cia? Não houve tempo nem condições para uma autentica liberalização da informação. Como sou otimista, suponho que poderá ocorrer, para desespero dos demiurgos.
Jose  Albino, Engo. (Sao Paulo/SP)
Enviado em 6/11/2009 às 5:11:46 PM

Caro jornalista, muito bom seu artigo. Lembro-me de entrevistas interessantes de cientistas americanos que percebem no excesso de informações uma certa estratégia humana de corroborar o pensamento antigo, ainda que incoerente com a realidade científica, por exemplo, por mais que o pensamento novo e científico venha conquistando o conhecimento público. Um exemplo citado nestas entrevistas é o crescente número de professores criacionistas na rede de ensino contra um número muito pequeno de professores “Darwinistas”. O apelo em quantidade de argumentos criacionistas é tão grande que supera o científico argumento evolucionista. A quantidade de informação criacionista é absurdamente maior que a informação evolucionista, seja na internet, através do Google, seja pela mídia televisiva, pela imprensa escrita, etc. Acredito que a tal pilha de nove andares seja um número realista, se contarmos somente a quantidade de informações criacionistas que o cidadão recebe em média em sua vida, enquanto que a informação evolucionista deste mesmo cidadão muitas vezes cabe em uma folha de papel apenas, e ainda por cima fica lá debaixo da pilha, totalmente inacessível. Isso é apenas um exemplo, entre as demais áreas do conhecimento em que a informação cumpre papel de transferir algo realmente benéfico em termos de conhecimento ao cidadão. Agora, já em outras áreas, a situação é pior.
Ney José  Pereira, Contador (São Paulo/SP)
Enviado em 6/11/2009 às 5:08:30 PM

Devemos "gastar" ou "investir?" o nosso "tempo", sim, com as informações e com os conhecimentos!. Jamais devemos "perder" tempo com... falácias!.
Roberto  Ribeiro, arqueólogo (Aracaju/SE)
Enviado em 6/11/2009 às 4:50:25 PM

Ora, uma das primeiras coisas que eu aprendi é que ninguém lê um jornal de cabo a rabo, da primeira à última linha. Lá estão montes de informações, mas vc escolhe o que ler. Alguém lê todos os classificados? Alguém não deixa de vasculhar até a última linha de cada notícia? Não é por isso que existe uma hierarquia na redação de uma notícia: as primeiras informações são as mais importantes, a cada parágrafo a informação se torna menos relevante. Em geral só lemos manchete e lead. Logo sempre houve excesso de informação (nunca ninguém leu todos os livros de uma grande biblioteca) e sempre houve mecanismos de escolher e usar essas informações. Nunca um indivíduo sozinho usará todas as informações de que a humanidade dispõe. Alguns indivíduos usarão umas, outros outras, algumas não serão usadas, mas devem estar à disposição para o caso de necessidade. Logo, não percamos tempo com falácias.
Ney José  Pereira, Contador (São Paulo/SP)
Enviado em 6/11/2009 às 4:36:29 PM

Para que tanta informação pergunto eu!. Mas, há uma diferença (não sei se sutil ou fundamental) entre a "informação" e o "conhecimento". Realmente o "conhecimento" -"na velocidade da luz"- é mesmo necessário!. Mas, para que tanto (ou nem) tanto "conhecimento" se não há "oferta" para ele ser empregado?. E por falar em "empregado" nem tanta informação nem tanto conhecimento gerou ou gera ou gerará "emprego"!. A não ser para os tais "gênios"!. Rarará!. Observação: Esse rarará é uma dedição aos tais gênios!. Principalmente aos tais "gênios" da "politicologia"!. Brasileira!.
Hugo  Rosa, Engenheiro (São Paulo/SP)
Enviado em 6/11/2009 às 2:55:07 PM

Algumas considerações. Maior quantidade de informação não implica em maior qualidade. A quantidade de informação sempre foi grande, desde de a Grécia Antiga existem milhares de documentos, hoje se facilitou o acesso a eles. Quanto aos gênios desde de o início eles tiveram acesso a muita informação, todos eles leram muitos trabalhos de seus predecessores. A criação de nova informação é um evento mais raro do que muitos pensam, muita informação é apenas retransmitida. O segredo está em saber processá-las. É isso que cria os gênios, eles sabem filtrar se concentrando apenas no importante. Quanto as escolas, há uma outra questão envolvida, só informação não basta, os aprendizes precisam ser guiados no oceano de dados para conseguirem aprender.
Carlos  Daniel, Contador (Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 6/11/2009 às 11:13:21 AM

Será que chegará o dia em que as escolas serão descartadas? Já que temos toda informação disponível na internet não há a necessidade de saber dedução de fórmulas ou decorar algo. As mudanças estão ocorrendo rápido demais. Sinto-me lento.
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Pesquisa mostra que blogosfera policial tornou-se um grupo de pressão dentro da estrutura de segurança pública
Postado por Carlos Castilho em 4/11/2009 às 12:50:16 AM
 
 

A pesquisa organizada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Cândido Mendes (RJ), e pela delegação da UNESCO no Brasil é uma prova de como os weblogs estão subvertendo hierarquias em algumas das mais verticalizadas e centralizadas organizações da sociedade contemporânea.

 

Nos quartéis ou delegacias policiais um subordinado não ousa criticar o seu superior ou protestar contra alguma ordem dos comandos, mas nos 70 blogs listados na pesquisa e produzidos por policiais civis e militares em todo o Brasil, o que mais se discute são salários, injustiças, privilégios, política e questões de segurança pública. Se não fosse pelo título, talvez fosse difícil identificá-los como páginas produzidas por policiais fardados e a paisana.

 

O trabalho coordenado pelas pesquisadoras Silvia Ramos e Anabela Paiva é uma radiografia da blogosfera policial e oferece uma rara oportunidade de observar como a mudança de valores provocada pela internet conseguiu penetrar até mesmo em organizações caracterizadas pela falta de transparência pública.

 

A primeira grande surpresa revelada pelo estudo é a constatação de que os policiais consideram o blog como uma ferramenta política (40% das opiniões emitidas no questionário online). Este fato se torna ainda mais interessante quando a pesquisa mostra que 58% dos blogueiros consultados são considerados subalternos dentro da estrutura das polícias militar e civil. Como era previsível, os homens formam mais de 90% do conjunto da amostra pesquisada.

 

Geograficamente, a maioria dos blogs policiais está concentrada no Rio de Janeiro (22 dos 70 pesquisados), seguindo-se São Paulo (11 blogs),  Minas (10), Goiás (7), Rio Grande do Sul (três blogs) e Bahia, onde está o Abordagem Policial. Onze estados brasileiros têm menos de dois blogs policiais listados na pesquisa do CESeC e da UNESCO/Brasil.

 

Nada menos que 58,9% dos blogs pesquisados, quase todos criados a partir de 2007, são produzidos por membros das polícias militares, seguindo-se os integrantes das guardas municipais (15,1%) e os policiais civis (13,7%) e os bombeiros, com 4,1%. Policiais aposentados ou na reserva e os policiais rodoviários federais participam com 1,4% cada, na amostra. Curiosamente não aparece nenhum blog produzido por integrantes da Polícia Federal.

 

Outra constatação surpreendente: apenas 1/3 dos entrevistados tem menos de 29 anos, contrariando a idéia de que a blogosfera é dominado pelos mais jovens. No caso da pesquisa sobre blogs policiais, os blogueiros com mais de 40 anos foram 37,7% do total estudado e 62% de todos têm curso superior completo, incluindo pós-graduação.

 

O índice de visitação dos blogs policiais é baixo. Quase 70% deles têm menos de 500 visitas diárias e, dos restantes, 26% chegam aos mil acessos por dia. Muito pouco se comparado aos 250 mil acessos diários do blog Caso de Polícia, do jornal Extra, do Rio de Janeiro. Mas a repercussão dos textos publicados é grande porque a maioria esmagadora dos visitantes é formada por pessoal da segurança pública e organismos de segurança.

 

A blogosfera policial não se limita aos PMs, bombeiros e policiais civis. Também há jornalistas participando deste diálogo horizontal sobre segurança pública, alguns deles veteranos no uso de blogs como Jorge Antonio Barros, autor do Repórter do Crime, publicado no jornal carioca O Globo desde 2005. Outro blog jornalistico famoso na blogosfera policial é o Body Count (Contagem de Cadáveres) produzido em Recife por quatro repórteres que imitaram um modelo norte-americano.

 

O interessante na blogosfera policial é que ela funciona basicamente movida por questões internas, ou seja, se transformou num canal de diálogo não apenas entre comandantes e subordinados, mas também entre membros de diferentes corporações e até com jornalistas e pesquisadores da segurança pública.

 

É claro que o marketing tem uma razoável participação, como mostrou o comandante da Policia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mario Sergio Brito Duarte, que no dia seguinte à sua posse, em agosto de 2009, criou um blog do comando da PM carioca.

 

Os subordinados do coronel Duarte não esperavam muita coisa além de um novo canal para divulgar ordens de serviço, mas o gesto do comandante acabou legitimando todos os demais blogs de integrantes da corporação e dificultou a adoção de represálias contra os policiais que porventura criticarem seus chefes ou as políticas de segurança pública no país.

 

A janela estreita que se abriu no fechado universo dos quartéis e delegacias pode dar à sociedade a chance de ver o que há de podre dentro da estrutura policial brasileira. Vai também poder mostrar até que ponto a formação de redes entre policiais blogueiros está criando uma estrutura deliberativa paralela que põe em xeque valores centrais nas corporações, como é o caso da cadeia de comando vertical.

 

Leia também

 

Os blogs no debate sobre segurança pública - Ana Lúcia Guimarães e Nelson Souza Aguiar

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George Felipe  de Lima Dantas, Professor/Policial Reformado (Brasília/DF)
Enviado em 6/11/2009 às 1:42:47 AM

Já era de esperar, portanto, que "boas más perguntas" de cunho político-ideológico fossem formuladas com viés certo e constante, ingenuamente respondidas por blogueiros policiais e que são, na verdade, a "primeira linha" da transparência da categoria. Mas inverte-se um jogo histórico com uma abertura dos policiais e suas instituições. O que não parece ter sido invertida é a atitude intelectual de nichos acadêmicos na "demonização" dos policiais e de suas instituiçõe
George Felipe  de Lima Dantas, Professor/Policial Reformado (Brasília/DF)
Enviado em 6/11/2009 às 1:41:12 AM

É sintomático como pesquisas externas sobre temas policiais, desde as que focam questões as mais técnicas possíveis da atividade-fim, até as de cunho sociológico e cultural interna-corporis, como ao buscar decodificar e interpretar os simbolismos prevalentes no "ethos" da categoria tenham que terminar sempre por algum tipo de conclusão de negatividade extrema. Isso vai citado textualmente no que vai acima no artigo de Carlos Castilho: "dar à sociedade a chance de ver o que há de podre dentro da estrutura policial brasileira". Não participei do grupo daqueles que produziram respostas aos instrumentos, exatamente por temer a hipótese, agora confirmada, da "tábula rasa" sempre negativa ao final de qualquer inferência sobre amostras da população policial do país. E Carlos Castilho não está incorreto no que ele próprio infere do universo amostral, após a coleta e compilação das respostas da "survey".
Marcos  Chaves, Func. Publico (BHte/MG)
Enviado em 5/11/2009 às 8:39:56 PM

Aqui tem censura aos Comentários? Certo é que não publicarão este questionamento.
Comentário do Autor
Oi Marcos,
Porque você faz esta pergunta? Você se refere a um questionamento. Que questionamento é este? Por favor, seja claro, porque todos os leitores do Código sabem que não censuramos comentários.
Um abraço
Castilho
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“Conversas impossíveis” se multiplicam nos blogs e redes sociais
Postado por Carlos Castilho em 31/10/2009 às 4:59:18 PM
 
 

No dia 27 de outubro aconteceram 5.296 contatos online entre palestinos e israelenses, 7.965 mil diálogos entre sérvios e albaneses, 7.231 conversas entre indianos e paquistaneses e 14.586 mensagens trocadas entre gregos e turcos, dois povos que vivem às turras desde 1922.

 

É o que registrou a página Peace on Facebook, organizada pela rede social Facebook em pareceria com o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) para promover na internet contatos bilaterais apartidários entre protagonistas de conflitos políticos, religiosos e étnicos ao redor do mundo.

 

Os diálogos em curso na página Peace On Facebook acontecem numa rede social que tem cerca de 300 milhões de usuários em todo o planeta e podem ser acompanhados por qualquer pessoa. Além dos conflitos mencionados no primeiro parágrafo, o site registra ainda os contatos entre os seguidores de duas vertentes antagônicas do islamismo, os sunitas e xiitas, entre católicos e protestantes na Irlanda e até entre adversários políticos como os democratas e republicanos, nos Estados Unidos.

 

Cada uma destas situações de conflito é monitorada a partir de mensagens deixadas em páginas da rede Facebook. O projeto monta um gráfico da evolução diária dos contatos em cada conflito ao mesmo tempo em que promove uma pesquisa, também diária, sobre as expectativas de paz no mundo, com consultas a 500 usuários da rede social em 12 países diferentes.

 

A pesquisa sobre expectativa de paz mostrou que os norte-americanos são os mais pessimistas, pois só 8,5%  acreditam na possibilidade de todas as guerras serem eliminadas dentro dos próximos 50 anos. Os mais otimistas, acredite quem quiser, são os e os israelenses (29,3%) e os colombianos (39%).

 

Os diálogos impossíveis também acontecem na blogofera, o universo virtual dos weblogs, como mostrou Charles Cameron, da página Smart Mobs no texto em que conta o caso de John Robb um especialista inglês em antiguerrilha que conversa via seu blog Global Guerrillas com o líder do principal grupo rebelde da Nigéria, responsável por danos avaliados em 50 bilhões de dólares em conseqüência de atentados contra instalações petrolíferas de empresas européias.

 

O potencial da Web para integrar horizontal e descentralizadamente comunidades sociais em conflito mútuo está tornando cada vez mais freqüentes e intensos os chamados  diálogos impossíveis pela internet, como o que está sendo travado via blog por uma especialista australiana em antiterrorismo e um dos principais artífices da estratégia militar do Taliban, a guerrilha afegã que é hoje a principal dor de cabeça dos Estados Unidos no mundo.

 

Este universo pouco conhecido das iniciativas de paz pela internet ainda está carregado de muitas dúvidas e suspeitas, uma herança das paranóias da extinta Guerra Fria. O projeto Peace on Facebook, por exemplo, é criticado pelo fato de que seu parceiro no MIT é um departamento que responde pelo intrigante nome de Instituto Tecnológico da Persuasão, que produz uma página chamada Peace Dot.

 

A conversa virtual entre a australiana Leah Farrall e o afegão Mustafá Hamid, mais conhecido no terrorismo internacional como Abu al-Masri, é parte da preparação de uma tese de doutorado pela australiana, especialista em inteligência antiguerilheira e autora do blog All Things Counter Terrorism, o que gerou especulações sobre o seu real objetivo.

 

Inicialmente foram levantadas dúvida sobre a autenticidade dos comentários do líder afegão, mas depois surgiram comprovações independentes de que eles são realmente verídicos. O que ainda não está claro é se Leah e al-Masri estão genuinamente buscando uma aproximação ou se tudo não passa de um exercício de contra-inteligência.

 

As interrogações ainda são muitas neste processo de aproximação de adversários via internet. Mas alguns especialistas na Web, como o professor e escritor norte-americano Howard Rheingold, acreditam que a rede pode estar começando a reproduzir parte daquilo que  o filósofo francês Teillard de Chardin classificou como uma noosfera,um espaço de idéias em estado puro, não contaminado pelas paixões.
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Denys  Cruz, Analista (Manaus/AM)
Enviado em 3/11/2009 às 1:41:14 AM

Excelente artigo. Parabéns pelo trabalho.
Fabio  de Oliveira Ribeiro, advogado (Osasco/SP)
Enviado em 2/11/2009 às 10:59:26 AM

Você está valorizando demais estes contatos que menciona ou desprezando a importância maior os outros contatos. A guerra é fruto dos contatos privilegiados entre comandantes e comandados (em ambos os lados), entre militares e fornecedores de armamentos, entre políticos e militares, entre jornalistas (que ajudam a criar a representação pública do inimigo) e políticos e militares. No Rio de Janeiro os contatos comerciais entre a classe média e alta (consumidora de drogas) e a classe baixa (que vende drogas nos morros) fornece aos traficantes os meios de continuar a explorar seu negócio. Os contatos entre traficantes e policiais corruptos e políticos ainda mais corrompidos fomenta a ineficiência e a brutalidade pública no combate ao tráfico. Você quer falar de contatos que fomentam a paz? Então tem que falar daqueles que permitem à guerra prevalecer e ser permanente.
Comentário do Autor
Oi Fábio,
Estava sentindo falta dos teus comentários. Fabio, não dá para falar de tudo ao mesmo tempo, num post de pouco mais de 40 linhas. Você tem razão, não se pode falar de paz sem falar também nos fatores que alimentam conflitos. Mas este é o grande drama de quem tenta colocar as coisas em perspectiva. Sempre está faltando uma coisa. Sempre terminamos o texto e sentimos que algo faltou. Não é desculpa não, é uma constatação à qual eu ainda não me acostumei e acho que nunca vou aceitar passivamente. Mas vamos lá, eu selecionei falar de algumas "conversas impossíveis" para mostrar que é vi[ável sim tentar algum tipo de aproximação entre opostos, porque a Web oferece um ambiente especifico. Até agora só podiamos conversar com desafetos em ambientes públicos onde a pressão social impõe regras sobre as quais não temos muito controle. Mas a Web, em especial os blogs permitem conversas "olho no olho", onde a carga emocional das divergências pode ser minimizada. Não é uma receita geral, mas é uma possibilidade. Foi mais ou menos isto que tentei transmitir no post, ressalvando que é dificil contextualizar plenamente as circuntâncias em que ocorrem estas conversas. Fabio, um grande abraço e não desapareça. Castilho
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Carlos Castilho
* Ex-repórter - revista Fatos & Fotos
* Ex-redator internacional - JB
* Ex-editor internacional - Opinião
* Ex-editor telejornais - TV Globo
* Ex-chefe do escritório da TV GLobo em Londres
* Ex-redator - Cadernos do Terceiro  do Terceiro Mundo;
* Ex-correspondente latino americano  do jornal Público/Lisboa
* Ex-editor internacional do JB;
* Ex-editor associado do The World Paper/ Boston;
* Ex-editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica;
* Ex-consultor de advocacy na mídia para a União Européia;
* Professor de Jornalismo Online , Faculdades ASSESC (Florianópolis);
* Professor de Projetos Multimídia (pós-graduação latu senso) no CESUSC / Florianópolis;
* Professor de Jornalismo Online (curso a distância) no Knight Center, Universidade do Texas; 
* Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005.
* Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas.
* Mestre em Mídia e Conhecimento pelo EGC/UFSC. 
-Reside em Florianópolis / SC
email ccastilho@gmail.com


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