Postado por Mauro Malin em
21/10/2006 às 8:38:26 AM
É um escândalo jornalístico que o Estado de S. Paulo tenha conseguido esconder na página 7 do caderno "Metrópole" (entre aspas, porque não fez jus ao nome) a repressão, pela Polícia Militar, de uma manifestação em defesa da vida feita por universitários na Avenida Sumaré, São Paulo, ontem à noite. Uma estudante havia sido atropelada por um motoqueiro. Os estudantes dizem ter enviado 87 ofícios à Prefeitura para pedir um sinal luminoso ou a construção de uma passarela nesse ponto da alucinada avenida. Mas a lógica da Prefeitura é malufista. Desde bem antes do advento de Paulo Maluf, diga-se de passagem. Maluf é que se encaixou no figurino.
A Folha de S. Paulo deu o assunto na primeira página, abaixo da dobra, mas com destaque. No caderno Cotidiano, o assunto ocupou a capa e a página 3. Com direito a: reportagem principal, mapa do local, três fotos expressivas, reportagem secundária, um box com recapitulação de outro episódio de violência policial na mesma avenida e outro com a palavra oficial da Polícia. Trabalho de três repórteres e um repórter fotográfico.
Também deram o assunto na primeira página o Agora São Paulo - abaixo da dobra, mas com direito a foto -, o Jornal da Tarde (chamada de três linhas, no pé) e o Diário de S. Paulo (idem). Até o Globo reproduziu, na página 17 do primeiro caderno, a reportagem e a foto do Diário de S. Paulo.
O Estadão reduziu o fato a um quadrado de nove centímetros e meio com uma foto ininteligível e um texto de dez linhas.
Se o Estadão fica a cinco quilômetros do local do conflito, é muito. A Avenida Sumaré é o caminho para o Estadão, a partir da Zona Oeste e da Zona Sul de São Paulo.
A reportagem e os editores do Estadão tiveram um fim de semana antecipado. Começou na tarde de sexta-feira.
Em tempo: a Agência Estado também estava dormindo. Não deu nada sobre o assunto. Idem quanto a Globo Online e IG. O Terra deu o assunto às 5h32 desta manhã de sábado. A Folha Online, às 7h10. Agora existe um portal G1, das Organizações Globo. Pretende-se competente. O melhor que conseguiu foi encaixar-se entre o Terra e a Folha Online: a notícia entrou às 6h23, um bom tempo depois da chegada dos jornais às bancas.
[Adendo em 24 de outubro. Recebo do editor do G1, David Butter, a seguinte correção:
"O trecho não é correto. O G1 subiu o primeiro flash sobre o confronto na Sumaré às 22h do dia 20/10. Demos bem antes dos jornais e, para registro, antes da concorrência eletrônica. O que entrou às 06h23 foi uma galeria de fotos (material extra). Que tal conferir?
Em minha defesa posso dizer que procurei o quanto pude essa notícias no site do G1, na manhã de sábado, dia 21. Não encontrei. Desconfio que sei por quê. O site tem uma divisão entre Rio de Janeiro e São Paulo que confunde o usuário. Pelo menos a mim, confundiu.
De todo modo, está feita a correção.]
E depois dizem que o online vai matar os jornais. Por enquanto, só se for matar de rir, ou de chorar.
Marcos D. Almeida, Gestor da Produção de Sistemas
(São Paulo/SP)
Enviado em 23/10/2006 às 5:56:27 PM
Boa tarde, Concordo com o repórter sobre seu ponto de vista com relação à moça que se feriu. De fato muitas pessoas morrem ou se ferem no trânsito de São Paulo. O que vem ao caso é a ausência da simples faixa de pedestre que poderia ter evitado este e muitos outros acidentes. Estudo nessa faculdade há quase um ano e noto que todo mundo quase que não mora na Zona Sul de São Paulo precisa atravessar a avenida naquele ponto. Não existem faixas próximas e o ponto de ônibus fica exatamente do outro lado, onde se pede há muitos anos uma faixa e um semáforo. Acredito que não seja tão custosa a implantação destes dois elementos. Ainda mais agora que foi criada a faixa exclusiva de motos. Os carros podem estar parados que as motos passam à toda. Não existe sequer fiscalização de velocidade para os motoqueiros. A imprensa podiar se juntar com a faculdade e o corpo estudantil para tentar implantar esta faixa e sinalização eletrôica. Não acho correto e nem digno a polícia tratar estudantes como se fossem animais. Se fossem bandidos a polícia chegaria bem depois de acabada a confusão. Acredito que avenida foi parada em um ato não de revolta mas sim como um grito de "olha para mim!!!, estou aqui. Tem gente morrendo por imcopentencia de vc´s". Não queriam atrapalhar ninguem, só querem (aliás, queremos) ajuda!
Willian Cruz, Gerente de Sistemas
(São Paulo/SP)
Enviado em 23/10/2006 às 3:32:09 AM
Aviso à imprensa: no trecho em frente à faculdade, a avenida tem o nome "Paulo VI" e não "Sumaré". E sobre o estado da estudante atropelada, alguém comentou? No fim, ela deixou de ser um ser humano ferido e virou só um detalhe, um estopim de confusão. E o outro ser humano que estava em cima da moto, não se feriu também? Ou a moto andava sozinha, como leva a crer a cobertura da imprensa?
Comentário do Autor
O Estadão, que não fez a matéria adequadamente, deu o nome correto do segmento da avenida.
Ninguém se preocupou com a moça ferida. Alguém já contou quantas pessoas morreram de modo violento, fora de acidentes aéreos, desde o acidente da Gol? O conceito de notícia, daquilo que "interessa publicar", é de uma crueldade muito grande.
josé paulo badaro, desempregado
(são paulo/SP)
Enviado em 22/10/2006 às 9:19:09 AM
Tá...Claro que não se pode calar diante de uma truculência dessas mas, sei não... vendo na TV a estudantada bem vestida e bem tratada dos Jardins que apanhou da polícia feito gente grande me pareceu tanto com o eleitorado elitista do prefeito Serra e do governador Alckmin (a tal elite branca da qual fala o Lembo), que aquele meu lado mau e incontrolável bem que cochichou na minha orelha: Bem feito! Quem pariu Matheus que o agüente...
Comentário do Autor
Mas a questão não é saber em quem a Polícia bateu. O trânsito alucinado mata principalmente crianças e idosos, de diferentes estratos sociais. Como se pode perder de vista tão cegamente o fio da meada? O que isso tem a ver com "elite branca"? Quem são os estudantes dessa faculdade particular? Milionários, juventude dourada?
O fato mais importante que deixou de ser devidamente coberto por um jornal e diferentes serviços na internet não foi propriamente a pancadaria policial, infelizmente disseminada, mas o desespero de pessoas que não sabem mais o que fazer para obter um mínimo de atenção, um mínimo vital, ou seja, que preserve vidas. Se é assim na Avenida Sumaré, imagine-se nas periferias.
Roger Nedeiros, Industriário
(São Paulo/SP)
Enviado em 22/10/2006 às 1:37:45 AM
Vcs não acham muita coicidência? Será que é só falta de criatividade? Mau jornalismo? - Folha: Secretário de Lula ligou para ´articulador´ do dossiê - Estadão: Assessor de Lula foi o mentor do dossiê, diz PF - Globo: Amigo de Lula coordenou operação do dossiê, diz PF - Correio: PF: amigo de Lula articulou dossiê
Comentário do Autor
Não é coincidência: é a "policialização" da política, esparrela na qual a mídia cai desde a época do impeachment de Collor. E, é indispensável anotar, praticada como ninguém pelo PT de José Dirceu e Aloysio Mercadante, entre outros. É a chamada volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar. O grande problema, me parece, é que os partidos políticos e a mídia dão relevância indevida a uma Polícia e a uma Justiça que estão longe de ter uma atuação satisfatória - para dizer o mínimo, e do modo mais elegante possível.
SOLEDAD SOLEDAD, variadas
(São JOsé do Rio Preto/SP)
Enviado em 22/10/2006 às 1:14:14 AM
Só de curiosidade: a edição do Estadão deste sábado tem 98 folhas, sendo que destas, 70 são tomadas por progadandas, inclusive sendo 27 páginas todinhas tomadas por anúncio. Outra curiosidade: no seu Fórum de leitores desta edição, várias cartas, se não me engano mais de 10, com opiniões sobre o Governo Lula. Todas contra, nem uma ao menos pra contraditar. É mole, ou quer mais?
Comentário do Autor
As seções de cartas muitas vezes são "editadas".
Eduardo de Oliveira, Funcionário Público do Estado
(São Paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 10:43:07 PM
Vamos para o incompreensível, fatos ou furo jornalístico como este, e para nós refletirmos a questão da parcialidade política da mídia e indagarmos ou refletir sobre o que acontece com as setenta e poucas CPIs adormecidas na Assembléia Legislativa de SP.
São fatos que devemos debater com toda sociedade a questão da democratização da mídia, porque observo a manipulação deste conglomerado de pool de empresas jornalísticas a favor de segmentos partidários do PSDB e PFL, se não conseguirmos levantar a bola da democratização e ética na mídia, ainda estaremos acorrentados e abandonados a própria sorte.
Roger Nedeiros, Industriário
(São Paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 10:41:53 PM
As manchetes dos Jornais de hoje foram uma total vergonha!!!!Todos os jornais se articularam e combinaram as manchetes, que hoje, coicidentemente foram citadas na propaganda do Alckmin. Sinceramente estou com dó dos jornalistas sérios deste país. Se isso continuar, vão acabar todos sendo colocados no mesmo caldeirão e sofrerão com as generalizações, assim como estão fazendo com o partido dos trabalhadores. É muito triste!! Por outro lado, mostra também que a população de classe média, que é a que lê jornais , está mais reflexiva e atenta. Não vão permitir golpes, como aquela tentativa de golpe que aconteceu com o Brizola no Rio ou como a que aconteceu com o Lula quando disputou as eleições com o Collor. Dessa vez a coisa não vai ser tão fácil assim.
Comentário do Autor
Não existe a mais remota hipótese de que os jornais tenham se articulado para o que quer quer seja. Outra coisa é a coincidência de percepções, inclinações políticas, interesses, etc. E que tal pensar no escândalo que consiste em a Polícia encontrar R$ 1,7 milhão com integrantes da campanha de Lula?
Schetini Rossi, comerciante
(São Paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 10:31:35 PM
Essa prefeitura foi há pouquíssimo tempo do SERRA. Assim como o governo do estado foi há pouquíssimo tempo do Alckmin. De quem é a responsabilidade pelo comportamento da Polícia Militar e Municipal? Outro dia achei a maior graça devido a alguns Jornais terem dado destaque a uma garotinha que "fez" o Alckmin assinar uma carta compromisso contra as privatizações. Vocês se lembram da carta compromisso do Serra? Aliás, vcs viram o vídeo do Alckmin no Yotube? Creio que assumir responsabilidades não é o grande forte de muitos políticos.
Luis Neubern, Administrador de Empresas
(São Paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 8:44:45 PM
Muito bom, Mauro. En passant, culpa também São Paulo pelo golpe militar. Por que cita apenas as figuras carimbadas paulistas? Ademar, Jânio, Maluf, até Eneas é nossa culpa (devo procurar um analista, é muita culpa para se carregar). Por que não cita, por exemplo, Sarney, o grande Coronel do Maranhão? Você também esqueceu de outro paulista ilustre, que caberia bem em sua lista, Delfim Netto.
Será que o esquecimento tem alguma relação com eles apoiarem Lula? De qualquer forma, para mim, tal estratégia é perigosa. A qualidade administrativa destes senhores citados é péssima. Entendo que este é o argumento correto. Entendo que a crítica ao Estadão deveria ser: por que os jornalistas não investigaram o procedimento dado aos 87 ofícios junto à prefeitura. Excesso de burocracia, descaso, enfim, o que a prefeitura ou subprefeitura tem a dizer. Criticá-la por ser ademarista, aalufista ou seja lá o que for, serve apenas para criar ressentimento.
Comentário do Autor
Não é "a Prefeitura". É a lógica da prefeitura. Lógica da administração pública brasileira, paulista, paulistana. Algo que vai bem além das colorações políticas contemporâneas ou passadas.
Eduardo Tampieri, Técnico em computação
(Belo Horizonte/MG)
Enviado em 21/10/2006 às 8:12:55 PM
Simples, o motoqueiro não era petista.
Mauro D.F, Publicitário
(BElo Horizonte/MG)
Enviado em 21/10/2006 às 7:36:48 PM
Isto tudo porque bater em estudante é mais fácil do que pegar os bandidos do PCC....
Sonia meira, patriota
(Brasil/IN)
Enviado em 21/10/2006 às 7:29:36 PM
REALMENTE ESTÃO DORMINDO, NINGUÉM QUER SABER O QUE TEM DENTRO DO DOSSIÊ.
OU NÃO QUEREM ACORDAR PORQUE NÃO SERIA BOM PARA OS NEGÓCIOS?
Eduardo Lettieri, Pesquisador
(sãopaulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 6:50:09 PM
Outra notícia que não vi em nenhum jornal foi a dos policiais militares temporários. Isso mesmo, existe uma subcategoria de policiais que trabalham em torno de 1 ano e meio na corporação. A matéria saiu no Datena, mas só saiu pq um dos policiais free-lancers perdeu uma perna e a corporação lhe negou os direitos. E aí foi aquele sensacionalismo. Esse policiais não têm direito aos benefícios dos seus pares. Depois ninguém entende o motivo pelo qual o PCC ´cresceu´ frente à polícia. Alguém vai respeitar policial militar free-lancer?! Por outro lado, por que esse meio policial vai botar a cara para bater. Falando nisso me parece que em maio desse ano alguma centenas de pessoas foram mortas. Eu estou certo? Houve isso mesmo? Me parece que iriam soltar os laudos das mortes... Estou certo ou andei tendo pesadelos? Uma coisa é certa, a imprensa paulista não cobre nada sobre o seu estado, mas se cai uma xícara no Planalto....
Comentário do Autor
Dizer que não cobre nada é exagero. Cobre, mas não tem um planejamento para acompanhamento continuado, sistemático, de temas altamente relevantes. Eu ando defendendo a tese de que a organização das editorias está obsoleta (não se trata de criar novos cadernos). Se houvesse editorias de segurança pública talvez fosse menor o relaxamento. Uma editoria de segurança pública poderia disputar espaço na primeira página pela qualidade de seu material.
Também me parece que repórteres que cobrem assuntos sociais deveriam acompanhar repórteres de polícia e vice-versa durante algum período. Para que ambas as categorias entendessem melhor o contexto em que certas coisas ocorrem.
Hoje eu designaria os melhores jornalistas para apurar e editar assuntos de segurança pública. Mas dentro dessa linha de contextualização, não para fazer matérias que "dêem ibope".
Se, de fato, o pior da crise financeira dos veículos já passou, é possível pensar em novos planos. Se o critério continuar sendo o de cortar despesas, nada feito.
Luis Neubern, Administrador de Empresas
(São Paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 5:58:29 PM
Mauro, da mesma forma que você não pode culpar Suplicy pelos seus bisavós, São Paulo, também, não pode ser culpada pelos mesmos. O manganello já foi aposentado faz tempo, aliás, aqui no Brasil, os choques e afogamentos eram os mais utilizados, e não por italianos. Administrar uma cidade como São Paulo deve ser de uma complexidade tremenda. Imagine se a Prefeitura, e seu viés facista, construisse uma passarela na Avenida Sumaré para atender os pedidos dos estudantes. Pronto, oportunamente, a chamariaa de elitista, gasta com passarela em local de ricos para atender estudantes da Puc, onde só tem filhos de ricos. Pura lógica Malufista. Mas, quando o pior acontece, como o ocorrido, a prefeitura é insensível com a população, facista. Não quero aqui defender a prefeitura, muito menos os políticos que lá estão, mas não posso concordar com este seu discurso de prefeitura facista. Prefiro argumentar dentro de uma lógica de competência para aquilo que foram designados. Insisto, esta abstração, "elites facistas", que você utilizou e que, me parece em voga, o PT vem utilizando, só vai gerar ódio aos paulistas.
Comentário do Autor
Não escrevi "prefeitura fascista"; nem mesmo "prefeitura malufista". Falei em "lógica malufista". Obras. "Rouba mas faz". Mistura de ademarismo com reacionarismo. Não se esquecer de Jânio, antecessor de Erundina. De Plínio Salgado. Da montanha de votos dada ao doutor Enéas (lançado politicamente no Rio de Janeiro). Não se trata apenas de São Paulo, mas do Brasil inteiro. Quanto a São Paulo, foi a sede da passeata católica pelo golpe de 64.
A ditadura militar não teria durado 21 anos sem certo grau de consenso (*). E não pode ter durado tanto tempo sem ter deixado seqüelas. Mas estou falando de um modo de administrar que privilegia o patrimônio em detrimento da vida.
(*) De um depoimento de Lula dado em 2000 e publicado na internet:
"O golpe militar, para a gente, tinha outra dimensão do que tinha para quem fazia política já. Dentro da fábrica, o orgulho dos militares terem chegado ao poder era muito grande. As pessoas confiavam no exército brasileiro. O fato de que "o exército assumiu agora, vai acabar com o comunismo, vai acabar com a corrupção" era uma coisa muito forte.
Eu, nessa época, nem achava nada, mas ouvia os mais velhos comentarem e eles achavam isso. O exército, naquele tempo, parece que tinha uma respeitabilidade muito grande, a instituição Forças Armadas tinha uma respeitabilidade na sociedade. Então, o contraditório era que meu irmão Frei Chico, já era politizado, já era militante do Sindicato de São Paulo, já falava de golpe militar. E a gente não, na fábrica a gente ouvia o pessoal falar bem. Os velhinhos falavam: ´Ah, graças a Deus, que o exército agora vai colocar as coisas no eixo, vai acabar com a corrupção, vai acabar com o comunismo, aquele negócio todo´."
Marco Costa Costa, T.P.A.
(São Caetano do Sul/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 5:56:14 PM
Ontem o senhor chamou-me de analfabeto, porém sempre acreditei na sua vasta cultura e inteligência, procure ler vossa texto (comentário do autor) e descubra um erro de português.
Comentário do Autor
Não chamei ninguém de analfabeto. Quanto mais se escreve, mais se cometem erros. Especialmente em tela de computador. Na primeira oportunidade, procurarei o erro. Volta e meia encontro algum. Às vezes, antes de publicar o texto. Outras vezes, depois. E há os erros causados pela ignorância. Quanta coisa da língua se desconhece. Ou se pensa conhecer.
Marco Costa Costa, T.P.A.
(São Caetano do Sul/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 5:17:55 PM
O Estadão não precisa dar destaque para assunto polícial na primeira pagina. Sabemos que os leitores do Estadão são intelectuais de gabinete, com bom poder aquisitivo. Todavia, este pessoal não está nem um pouco preocupado com o assunto violência envolvendo estudantes. Esta gente está sim, preocupada com as suas economias. Assuntos policiais estão relacionados com a vida dura que os habitantes da periferia são obrigados a enfrentar.
Comentário do Autor
O Estadão faz boas coberturas de assuntos policiais, sobre a perferia. A teoria não se sustenta. Boas coberturas não significa "suficientes".
Certamente. Mas o dr. Saulo recebeu o bastão de muitos outros doutores. Não é preciso fazê-lo maior do que de fato é.
eduardo fernandes, estudante
(sao paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 4:55:10 PM
Só imagino que destaque não seria dado à matéria se o governador do Estado fosse do PT, talvez com a manchete: "Governo do PT espanca estudantes em São Paulo"
Comentário do Autor
É bem provável que sim. Talvez não em manchete, mas com título forte. Mas é melhor dar do que não dar. A pior coisa é não dar as informações.
Marco Tognollo, -
(Sao bernardo do campo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 4:40:44 PM
Realmente, o sr. tem razão. O tópico nada tem a ver com eleições. Mas o que eu quis dizer foi que o Estadao tem "comido bola", para nao dizer omitido informacoes e noticias em diversos assuntos. A primeira página está sendo utilizada tão somente para malhar Lula..... mas o sr. tem razão. Eu que havia me expressado mal...
Comentário do Autor
Como disse o inesquecível José Genoíno, "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". As duas coexistem.
José de Souza Castro, Jornalista
(Belo Horizonte/MG)
Enviado em 21/10/2006 às 4:32:16 PM
Mauro Malin, compreendo sua crítica ao Estadão, por não ter feito uma cobertura pelo menos razoável de um fato de interesse público que ocorria a poucas quadras de sua sede. Fui por mais de 30 anos um leitor compulsório do Estadão, por questão de ofício, mas não me lembro de que, nesse período todo, o jornal dos Mesquitas tenha se destacado na cobertura da cidade. Era um jornal muito mais preocupado com a cobertura internacional, do que local. Acho que é um viés provinciano bastante típico de um jornal mineiro, o Estado de Minas, que raramente vê o que se passa a sua volta, mas se mostra atento ao que ocorre em Brasília, Rio e São Paulo (talvez porque seja mais barato assinar agências de notícias do que manter uma boa equipe de reportagem para cobrir os assuntos locais). Enfim, para esses dois jornais parece não valer aquilo que a gente aprendia nos bancos da faculdade: mais interessa a notícia do cachorro que morreu atropelado na porta de sua casa do que a da morte de cem chineses num acidente de trem lá na China... É claro que a morte do cachorro, em jornal, só vira uma boa história quando narrada por um grande repórter... coisa que vai se tornando rara na nossa imprensa, não é mesmo?
Comentário do Autor
O Estadão tem bons repórteres, capazes de escrever reportagens bem mais complexas do que a referida. O objetivo desta crítica é chamar a atenção para o desleixo, para o vai-da-valsa. Existe no Estadão, tanto quanto eu saiba, um esforço sério para melhorar a cobertura de cidade, polícia, periferia. Muitas vezes não funciona. Mas eu não gostaria de transformar um caso numa lei.
Outra coisa: não foi só o Estadão. Os noticiários online comeram mosca. Todos. Podemos imaginar que o Terra foi o primeiro (entre os que conferi) a dar a notícia porque chegou lá a Folha de S. Paulo e alguém se deu conta da mancada. Se não é verdade, é plausível (não no sentido etimológico, como ensinava Drummond). O Jornal da Globo não deu. Será que as rádios deram?
Saulo Barbosa, controlador de estoque
(Leopoldina/MG)
Enviado em 21/10/2006 às 3:48:34 PM
A repressão policial descabida parece não merecer destaque. Os nossos carabinieri são nossos, né. Nada comparado à aquela molecagem em Genova, na reunião do G-8 em 2001. Fatos parecem detalhes, que só são relatados quando se encaixam numa pauta nascida nas editorias. Vai ver que naquele dia ninguém do Estadão precisava de umas fotos de repressão policial ou depoimentos de alunos indignados com a Prefeitura, para alguma matéria ser produzida. Algum amigo seu ligou hoje perguntando se você conhece alguém que já foi atropelado porque ele está escrevendo algo sobre atropelamentos na Av. Sumaré?
Marco Costa Costa, T.P.A.
(São Caetano do Sul/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 3:19:43 PM
Senhor Mauro, o senhor só não fez comentário do leitor para o meu belo texto. Não sou um profissional do proxetenismo, bem como da bajulação. Tudo que escrevi é a pura verdade.
Comentário do Autor
Eu, hein?
Luis Neubern, Administrador de Empresas
(São Paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 3:07:59 PM
Mauro, não dá para concordar com sua argumentação. Mesmo que "figuras" paulistanas tenham sido ou sejam fascistas, nazistas ou anti-semitas não se pode concluir que a gênese do paulistano é contrária ao bem social. Como você me explica então a eleição de Erundina, por exemplo. Ou a reeleição de Suplicy, que, segundo sua lógica, deve ser então um facista, a julgar seu sobrenome. Maluf foi eleito, é fato, mas o que o levou ao Congresso Nacional não foi o seu queixo erguido, mas sim a demagogia barata, a mesma que Lula tanto utiliza, e, entendo, de forma irresponsável, pois culpar uma tal "elite" paulista pelas mazelas da sociedade brasileira só serve para gerar ódio contra alguém que simplesmente nasceu em São Paulo. Ora, quem é elite. Para o porteiro do meu prédio sou da elite. Para o catador de sucata na rua o porteiro é a elite. Para mim a família Marinho é elite. Pura abstração.
Comentário do Autor
Ninguém falou em "gênese do paulistano".
Imagine se o senador Suplicy pode ser responsabilizado por alguma característica de parente dele.
Vou reproduzir aqui trecho de um artigo escrito há dois anos para o Diário de S. Paulo, sob o título "De Maluf a Marta":
"Um intelectual da classe média paulistana disse vinte anos atrás que todos os seus conhecidos moravam dentro de um círculo com centro na Praça da Sé e raio de seis quilômetros. Esse conceito se aplica ainda hoje aos dirigentes da cidade, espinha dorsal de uma das mais extensas áreas urbanizadas contínuas do mundo, algo como 80 quilômetros no eixo leste-oeste da Região Metropolitana, seguindo-se o traçado das principais avenidas.
A festa dos 450 anos coube dentro do exíguo perímetro. É claro que, não podendo a prefeita estar ao mesmo tempo em eventos que se realizassem, por exemplo, nas 31 subprefeituras, foi razoável simbolizar todas as regiões no Centro. A periferia teve pleno acesso à festa, que foi bonita e pacífica.
(....)
O fato é que nem a prefeita pode prometer céus e terras, nem se deve cobrar dela o impossível. Ainda está por provar que uma única prefeitura seja capaz de administrar a convivência de dez milhões de pessoas. Nem pensar em reproduzir aqui o modelo da Região Parisiense, onde há, para onze milhões de habitantes, oito departamentos e 1.231 prefeituras. Fragmentar o comando político de São Paulo poderia resultar em ainda maior segregação, aumento das desigualdades. O desafio talvez seja avançar dentro dos marcos existentes, com a raquítica tecnologia social e política disponível, e aumentar ao mesmo tempo o padrão de coordenação na Região Metropolitana.
Tudo é mais difícil numa cidade que, diz a retórica oficial, foi destruída pelas duas administrações precedentes e está sendo reconstruída. O que não se diz é que, num aparente paradoxo, o mesmo profissional que ajudou poderosamente Paulo Maluf a reconquistar a prefeitura em 1992 com habilidosos programas no horário eleitoral - e, portanto, a iniciar uma temporada de oito anos do que é descrito como destruição -, Duda Mendonça, vai ajudar a prefeita Marta Suplicy a tentar a reeleição. Como dizia o Barão de Itararé, de onde menos se espera é que não sai mesmo nada. Marta pode confiar em Duda, peça importante na eleição que levou Lula lá. E Maluf, se entrar na disputa, ajudará objetivamente Marta, a menos que a suplante, é claro.
São paradoxos onde mora um simbolismo complexo. Como o dessa mudança da sede da prefeitura para um prédio de estilo arquitetônico deliberadamente fascista, construído por Francesco Matarazzo, um dos bisavós do pai dos filhos da prefeita, o senador Eduardo Matarazzo Suplicy, por sinal o derrotado por Maluf-Duda em 1992.
Sugere estudo mais atento do passado.
Quem sabe ajude a entender o sucesso duradouro de Paulo Maluf saber que o fascismo teve força ideológica na colônia italiana, de longe a imigração mais importante na cidade. Ainda em 1953, relata Julio Fombellida Pita, imigrante espanhol, seu patrão, Nicola Cencini, dono de uma barbearia na Avenida São João, mostrava a um canto o manganello, bastão usado para bater em comunistas trazido da terra natal que, dizia, teria o maior prazer em usar novamente. Para horror do barbeiro Julinho, em cujo coração morava o avô, republicano que a perseguição de Franco obrigara a se exilar na França".
Teo Ponciano, músico
(São Paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 2:54:53 PM
Parabéns pela matéria, Mauro, muito embora eu discorde quando (em algumas respostas aos leitores) vc diz que não exista uma preocupação político-partidária na conduta dos principais jornais desta cidade. Não dá pra negar tambem um comportamento preconceituoso e extremamente conservador por parte da imensa maioria da classe média desta capital. Friso aqui que sou nascido e criado em São Paulo e amo esta cidade! O que norteou o comportamento editorial da imprensa foi, na minha opinião, a preocupação em não dar destaque pra algo tão negativo ao estado (o comando da polícia militar é atribuição do estado). Fica aqui uma contribuição ao slogan tucano: "Por um Brasil decente e sem gente"
Comentário do Autor
Atenção, atenção, o Ministério da Saúde adverte: ninguém escreveu "os jornais". Tratou-se especificamente de uma falha do Estadão, que provavelmente será logo corrigida (é capaz de a esta altura já estar nas bancas, na edição dominical).
Tampouco se disse que os jornais são imparciais, não têm viés político. Claro que têm. A manchete de ontem do mesmo Estadão, por exemplo ("Investigado, Freud mantém contato com assessor de Lula"), foi patética. Além de tudo, para um português ou africano de língua portuguesa parece que o espírito de Freud, o homenageado no batismo do amigo do presidente, está sob investigação e fez contato, do além, com um assessor de Lula. É desses títulos que merecem figurar em antologia. Por sinal, há 40 anos foram publicados exemplos bem engraçados em livro de um colaborador do Estadão, Joaquim Douglas, chamado A Técnica do título.
Luis Neubern, Administrador de Empresas
(São Paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 1:53:50 PM
"Mas a lógica da Prefeitura é malufista. Desde bem antes do advento de Paulo Maluf, diga-se de passagem. Maluf é que se encaixou no figurino." Mais um a incitar ódio aos paulistas. Os nazistas chegaram ao poder assim. O "bode" eram os judeus. Agora, passados 70 anos da tragédia que foi o holocausto, os métodos para alcançar o poder a qualquer custo são readaptados. Mudam apenas de figurino. Lamentável Sr. Mauro Malin.
Comentário do Autor
Ódio aos paulistas, não. Ódio de setores da sociedade paulistana a outros setores e a outros brasileiros e a estrangeiros que moram em São Paulo. Ódio, desprezo, despreocupação, falta de sensibilidade.
Um "progressismo" à la Marinetti, que chegou a encantar tantos intelectuais modernistas de 1922.
Os prédios feitos por arquitetos fascistas (como a sede atual da Prefeitura, encomendada pelo "conde" Matarazzo, que fez questão de deixar no testamento uma soma elevada para o partido fascista). O "conde" Crespi enterrado com o uniforme fascista. O queixo empinado de Maluf foi copiado de quem, senão de Mussolini?
O anti-semitismo retratado por Mario de Andrade em tantas passagens.
A lógica herdada e desenvolvida por Maluf é a do "não pode parar" - mesmo que isso signifique esfolar milhares, centenas de milhares, milhões.
É o contrário do que pensa o leitor. Mas acontece.
Em tempo: desde quando "a Prefeitura" é igual a "os paulistas" (paulistanos)? Durante quanto tempo os prefeitos foram nomeados?
Rosa Sart, Professora
(Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 21/10/2006 às 1:51:54 PM
Temos assistido a várias outras repressões pela polícia militar em cidades brasileiras. No Rio, a polícia reprime manifestações públicas de professores por melhores salários. Reprime os camelôs. Em SP, não é diferente. A polícia mata primeiro para depois perguntar o nome da pessoa. E a imprensa não pode esconder, minimizar, se omitir diante desses fatos. É legítima a reivindicação dos estudantes. Cito um caso semelhante ocorrido no Rio com alunos universitários. Eles também solicitavam passarela em frente à escola. Poder público, nada! Uma manhã, umas dezenas de alunas se deitaram na rua e impediram o trânsito de carros. A imprensa exibiu em primeira página. E a passarela foi construída. Em São Paulo, foram enviados 87 ofícios à prefeitura "tucana". Inadmissível que não tenham sido ouvidos os estudantes! E que a imprensa fez "corpo mole", "não se trata de bom furo", "não vamos molestar nosso "querido" prefeito, em período pré-eleitoral... não pega bem, são baderneiros pró-Lula.", etc. Mas uma vez, fica demonstrado a quem serve certo tipo de imprensa. O Estadão é um jornalão conservador, representante das oligarquias. E os outros não ficam atrás. O povo tem que se "indignar" diante da falta de respeito aos direitos humanos. Mas, se os estudantes, em vez de enviar ofícios à prefeitura, resolvessem "ocupar" a casa do prefeito, logo, todos holofotes estariam voltados para lá!
Comentário do Autor
O Estadão pode ser conservador, o que quiser. Mas o tópico aqui não tem nada a ver com isso. Quando quer, o jornal faz ótimas coberturas de assuntos de todo tipo. Eu poderia citar dezenas, centenas de exemplos. Não tem cabimento atribuir a uma falha de reportagem intenções político-ideológico-partidárias. Assim não se entende nada direito. Só se vocifera. Está na moda.
Elizabeth Lorenzotti, jornalista
(sao paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 1:22:36 PM
E olhe lá: a noticia só saiu na Folha, em página inteira, porque seu objeto foi um público de classe média. Os jornais populares de TV é que costumam cobrir as verdadeiras guerras que se trava na periferia entre moradores e PM, nas expulsões de familia que ocupam terrenos. Então, caro colega, talvez seja interessante você pesquisar o assunto também, e verá a escandalosa omissão da mídia, que só noticia, quando noticia, o que interessa à classe média e alta.
Comentário do Autor
Não tenho a menor dúvida disso. André Caramante, hoje na Folha (e um dos autores da reportagem) disse em entrevista a este Observatório que se orgulha de ter sido do Agora por isso: porque dava notícias da vida de gente "excluída", como se usa dizer.
Marco Tognollo, -
(Sao Bernardo do Campo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 1:15:21 PM
O Estadão (atualmente nao passa de "Inho", como na propaganda) está mais preocupado em derrubar Lula...... Está difícil ler aquele jornal; é um panfleto tucano.
Comentário do Autor
Mas o assunto de que trata o tópico não tem nada a ver com isso.
Thomaz Magalhães, jornalista
(São Paulo/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 11:56:10 AM
Eu não acho que os principais leitores do Estadão, a maioria deles há décadas e geralmente assinantes, estejam a fins de ver notícia de protesto estudantil com repressão policial na primeira página do jornal. Uma nota na seção de polícia dá e sobra.
Comentário do Autor
Para quem enxerga nisso só um caso de polícia, quem sabe.
helio araujo, corretor de imóveis
(Rio/RJ)
Enviado em 21/10/2006 às 11:07:54 AM
Já ví esse filme na Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro. Àquela época FHC e sua "turma" hoje no psdb/pfl, diziam ser contra a ditadura/violencia. Hoje, estão treinando para uma possibilidade de golpe contra a democracia.
Comentário do Autor
Não tenho a mais remota idéia de qual seja a correlação estabelecida pelo leitor.
Marco Costa Costa, T.P.A.
(São Caetano do Sul/SP)
Enviado em 21/10/2006 às 10:54:22 AM
Muito boa sua observação. Sou a favor do jornalismo verdade, igual ao que você tem realizado neste site. Parabéns!. Se todo jornalista fosse como você, a libertade de imprensa estaria totalmente liberada, pena que não são todos iguais. 1 Abraço!
Rene Amaral, Artista Plástico
(Niterói/RJ)
Enviado em 21/10/2006 às 10:16:43 AM
É a grande mídia a serviço de… …quem mesmo???
Comentário do Autor
Não é serviço, leitor. É falta de serviço.
Goretti Olivera, Psicóloga
(Recife/PE)
Enviado em 21/10/2006 às 10:13:19 AM
...é o caso da jornalista que, a dentadas, arrancou a falange de uma eleitora que vestia camiseta com a inscrição "Lula Sim". Não é emblemático este canibalismo? Serve para figurar na História como símbolo do momento que os meios que a classe jornalística está querendo comandar!
Comentário do Autor
O que tem uma coisa a ver com outra? Deveria haver multa para delírio em lugar público, como este site.