Código Aberto
Início > Blogs > Código Aberto
   
A semana da “grande degola" na imprensa norte-americana
Postado por Carlos Castilho em 3/7/2008 às 6:54:56 PM
 
 

A última semana de junho vai entrar para a história dos Estados Unidos como o período do pior massacre de empregos desde que Benjamin Harris publicou o  Publick Ocurrences, o primeiro jornal norte-americano, em 1690.

 

Cerca de mil jornalistas foram demitidos de jornais como The Baltimore Sun, The Boston Globe e  San Jose Mercury News, publicações de primeira linha na imprensa norte-americana.  Em pouco mais de uma semana a crise na indústria dos jornais fez mais vítimas do que nos três últimos anos.

 

O clima de pessimismo, que já era grande, ficou ainda mais pesado nas redações, porque os profissionais começam a perder a perspectiva do que ainda pode acontecer. Timothy Eggan, ex-redator estrela do The New York Times, prêmio Pulitzer e autor de cinco livros, comparou a cobertura das dificuldades na imprensa norte-americana à “leitura de uma coluna de obituários”.

 

No Brasil crescem a cada dia os rumores sobre a venda dos jornais do grupo O Estado de S.Paulo, um dos ícones da imprensa brasileira e cuja sobrevivência estaria ameaçada a médio prazo, segundo informações que circulam no mercado financeiro.

 

A intensificação da incerteza no meio jornalístico tornam necessárias duas iniciativas inadiáveis:

 

1)     Esclarecer que a crise é das empresas jornalísticas e não do jornalismo como atividade;

2)     Acabar de uma vez por todas com a ingênua atitude de achar que a transparência na imprensa é uma ameaça à sobrevivência dos jornais.

 

A indústria do jornal impresso está em crise porque o surgimento da internet como veículo de comunicação sacudiu um negócio que perdeu agilidade e a confiança dos grandes investidores, após anos de lucros considerados estratosféricos.

 

Isto tudo ocorre, paradoxalmente, num momento em que o consumo de notícias  bate recordes históricos. Também nunca se produziu tanta informação na história da humanidade como agora.

 

A sobrevivência do jornalismo como atividade não está ameaçada. Muito pelo contrário, as oportunidades começam a pipocar de forma cada vez mais intensa, como as criadas pela convergência multimídia e pela incorporação dos usuários na produção de informações.

 

A salvação da indústria da impressão de jornais é uma questão complicada porque depende de uma improvável combinação de fatores como egos, compromissos políticos, agilidade empresarial, criatividade financeira  e visão social.

 

Já para os profissionais do jornalismo, a sobrevivência é bem mais simples, desde que seja rompida a dependência em relação aos seus patrões atuais. Os dois principais desafios são a reciclagem tecnológica para adquirir habilidades e competências na era digital, e entender as exigências da nova ecologia informativa moldada pela computação eletrônica e pela internet.

 

São desafios enormes num momento em que as variáveis são cada vez mais numerosas. A situação se complica pela fluidez das receitas disponíveis, o que provoca uma incerteza permanente.

 

É cada vez maior a sensação de que não existirá uma formula mágica para resolver todos os problemas criados com a crise da indústria dos jornais e o crescimento da internet. Mas num ponto há consenso: as soluções inevitavelmente surgirão da troca de idéias e conhecimentos, o que significa transparência numa indústria cuja principal característica é a opacidade, especialmente no Brasil.

 

É lamentável, mas há muita gente que prefere perder tudo a abrir a caixa preta dos negócios na indústria dos jornais. 

 

Comentários (3)
Comentar
[imprimir]  [enviar a um amigo]  [link permanente]
   
   
Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem intolerância ou crime.
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
jose simoes  simões, observando o observatório (Nova Friburgo/RJ)
Enviado em 5/7/2008 às 1:05:01 PM

Senhores; Meu slogan: Não leiam jornal, selecionem o noticiário da internet. Aos jovens jornalistas, e aos que estão em cursos, um lembrete. Suas profissões estão com os dias contados, e não venham me dizer que é os jornais que estão morrendo e não o jornalismo. Eu perguntaria: o que farão os jornalistas sem os jornais, que é onde se emprega lmais profissionais. Outra coisa que precisa mudar urgentemente são estes oligopólios na imprenssa. Basta de 4 ou 5 famílias no Brasil, deterem todos os meios de comunicação. A era de Sarney Presidente e Antônio Carlos Magalhães Ministro das Comunicações acabou. É pagar para ver. Os tempos são outros, e quem não se ajustar, irá desaparecer. Um abraço. José Simões
marcilene  brandão, estudante de jornalismo (Belém-pará/PA)
Enviado em 5/7/2008 às 10:20:49 AM

gostei muito da matéria sobre a histíria do jornalismo,assunto muito discutido,pelos estudantes,valendo frizar a onde e até que ponto vai a história do jornal orincipalmente no brasil,onde as pessoas tem pouco acesso a internet sendo que assim muitos irãop deixar de ler jornais porque são analfabetos técnologicos. portanto se acabar o jornal impreso muitos irão ficar sem informaçôes precisas do que acontece em nossa sociedade.
Suhelen  Almeida, Assistente Adnibistrativa/Estudante (Rio Piracicaba/MG)
Enviado em 4/7/2008 às 6:42:01 PM

Há muito tempo diz-se que o jornal impressos teria um fim após o surgimento da Internet. Da mesma forma que julgaram que o Rádio acabaria com o desenvolvimento da TV. O caso é: há lugar para todas as mídias, sobretudo, quando se trata de níveis sociais. O que ocorre hoje é que a inclusão digital ultrapassou até os limites sociais. Dessa forma, mediante ä correria do dia-a-dia, o imdediato desejo de saber de tudo em pouco tempo, aumenta o rpetígio do meio de comunicação que proporciona interação até mesmo no trabalho.
   
A “obamização” globaliza a internet como ferramenta eleitoral
Postado por Carlos Castilho em 30/6/2008 às 2:50:55 PM
 
 

As eleições presidenciais norte-americanas acontecerão somente em novembro, mas na internet o senador democrata Barack Obama já pode ser considerado o ganhador tal a diferença que acumula em relação ao republicano John McCain.

 

Uma diferença que continua a aumentar não apenas dentro dos Estados Unidos como noutros países indicando que a globalização do pleito norte-americano já é um fato para lá de concreto, principalmente entre o eleitorado com menos de 30 anos.

 

Não é novidade o fato de Obama ser o candidato que melhor conseguiu incorporar o espírito Web na sua campanha para a Casa Branca.  Mas a dimensão do fenômeno está atropelando os especialistas da internet e os cientistas políticos.

 

Ai vão alguns dados publicados na edição do jornal The Washington Post do dia 26 de junho:

-          Obama tem sete vezes mais adeptos declarados do que John McCain entre as comunidades virtuais do site MySpace, uma das mecas da chamada Web social, ou Web 2.0;

-          No FaceBook, outro site de comunidades virtuais, cujos membros são majoritariamente jovens com menos de 30 anos , o número de adeptos de Obama (1,04 milhão) é 2,5 vezes maior do que no MySpace (401 mil).

-          No site YouTube, Obama tem cinco vezes mais vídeos publicados que McCain, com uma audiência ainda mais impressionante: 53,4 milhões de visitantes contra 3,7 milhões de internautas que visualizaram vídeos do candidato republicano.

 

Estes números têm uma explicação. E ela pode ser encontrada nas pesquisas de opinião que começam a pipocar a medida que a Web passa a ser usada cada vez mais como ferramenta eleitoral e que aumentam as indagações sobre o comportamento do eleitor jovem nos Estados Unidos.

 

A empresa de relações públicas Waggener Edstrom Worldwide e o Pew Internet & American Life Project divulgaram nos últimos sete dias duas pesquisas mostrando que a internet está conseguindo reaproximar os jovens da política, ao introduzir novos comportamentos e valores.

 

A Waggener Edstrom constatou que 64% dos norte-americanos com menos de 35 anos estão se informando sobre política por meio da Web. Já o projeto Pew afirma que inéditos 46% dos eleitores de todas as idades estão buscando na internet os insumos para decidir em quem votar. É a primeira vez na história das eleições norte-americanas que a televisão e os jornais perdem o monopólio na formação de opiniões eleitorais.

 

A pesquisa entre os jovens apontou uma esmagadora maioria (76%) preferência pela informação virtual considerada pelos entrevistados como menos tendenciosa que a divulgada pela TV ou publicada pelos jornais dos Estados Unidos.

 

Outra constatação surpreendente. Enquanto nos pleitos anteriores, o índice de participação dos norte-americanos na campanha eleitoral não chegava aos 10% do total do eleitorado, hoje, a confiar nos dados da Waggener, o percentual passa dos 24% . Já o Pew garante que 12% dos jovens com menos de 29 anos postaram pelo menos um comentário ou texto em sites e weblogs.

 

Está caindo por terra o mito da omissão e comodismo político da geração com menos de 35 anos. São cada vez maiores as evidências de que o problema não era a política, mas a falta de instrumentos de participação efetiva à disposição dos eleitores jovens.

 

A participação dos eleitores por meio da Web está quebrando também o monopólio que os partidos tinham sobre os rumos das campanhas. Pela primeira vez eleitores independentes interferem na agenda política dos candidatos como fez o ex-diretor de cinema em Hollywood, Robert Greenvald, que produziu, por conta própria, um vídeo mostrando contradições do candidato John McCain.

 

Ele não é o único de uma leva de free lancers que estão inundando o YouTube com produções independentes, pró e contra Obama. Vários comentaristas questionaram a independência de muitos vídeos, mas até agora não foi provado nada.

 

Até no Google, Obama lidera fácil como o nome mais mencionado em buscas na Web. Segundo Erick Qualman, do site SearchEngineWatch, especializado no estudo de tendências em buscas na Web, Brack Obama supera John McCain por na proporção de três pesquisas para cada uma do candidato republicano.

 

Os resultados do Google ajudaram os estrategistas do partido Democrata a resolver o dilema sobre como chamar o candidato nos cartazes eleitorais: Barack ou Obama. A palavra Obama foi usada 3,5 vezes mais do que Barack nas pesquisas na Web por eleitores.

 

O site Google Trends, na própria Google, revela dados indicando que a globalização da campanha eleitoral norte-americana na internet já é um fato. E seis países (quatro europeus mais o Canadá e Austrália), as eleições americanas ocupam na Web local quase tanto espaço quanto os políticos nacionais, nos comentários e blogs de independentes. Em todos estes paises, Obama ganha de McCain na proporção de 4 comentários para um sobre o candidato republicano.

 

Estes dados mostram uma tendência cuja intensidade pode variar, mas não há a menor sombra de dúvida de que estamos no limiar de um novo fenômeno que provavelmente mudará muitas de nossas percepções sobre participação cidadã, campanhas eleitorais e principalmente sobre os jovens e a política.

 

Nós também teremos eleições este ano e é bem possível que as surpresas se repitam por aqui, principalmente porque a mídia convencional está mais preocupada com os candidatos do que com os eleitores, como já é tradição.
Comentários (3)
Comentar
[imprimir]  [enviar a um amigo]  [link permanente]
   
   
Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem intolerância ou crime.
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Edilson  Luiz da Silva, Funcionário Público (Sanharó/PE)
Enviado em 1/7/2008 às 5:48:51 PM

*A internet é uma ferramenta válida para a democratização, mas o acumulo de informação pode dificultar encontrarmos a boa informação. Muitos vão procurar notícias sensacionalistas ao invés de discussões apropriadas de cada candidato. Selecionar o que ler vale mais do que ler em grande quantidade. Estou no: QUINTALDOPROFETA.BLIG.IG.COM.BR
Arnaldo  Mandel, Professor (São Paulo/SP)
Enviado em 1/7/2008 às 4:50:23 PM

Por aqui, nossas leis infames, com a cobertura de nossa atrasadíssima e ignorante justiça eleitoral vão fazer o possível para impedir a democratização notada no seu artigo.
Diogenes  Barbosa, Estudante de Jornalismo (Caruaru/PE)
Enviado em 1/7/2008 às 4:00:11 PM

"A participação dos eleitores por meio da Web está quebrando também o monopólio que os partidos tinham sobre os rumos das campanhas", O fato dos meios virtuais de comunicação terem se tornado mais influentes que a TV, nesta dada situação, é extremamente relevante. Assim como é ressaltado no texto: "principalmente porque a mídia convencional está mais preocupada com os candidatos do que com os eleitores, como já é tradição", o que parece não funcionar muito por lá, e talvez possa se tornar mais evidente em todo o globo. Os público percebe que os meios são resultado de suas necessidades, são o reflexo da sociedade em "si".
   
O medo e a aritmética na polêmica sobre a regulamentação da internet
Postado por Carlos Castilho em 27/6/2008 às 8:48:58 PM
 
 

Os comentários dos leitores me levam a continuar no tema porque há necessidade de uma troca de idéias mais aprofundada, como era inevitável, dada a complexidade da questão da regulamentação.

 

Então vamos por partes:

 

1)     Muitas pessoas pedem a regulamentação da internet porque temem a expansão das conseqüências criminais do anonimato na rede. Esta reação é totalmente compreensível porque mexe com instintos básico do ser humano. O anonimato é visto como um convite à delinqüência. Sem saber quem ataca fica mais difícil defender-se.

 

Na verdade não existe anonimato na rede. Qualquer pessoa na rede pode ser identificada com muito mais rapidez e eficiência do que nos sistemas tradicionais. Só que os processo de identificação dos delinqüentes virtuais são muito diferentes dos usados pelas polícias e tribunais do mundo inteiro. Só investigadores altamente treinados podem ser detetives cibernéticos.

 

Isto significa uma renovação total da polícia e das investigações criminais, o que implica uma reciclagem radical ou o afastamento da maior parte dos agentes, procuradores e magistrados atuais. Aí o corporativismo aparece e a solução mais fácil é disseminar a insegurança e desorientação como recurso idiota de tentar matar o mensageiro para desconhecer a mensagem. A solução não está no medo, mas na reflexão, na troca de idéias e no estudo.

 

2)     A anarquia da rede assusta. É verdade. A anarquia e o descontrole são ameaçadores da nossa visão dicotômica de um mundo dividido entre bons e maus, onde os maus tem que ser eliminados.

 

A sensação de anarquia da rede vem de um fato muito simples e não de uma suposta inspiração satânica. Vem da avalancha informativa que nos permite hoje ver as centenas de caras de questões que antes eram vistas de uma forma simplista por falta de informação.

 

Não é um desígnio maquiavélico e sim um sinal da evolução da tecnologia e do conhecimento humano. A diversidade abalou nossa visão dicotômica (certo ou errado) e isto nos deixa confusos, desorientados e, por conseqüência, temerosos.

 

O que é classificado como anarquia, na verdade é um sintoma de diversidade. Nosso dilema agora é substituir o medo pelo estudo da diversidade, da mesma forma que as pessoas hoje são obrigadas a se informar antes de comprar uma geladeira.

 

Antes bastava ter dinheiro. Agora, diante da diversidade de modelos, marcas e condições de pagamento, é preciso estudar a realidade antes de fazer uma opção.

 

3)     O governo deve controlar a internet. Esta é outra falácia do debate. Nem o governo, nem as empresas privadas e nem mesmo as organizações públicas conseguirão controlar a internet pelo simples motivo de que elas, muito possivelmente, vão usar ferramentas velhas para tentar resolver um problema novo.

 

É impossível domar um touro usando a psicologia freudiana. São duas coisas totalmente diferentes. Nós só poderemos pensar numa regulamentação  da internet depois de abandonar as fórmulas atuais. Tentar usar os instrumentos que conhecemos hoje só vai gerar frustração e fracassos.

 

Não deu até agora e não dará os resultados esperados por quem não conhece a rede por dentro. Por isto, a primeira coisa a fazer é constatar que existe uma nova cultura digital, que é diferente da cultura analógica. Quando Gutenberg inventou a imprensa, a reação na época foi muito parecida com a de hoje, com relação à internet.

 

Em 1452, todo o acervo da humanidade era estimado em 30 mil documentos. Um século e meio depois, a imprensa havia produzido 300 mil documentos. Hoje, a revolução da internet gera anualmente cinco exabytes de informação, ou seja, 50 mil vezes mais do que todo o acervo da Biblioteca do Congresso norte-americano, onde estão 32 milhões de livros, 61 milhões de manuscritos, só para dar alguns dados básicos.[1] 

 

E isto não toma em conta o que é produzido pelos 112 milhões de weblogs que se multiplicam ao fantástico ritmo de 175 mil novos por dia, com a incorporação de 1,6 milhões de novos conteúdos (texto,vídeo, áudios, fotografias) a cada 24 horas.  Entender a nova cultura digital é condição prévia indispensável para qualquer tentativa de criar regras na Web. 

 

Bom, era isto que eu queria jogar na mesa para ajudar na discussão. 


[1] Mais detalhes em http://en.wikipedia.org/wiki/Library_of_congress Os dados do verbete da Wikipédia em português (http://pt.wikipedia.org/wiki/Biblioteca_do_Congresso) estão um pouco desatualizados.

Comentários (5)
Comentar
[imprimir]  [enviar a um amigo]  [link permanente]
   
   
Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem intolerância ou crime.
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Rubens  Prector, Comerciante (Guarulhos/SP)
Enviado em 30/6/2008 às 10:13:15 PM

Todo veículo de comunicação regulamentado sofre em seu direito de faturamento e lucro, além dos interesses políticos que posssam estar atrás dos mesmos. E isso deixaria várias empresas enfurecidas. Exemplos disso são Veja, FSP, Organizações Globo, Estadão e outros. Isso só daria certo em lugares como alguns países da Europa, onde a imprensa e internet não são tão rasteiros e medíocres como nossos representantes desses meios. Enquanto publicações patrocinarem partidos políticos, como exemplos que não nos faltam, isso jamais será possível, não é revista Veja?
Lau  Mendes, SST (P.Alegre/RS)
Enviado em 30/6/2008 às 12:57:45 PM

A rapidez com que este PL esta andando no legislativo impressiona. Não se vê a mesma agilidade quanto às questões de reforma política. E o fato do PL partir de quem partiu chama a atenção. Esta tentativa de regulamentar a opinião mais parece uma “reserva de mercado” associada à opressão, onde uma entidade privada, o provedor, fará o papel de Polícia e Ministério Público . E a mídia que tanto presa à liberdade do direito de informação, e que por vezes confunde com a parcialidade do cidadão de opinar, não tem dado ao assunto a devida importância em combater tal agressão, até porque as conseqüências jurídicas previstas nos crimes de calúnia e difamação, estelionato e falsidade ideológica não parecem necessitar de legislação complementar. Mas se no dia que criminoso registrar arma , porte e a intenção; hacker informar endereço e telefone; jornalista revelar a fonte; banqueiro reduzir lucro em favor do correntista e o político anunciar em rede nacional que fará ou fez caixa 2 com verba pública , e só neste dia, talvez a percepção de segundas intenções neste PL desapareçam.
Roberto  Ribeiro, Arqueólogo (Aracaju/SE)
Enviado em 30/6/2008 às 11:36:08 AM

A idéia de um Estado controlador , absolutista é relativamente nova na história. No fim do século XIX surgiu no Brasil a idéia, vinda da França, de que o Estado deveria controlar a família, criando o "casamento civil", no início do séc. XXI, vemos que é praticamente impossível controlar a formação de casais e a lei das "uniões estáveis" praticamente aniquilou com o casamento civil. Até o começo do séc. XX, ninguém tinha pensado em uma lei para controlar a ortografia, hoje chafurdamos com mais uma reforma ortográfica. As pessoas são muito liberais, qdo é para o Estado não colocar rédeas na exploração do homem pelo homem, mas querem que este mesmo estado interfira nas comunicações (dos outros), na venda de produtos piratas, na garantia de "direitos autorais". Ou seja, apesar de serem absolutamente contra o comunismo, o que desejam é o Estado Instrumental de Lenin, desde que os que o maneje sejam os que sempre o manejaram. Mas deter a evolução dos fatos é como tentar deter uma enchente...
José Antonio  Oliveira, jornalista (Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 30/6/2008 às 10:02:21 AM

O governo brasileiro regulamentou o funcionamento das rádios comunitárias e instalou, na prática, uma censura jamais vista. O sistema de concessão para os veículos dito comerciais é o complemento. Os crimes sejam na Internet ou fora dela, contra o individuo, são os mesmos, portanto não é, substantivamente. uma questão de novas leis ou regulamentações. O Estado brasileiro tem sido ineficiente e ineficaz para combater os crimes praticados pelos métodos, digamos, tradicionais. E isto envolve os três poderes da república e têm raizes profundas, culturais (- a quem servem os poderes?). A seguir esse modelo, vai ser ineficiente e ineficaz também para combater os crimes digitais, mas será eficiente e eficaz para combater a livre circulação de ideias. No mundo, dito civilizado, a questão pode até ser mais amena, mas os fundamentos acabam sendo os mesmos. E o aprimoramento do Panopticon
Marcelo  Thompson, Eng (Niteroi/RJ)
Enviado em 30/6/2008 às 9:13:10 AM

Bela análise! Concordo plenamente! Podar ou regulamentar o uso da internet seria tirar o que ela tem de melhor: um ambiente livre e caótico, onde podemos achar de tudo. Com certeza, crimes cibernéticos devem ser punidos, mas exatamente como você mencionou: através do uso intensivo de ferramentas e conhecimentos profundos de como funciona a tecnologia da internet.
Carlos Castilho
* Repórter - revista Fatos & Fotos
* Redator internacional - JB
* Editor internacional - Opinião
* Editor internacional - O SOL
* Editor telejornais - TV Globo
* Chefe do escritório da TV GLobo em Londres
* Redator - Cadernos do Terceiro  do Terceiro Mundo
* Correspondente latino americano  do jornal Público - Lisboa
* Editor internacional do JB
* Editor associado do The World Paper - Boston
* Editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica
* Consultor de advocacy na mídia para a União Européia
* Consultor projeto Trix (web) em Florianópolis
* Consultor projeto TNext (web) RJ
* Professor de Jornalismo Online no curso de Mídia Eletrônica, Faculdades ASSESC (Florianópolis)
* Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005.
* Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas.
* Cursando pós graduação em Mídia e Conhecimento no EGC/UFSC. 
-Reside em Florianópolis / SC
email ccastilho@gmail.com


Arquivo

Navegue pelos meses usando
também as setinhas azuis.
Você encontra uma descrição do conteúdo dos tópicos, dia a dia.
   2008 
DSTQQSS
124
5
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Últimos posts
A semana da “grande degola" na imprensa norte-americana
A “obamização” globaliza a internet como ferramenta eleitoral
O medo e a aritmética na polêmica sobre a regulamentação da internet
Os dilemas da regulamentação do caos cibernético
O site YouTube torna-se a nova grande arena na propaganda eleitoral

Weblogs de referência
Atrium
PressThink
First Draft
Contra a Clicagem Burra
Cyber Journalist
Buzzmachine
Holovaty
Hypergene Media
Intermezzo 
Morph
e-Periodistas
Editors Weblog 
Writing for the Web 
eCuaderno
Guardian OnlineBlog
Jornalismo e Comunicação
Transnets - Francis Pisani
Common Sense Journalism
Ponto de Análises
Weblog sobre Weblogs
Comunisfera
Contentious
CyberSoc
Behind the News
Ecosphere
Global Voices
I, Reporter
Journalism Hope
Journalistic.co.uk
El Cuarto Bit
New Media Musings
Notes from a Journalism Teacher
MediaCitizen
News Dissector
Online Journalism News Blog
Ponto Media
Rebuilding Media
The Media Drop
Steve Outing
E-Media Tidbits
GJol
Periodismo Ciudadano

Websites de referência
Carnegie Reporter
Columbia Journalism Review
Online Journalism Review
Media Center
Poynter Online
Online News Association
Creative Commons
Chasqui
Oxford Internet Institute
Panopticon - Facom - UFBA
OnlineJournalism.com

Textos de referência
*Abandoning the News
*History of online journalism
*Reputation Systems
*We the Media
*Como las audiencias están modelando el futuro de las noticias y la información
* Smart Mobs
Implicit Structure and the Dynamics of Blogspace
* Journalism under Fire
* Modelling the First Generation of News Media in the World Wide Web
* Buzz, Blogs and Beyond
* Towards professional participatory storytelling in journalism and advertising
* The Emergence of The Progressive Blogosphere
* We are the Web
* Civic Commons in Cyberspace
* Fixing Journalism
* Blogs, a Global conversation
* The Big Media Meets the Bloggers
* The Blogging Revolution
* The Hyperlocal Citizen Media