Em Cima da Mídia
 
Observatório no Rádio
 
Quarta-Feira, 19 de Abril de 2006
 
Programa 250
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Desestimular o troca-troca

O único item inquestionável da legislação eleitoral aprovada ontem no Congresso é a distribuição do tempo de propaganda na TV e no rádio proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos, e não aos do início da legislatura, depois do tradicional troca-troca de legendas. Essa é moralizadora.

Usar a internet

A publicação diária das contas de campanha na internet não será lei, mas pode ser exigência da sociedade. Funcionaria, agora, para candidatos cujo eleitorado tem acesso a todos os meios de comunicação e é mais participante. Já seria um começo.

Vai para a Caixa

A propaganda eleitoral não ocorre apenas em canais partidários. Os governos federal, estaduais e municipais usam dinheiro público para fazer propaganda política.

No momento, por exemplo, o ex-jogador de futebol Raí é o protagonista de uma campanha da Caixa Econômica Federal cujo tema é a casa própria. A casa própria que o caseiro Francenildo Costa não conseguiu comprar.

Mainardi desafiado

O diretor de jornalismo da Rede Globo em Brasília, Franklin Martins, anuncia no Observatório da Imprensa Online que vai processar o colunista da Veja Diogo Mainardi, a quem chama de difamador. Martins desafia Mainardi a encontrar um entre os 81 senadores que tenha ouvido dele pedido para nomear um irmão seu para cargo na Agência Nacional de Petróleo. E propõe: caso esse senador seja encontrado, ele, Martins, abandona o jornalismo. Caso não seja encontrado, Mainardi abandona a coluna que assina na Veja.

Franklin Martins anuncia que doará o dinheiro que vier a receber por decisão judicial.

Clique aqui para ler o texto de Martins.

O jornalista Leonardo Atuch, da IstoÉ Dinheiro, também anunciou, meses atrás, processo contra Diogo Mainardi.

Negócios da China

O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, comenta o pragmatismo com que a empresa Google trata restrições à liberdade na China.

Egypto:

- A companhia Google, a jóia faiscante do mercado da internet, produziu uma prova definitiva de que os negócios serão determinantes sobre o caráter libertário da grande rede.

Para entrar no mercado chinês, atualmente com 111 milhões de usuários e extraordinário potencial de expansão, a empresa aceitou compactuar com a censura imposta pelo regime de Pequim. Seu motor de busca, por exemplo, filtra palavras-chaves como “Tibet”, “democracia” e todo e qualquer conceito que incomode as autoridades do país. Os internautas locais não são avisados disso.

E para evitar o fortalecimento de dissidentes na internet, Google também não abriu para a China os seus sistemas de e-mails e de blogs.

O site espanhol Periodista Digital reproduziu uma explicação do diretor-executivo do Google, Eric E. Schmidt. “Seria arrogância de nossa parte chegar a um país e dizer-lhe como deve ser governado”, disse. E arrematou: “Tínhamos a opção de não entrar na China, ou fazê-lo seguindo a lei”.

Mais pragmatismo do que isso, impossível.

De Maluf ao “mensalão”

A Folha de S. Paulo cobra em editorial que o Supremo Tribunal Federal use os meios de que dispõe para acelerar o julgamento da denúncia oferecida pelo procurador-geral da República contra os 40 acusados de ligação com o “mensalão”. Faz sentido.

Mas no noticiário desta quarta-feira, 19 de abril, há referências a falhas no documento produzido pelo procurador Antonio Fernando de Souza.

Bem brasileiramente, esse processo tende a caminhar aos trancos e barrancos. Vide o resultado final do processo contra Paulo Maluf pela doação de 25 Fuscas à seleção campeã de 1970. Trinta e seis anos depois, deu em nada.

Papagaios eletrônicos

É alarmante o grau de superficialidade com que a televisão trata assuntos de política internacional.

Ontem todas as emissoras disseram que o governo de Israel, em face do mais recente atentado de homem-bomba em Tel Aviv, decidiu não promover retaliação contra o governo palestino. Ninguém explicou que a medida tem por objetivo isolar politicamente o Hamas.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirma que o exército de seu país é um dos mais poderosos do mundo. Ninguém comenta. O Irã não está entre os dez países com exércitos mais poderosos. Seus gastos militares foram de 4,3 bilhões de dólares em 2003. Só para comparar, os do Brasil, que gasta pouco em relação ao PIB, foram em 2005 de 9,9 bilhões de dólares. Os dados são da CIA.

Ahmadinejad brada que vai “cortar a mão” de quem atacar o Irã. Essa metáfora é passada adiante como se significasse alguma coisa em si mesma. As televisões nem embrulham o peixe vendido pelo dirigente iraniano. O telespectador que se vire para extrair dessas palavras seu sentido político.

# # #

Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.

 
 
 
ainda, ainda Mainardi
Caro Vladimir, continuo com a mesma opinião do comentário anterior. Que bom que discordamos. Isso é democrático. Quando digo que o desafio de Franklin Martins é vazio, refiro-me ao cabelo nas ventas dos queridos senadores. Esses, não tem mesmo. Como Diogo Mainardi é um pouco mais intgeligente que qualquer político que nos representa, não acredito que aceite esse inócuo desafio. Franklin Martins é espertalhão. Sabe que nenhum senador admitiria nada disso, pois morrem de medo da Rede Globo. E, assim, cala a boca de Diogo Maindardi. Não devemos entrar no joguinho sujo do jornalista. Para mim, quem não tem caráter, é ele.
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Campanhas Eleitorais
Estou louco pra ver como será a campanha do PFL e do PSDB. Aqui, em meu estado, elas sempre foram milionárias e com um cheiro insuportável de caixa 2.
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Falha nossa!
Perdão, meu comentário anterior destinava-se a Janice, e não, Clarisse. Desculpe-me, Janice, pelo equívoco.
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Ainda Mainardi
Desculpe-me, Clarice, mas Diogo Mainardi acusou, sim, Franklin Martins de interceder pelo irmão. Isso está claro em sua coluna. A acusação é grave, e compete a Diogo prová-la. Temos que tomar cuidado com esse tipo de profissional, que costuma brincar com a honra alheia como se fosse uma criança brincando com pião. Se Franklin Martins usou de seu prestígio para ajudar o irmão, deve ser criticado veementemente. Ele mesmo afirma que deixará a profissão caso algum senador admita ter sido procurado por ele para esse fim. Pois bem. É a grande oportunidade de Diogo Mainardi eliminar um petista do meio jornalístico. Mas repito o que já dissera na minha primeira intervenção: se ele tiver cabelo nas ventas, aceita o desafio. Caso contrário, todos teremos o direito de adjetivá-lo, bem ao seu estilo, de covarde.
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Diogo Mainardi
Diogo Mainardi, em nenhum momento disse que Franklin Martins ficou pedindo pelo irmão. Ele simplesmente falou acerca da promiscuidade entre a maioria dos jornalistas e o PT. Isso, todos sabemos que existe. Dizer que Franklin Martins é partidário do PT, é chover no molhado. Na radio CBN, na ocasião da aprovação do relatório da CPI dos Correios, ele defendeu os interesses do PT, alegando que seu relatório paralelo deveria ser considerado. No Jornal da Globo, quando comentou sobre mensalão, até Willian Waak afirmou a existência do mesmo, mas ele não. Sem contar, que em diversas ocasiões, ele sempre arrumou um jeito de adular José Dirceu e seus asseclas. O desafio proposto a Diogo Mainardi é vazio. Se nossos queridos senadores não tivessem tocado no assunto sobre o parentesco de Victor Martins, tudo passaria batido. A homenagem cheirou a compensação. Diogo Mainardi não é simpatizante de nenhum partido, todos sabemos disso. Podem constestá-lo ou odiá-lo, mas não podemos ignorá-lo. Ele tem uma visão crítica de um país anacrônico. Não é ufanista. Ele é do contra? Ótimo. Não gosto de ter somente um ponto de vista. Isso sim, é democracia. Isso sim, é cultura. Cultura é debate de idéias. Nada contra o Franklin Martins ser simpatizante do PT. O que ele não pode é querer influenciar leitores menos avisados. Cachorro grande são os três poderes que insistem em parasitar em nossos bolsos.
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lembrete
Caro observador, o senhor diz que nesta quarta-feia (19 de abril) os jornais dizem que "há falhas" (na denúncia do Procurador que conseguiu o número exato de 40), mas não remete a nenhum texto, jornal ou jornalista. Que má vontade, hem? É duro reparar injustiça ou ter que noticiar o contrário do que se pensa, né?

Tereza Cruvinel: "A denúncia do Ministério Público também foi examinada [pela coordenação do governo]. Foi tida como exuberante na descrição mas pobre em matéria de provas. Algumas falhas foram apontadas, como o não arrolamento do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo (....)".

É um assunto que apenas começa a ser tratado. A denúncia oferecida pelo procurador-geral está, segundo a visão corrente, num patamar técnico mais elevado do que outros documentos produzidos recentemente, mas nem por isso isenta de falhas. O argumento relativo a Dimas Toledo precisa ser ponderado, porque se trata de outro esquema de corrupção, a partir de Furnas, objeto, se não me engano, de denúncia distinta. Dimas Toledo aparece no documento do procurador na nota número 19.

Clique aqui para ter acesso ao texto completo.

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esclareca-me, por favor.
Qdo o Fraklin Martins ou o Alberto Dines escrevem "marcartismo", o q eles querem expressar? Q o Mainardi ee contra a "liberdade de expressao"? Q o Mainardi vai acusa-los de comunistas (se bem q ser comunista ee legal atualmente)? Q o Mainardi representa o "mal" e os jornalistas acusados representam o "bem"? Se for a ultima opcao, parece ser um maniqueismo bem tolo... Para q adjetivar uma pessoa c/ este termo "marcartismo"? o termo nao ee claro, e sinceramente, acho q jornalistas serios nao deveriam fazer uso de chavoes s/ muito sentido. Se ainda fosse um politico tentando fazer uma CFJ, acredito q faria muito mais sentido. Porem, um jornalista tentando desqualificar um outro sei-la-o-que c/ este tipo de expressao... nao ee a toa q a midia estaa aonde estaa. Os jornalistas nao estao sendo claros.
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Mainardi
Agora a jiripoca vai piar! Se o bufão tiver cabelo nas ventas, aceita o desafio. Vamos ver se ele é tão galo quanto se se diz. Bem feito! Foi mexer com cachorro grande, deu no que deu. Ah, ah, ah!
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