GAROTINHO NA RECORD
Marcelo Beraba

"Animadores de auditório", copyright Folha de S. Paulo, 27/04/01

"Como governador, Anthony Garotinho é ótimo comunicador.

Radialista de sucesso, já deu inúmeras provas de suas virtudes de orador e de animador em comícios eleitorais, em reuniões públicas e nas pregações religiosas que faz Brasil afora. Seus programas em várias rádios e na TV Record mostram como se sente à vontade diante de um microfone e de uma câmara.

O governador não é o único bom comunicador guindado ao mundo político. São centenas os casos de radialistas, de locutores e de jornalistas bem-sucedidos que acabam trilhando os caminhos da política, favorecidos pela exposição pública, pela simpatia e pelo domínio das ferramentas e truques da profissão.

Não há, portanto, novidade no fenômeno. Nem problema. Exceto quando o comunicador parece predominar e guiar os passos do administrador. Esse desvio tem vários nomes: exibicionismo, manipulação, marketing.

Essa introdução toda serve apenas para dizer que o comportamento do governador Anthony Garotinho no episódio da prisão do bandido Fernandinho Beira-Mar foi, no mínimo, exagerado. Pode-se dizer que, desde a noite de sábado, o governador viveu única e exclusivamente em função do narcotraficante.

Alugou um jato para que seu secretário de Segurança e três assessores fossem para Bogotá, levando equipes de jornalistas. Participou de três programas de televisão, deu inúmeras entrevistas, disputou palmo a palmo o direito de uso da imagem do bandido, como se a prisão fosse fundamental para o seu governo.

Até agora, é apenas um feito de marketing que não consegue esconder o descontrole da violência no Estado. O que se espera é que as imagens do bandido preso, emoldurado pelo secretário de Segurança, não venham a se constituir, no futuro, no emblema maior deste governo."



Ancelmo Gois

"O domingão do Garotinho", copyright no. (www.no.com.br), 26/04/01

"Mais um exemplo mostra a alma do governo Garotinho possuída pela mídia. No domingo, mal soube da prisão de Fernandinho Beira-Mar, o secretário de Segurança Josias Quintal alugou um jatinho, ofereceu carona a jornalistas e saiu desenfreado para a Colômbia. A bordo, olhava toda hora o relógio e comentava: ‘Será que ainda dá tempo de entrar no Faustão?’ Além disso, o próprio governador saiu faturando a prisão do facínora em um tour de programas populares, como o do Raul Gil."



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