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BANCAS FECHADAS
Narcoterror repete terrorismo político

Alberto Dines

A Dinap (Distribuidora Nacional de Publicações), a maior distribuidora brasileira de revistas, comunicou às editoras-clientes, na última segunda-feira (30/9), que grande número de bancas situadas na Zona Norte do Rio de Janeiro estão fechando.

As redes criminosas ligadas ao bandido Fernando Beira-Mar querem forçar um lock out do comércio para pressionar as autoridades a liberar o regime carcerário imposto ao traficante depois dos últimos assassinatos em Bangu 1.

A estratégia desta máfia é aliciar os jornais cariocas – sobretudo os populares, que vivem da venda avulsa – para a sua cruzada. Premida pela crise econômica que baixou as receitas publicitárias e obrigou a demissão de dezenas de jornalistas, a imprensa carioca será obrigada a manifestar-se em favor das pretensões da bandidagem.

O narcotráfico está repetindo a mesma tática de intimidação adotada pelos órgãos de segurança contra a imprensa alternativa no início dos anos 80, a única que fazia oposição ao regime militar.

Incendiando bancas nos municípios do Grande Rio, o terrorismo político conseguiu o que anos de censura prévia não haviam obtido: assustar os jornaleiros que vendiam os semanários de oposição, sobretudo o Pasquim, Movimento, Em Tempo e Versus, e calar a resistência.

A tática é a mesma para um objetivo ainda mais ambicioso: submeter a grande imprensa ao arbítrio do crime organizado.

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