VIDA DE JORNALISTA
Um mantra contra o estresse
Nádia Almeida (*)
Em 12 anos de profissão, não me reconheço mais. Meu estresse é crônico, dentro e fora da redação. Assim como outros colegas, tento entrar em casa despida da ansiedade típica do local de trabalho, esquecer as pressões. Não dá.
Jornalismo impregna a pessoa de tal forma que pode mudar sua personalidade, alterar padrões biológicos, extinguir vida social, causar problemas de saúde, isso sem falar em ameaças e atentados. Chega a exigir tratamento psicológico, senão psiquiátrico.
Infelizmente, nada disso é considerado pela maior parte dos patrões. Mas somos inveterados apaixonados pela profissão e até nos orgulhamos dessa dedicação intensiva. Como meu professor de faculdade pregava, "jornalista bom é jornalista 24 horas". E nem é coisa de fama. Tem muito de heroísmo na atitude dos "mártires da informação".
Quando o chefe berrar
Nesta profissão, os desafios são contínuos e a carga, pesadíssima, principalmente nas pequenas empresas, onde se faz de tudo. Reféns da ameaça do desemprego, que não é imaginária, repórteres produzem fotos, fotógrafos entrevistam, editores diagramam, diagramadores vendem anúncios. Um verdadeiro "mix". Os sindicatos têm conhecimento dessa situação, mas a fiscalização, quando existe, chega a ser cômica, não fosse trágica.
Por tudo isso, seria interessante que as faculdades de Comunicação incluíssem na grade curricular do curso de Jornalismo noções de empreendedorismo, para que os novos consigam ter e manter seus próprios negócios, sem ficar na dependência do mercado de trabalho, sujeitando-se à exploração, e técnicas de meditação.
Aí, quando o chefe berrar lá da sala que quer a matéria "pra ontem", o jornalista vai responder com um mantra. Auuummmmm...
(*) Jornalista
Leia também
Sem lazer, sem salário, sem horário – Jô Azevedo