PESQUISA UFMT
Censo étnico-racial entre alunos
Cristina Piloni (*)
O reitor Paulo Speller e a professora Lúcia Muller, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (Nepre), da Universidade Federal de Mato Grosso, divulgaram no dia 30/10 os resultados do 1º Censo Étnico-Racial da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da UFMT – as duas primeiras universidades brasileiras a realizar este trabalho. O levantamento dos dados foi feito entre março e maio de 2003.
O objetivo do censo foi mapear a identidade étnico-racial dos estudantes, sua trajetória escolar, seu rendimento e sua origem familiar, verificando, ao mesmo tempo, o grau de aceitação de uma política de cotas para negros na universidade. Na UFMT, foram entrevistados 5.571 alunos, todos do campus de Cuiabá.
Segundo Lúcia Müller, os dados obtidos são preliminares, uma vez que o trabalho prosseguirá com o cruzamento das informações e o aprofundamento da análise dos dados. Posteriormente, será publicado um livro com os resultados. Para a coordenadora do censo, entretanto, a partir dessa primeira etapa da pesquisa já é possível perceber alguns fatos interessantes. O percentual de alunos negros ou pardos na UFMT é de 50,5%, enquanto o de brancos se situa em 40,1%, o de amarelos em 3,5%, e o de índios em 0,8%. No censo, 5,0% dos entrevistados não declarou a raça, e 0,1% se classificou como pertencente a mais de uma raça.
Embora os alunos negros ou pardos sejam maioria na UFMT, sua presença é menor nos cursos de maior prestígio, exceto no de enfermagem. Outra questão que apareceu na pesquisa é que a trajetória dos alunos negros ou pardos é mais acidentada, ou seja, é marcada pelas dificuldades de conclusão dos cursos, pela evasão e o trancamento de matrícula.
Com relação à adoção de políticas de cotas, 51,88% dos alunos entrevistados se posicionaram contra e 8,25% a favor. 10,76% disseram não ter opinião e 0,85% não responderam.
O reitor Paulo Speller manifestou sua satisfação pela conclusão do censo, que, na sua opinião, está fornecendo dados objetivos para que a UFMT possa adotar políticas adequados de ação afirmativa para a população negra ou afro-descendente. Em princípio, afirmou que a UFMT não é contra nem a favor de uma política de cotas e que a posição da Instituição dependerá do resultado das pesquisas, que, posteriormente, serão encaminhadas para os órgãos colegiados para os devidos encaminhamentos.
Informações
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(*) Repórter da Coordenação de Comunicação Social da UFMT