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ASPAS
COMUNICAÇÃO GOVERNAMENTAL
Silas Andrade
"Não apaguem a comunicação", copyright Jornal do Brasil, 4/06/01
"A comunicação governamental, vista como elo fundamental entre o gestor público e a população, deveria ser feita com a máxima transparência, haja vista que dela decorre a obrigatoriedade de não simplesmente falar a verdade, mas acima de tudo contextualizar-se no ambiente e nas circunstâncias onde essa verdade acontece. Em termos de comunicação governamental e de motivar à participação da sociedade, o que adiantaria apenas tentar justificar a falta de ações em alguns setores, e não divulgar o que foi feito? As referências situacionais, sobre o que é feito e como são feitas as coisas, contribuem fundamentalmente para a credibilidade do governante. Nada mais salutar e eficiente para fortalecer o regime de igualdade entre os cidadãos e de moralidade na administração da coisa pública do que a transparência na comunicação dos seus programas e ações.
Para alicerçar toda ação de divulgação, aí incluído o marketing governamental, é importante também buscar diretrizes de natureza prática que orientem a comunicação do governo, de maneira que possam estar presentes, implícita ou explicitamente, em cada mensagem publicitária.
Muitas das vezes, leitura que se faz da comunicação governamental é que ela é abstrata e de difícil compreensão para a população. Não raro, a população tem desconhecimento dos programas e realizações governamentais; não identifica suas finalidades; desconhece a esfera de poder público responsável pelas realizações; considera-se mal informada sobre as ações do governo; quer transparência na administração e demanda ser mais bem informada. Em outras palavras, o cidadão, na maioria das vezes, não sabe identificar o responsável pela ação ou falta de ação governamental. Os planos de mídia privilegiam, em geral, o público formador de opinião, que não necessariamente repercute nos diversos segmentos da sociedade. Falta criatividade nos planos de mídia. Por isso, a maioria dos assessores de comunicação tende a privilegiar a badalação, em detrimento da criação de mensagens impactantes e adequadas ao interesse direto e na linguagem do cidadão comum. Uma má ação governamental é como um vinho ruim. Mesmo com o passar do tempo, continua ruim e só é lembrada pelo fator negativo causal.
Assim, o efeito positivo do uso dos meios de comunicação, além de permitir maior visibilidade, pode também ‘prestar contas’, aos contribuintes, das ações efetivas do chefe do Executivo.
Uma visão sistêmica da comunicação permite avaliar melhor as reações, tendências, os anseios da sociedade. Fundamental é que os cidadãos percebam que essa comunicação se baseia em princípios éticos e na transparência e na verdade, e que eles se sintam valorizados por um governo que os veja como objetivo primeiro de suas ações. As pessoas só participam quando percebem o valor daquilo que realizam. O processo de comunicação integrada participativa garante o acesso e a contribuição constante dos cidadãos na construção de um país melhor.
Por outro lado, a comunicação governamental não pode e não deve restringir-se a informar as realizações da administração. Ela deve assumir uma postura preventiva e educativa, deve ser a mola da motivação.
A forma tradicional de fazer política - e de fazer seu marketing - tem como objetivo primeiro simplesmente ‘faturar’ de forma desordenada em cima de obras, programas, serviços, atitudes, posicionamentos. Essa é a praxe, segundo a maioria dos casos examinados ao longo de anos. A tradução é que isso é mera construção de cenário. É dispensável construir um cenário, mas nunca uma realidade.
A intenção de destacar os valores primordiais do trabalho e da credibilidade através da troca coletiva de idéias e do diálogo constante com a sociedade civil é ponto fundamental para quem pretende desenvolver uma boa estratégia de marketing governamental.
Essa é uma nova cena real que pede o rompimento corajoso com a forma tradicional de fazer política e sua propaganda. Se a forma antiga buscava a mera construção de cenários, a nova forma rompe com isso e pede a construção da nova realidade também na comunicação social do governo, na forma politicamente correta que os novos tempos cobram.
Esses tempos pedem e permitem uma sociedade solidária que supere toda forma de exclusão e preconceito, diminuindo as distâncias sociais e tornando objetivo o anseio de justiça e eqüidade, exemplificado em ações concretas de valorização da cidadania e de participação efetiva do cidadão no aperfeiçoamento do cotidiano. (Silas Andrade é consultor político)"
Daniel Castro
"Governo planeja canal oficial internacional", Folha de S. Paulo, 2/06/01
"O governo federal estuda a criação de um canal de TV oficial internacional, a ser transmitido apenas para o exterior. O projeto está sendo desenvolvido pela Radiobrás, estatal que já produz ‘A Voz do Brasil’ (no rádio) e o canal pago NBR, veiculado em 15 operadoras da Net.
Segundo Carlos Zarur, presidente da Radiobrás, o NBR-I (como o projeto está sendo chamado) seria um ‘canal voltado para assuntos brasileiros de interesse no exterior, como a divulgação do turismo nacional e de setores exportadores’.
Ao contrário do NBR, que se ocupa principalmente da cobertura de atividades de Fernando Henrique Cardoso e de seus ministros, no NBR-I o presidente só teria espaço em ocasiões de conflito de interesses comerciais internacionais.
Zarur afirma que a Radiobrás já tem infra-estrutura para produzir o canal. Falta resolver os custos de satélite e negociar a transmissão com operadoras de cabo.
O NBR-I poderá ser irradiado em diferentes línguas -e não apenas na portuguesa. Seu principal objetivo seria entrar na Europa, América do Norte e Ásia.
Zarur pretende negociar a programação do canal com o Ministério das Relações Exteriores e com grandes exportadores. Ele ainda não tem os custos do canal. Segundo o dirigente, a Radiobrás consome, por ano, R$ 17 milhões em custeio e investimentos."

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