ASPAS

FOTOJORNALISMO
Ivson Alves de Sá

"Reflexões em torno de uma rasteira", copyright Coleguinhas, uni-vos (www.coleguinhas.jor), 18/03/01

"A Infoglobo bolou nova maneira de passar uma rasteira nos jornalistas. Desta vez, as vítimas são os fotojornalistas, que, desde pouco antes do Carnaval, passaram a ser figuras totalmente dispensáveis no Extra. Foi há coisa de três semanas que começaram a aparecer fotografias tiradas pelos repórteres que também assinavam os textos. Na edição de quinta-feira antes do tríduo momesco, quase todas (talvez mesmo todas) as fotos da editoria de polícia eram de repórteres-fotógrafos. Depois, a coisa ficou meio em banho-maria, mas não é difícil de encontrar fotos assinadas por este híbrido.

Bom, mas isso é apenas a mais nova manifestação daquela obsessão dos donos da empresa de comunicação de desvalorizar o nosso trabalho - e que o sindicato pode cuidar, se já não o fez, entrando na DRT contra este exercício de dupla função. Mas há outro ângulo que pode passar meio despercebido: a da contínua - e para mim algo surpreendente - queda de importância do fotojornalismo.

A surpresa fica por conta de que sempre ouvi dizer, e li, que a nossa sociedade é, para o bem e para o mal, a da imagem. E um dos argumentos sempre repetidos é o da importância que a fotografia ganhou na segunda metade do século passado. De repente, se nota que, se tomarmos um período que começa na início dos anos 90, nota-se que a foto em jornal perdeu, paulatinamente, sua importância informativa, sem falar estética.

Esta mudança não foi notada por mim apenas. A prova é o texto enviado por um jovem fotojornalista com quem comentei a rasteira da Infoglobo. Vejam o que ele escreveu:

‘Contrata-se repórter que saiba fotografar, isto é, apurar, redigir e tirar fotos também. Alguns repórteres levam uma câmera compacta pendurada no pescoço para ilustrar a apuração que realizam nas ruas. Os editores justificam-se com uma suposta falta de verba, mas para alguns profissionais esta atitude indica que o fotojornalismo está em processo de extinção. Um fato que se nota não somente por este fato, mas, principalmente, pelo próprio espaço da fotografia nos jornais, que vem sendo reduzido há anos, encurralado pela publicidade, cuja onipotência faz com que as página sejam desenhadas em sua função.

É triste, mas é realidade. Exigem de nós, fotógrafos, pautas banais, das quais só por força de milagre se arranca algo de mais trabalhado. Acredito que as páginas de jornais não precisam ser preenchidas apenas com esgoto vazando e ‘bonecos’ de personagens, na maior parte das vezes fora do seu contexto social. Sem contar inúmeras fotografias de artistas de TV da moda, da música - em geral pagodeiros paulistas e funkeiros - e socialites emergentes. Dizem que cada sociedade tem a comunicação que merece. Mas será que a nossa merece consumir ‘lixo’ diariamente?

Se nós, fotojornalistas, não fizermos algo para mudar esta tendência, teremos os dias contados dentro dos jornais. Se não voltarmos a fazer bom fotojornalismo, seremos substituídos por qualquer um dentro da redação, pois, sabemos bem, existem câmeras amadoras que só faltam falar e que se desincumbem da tarefa de clicar bonecos sem problemas. Há diariamente vários exemplos impressos, como aquelas fotos de divulgação de festinhas. Qualidade informativa e/ou artística? Nenhuma, mas preenchem o branco que a diagramação deixou para ‘arejar’ a página..

Pautas que geraram fotos maravilhosas como as de Custódio Coimbra sobre a baía de Guanabara só têm espaço hoje em galeria ou um livro de arte; em jornais, nenhuma chance. Mas será que não depende de nós também a proposição de boas pautas e a obtenção de maior espaço para as fotos nos jornais? De preferência sem panelinha, para que todos tenham oportunidade de publicar seu trabalho...

Precisamos sobreviver como profissionais, mas para isso é preciso mudar nossa postura e corrermos atrás de nossos sonhos e ambições. Se ficarmos somente nas lamentações diárias, nossas fotografias se tornarão completamente descartáveis e, obviamente, nós com elas.’

Quem mandou? - O empresário Fábio Gouvêa, usado como testa-de-ferro por Amilcare Dallevo Jr. na sarabanda da compra da Rede Manchete (atual Rede TV!) suou muito para conseguir de volta o dinheiro que investido na operação, pois os créditos que adqüirira eram ainda piores do que pareciam e não deram lucro algum. Gouvêa sofre ainda mais com a operação: alguns bancos vivem em seus calcanhares.

Lá também - A desaceleração da economia norte-americana está afetando jornais de grande porte dos Estados Unidos. A queda na receita de anúncios, papel de impressão mais caro e o desempenho ruim dos negócios na internet levam as empresas jornalísticas a aumentar o preço de suas principais publicações, reduzir custos e demitir pessoal.

Dos quatro maiores jornais nos EUA, apenas o ‘USA Today’ não irá aumentar seu preço de capa. Os outros três - ‘The Wall Street Journal’, ‘The New York Times’ e ‘Los Angeles Times’ - estão aumentando o preço de seus produtos. Em abril, o diário de economia ‘The Wall Street Journal’ irá cobrar um preço mais alto de quem for comprar o jornal na banca. De US$ 0,75, preço cobrado durante dez anos, passará para US$ 1. A receita obtida com anúncios no ‘The Wall Street Journal’ caiu 32,1% em fevereiro, e em março a queda será idêntica. O grupo Knight Ridder informou recentemente que vai demitir funcionários no jornal californiano ‘San Jose Mercury News’.

A desaceleração econômica no Vale do Silício, região que concentra empresas de informática e internet, está encolhendo a receita de anúncios classificados. Segundo a ‘Gazeta Mercantil’, a fatia dos jornais é a maior do mercado publicitário dos EUA, no setor de mídia, mas vem sofrendo uma retração nos últimos anos. Em 1999, era equivalente a 21,5% da receita total de US$ 215,3 bilhões. A mala direta é o segundo maior receptor de anúncios, com 19,2%, seguida da TV aberta, com 18,6%.

Profecia furada - Grande parte dos fundadores de revistas online desdenhavam as publicações impressas, assinala matéria do jornal ‘The New York Times’. Cinco anos atrás, as revistas virtuais Slate e Salon foram lançadas em meio a anúncios prognosticando que as ‘webzines’ se tornariam um negócio multimilionário e derrubariam as publicações impressas ao roubar seus leitores e anunciantes. Muita gente, inclusive algumas empresas de publicações, acreditaram nisso.

Mas não foi o que ocorreu. No último ano, à medida que as previsões de assinaturas e anúncios caíam e os financiamentos secavam, mais de uma dúzia de revistas online recorreram à mídia tradicional para sobreviver. A Salon acabou criando um boletim noticioso impresso e a Slate lançou uma revista em papel brilhante. Tudo na tentativa de conquistar leitores e anunciantes e ganhar dinheiro para manter os sites, até que alguém descubra uma forma de lucrar com as webzines.

O rádio tem futuro - O rádio digital chegou à Índia, através do satélite da WorldSpace, informa o jornal português ‘Publico’. Depois da África e de outros países asiáticos, a empresa quer levar àquele país ‘um poderoso instrumento de difusão de informação para as regiões do mundo que vivem à míngua dela’, segundo o jornal.

Com o uso de satélites, a WorldSpace oferece para toda Índia programas digitais com alta qualidade técnica, que podem ser sintonizados em 23 canais, sem qualquer interferência. Também é possível captar emissoras da África, com programas infantis educativos e de entretenimento em inglês e música clássica do Ocidente. A empresa já vendeu, no país, 10 mil rádios receptores fabricados especialmente para o referido tipo de transmissão, e já planeja produzi-lo na região.

O presidente da WorldSpace, Noah A. Samara, disse que a empresa assumiu o compromisso de ‘criar riqueza de informação’. ‘O desenvolvimento das populações depende da informação a que têm acesso. A rádio consegue chegar a populações que outros 'media' não conseguem alcançar’, observou Samara. Para o presidente, o veículo ‘penetra fundo no espírito das pessoas e espevita-lhes a imaginação, em vez de lhes embotar os sentidos’."



INDENIZAÇÃO
Folha de São Paulo

"Malu Mader ganha ação contra jornal", copyright Folha de S. Paulo, 15/03/01

"A atriz Malu Mader venceu em segunda instância a ação por danos morais e materiais que move contra o jornal ‘Extra’, das Organizações Globo. A decisão judicial prevê indenização de R$ 2 milhões. O departamento jurídico do ‘Extra’ informou que irá recorrer.

A atriz moveu a ação por causa da publicação, na primeira página do jornal do dia 18 de dezembro de 98, de uma foto em que ela aparece nua, na minissérie ‘Labirinto’.

Como a decisão dos três desembargadores não foi unânime, o departamento jurídico do jornal irá interpor embargos infringentes (um tipo de recurso cabível contra uma decisão judicial proferida por um tribunal quando não há unanimidade entre os desembargadores). O desembargador Marcus Tulius, relator do processo, reduziu o valor da indenização para R$ 150 mil, mas os R$ 2 milhões, estabelecidos na primeira instância, foram mantidos por Paulo César Salomão e Renato Simoni.

Para a advogada do ‘Extra’ Cristiana Montaury Pimenta Corrêa, o recurso baseia-se em dois aspectos. Com relação ao dano moral, a argumentação é que a publicação da foto era apenas divulgação e, quanto ao dano material, argumenta que ele não aconteceu, já que a publicação não impediu a atriz de realizar trabalhos."



Volta ao índice

Caderno da Cidadania – próximo texto

Caderno da Cidadania – texto anterior



Mande-nos seu comentário



Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores | Modo de Usar
Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você