CARTAS
REPRESSÃO NA AV. PAULISTA
A polícia do ALCA
DCE-Livre da USP / Gestão Gota d’água (*)
Não é novidade para restritos setores da sociedade brasileira a negociação da carta de intenções do ALCA (Acordo de Livre Comércio das Américas) que o governo brasileiro está prestes a assinar nos próximos meses. Se assinado, será o tratado diplomático mais significativo de nossa história, pelo menos, o mais importante do pós- guerra. Este acordo vem sendo apresentado como uma mera integração de mercados, como parte da "inevitável" globalização, mas a problemática está muito além das questões do dumping do aço e do protecionismo da laranja. Todas as dimensões socioeconômicas do país serão atingidas, da soberania às transações financeiras, passando por questões ecológicas e direitos trabalhistas.
O debate que vem sendo travado não transcende seu espaço limitado. Não podemos deixar de suspeitar que restringir esse debate é objetivo do governo brasileiro que se enquadra na estratégia de afastar a sociedade civil da proposição de políticas e perspectivas para o país.
Porém, todas essas postulações valeriam também para outros países. O que foi transmitido na televisão? Quebec: bem vestidos líderes de toda América, manifestação marcada, cidade murada e dividida para receber o encontro, tropa de choque perfilada e com orientação de não entrar em conflito. São Paulo: estudantes, manifestação marcada, polícia organizada e subdividida por milícias de embate, pessoalização do conflito, espancamento, manifestantes com ameaça de serem mandados aos presídios, cirurgias de vítimas.
Não é só o espetáculo e o alarido da mídia. A sexta-feira de 20 de abril na Avenida Paulista foi mais uma prova disto. Os estudantes estavam ali para realizar uma manifestação pacífica. Mais do que se contraporem ao acordo, buscavam uma forma de abrir a questão, uma forma de fazer brotar o debate.
Só houve espaço para o embate. Bombas, gás e cassetetes revelaram uma polícia que não defende, ataca. E mais do que isso: um Estado que reprime, que patrimonializa e que só admite o silêncio. A violência descabida e inaceitável desta sexta-feira vai muito além das fraturas e hematomas.
Atrapalhamos o trânsito, vidros foram quebrados. Não usemos isto para justificar o injustificável num regime democrático. O que passamos nos assusta muito, pois nos faz lembrar das histórias que crescemos ouvindo, acerca de um tempo que parecia ter ficado para trás.
O Estado neste país possui uma estrutura impregnada do autoritarismo decorado pela violência. O mesmo que posa de líder do Cone Sul e sonha em ser líder do Terceiro Mundo oprime, prende e arrebenta. O cordial Itamarati tem estado à margem da sociedade, o governo é o braço armado que assenta no porrete as opiniões divergentes e a democracia. Não é o gás de pimenta da ALCA, não é a estrutura paramilitar do Estado, é a bomba moral de negar a possibilidade de expressão política, de negar a própria política.
(*) E-mail: dceusp@yahoo.com
PARTICIPAÇÃO
Projeto "Faça alguém feliz"
Sou professora de Educação Física de Garça (SP), da Rede Estadual. Faço um trabalho de voluntariado com jovens entre 13 e 15 anos cujos pais são de baixa renda, no projeto "Jovem... Faça Alguém Feliz". O jovem é o protagonista das ações, trabalhando com os assistidos de todas as creches (oito) da cidade e um lar de velhinhos. Semanalmente, durante o ano, desenvolvem trabalhos elaborados especialmente para a realidade de cada entidade. No final é feita uma festa de confraternização. Tudo é registrado em relatórios, depoimentos, fotos, avaliações dos dirigentes das entidades e dos alunos participantes.
É o quarto ano consecutivo do projeto, e os resultados têm sido maravilhosos para todos: alunos (rendimento escolar, disciplina, valorização da própria estória de vida, auto-estima, respeito às diferenças), assistidos, escola, comunidade e principalmente para esta coordenadora, que a cada dia aprende um pouco com cada um.
Sobre o papel da imprensa, acho-o fundamental, pois nestes anos todos trabalhamos sozinhos, os alunos e eu, contando com algum auxílio apenas na festa de encerramento. N ano passado, por insistência da direção da escola, participamos do 1º Prêmio Click Educação Escola Cidadã, e ficamos entre os 25 finalistas do Brasil. Neste ano fui convidada a participar na STV, em São Paulo, do programa Brasil Solidário.
As portas estão se abrindo, já estou estudando parceria com as secretarias de Cultura e de Educação, com a Associação Comercial e Industrial de Garça, professores de Língua Portuguesa, de Matemática, Espanhol, alunos em estágio avançado em Língua Inglesa, comerciantes, pais de alunos que se sensibilizaram com o trabalho dos filhos.
Se desejarem informações detalhadas sobre o Projeto, entrar em contato e enviarei com imenso prazer.
Elizabete José Domingues Martins
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