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CENSURA EM JUNDIAÍ, SP
O vale-tudo eleitoral
Silas Feitosa (*)
Jundiaí já está acostumada. Quando a sucessão municipal entra em pauta, começam a circular panfletos anônimos com acusações que vão do abjeto ao estapafúrdio. Mas já estamos evoluindo também nessa matéria. Agora os textos são assinados, permitindo que sejam respondidos. É verdade que a má fé é a mesma, uma vez que se esconde do leitor o leitmotiv, o quid bono, em um desserviço à democracia tão duramente conquistada.
É o caso do Sr. Rafael Alcadipani, que aproveitou a rejeição dos seus artigos, por parte do Jornal de Jundiaí, para fazer a grave acusação de prática de censura à atual administração, herdeira dos ideais políticos de homens como Franco Montoro e Mário Covas.
Jundiaí é servida hoje por várias estações de rádio, algumas delas com índices de audiência expressivos, inclusive na cidade de São Paulo, uma retransmissora da Globo, com sede em Sorocaba, dois jornais diários, além de ser coberta pela edição regional de Campinas do jornal Folha de S. Paulo.
No domingo dia 16/2, a manchete da primeira página de um dos jornais da cidade era: "PT faz manifestação pela Paz". O outro diário local, também na primeira página, estampava o seguinte: "PT comemora 23 anos com festa". Só nas duas semanas do mês de fevereiro contamos cinco matérias nos dois jornais locais sobre ações da oposição ao prefeito, inclusive com entrevista do presidente do partido oposicionista, ao qual o Sr. Alcadipani é filiado. No rádio é a mesma coisa. Com um agravante: vários radialistas contratados fazem a assessoria de imprensa de sindicatos ligados à CUT. Como esses sindicatos são aparelhados pelo partido de oposição, a voz da situação não tem vez. É o vale-tudo eleitoral.
Aos domingos, dois jornalistas contratados por esses sindicatos comandam um programa de três horas de duração. O programa é patrocinado por diversos sindicatos. Um desses patrocinadores tem como presidente o também presidente do PT local. Curiosamente, parece que o interesse dos operários da região se resume a criticar a atual administração jundiaiense. Não se ouve uma crítica a administrações como a de Campinas ou a de São Paulo, por serem do mesmo partido dos patrocinadores. É de se imaginar até onde se está a confundir o legítimo interesse dos operários com interesses pessoais e partidários, inclusive no manejo de consideráveis verbas do fundo sindical.
Não acreditamos que o Sr. Alcadipani, ao procurar tirar proveito da rejeição de seus textos por um jornal local, pretenda afirmar que a Prefeitura esteja a controlar a TV Globo nem as rádios da cidade, uma vez que algumas delas, como já dissemos, têm expressão que vai muito além da região de Jundiaí e recebem verbas nacionais.
O próprio Sr. Alcadipani declara que um dos seus artigos, objeto de censura, sequer versava sobre ações da prefeitura, mas sobre problemas homossexuais. E que quem impediu sua publicação foi o diretor do jornal em que ele escrevia.
Por que então essa acusação? Não nos parece que a rejeição, por mais psicologicamente dolorosa, venha a ser a causa principal da manifestação do Sr. Alcadipani. Membro do diretório municipal do PT, partido que pratica uma oposição automática em Jundiaí, no velho estilo "é do governo? Mesmo que seja do interesse da cidade, sou contra", e que até o momento não se deixou impregnar pelos novos ares que sopram de Brasília, seu objetivo, que luta para manter na obscuridade, é um segredo de polichinelo: dar munição ao seu partido, mesmo sacrificando a verdade e o interesse dos jundiaienses.
Suas verdadeiras intenções surgem ao final do artigo, ao verberar contra a atual administração, acusando-a de ter instituído, em função dos altos índices de aprovação do atual prefeito, o que ele chama de Ilha da Fantasia, uma criatura do marketing da prefeitura, sem respaldo na realidade.
Ilha da Fantasia? Ora, se compararmos o inigualavelmente isento relatório da ONU/Ipea, acerca do desenvolvimento humano dos municípios paulistas, nos últimos 20 anos, veremos que Jundiaí foi a cidade do estado de São Paulo que mais se desenvolveu, nessa área, passando do 51° lugar em 1980 para o 2° lugar, em 2002, entre cidades com mais de 200 mil habitantes. O jornal Folha de S. Paulo, edição Campinas, comparando os investimentos sociais feitos pelas prefeituras de Piracicaba (PT), Campinas (PT) e Jundiaí (PSDB), concluiu que o orçamento municipal da nossa cidade é o que destina mais recursos a esse setor. No último relatório da ONU, de 2002, a educação em Jundiaí recebeu nota 0.928, superior à maioria esmagadora das cidades brasileiras. Para se ter uma idéia, o índice do Japão é 0.930. Pesquisa do Ministério da Justiça, publicada em 16/2/2003, mostra que Jundiaí, apesar de seu desenvolvimento, é uma das poucas cidades do estado em que os índices de violência (homicídio, roubos e furtos) são declinantes.
Ilha da Fantasia? Jundiaí coleta 96% do esgoto que produz; 100% do esgoto coletado são tratados. E o resíduo desse tratamento é transformado em adubo. Isso faz da cidade referência em saneamento básico em todo o Hemisfério Sul.
Ilha da Fantasia? Qual outra cidade no país não gostaria de ostentar esses índices e obter tal reconhecimento?
Poderíamos seguir com mais alguns exemplos de excelência e pioneirismo, como o Compra Aberta, serviço de compras pela internet – no qual Jundiaí é cidade pioneira no estado de S. Paulo – em que as compras municipais são feitas em tempo real, ao vivo, aos olhos de todos, e que já diminuiu em 15% o gasto com compras da Prefeitura. Mas vamos ficar por aqui para não cansar o leitor.
Temos ainda dois anos até as eleições. Mas o apetite de alguns já está aguçado. Ao ponto de, em função de seus interesses, sacrificarem tudo, até a verdade. Sabemos que muita coisa ainda precisa evoluir, em Jundiaí. E uma delas é a prática política provinciana e adolescente de atacar, forjar versões, sem qualquer compromisso com os fatos. Mas, mesmo nesse campo estamos evoluindo. Agora, pelo menos, os panfletos não são mais anônimos.
(*) Publicitário, especialista em marketing político
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