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REPRESSÃO EM CUBA
Estado de jornalistas presos se agrava
Comitê para Proteção dos Jornalistas (*)
O jornalista peruano Gustavo Gorriti viajou a Cuba na semana passada, representando o Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ), e comprovou a grave situação dos jornalistas independentes cubanos e suas famílias, que sofrem perseguições, pressões psicológicas e humilhantes condições penitenciárias.
A missão se originou à raiz da campanha repressiva que o governo empreendeu no primeiro trimestre do ano contra a imprensa independente e a oposição. No total, 28 jornalistas foram presos, condenados e sentenciados a penas privativas de liberdade que oscilam entre 14 e 27 anos. As detenções de jornalistas e dissidentes, que freqüentemente são acusados de "contra-revolucionários" a serviço dos Estados Unidos, começaram em 18 de março e continuaram por três dias. Agentes da polícia invadiram e revistaram as casas dos jornalistas e apreenderam livros, máquinas de escrever, materiais de arquivo, câmeras, computadores, impressoras e aparelhos de fax.
Os julgamentos sumários dos jornalistas, que duraram 24 horas, foram realizados em 3 e 4 de abril a portas fechadas. Os jornalistas permaneceram presos em celas do Departamento de Segurança do Estado (DSE) até 24 de abril, quando a maioria deles foi transferida para prisões localizadas a centenas de quilômetros de suas casas.
Sobre sua viagem a Cuba, Gorriti considera que "ainda que [o presidente cubano Fidel] Castro se gabe de que não se cometeram desaparições forçadas nem torturas físicas contra os opositores..., a perseguição intensa e generalizada, as prisões e as condições penitenciárias que sofrem seus opositores constituem, sem dúvida, tortura psicológica".
Encontros de Gorriti com as famílias dos jornalistas presos
Durante sua estada em Havana, Gorriti se reuniu com as famílias dos jornalistas presos Oscar Espinosa Chepe, Ricardo González Alfonso, Raúl Rivero y Hector Maseda Gutiérrez, para levar a eles a preocupação do CPJ.
Quando chegou a Havana, em 8 de julho, Gorriti visitou Miriam Leiva, jornalista independente e mulher de Espinosa Chepe. Gorriti se surpreendeu ao ouvir Leiva, a quem permitem visitar o marido a cada três meses, relatar os pormenores da avançada cirrose de Espinosa Chepe, os obstáculos que tem de enfrentar para vê-lo e as horríveis condições da prisão onde se encontra que, segundo Leiva, podem levá-lo à morte.
O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, radicada em Nova York e se dedica a defender a liberdade de imprensa em todas as partes do mundo. Nova York, 18 de julho de 2003
Informações
Comitê para Proteção dos Jornalistas
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