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ASPAS

TV GLOBO vs. CBF
Fábio Victor, Fernando Mello E José Alberto Bombig

"CBF ameaça a Globo com seleção às 20h30", copyright Folha de S. Paulo, 21/8/01

"Acossado, Ricardo Teixeira peita parceira comercial e coloca em risco contrato que determina exibição de jogos do Brasil às 21h40 e privilégio no acesso ao time nacional

A CBF quer mudar o horário dos jogos da seleção brasileira realizados em casa no meio de semana, hoje iniciados às 21h40, para as 20h30.

O desejo da entidade, anunciado a dirigentes e empresários esportivos pelo presidente Ricardo Teixeira, é uma declaração de guerra à TV Globo, que exibiu na última sexta-feira um programa com denúncias de irregularidades na gestão de Teixeira.

A emissora possui um contrato com a CBF, pelo qual detém com exclusividade os direitos de transmissão em TV aberta das partidas da seleção de 1999 a 2002.

Conforme o contrato, revelado pela Folha em junho, os dias e horários dos jogos da equipe nacional devem ser fixados pela CBF em comum acordo com a Globo, ‘(...) de forma a se compatibilizar a exibição dos mesmos com a grade de programação da Globo’.

Mas, ainda segundo o texto do contrato, ‘(...) na falta de acordo entre as partes, os jogos do meio de semana devem ser realizados às 21h40’. Esta última parte prevaleceu de 99 até hoje.

O mesmo instrumento jurídico garante ao jornalismo da Globo facilidades no acesso aos atletas e à comissão técnica da seleção.

Oficialmente, o argumento da CBF será o de que a mudança atende a interesses da população, que consideraria o horário das 21h40 muito avançado. Quanto ao fim das regalias, a justificativa da CBF é que é parte de um pacote para democratizar a seleção.

Acossado pela exibição do ‘Globo Repórter’ com as denúncias de que estaria envolvido em crimes contra o sistema financeiro, levantadas pela CPI da CBF/ Nike e publicadas nos últimos meses pela Folha, Teixeira quer contra-atacar mostrando que a emissora também tem ingerência sobre a seleção e, portanto, teria culpa na atual crise do time.

Já a decisão da Globo de mostrar o lado suspeito da gestão de Teixeira foi interpretada pela CBF como um rompimento entre os parceiros. A emissora nega. Diz que seu jornalismo não está atrelado ao departamento esportivo.

A confederação irá negociar com a Globo a mudança para tentar mostrar à opinião pública que tem independência e não está atrelada aos interesses comerciais da empresa de comunicações.

Mais: que ainda tem força econômica (a maior parte de suas receitas vem dos contratos com a Nike e a AmBev) e política.

A CBF, sabe, no entanto, que as chances de alcançar o seu objetivo são quase nulas. Para encaixar os jogos da seleção no meio da semana às 20h30, a Globo precisaria mudar o horário dos carros-chefes de sua programação, o ‘Jornal Nacional’ e a novela das oito.

Uma eventual transferência das partidas poderia significar um prejuízo de milhões para a emissora, que tem no horário os seus mais rentáveis anunciantes.

Se não houver um acordo, o horário de 21h40 será mantido, mas a CBF ‘lavará as mãos’.

A Globo Esportes, braço da emissora que controla os contratos do setor, informou que não se pronunciaria sobre ameaças.

A iniciativa da CBF em mexer com o horário dos jogos da seleção pode se estender às partidas do Brasileiro. Dirigentes afirmaram que Teixeira também tentará convencer os clubes a antecipar o início das partidas do torneio."

 

 

FSP

"Para desviar foco, entidade escala Scolari", copyright Folha de S. Paulo, 21/8/01

"Em meio ao mau momento político, a diretoria da CBF decidiu colocar o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, para falar.

O treinador vai conceder uma entrevista coletiva hoje, às 11h, logo após convocar os jogadores que atuam no exterior para o próximo compromisso da seleção nas eliminatórias: a partida contra a Argentina, no dia 5 de setembro, em Buenos Aires.

Tradicionalmente, as entrevistas só acontecem no dia da convocação dos atletas que atuam no país. A lista dos ‘estrangeiros’ era sempre divulgada por fax, pela assessoria de imprensa.

A entrevista de Scolari é uma tentativa da direção da CBF de tirar do foco das atenções o presidente da entidade, pressionado por investigações da CPI do Futebol, no Senado.

‘Decidimos mudar a ordem da entrevista porque o Felipão vai chamar mais estrangeiros desta vez’, justificou o coordenador técnico da seleção, Antônio Lopes.

O argumento de Lopes é frágil. Para a partida contra os paraguaios, a última da seleção, a CBF enviou, por fax, a convocação dos 13 ‘estrangeiros’- mais da metade do grupo de 22 atletas.

Hoje, as novidades de Scolari deverão ser o lateral-direito Cafu, o meia Juninho Pernambucano e os volantes Emerson e Mauro Silva.

O atacante Ronaldinho, do Paris Saint-Germain, também está cotado.

Para evitar polêmicas, nenhum diretor da CBF quis falar ontem sobre os problemas com Teixeira.

Hoje à tarde, advogados do presidente da entidade deverão conceder uma entrevista para defendê-lo.

A monotonia só foi quebrada quando uma equipe do apresentador Cazé Peçanha, da TV Globo, foi gravar um quadro-piloto.

Ele queria entregar um convite para Teixeira participar de uma reunião da Fifa (Federação Interna de Futebol Amador) do Carandiru.

Primeira colocada nas eliminatórias, a Argentina também anunciará hoje sua lista de convocados para o jogo contra o Brasil."



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