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Edição de Marinilda Carvalho

Pedofilia na Igreja, golpe na Venezuela, jornalismo engajado, a maltratada flor do Lácio e eleições 2002. Estes são os temas que despertaram mais leitores nesta edição do Observatório.

Chama a atenção o comentário do leitor Ricardo Meirelles, sobre o texto de Raphael Perret Leal, que na edição passada criticou o mau português das emissoras de TV [ver remissão abaixo]: "Sugiro-lhe, portanto, que se informe melhor sobre questões de linguagem e vá além das aulas de gramática da tia Maricota."

Mas que desconsideração com a tia Maricota! Se a gramática da tia Maricota ainda estivesse em vigor não falaríamos tão mal – e muito menos escreveríamos mal do jeito que escrevemos nos meios de comunicação.

Os "linguistas científicos" tacham de "reacionário" todo mundo que critica o mau uso do português. Pois saibam que, do outro lado, muita gente vê esses "lingüistas" como neoliberais assumidos: apóiam o Estado mínimo, aquele que baniu a educação para a escola privada, relegam os não-favorecidos à sua ignorância e ainda dirigem olhar complacente a profissional da língua que escreve mal. Paulo Renato deve amar essa turminha.

Já os progressistas verdadeiros querem o bom ensino público de volta, para que toda a população conheça o prazer de escrever direito em sua própria língua – e, quem sabe, até tenha acesso à tal "leitura científica" de que fala Ricardo.

Socorro, tia Maricota!

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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PEDOFILIA
Perdão e indenização

Muito bom o comentário sobre os casos de pedofilia na Igreja Católica. Com certeza, foram trazidos à luz pela indústria de indenizações que atua à sombra do sistema judiciário americano, onde tudo tem seu preço, e a função dos advogados e juízes é estabelecê-lo. Gostaria de acrescentar alguns pontos:

Na mensagem de Jesus Cristo, o perdão ao pecador arrependido é ponto-chave. O pecador deve ter ciência de sua má conduta, estar arrependido, pretender não mais pecar e se confessar, para obter o perdão divino (divino, nada a ver com assuntos terrenos, seculares, como indenizações).

A confissão é entre pecador e sacerdote, não pode ser violada. Como conclui o artigo, padre homossexual é absurdo, pois seria admitir que ele pudesse quebrar a castidade (se homossexual pode, padre heterossexual poderia). A Igreja pode admitir padres com tendências homossexuais, mas que não pratique, afinal sacerdotes são seres humanos, com fraquezas inerentes. Da mesma forma, certamente padres e freiras têm desejos normais, devem entretanto reprimi-los.

Suponho que a Igreja transfira os padres que se confessem pedófilos ou pederastas que sinceramente se arrependam para conventos onde possam ser observados e orientados. Seria solução que atende à mensagem de Cristo. Afinal, o Mestre disse á multidão que pretendia apedrejar a adúltera: "Atire a primeira pedra quem nunca pecou", e a ela, "Vá! E não peques mais." (Não disse "liberou geral".)

Mudando o assunto, na imprensa a palavra "homossexual" sumiu, só se escreve o eufemismo "gay". O Jornal do Brasil já publicou um suplemento gay, cor-de-rosa, comme il faut.

Ernesto Marra

 

Lebre, poeira e polêmica

É muito interessante que o Sr. Alberto Dines queira levantar lebre, poeira e polêmica ao designar pedofilia como apenas um "degrau" ou "aspecto" de um "problema" maior, o homossexualismo. Será que o Sr. Alberto Dines, como o Sr. Carlos Heitor Cony, também é ex-quase-padre, da geração Manchete e Fatos & Fotos dos anos 50 e 60 do Rio de Janeiro, todos com aquele cheiro de mofo, aquele ranço de quem matou Dama de Tefé? Contra-argumentar e retrucar o puro rancor que é este artigo do Sr. Dines é trabalho dos séculos de História passada e futura da Humanidade, assim como da Ciência, da Psicologia etc. etc. O que choca é que uma pessoa articulada e inteligente como ele possa revelar esta face monstruosa. É quase que a face de um pedófilo revelando-se a uma criança. Um dia pessoas como o Sr. Dines deixarão de ser legião. De um ex-fã horrorizado,

Lucas Poiani

 

Olhar da modernidade

O artigo do Dines sobre a questão da pedofilia na Igreja chega mais perto das questões de base, que estão no campo da orientação para o celibato na Igreja. Para serem realmente vividos como uma orientação humana e humanizante, os três votos – celibato, obediência e pobreza – precisam ser trabalhados ao longo da formação vocacional, acompanhados terapeuticamente inclusive, porque nenhum dos três votos pode ser imposto, sob pena de violar a dignidade da pessoa humana. O voto do celibato, que inclui uma nova orientação para o amor agápico, para a fecundidade vivida na experiência comunitária, exige que a pessoa viva sua sexualidade sob um novo prisma, nada simples, já que está é dimensão fundamental de realização da pessoa humana, e como tal não pode ser deixada de lado, como se não existisse ou pudesse ser subestimada.

Creio que aqui estamos tocando em uma das pontas dessa questão... a Igreja precisa ter a coragem de olhar para a formação dos religiosos e religiosas. E hoje, com o olhar da modernidade, aberto para uma nova antropologia e rede de relações, aberta para a discussão com as demais áreas de conhecimento, e não reduzida aos teólogos, ao ambiente interno e ao seu aparelho de conversa.

Rose Fernandes

 

Velhos e errôneos conceitos

Nas últimas semanas, o mundo se deparou com uma inundação de reportagens acusando padres da Igreja Católica de pedofilia. Os motivos para essa "crise" são vários, mas o principal, em minha modesta opinião, é o atraso da Igreja em relação à sociedade.

Por mais que seja complicado para a entidade mais conservadora do mundo admitir, a sociedade passou por intensa e revolucionária transformação. A Igreja, não. Manteve dogmas que soam ridículos neste novo milênio. Em plena época da mundialização da informação, da internet, do casamento de homossexuais, de guerras biológicas e de doenças sexualmente transmissíveis, continua condenando preservativos, recomendando sexo após o casamento, tratando o homossexualismo como doença.

Está na hora de a Igreja se adaptar ao mundo real, sair da utopia e encarar a realidade, se adequar à sociedade, tomar posição mais racional sobre a sexualidade do ser humano, de acabar com "normas" estranhas e trocar de papa. Ou corre o risco de perder a credibilidade.

Alexandre Moreno

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